FRANZ PAULO TRANNIN HEILBORN

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Nome: FRANCIS, Paulo
Nome Completo: FRANZ PAULO TRANNIN HEILBORN

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FRANCIS, PAULO

FRANCIS, Paulo

*jornalista.

 

Franz Paulo Trannin Heilborn nasceu no dia 2 de setembro de 1930, na cidade do Rio de Janeiro, sendo um dos três filhos do casal Adolfo Luís Heilborn e Irene Trannin Heilborn.

Sua formação escolar foi fortemente católica, estudando nos colégios Santo Inácio e São Bento, de padres jesuítas e beneditinos, respectivamente. Entre 1954 e 1957, fez um curso de especialização teatral, relacionado à literatura dramática, na Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos.

Durante sua vida, exerceu diversas atividades, como ator, diretor e crítico de teatro, jornalista, comentarista internacional de jornal e TV, ensaísta, romancista e entrevistador. Em todas elas, utilizou-se do pseudônimo Paulo Francis, sugerido por Pascoal Carlos Magno, diretor do Teatro do Estudante, na década de 1950.

Por volta dos 20 anos de idade, Francis representou alguns papéis secundários em peças montadas por Magno, sendo o primeiro deles o de um frei denominado Lourenço, que lhe valeu uma indicação para ator-revelação de 1952. Além disso, em 1957 e 1958, chegou a dirigir seis peças de teatro e criou uma companhia, denominada Teatro do Leme.

Em 1956, foi crítico de cinema no Jornal do Cinema e, no ano seguinte, exerceu a mesma função no Jornal do Brasil. Paulo Francis escreveu também crítica de teatro nos periódicos Revista da Semana (1956-1957), Senhor (1958-1962), Diário Carioca (1959-1962) e Última Hora (1959-1962).

Na época em que esteve no Diário Carioca, Paulo Francis foi um dos fundadores do Círculo Independente de Críticos Teatrais do Rio de Janeiro (CICT), junto com Bárbara Heliodora, do Jornal do Brasil; Gustavo Dória, de O Globo; Henrique Oscar, do Diário de Notícias; Luísa Barreto Leite, do Jornal do Comércio; Renato Vieira de Melo, de O Jornal; Cláudio Bueno, da Tribuna da Imprensa; e Maria Inês e Alfredo Souto de Almeida, da Rádio MEC.

Na década de 1960, editou a revista Senhor, o caderno de cultura e variedades do Correio da Manhã e também foi crítico de televisão no jornal Última Hora, entre 1960 e 1962.

Em 1964, no momento em que João Goulart foi derrubado da presidência da República, Paulo Francis era colunista político e cultural de Última Hora.

Francis foi um dos colaboradores do semanário O Pasquim (1969), periódico carioca que utilizava o humor como forma de contestação política. Este jornal foi lançado logo após a promulgação do Ato Institucional nº 5 (13/12/1968), que eliminou diversas garantias constitucionais.

Em 1969 foi preso pela polícia política do regime militar no DOI-CODI do Rio de Janeiro, situação que se repetiu por mais três vezes.

Em 1971, como correspondente do jornal O Pasquim, passou a residir nos Estados Unidos. No ano de 1975 tornou-se correspondente, em Nova Iorque, do jornal Folha de S. Paulo, e, em 1990, transferiu-se para O Estado de S. Paulo.

Nos periódicos nacionais, possuía uma coluna intitulada “Diário da Corte”, publicada pela primeira vez em 1977, no jornal Folha de S. Paulo. Posteriormente, ganhou espaço em O Estado de S. Paulo e em O Globo, sendo neste último veiculada desde 1992.

Paulo Francis atuava, desde 1979, como comentarista de assuntos gerais nos noticiários da Rede Globo de televisão. Atualmente estava em cena no último noticiário da emissora, Jornal da Globo, e, uma vez por semana, no jornal matutino Bom dia, Brasil, com uma espécie de coluna para TV sobre Nova Iorque. Além disso, desde 1993, participava do programa de debates Manhattan Connection, veiculado pelo canal GNT da Globosat (Net e Multicanal), tendo como companheiros de debate os jornalistas Caio Blinder, Nélson Mota e Lucas Mendes.

Desde seu início no jornalismo, em que foi trotskista, até os anos 1980 e 1990, quando defendeu idéias neoliberais — relacionadas ao livre mercado e à diminuição da influência do Estado na esfera pública —, Francis colecionou uma série de amizades e de inimizades, devido a sua verve de polemista, sempre utilizando-se de uma forma muito acre para fazer crítica.

Em 1992, Francis chamou Eduardo Suplicy, que na época era candidato à prefeitura de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores (PT), de maluco. Através de um recurso à justiça, o PT acabou ganhando o direito de resposta, concedido pelo juiz eleitoral Antônio Diogo Sales. Além disso, Sales proibiu o jornalista de escrever sobre Suplicy. A sentença do juiz gerou protestos e uma grande discussão sobre a censura.

Em 1997, Francis esteve envolvido em um processo movido pelos diretores da Petrobras na cidade de Nova Iorque pedindo uma indenização de cem milhões de dólares por perdas e danos morais. Francis havia declarado na TV que diretores da Petrobras desviaram dinheiro da empresa para uma conta na Suíça.

Paulo Francis faleceu em 4 de fevereiro de 1997, na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, devido a um ataque cardíaco.

Era casado com a também jornalista Sônia Nolasco.

Publicou vários livros ensaísticos e de ficção: Opinião pessoal (1966); Nixon x McGovern, as duas Américas (1972); Paulo Francis nu e cru (1976); Cabeça de papel (romance,1977); Paulo Francis: uma coletânea de seus melhores textos já publicados (1978); Certezas da dúvida (1979, 2ª ed.); Cabeça de negro (1979); O afeto que se encerra: memórias (1980); Filhas do segundo sexo: ficções (1982); O Brasil no mundo: uma análise política do autoritarismo desde as suas origens (1985); Trinta anos esta noite, 1964, o que vi e vivi (1994); Waaal — dicionário da corte de Paulo Francis (1996).

Sobre Paulo Francis, Fernando Jorge escreveu Vida e obra do plagiário Paulo Francis: o mergulho da ignorância no poço da estupidez (1997).

 

FONTES: Dic. bras. grande; Encic. Larrousse cultural; Estado de S. Paulo (15/3/94 e 5/2/97); Folha de S. Paulo (5/2/97); Gazeta Mercantil (5/2/97); Globo (16/3/94 e 5/2/97); Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (5/2/97); Veja (12/2/97).

 

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