FRANCISCO DE MENESES PIMENTEL

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: PIMENTEL, Meneses
Nome Completo: FRANCISCO DE MENESES PIMENTEL

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PIMENTEL, MENESES

PIMENTEL, Meneses

*gov. CE 1935-1937; interv. CE 1937-1945; dep. fed. CE 1951-1955; min. Just. 1955 -1956; dep. fed. CE 1956-1959; sen. CE 1959-1971.

 

Francisco de Meneses Pimentel nasceu em Santa Quitéria (CE) no dia 12 de outubro de 1887, filho do operário Balbino Ferreira Pimentel e de Clara Meneses Pimentel.

Estudou no Colégio São Luís, em sua cidade natal, e no Liceu do Ceará. Em 1907, com 20 anos, fundou na cidade de Pacoti (CE), juntamente com um sacerdote local, o Ginásio São Luís. Transferido para Fortaleza em 1916, esse estabelecimento alcançaria grande prestígio, formando várias gerações de alunos que viriam a ter influência no cenário estadual e nacional. Foram professores do Ginásio São Luís, além do próprio Meneses Pimentel, que o dirigiu até 1946, dom Hélder Câmara e o escritor Austregésilo de Ataíde, desde 1959 presidente da Academia Brasileira de Letras.

Meneses Pimentel bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Ceará em dezembro de 1914, montando em seguida seu escritório de advocacia em Fortaleza. Em 1917, fez concurso para professor das cadeiras de direito romano e de filosofia do direito na faculdade onde se formara, apresentando as teses Fontes do direito romano e A liberdade humana e as teorias modernas. Aprovado, ocupou as duas cadeiras, inicialmente como substituto, sendo nomeado em 1918 catedrático de direito romano. A partir de 1921, tornou-se diretor da Faculdade de Direito, permanecendo no cargo até 1935.

 

De 1930 a 1945

Meneses Pimentel ingressou na política em 1929, sendo eleito deputado à Assembléia Legislativa do Ceará. Exerceu seu mandato até o ano seguinte, quando a Revolução de 1930 dissolveu o Congresso Nacional e as assembléias estaduais. Voltou então às suas atividades de professor e advogado, servindo ainda como técnico junto ao governo estadual. De 1932 a 1933, foi juiz do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Em 1935, Meneses Pimentel candidatou-se a governador do Ceará na legenda da Liga Eleitoral Católica (LEC), partido que congregava os remanescentes dos grupos que até 1930 haviam detido o poder político no estado. Seu opositor deveria ser Juarez Távora, do Partido Social Democrático (PSD) do Ceará, agremiação que agrupava os revolucionários de 1930. No entanto, como a Assembléia Constituinte estadual eleita no ano anterior com a incumbência de escolher o governador era formada por 13 deputados do PSD e 17 representantes da LEC, Juarez retirou sua candidatura e José Pompeu Pinto Acióli apresentou-se em seu lugar. Pouco antes da eleição, contudo, o deputado George Moreira Pequeno, da LEC, passou-se para o PSD, aumentando para 14 cadeiras a representação desse partido. Se o PSD conseguisse atrair mais um deputado, a votação terminaria empatada e seria considerado eleito o candidato mais velho, José Acióli. O esforço de atração do PSD concentrou-se no deputado da LEC Carlos Eduardo Benevides, que, por ter recusado todas as propostas, foi obrigado a se refugiar para não ser seqüestrado. Logo depois, o jornal A Gazeta de Notícias, favorável à LEC, sofreu um atentado. Temerosa, a LEC pediu garantias ao Exército, que abrigou todos os seus deputados e o candidato Meneses Pimentel no quartel do 23º Batalhão de Caçadores (BC) até a hora da eleição. No quartel, segundo Itamar Espíndola, ocorreu uma tentativa de envenenamento dos deputados e de Pimentel. Três dias antes das eleições, o presidente Getúlio Vargas chamou ao Rio de Janeiro, então Distrito Federal, o interventor federal no Ceará, coronel Filipe Moreira Lima, e o destituiu, nomeando para seu lugar o industrial Franklin Monteiro Gondim, até então secretário do estado. Segundo Itamar Espíndola, Vargas temia as atividades de Moreira Lima, já que este ameaçara “virar a banca” se o candidato do PSD fosse derrotado. No dia da eleição, os deputados e Meneses Pimentel dirigiram-se à Assembléia protegidos por uma companhia do 23º BC. Realizado o pleito, Pimentel venceu por 16 votos contra 14.

Meneses Pimentel foi empossado governador em maio de 1935. Em novembro desse ano, eclodiu em Natal, em Recife e no Rio a Revolta Comunista. De Fortaleza, Meneses Pimentel enviou forças policiais para Moçoró (RN) a pedido do prefeito daquele município, Francisco Duarte Filho, que se dizia ameaçado pelo avanço de uma força de dois mil operários.

Como governador, entre outras obras, Meneses Pimentel procedeu à construção dos prédios da Secretaria de Polícia e Segurança Pública, da Secretaria de Agricultura, do Liceu do Ceará, do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), da Escola de Agronomia, do quartel da Força Pública, do Arquivo Público, do quartel da Guarda Civil e da Inspetoria de Trânsito.

Com a implantação do Estado Novo, em 10 de novembro de 1937, o Congresso foi fechado e todos os cargos efetivos foram abolidos. Extinto o cargo de governador, Meneses Pimentel foi nomeado interventor federal no Ceará.

Ainda em 1937, tropas federais invadiram a cidade de Caldeirão (CE) e dispersaram uma comunidade de caráter messiânico, sob a alegação de que dava guarida a foragidos que haviam participado da Revolta Comunista de 1935. A imprensa brasileira, sob a censura do Estado Novo, não noticiou o fato.

No dia 11 de maio de 1938, Meneses Pimentel estava na capital da República quando ocorreu o ataque integralista ao palácio Guanabara, residência oficial do presidente Getúlio Vargas. Apesar da precária resistência, os assaltantes acabaram dominados em poucas horas e Pimentel foi o primeiro a entrar no palácio para solidariedade ao presidente.

Durante o período em que se manteve à frente da interventoria no Ceará, Meneses Pimentel voltou-se para os problemas da educação pública, da agricultura, da viação, do ensino profissional, da construção de açudes e do desenvolvimento econômico.

Em 27 de outubro de 1945, dois dias antes de Vargas ser deposto por um golpe militar, Meneses Pimentel exonerou-se para concorrer às eleições estaduais, antecipadas por decreto de Vargas para coincidir com o pleito federal de 2 de dezembro daquele ano. Os candidatos tinham 30 dias de prazo para a desincompatibilização e o decreto proporcionava aos interventores a possibilidade de se candidatarem. Com a deposição de Vargas, o presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares, assumiu interinamente a presidência do país. Seu primeiro ato foi revogar o decreto que antecipava as eleições e nomear novos interventores, quase todos ligados ao Poder Judiciário.

Com a redemocratização do país, Meneses Pimentel candidatou-se, no pleito de dezembro de 1945, a uma vaga no Senado Federal pela legenda do Partido Social Democrático (PSD), mas não conseguiu se eleger.

 

Deputado, ministro e senador

Em 1947, já constitucionalizado o país, Meneses Pimentel foi eleito vice-governador do Ceará com o apoio da coligação entre o PSD e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), na chapa do desembargador Faustino de Albuquerque e Sousa, eleito governador.

Em outubro de 1950, elegeu-se deputado federal pelo Ceará na legenda do PSD. Em 1954, juntamente com Martim Rodrigues e Válter Sá Cavalcanti, procurou renovar o PSD, conquistando a adesão de novos nomes para o partido. Em outubro desse mesmo ano, foi reeleito deputado federal.

Durante o governo provisório de Nereu Ramos (11/11/1955 a 31/1/1956), Meneses Pimentel ocupou o Ministério da Justiça, retomando em seguida seu mandato de deputado.

Em outubro de 1958, foi eleito senador com apoio da coligação entre o PSD, o PTB e o Partido de Representação Popular (PRP), deixando a Câmara em janeiro de 1959, ao final da legislatura, para representar o Ceará no Senado. Como senador, fez parte das comissões de Constituição e Justiça, dos Códigos Eleitoral e Partidário, de Legislação Social, de Finanças, do Código de Processo Civil, de Transportes, Comunicações e Obras Públicas, de Relações Exteriores, de Serviço Público Civil, de Redação e de Alienação e Concessão de Terras Públicas e Povoamento, além da Comissão de Educação e Cultura, da qual foi presidente até o término de seu mandato.

Em 1962, ao lado de outros políticos, promoveu em plano estadual uma aliança entre a União Democrática Nacional (UDN) e o PSD — a chamada União pelo Ceará — para enfrentar no pleito de outubro os candidatos ao governo do estado considerados esquerdistas. Virgílio Távora, da UDN, foi eleito governador.

Após o movimento político-militar de março de 1964, com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, Meneses Pimentel ingressou na Aliança Renovadora Nacional (Arena), agremiação política de apoio ao regime militar. Nessa legenda, candidatou-se, em outubro de 1966, à renovação de 1/3 do Senado, sendo reeleito para um mandato de quatro anos. Em seu segundo mandato de senador, participou das comissões de Educação e Cultura, de Constituição e Justiça, de Relações Exteriores, de Redação, do Polígono das Secas, de Serviço Público Civil e de Agricultura. Em janeiro de 1971, pouco antes do término do mandato, afastou-se do cargo por doença, sendo substituído pelo suplente Gentil Barreira.

Meneses Pimentel foi membro da Academia Cearense de Letras e escreveu para os jornais O Nordeste e O Estado, ambos de Fortaleza. Foi presidente da diretoria regional do PSD no Ceará e membro da diretoria nacional desse partido.

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 19 de maio de 1973.

Era casado com Maria Brígida de Holanda Pimentel, com quem teve seis filhos. O primo de sua esposa, Ubirajara Índio do Ceará, foi deputado estadual (1935-1937) e federal (1965 e 1966).

Publicou Livre arbítrio e as teorias modernas e Fontes do direito romano. Itamar Espíndola escreveu sua biografia, intitulada Meneses Pimentel; educador, governante e político (1978).

Robert Pechman

 

 

FONTES: ARAÚJO, M. Cronologia (1943); ARQ. NAC. Relação; ARQ. OSVALDO ARANHA; CAFÉ FILHO, J. Sindicato; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1946-1967); CISNEIROS, A. Parlamentares; COHN, G. Petróleo; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORTÉS, C. Homens; COUTINHO, A. Brasil; Encic. Mirador; ESPÍNDOLA, I. Meneses; FED. ESC. ISOLADAS DO EST. RJ. Ministros; FICHÁRIO PESQ. M. AMORIM; GIRÃO, R. Ceará; Globo (20/5/73); Grande encic. Delta; INST. NAC. LIVRO. Índice; Jornal do Brasil (16/10/66); LEVINE, R. Vargas; NÉRI, S. 16; PEIXOTO, A. Getúlio; PESQ. F. BARBOSA; POPPINO, R. Federal; SENADO. Dados; SENADO. Relação.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados