FRANCO, CAIO DE MELO

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Nome: FRANCO, Caio de Melo
Nome Completo: FRANCO, CAIO DE MELO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FRANCO, CAIO DE MELO

FRANCO, Caio de Melo

*diplomata; emb. Bras. França 1953-1955.

 

Caio de Melo Franco nasceu em Montevidéu no dia 3 de maio de 1896, filho de Afrânio de Melo Franco e de Sílvia Cesário Alvim de Melo Franco. Foi considerado brasileiro em razão de dispositivos constitucionais, pois, na época, seu pai, que era diplomata, servia como secretário da legação do Brasil naquele país. Às famílias de seus pais pertenceram, desde o Império, diversas personalidades de grande projeção na vida política de Minas Gerais e do Brasil. Seu avô materno, Cesário Alvim, foi deputado geral por Minas Gerais e presidente da província do Rio de Janeiro durante o Império, presidente de Minas Gerais de 1889 a 1890 e de 1890 a 1892, ministro da Justiça em 1890 e prefeito do Distrito Federal de 1898 a 1900. Seu pai foi deputado federal de 1906 a 1929, ministro da Viação de 1918 a 1919 e ministro das Relações Exteriores de 1930 a 1933. Seu tio, Afonso Arinos de Melo Franco, foi escritor da escola regionalista, autor de Pelo sertão e membro da Academia Brasileira de Letras. Seu irmão, também chamado Afonso Arinos de Melo Franco, foi deputado federal por Minas Gerais desde a Constituinte de 1946 até 1959, senador pelo mesmo estado de 1959 a 1967 e ministro das Relações Exteriores de 1961 a 1962; como o precedente, projetou-se também como escritor, tornando-se membro da Academia Brasileira de Letras. Seu outro irmão, Virgílio Alvim de Melo Franco, participou da Revolução de 1930, foi constituinte em 1934 e deputado federal por Minas Gerais de 1935 a 1937, incluindo-se entre os que fundaram a União Democrática Nacional (UDN) em 1945.

Bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro.

Ingressou na carreira diplomática em 1917, quando integrou a embaixada especial enviada para assistir à posse do presidente boliviano José Gutierrez Guería. Promovido a segundo-secretário em fevereiro de 1919, foi removido para o Vaticano em setembro seguinte, permanecendo no posto até janeiro de 1925. Serviu depois em Paris, onde exerceu a função de encarregado de negócios de outubro a dezembro de 1932.

Transferido para Haia em maio de 1933, tornou-se primeiro-secretário em dezembro desse ano e, a partir de abril de 1934, atuou como encarregado de negócios do Brasil na Holanda, tendo participado, como delegado brasileiro, da Conferência de Cooperação Internacional realizada em Veneza, na Itália. Permaneceu em Haia até março de 1935, quando foi removido para a embaixada brasileira em Londres, onde, de setembro de 1936 a março do ano seguinte, serviu como conselheiro e novamente como encarregado de negócios. Ainda em 1936 representou o Brasil na Conferência Internacional do Trabalho Social, reunida em Londres, e atuou como secretário da delegação brasileira junto à Liga das Nações. Em 1938 voltou a representar o Brasil na Conferência Internacional de Documentação, realizada em Oxford, na Inglaterra.

Foi promovido a ministro de segunda classe em dezembro de 1938 e, entre janeiro do ano seguinte e maio de 1941, respondeu pela chefia da Divisão de Cerimonial do Itamarati. Membro da Seção de Segurança Nacional do Ministério das Relações Exteriores, ainda em maio representou o Brasil junto ao Comitê de Suprimentos da United Nations Relief and Rehabilitation Agency (UNRRA). De julho de 1941 a julho do ano seguinte serviu como ministro plenipotenciário em Quito, no Equador, atuando como tal em Ottawa, no Canadá, de agosto de 1942 a março de 1944, em Nova Iorque, desse mês a janeiro de 1945, e no Cairo, Egito, de fevereiro seguinte a abril de 1948. Ainda nesse ano, entre os meses de junho e agosto, esteve à frente da Comissão de Organismos Internacionais do Ministério das Relações Exteriores e, durante o mês de setembro, chefiou interinamente o Departamento Político e Cultural desse ministério, presidindo também a comissão encarregada de preparar os elementos de estudo do temário constante do programa da III Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Paris.

Ascendeu a ministro de primeira classe em fevereiro de 1949, sendo designado em julho seguinte embaixador do Brasil na Índia, onde permaneceria até abril de 1951. Durante esse período representou o Brasil na Conferência Internacional do Trabalho, reunida na cidade indiana de Mysore em 1949-1950. Desempenhou em seguida as funções de enviado extraordinário e ministro plenipotenciário do Brasil em Ottawa, com a incumbência de proceder à ratificação do tratado de comércio com o Canadá, firmado no Rio de Janeiro em outubro de 1951. Representante brasileiro no Peru entre janeiro de 1952 e agosto de 1953, foi nomeado embaixador do Brasil na França em outubro seguinte, exercendo essa função até agosto de 1955.

Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Instituto Histórico de Minas Gerais, do Instituto Internacional e Geográfico de Washington e da Academia de Direito Internacional de Madri.

Morreu em Paris no dia 10 de setembro de 1955.

Publicou Uma vida que passa, Elegias romanas, Ao longo da via Appia, Os 34 contos do meu espírito, O inconfidente Cláudio Manuel da Costa, O bateeiro e Via latina.

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; GUIMARÃES, A. Dic.; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; MIN. REL. EXT. Anuário (1955); OLIVEIRA, M. História; Rev. Inst. Hist. Geog. Bras. (1971).

 

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