GABRIEL GRUN MOSS

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Nome: MOSS, Grün
Nome Completo: GABRIEL GRUN MOSS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MOSS, GRÜN

MOSS, Grün

*militar; min. Aer. 1961; ch. Emaer 1964-1965; min. STM 1965-1974.

 

Gabriel Grün Moss nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 25 de fevereiro de 1904, filho de Gabriel Targino Moss, descendente de ingleses, e de Ângela Grün Moss, de nacionalidade húngara.

Ingressou na Escola Naval em maio de 1923, saindo guarda-marinha em janeiro de 1927. Em setembro desse mesmo ano foi promovido a segundo-tenente e, em outubro de 1929, a primeiro-tenente. Servia a bordo do destróier Maranhão quando eclodiu a Revolução de 1930. Seu navio, fiel ao presidente Washington Luís, foi encarregado de patrulhar o litoral de Santa Catarina a fim de vigiar o avanço dos rebeldes provenientes do Rio Grande do Sul e, sobretudo, de defender Florianópolis. Em 24 de outubro de 1930, os chefes militares do Distrito Federal afastaram Washington Luís do poder e, em 3 de novembro, Getúlio Vargas, líder do movimento militar vitorioso, assumiu a chefia do Governo Provisório.

Em dezembro de 1931, Moss concluiu o curso de oficial-aviador naval, passando a integrar o quadro de aviadores da Marinha, criado em outubro daquele ano. Em fevereiro de 1932, recebeu a patente de capitão-tenente e entre julho e outubro desse mesmo ano combateu a Revolução Constitucionalista de São Paulo. Baseado na cidade de São Sebastião (SP), Moss e seus companheiros da aviação naval participaram de vários ataques às posições paulistas no vale do rio Paraíba. Na fase final do conflito, contudo, foi preso sob a acusação de simpatizar com a causa rebelde, permanecendo dez dias detido num presídio no subúrbio carioca do Méier e mais dez no navio-presídio Pedro I, ancorado na baía de Guanabara.

Em dezembro de 1934, integrou uma das duas esquadrilhas enviadas pelo governo brasileiro à fronteira de Mato Grosso com o Paraguai e a Bolívia, países envolvidos desde 1932 num conflito armado — a Guerra do Chaco — provocado pela disputa de jazidas petrolíferas. As esquadrilhas ficaram baseadas em Ladário (MS) durante duas semanas, regressando depois ao Rio.

Promovido a capitão-de-corveta em outubro de 1939, Moss exerceu em seguida as funções de oficial-de-gabinete do ministro da Marinha, almirante Aristides Guilhem, e de chefe de divisão da Diretoria de Aviação Naval. A criação do Ministério da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira (FAB), em janeiro de 1941, levou-o a deixar a Marinha e ingressar na nova corporação. Os primeiros cargos que ocupou na Aeronáutica foram o de assistente do diretor-geral do pessoal do Ministério da Aeronáutica e o de chefe da divisão da Diretoria de Pessoal da Aeronáutica. Nesse período, em junho de 1942, recebeu a patente de tenente-coronel aviador. Ainda em 1942, fez o curso de estado-maior em Fort Leavenworth, nos Estados Unidos.

Entre janeiro de 1943 e maio de 1944, Moss comandou o 5º Regimento de Aviação, sediado na base aérea de Curitiba. Posteriormente foi subcomandante e depois comandante do 4º Regimento de Aviação, na base aérea do Galeão, no Rio. Promovido a coronel-aviador em maio de 1948, durante quase todo o mandato presidencial do general Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) foi subchefe do Gabinete Militar da Presidência da República, exercendo paralelamente as funções de adjunto-de-gabinete da Secretaria Geral do Conselho de Segurança Nacional. Entre fevereiro e outubro de 1950, comandou o 1º Regimento de Aviação, na base aérea de Santa Cruz, no Rio. Fez o curso de comando e estado-maior da Aeronáutica e foi chefe da seção de pessoal do Estado-Maior da Aeronáutica (Emaer), partindo depois para Santiago do Chile na qualidade de adido aeronáutico junto à embaixada brasileira desta capital.

Retornando do Chile no final de 1952, já no segundo governo de Gétulio Vargas (1951-1954), Moss foi diretor de ensino da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (Ecemar), até aproximadamente agosto de 1954. Em setembro, logo após o suicídio de Vargas e a posse de João Café Filho na presidência, passou a comandar a escola. Em fevereiro de 1955, ganhou a patente de brigadeiro, e, pouco depois, chefiou interinamente o Estado-Maior da Aeronáutica.

No início do governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), Moss passou a chefiar um dos mais importantes órgãos da Aeronáutica, o Comando de Transporte Aéreo (Comta), deixando o cargo em meados de 1957 devido a divergências com o brigadeiro Francisco Correia de Melo, recém-empossado no Ministério da Aeronáutica. Em junho de 1959, foi eleito presidente do Clube de Aeronáutica e, nessa condição, apoiou em dezembro seguinte os militares que participaram da revolta de Aragarças (GO), declarando que “os estatutos do clube prevêem o fornecimento de assistência humana, sem qualquer caráter político, aos sócios do clube.”

 

1961: ministro da Aeronáutica e membro da junta militar

Grün Moss ocupou a pasta da Aeronáutica durante o curto governo do presidente Jânio Quadros (janeiro a agosto de 1961). Após a renúncia de Quadros, em 25 de agosto, Moss e os ministros da Guerra, marechal Odílio Denis, e da Marinha, vice-almirante Sílvio Heck, formaram uma junta militar que, contando com o respaldo de parcela das forças armadas, vetou a posse do vice-presidente João Goulart, sob a alegação de que ela arrastaria o país à guerra civil. Essa decisão provocou o agravamento da crise político-militar em curso. Como Goulart estava no exterior em missão oficial, a presidência foi automaticamente confiada, em caráter provisório, a Pascoal Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados. A junta pretendia proibir que Goulart pisasse de volta o território brasileiro, o que tornaria necessária a realização de eleições a fim de se escolher um novo presidente. Nesse intervalo, Mazzilli permaneceria na chefia da nação.

Para que essa posição se impusesse era imprescindível a mais completa unidade no interior das forças armadas, o que não ocorreu. Setores civis e militares que defendiam a posse do vice-presidente articularam um movimento em defesa da legalidade. Liderado pelo governador gaúcho Leonel Brizola, esse movimento teve seu principal ponto de apoio no Rio Grande do Sul e recebeu a adesão do general José Machado Lopes, comandante do III Exército, e do brigadeiro João Arelano dos Passos, comandante da V Zona Aérea, sediados em Porto Alegre. Passos negou-se a cumprir ordens de Grün Moss — depois desmentidas pelo ministro da Aeronáutica — no sentido de efetuar vôos rasantes sobre o palácio do governo, a fim de intimidar Brizola.

No Congresso, uma comissão mista de seis senadores e seis deputados foi encarregada de analisar o veto militar a Goulart e procurar uma fórmula para contornar a crise. Em 29 de agosto, a comissão pronunciou-se contra o veto formulado por Moss, Denis e Heck. Em resposta, os três ministros militares lançaram no dia seguinte um manifesto à nação, no qual explicavam por que eram contrários à investidura do vice-presidente.

O documento afirmava que desde sua passagem pelo Ministério do Trabalho, no segundo governo constitucional de Getúlio Vargas (1951-1954), Goulart demonstrava claramente “suas tendências ideológicas, incentivando... agitações sucessivas e freqüentes nos meios sindicais” e permitindo a infiltração de comunistas nos sindicatos. Mais adiante, o texto além de acusar o vice-presidente de apoiar “manifestações grevistas promovidas por conhecidos agitadores” — ressaltava a admiração manifestada por Goulart, durante sua visita à União Soviética e à China Popular, “ao regime desses países”. Finalizando, os ministros militares advertiam que a entrega da presidência a Goulart, “em regime que atribui ampla autoridade e poder pessoal ao chefe do governo”, constituiria um grande incentivo “a todos aqueles que desejam ver o país mergulhado no caos, na anarquia, na luta civil”.

Frente ao teor do documento dos militares, a comissão mista propôs uma solução de compromisso, que consistia na mudança do sistema de governo para o parlamentarismo, no qual as prerrogativas do presidente da República ficam reduzidas. Em 2 de setembro a proposta foi votada e aprovada pelo Congresso, sendo transformada na Emenda Constitucional nº 4, que instituiu o regime parlamentarista no Brasil. Com isso, garantia-se a posse de Goulart, que se encontrava em Porto Alegre desde 1º de setembro. Entretanto, no dia 3, Moss fechou o aeroporto de Brasília, comunicando a Mazzilli que a FAB não estava em condições de assegurar a realização de qualquer vôo entre Porto Alegre e a capital federal. Um grupo de oficiais da Aeronáutica, descontentes com a promulgação da Emenda Constitucional nº 4, elaborou um plano — conhecido por “Operação Mosquito”— para capturar Goulart, forçando a aterrissagem do avião que o estivesse conduzindo a Brasília.

Na manhã do dia 5, os ministros militares reuniram-se com Mazzilli. Durante o encontro, o marechal Denis acabou admitindo que o dispositivo militar do Exército poderia impedir uma eventual ação aérea contra o vice-presidente. Contornado o problema, foi emitido um comunicado no qual Denis, declarando-se credenciado por Moss e Heck, assegurou que as forças armadas acatavam a decisão do Congresso instituindo o parlamentarismo, e garantiam o desembarque de Goulart em Brasília e sua investidura na presidência.

João Goulart tomou posse em 7 de setembro e os três ministros militares foram imediatamente afastados dos seus cargos. Moss foi substituído pelo major-brigadeiro Clóvis Travassos. Em abril de 1962, foi promovido a major-brigadeiro, permanecendo sem função até setembro desse ano. Nesse mês, ingressou como aluno na Escola Superior de Guerra (ESG), tendo concluído o curso no final de 1963.

Segundo depoimento do marechal Denis ao historiador Hélio Silva, no livro 1964: golpe ou contragolpe?, ele, Moss e Heck começaram a conspirar contra Goulart logo após o plebiscito de 6 de janeiro de 1963, que restabeleceu o presidencialismo no país. Participavam também das reuniões o brigadeiro Eduardo Gomes, o jurista e ministro da Justiça de Vargas durante o Estado Novo Francisco Campos, Antônio Neder e os generais Osvaldo Cordeiro de Farias e Nélson de Melo.

Tendo tomado parte ativa do movimento militar de março de 1964 que depôs o governo de Goulart, em dezembro do mesmo ano Moss tornou-se chefe do Emaer, em substituição ao tenente-brigadeiro Henrique Fleiuss. Permaneceu no cargo menos de um mês, passando-o, em janeiro de 1965, ao tenente-brigadeiro Clóvis Monteiro Travassos. Reconduzido em seguida ao comando do Comta, exerceu essas funções até setembro de 1965, quando foi empossado ministro do Superior Tribunal Militar (STM). Pouco antes, no mês de julho, assumiu pela segunda vez a presidência do Clube de Aeronáutica para o biênio 1965-1967. Promovido a tenente-brigadeiro em outubro de 1966, em fevereiro de 1974 foi aposentado no STM por ter atingido a idade-limite de 70 anos.

Em carta ao Jornal do Brasil, publicada em 3 de agosto de 1977, Moss — depois de reafirmar sua condição de “revolucionário de primeira hora” — declarou ter chegado a “hora de mudar”, defendendo o retorno “ao pleno estado de direito”. Em junho de 1979, o Jornal do Brasil chamou o ex-ministro da Aeronáutica de “um dos primeiros líderes acreditados da Revolução a defender a abertura política”.

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 13 de julho de 1989.

Grün Moss foi casado com Hilda Maciel Moss, com quem teve quatro filhas. Tendo ficado viúvo, em julho de 1981, contraiu segundas núpcias com Isoléia Ribeiro Moss.

Sérgio Lamarão

 

FONTES: BANDEIRA, L. 24; CORRESP. CENTRO DOC. HIST. AER.; CORRESP. SUP. TRIB. MILITAR; DULLES, J. Unrest; Encic. Mirador; ENTREV.  BIOG.; Globo (5/9/80); Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (3/8/77 e 25/6/79); MIN. AER. Almanaque; Perfil; RIBEIRO FILHO, J. Dic.; SILVA, H. 1964; SOUSA, J. Ministros; VÍTOR, M. Cinco; WANDERLEY, N. História.

 

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