GASPARI, ELIO

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Nome: GASPARI, Elio
Nome Completo: GASPARI, ELIO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
GASPARI, ÉLIO

GASPARI, Élio      

*jornalista.

Élio Gaspari nasceu em Nápoles, Itália, no dia 22 de março de 1944, filho de Marino Gaspari e de Anna Giacchetti Gaspari. Veio para o Brasil aos cinco anos com a mãe, já viúva, naturalizando-se brasileiro em 1985.

Fez o curso secundário na Associação Cristã de Moços.

Aos 19 anos, por indicação de René de Carvalho, filho de Apolônio de Carvalho, um dos líderes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi trabalhar no jornal comunista Novos Rumos, onde Élio Parmegiani, como assinava, não permaneceu muito tempo, pois entrou para a universidade. Ia fazer vestibular para engenharia, por insistência da mãe; mas desistiu, optando pelo curso de história da antiga Faculdade Nacional de Filosofia da ex-Universidade do Brasil, em 1963. Iniciou o curso em um momento de grande mobilização política em torno das reformas de base, durante o governo de João Goulart. Gaspari era ligado ao PCB e participou dos movimentos de reinvindicação estudantil. Quando cursava o primeiro ano da faculdade, em setembro de 1963, envolveu-se em uma greve e foi expulso junto com outros estudantes pelo então diretor Eremildo Viana. O Ministro da Educação, Darci Ribeiro, interferiu no processo e obteve a reintegração dos alunos expulsos, entre eles a de Gaspari.

Com a derrubada do governo constitucional de João Goulart em 31 de março de 1964 e a tomada do poder pelos militares, tiveram início as chamadas comissões de inquérito visando identificar os supostos “subversivos” que atuavam em órgãos públicos. Na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil instalou-se um processo de perseguição a professores e estudantes acusados de defenderem idéias contrárias ao regime. Diante dessa situação, Gaspari foi novamente expulso com outros colegas.

Retomou a carreira de jornalista em 1964, indo trabalhar na agência de notícias do repórter Valdomiro Guarnieri. Nessa agência tinha a função de entrevistar personalidades que embarcavam e desembarcavam no aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, o que lhe proporcionou fazer e ampliar contatos com políticos, artistas etc. Ainda em 1964, alguns meses depois de ingressar nesta agência de notícias, conciliou dois empregos, trabalhando também no jornal A Notícia como copidesque.

De 1965 a 1968 foi repórter da coluna de Ibrahim Sued, deixando A Notícia. Na mesma época trabalhou no Diário de São Paulo, cobrindo notícias do Itamarati.

Em julho de 1968, ano em que foi promulgado o Ato Institucional nº 5 (AI-5), a Editora Abril lançou a revista Veja, tendo como diretor o jornalista Mino Carta. Convidado por Luís Garcia e Odilo Costa Filho, Gaspari foi contratado para trabalhar na revista em julho de 1969. Entretanto, não pôde iniciar suas atividades na redação. Por ordem do comandante do inquérito que apurava as atividades do PCB, Élio Gaspari e outros opositores do regime foram presos.

Neste mesmo ano, durante a visita ao Brasil do empresário e político norte-americano Nelson Rockefeller, o governo Costa e Silva determinou que a imprensa brasileira não deveria noticiar fatos desfavoráveis à presença do visitante, nem referências a greves, manifestações estudantis, repressão aos críticos do governo ou qualquer assunto considerado proibido. Gaspari foi novamente preso e ficou dois meses detido na ilha das Flores na baía da Guanabara. Ao sair da prisão, com o apoio de Odilo Costa Filho e Luís Garcia, permaneceu na redação de Veja. Nesta revista começou como repórter, depois passou a editor político no início de 1970, ficando com este cargo até sua data de saída, em dezembro de 1973.

Em 1974, convidado pelo jornalista Válter Fontoura, foi para o Jornal do Brasil também como editor político. Neste jornal ficou responsável pela coluna “Informe JB”, que passou a ter grande sucesso porque Gaspari conseguia informações privilegiadas do general Golberi do Couto e Silva e de outras personalidades do regime militar.

Em maio de 1977, escreveu uma das matérias que hoje é considerada um de seus marcos na passagem pelo Jornal do Brasil: o obituário de Carlos Lacerda. No primeiro caderno do dia 22 de maio constam, além do editorial e da coluna do jornalista Castelo Branco, 11 páginas destinadas à cobertura do enterro de Lacerda e à sua vida como jornalista, político e empresário. Gaspari relatou a trajetória de Lacerda citando seus principais feitos na história brasileira e descrevendo suas relações com a política. Além de mencionar “a competente carreira jornalística” de Lacerda, ressaltou seu estilo literário ilustrando a reportagem com trechos de vários escritos do político, tais como sua última carta, parágrafos retirados da Tribuna da Imprensa (jornal fundado por Lacerda em 1949) e até mesmo passagens de seu diário escrito no período em que foi jornalista.

Ainda no Jornal do Brasil, foi o responsável pela manchete que comemorava: “O regime do AI-5 acaba à meia-noite de hoje”, em 30 dezembro de 1978. Com o fim do AI-5 ressurgiu o habeas-corpus, as penas de morte e de banimento foram suprimidas, os direitos parlamentares voltaram a ser invioláveis, o Poder Judiciário recuperou suas prerrogativas e os direitos políticos tornaram-se permanentes.

Em 31 de dezembro de 1978 foi para Nova Iorque. Ficou o primeiro semestre do ano seguinte participando de seminários sobre censura e de um curso de política brasileira, na Universidade de Colúmbia.

Retornou à Veja como diretor adjunto em 1979. Deixou o comando da redação da revista, que dividia com José Roberto Guzzo, em outubro de 1988. Em janeiro de 1989 Gaspari assumiu o posto de correspondente da revista em Nova Iorque.        

Em junho de 1993 voltou ao Brasil como editor especial de Veja, onde permaneceu até agosto de 1994. No mês seguinte, convidado pelo jornalista Aluísio Maranhão, começou a publicar a página dominical Élio Gaspari em O Estado de S. Paulo. A página passou a ser publicada também em O Globo e no jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Com vinhetas em bico-de-pena retiradas de revistas americanas especialmente trazidas para ilustrar sua página, Gaspari dividiu-a em várias seções — política, críticas literárias, entrevistas etc. — e criou personagens que às vezes dão título a elas, como por exemplo “Eremildo, o Idiota” — em referência ao diretor da UFRJ que o havia expulso da faculdade em 1963 — e o “Curso Madame Natasha de Piano e Português”. No entanto, em função da falta de sintonia com a linha editorial dos proprietários de O Estado de S. Paulo, Gaspari pediu demissão. Em 3 de novembro de 1996 sua página passou a ser publicada na Folha de S. Paulo e continuou a ser publicada no jornal O Globo.

Em 2002 publicou a coleção As Ilusões Armadas, cujo título do primeiro volume, A Ditadura Envergonhada, referiu-se a um de seus principais argumentos, de que o golpe de 1964 não teria sido cuidadosamente planejado e de que a intenção não era prolongar o regime. O segundo volume A Ditadura Escancarada evidenciou a intensificação da repressão e o incremento dos mecanismos de tortura.  Em 2003 lançou a coleção O Sacerdote e o Feiticeiro, cujo título fori A Ditadura Derrotada, e em 2004 publicou A Ditadura Encurralada.

Recebeu o prêmio Comunique-se de Jornalismo e Comunicação Empresarial pelo conjunto de seu trabalho em 2003 na categoria “Colunista” e em 2007 foi contemplado com o mesmo prêmio, desta vez na categoria “Mídia Impressa”.

Casou-se com Dorrit Harazim, também jornalista, com quem tem uma filha.

Além das obras citadas, publicou Versões e Ficções: o seqüestro da história (com Daniel Aarão Reis Filho, 1997), 70/80 - Cultura em trânsito: da repressão à abertura (com Heloísa Buarque de Hollanda e Zuenir Ventura, 2000).

Beatriz Kushnir

 

FONTES: Imprensa (9/90, 10/95 e 11/96); INF. BIOG; Gianotti, José Artur; Elio Gaspari faz história – livros do jornalista retratam período crucial da Historia do Brasil Revista FAPESP, 04/2003:  <http://www.universia.com.br/materia/imprimir.jsp?id=3185>, acessado em 27/11/2009; Prêmio Comunique-se: http://www.premiocomunique-se.com.br/premio/2009/; Rampinelli, Waldir;  As ditaduras envergonhada, escancarada e derrotada, de Elio Gaspari. Página da PUC-SP:  : http://www.pucsp.br/neils/downloads/v11_12_livros.pdf, acessado em 17/11/2009; Mino Carta vence prêmio Comunique-se na categoria Executivo de Veículo de Comunicação. Último Segundo, 19/09/2007: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2007/09/19/mino_carta_vence_premio_comunique_se_na_categoria_executivo_de_veiculo_de_comunicacao_1011892.html, acessado em 26/11/2009.

 

                                                                                                             

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