GAUDENCIO, ALVARO

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Nome: GAUDÊNCIO, Álvaro
Nome Completo: GAUDENCIO, ALVARO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
GAUDÊNCIO, ÁLVARO

GAUDÊNCIO, Álvaro

*dep. fed. PB 1971-1987.

 

Álvaro Gaudêncio Filho nasceu em São João do Cariri (PB) no dia 8 de fevereiro de 1930, filho de Álvaro Gaudêncio de Queirós e de Quitéria Lucas Gaudêncio. Seu pai foi deputado estadual na Paraíba de 1951 a 1971. Um outro membro de sua família, seu tio José Gaudêncio Correia de Queirós, foi senador pela Paraíba em 1930, constituinte em 1946, deputado federal por seu estado em 1946, 1947, 1948 e 1949 e de 1951 a 1953.

Bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de Pernambuco em 1955. No ano seguinte tornou-se promotor público da comarca de Monteiro (PB), na qual permaneceu até 1957, quando foi transferido para exercer o mesmo cargo em Campina Grande, no mesmo estado, onde desempenhou suas funções até 1958. No ano seguinte, tornou-se defensor público nessa mesma comarca, cargo que exerceu até 1964.

Pecuarista, ingressou na política filiando-se à União Democrática Nacional (UDN), em cuja legenda foi eleito prefeito de Serra Branca (PB). Assumindo o mandato em janeiro de 1964, permaneceria à frente do Executivo municipal até 1968.

Após a vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964 que depôs o presidente João Goulart (1961-1964), a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar instalado no país. No pleito de novembro de 1970 elegeu-se deputado federal nessa legenda, assumindo sua cadeira na Câmara dos Deputados em fevereiro do ano seguinte. Tornou-se membro efetivo da Comissão de Trabalho e Legislação Social e suplente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Reeleito em novembro de 1974, entrou em dissidência com seu partido ao votar em setembro de 1978 a favor da emenda Acióli Filho, que extinguia os senadores eleitos por via indireta, conhecidos como “biônicos”, e ao apoiar, nesse mesmo ano, a candidatura de Antônio Mariz ao governo da Paraíba, em oposição ao candidato oficial Tarcísio Buriti. Nessa legislatura continuou como membro da Comissão de Trabalho e Legislação Social e suplente da Comissão de Relações Exteriores.

Novamente eleito em novembro de 1978, na mesma legenda, com a extinção do bipartidarismo em novembro do ano seguinte e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), agremiação que sucedeu a Arena no apoio ao governo. Nessa legislatura voltou a participar da Comissão de Trabalho e Legislação Social e foi suplente da Comissão de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas da Câmara dos Deputados. Nas eleições de novembro de 1982, foi mais uma vez reeleito à Câmara dos Deputados pelo estado da Paraíba na legenda do PDS.

Iniciando novo período legislativo em fevereiro de 1983, no início desse ano o deputado Dante de Oliveira (MT), do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), apresentou na Câmara dos Deputados uma emenda constitucional restabelecendo eleições diretas para a presidência da República já no ano seguinte. Encampada pelas oposições, essa emenda proporcionou o desencadeamento de uma campanha nacional nesse sentido, que ficou conhecida como Diretas Já. No dia 25 de abril de 1984, com o deputado Álvaro Gaudêncio se ausentando da votação, a emenda das diretas, que ficou conhecida como emenda Dante de Oliveira, embora tenha obtido a maioria, por falta de 22 votos não foi aprovada na Câmara e com isso não pôde ser enviada para apreciação do Senado.

Com esse resultado, o próximo presidente da República seria mesmo eleito por via indireta. O processo de escolha do candidato oficial do partido governista provocou uma cisão interna, com os dissidentes formando a Frente Liberal. Realizada a convenção do PDS em agosto desse ano, Álvaro Gaudêncio votou em Mário Andreazza, que foi derrotado por Paulo Maluf. Na mesma oportunidade, o deputado cearense Flávio Marcílio venceu o então governador de Alagoas Divaldo Suruagi e tornou-se o candidato a vice na chapa do governo. Esse resultado da convenção pedessista aumentou o contingente de dissidentes do partido e Gaudêncio aderiu à Frente.

Para concorrer com os candidatos governistas Paulo Maluf e Flávio Marcílio, a Aliança Democrática, coligação formada pelo PMDB, os demais partidos de oposição, com exceção do Partido dos Trabalhadores (PT), e a Frente Liberal, lançou para presidente da República o então governador de Minas Gerais Tancredo Neves e, para vice-presidente, o então senador maranhense José Sarney. No pleito indireto, via Colégio Eleitoral, no dia 15 de janeiro de 1985, Álvaro Gaudêncio votou em Tancredo Neves, que derrotou Paulo Maluf. Contudo, por motivo de doença, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março desse ano.

Deixando de concorrer a mais uma reeleição no pleito de novembro de 1986, Álvaro Gaudêncio permaneceu na Câmara dos Deputados até o fim de janeiro do ano seguinte, quando se encerrou a legislatura.

A partir de então, ingressou na atividade empresarial rural, fazendo reflorestamento no semi-árido paraibano, utilizando plantios intensivos de algaroba, planta capaz de alimentar os rebanhos bovinos, caprinos, ovinos e eqüinos nessa região da Paraíba. Voltou a concorrer a uma cadeira de deputado federal por seu estado no pleito de outubro de 1990 na legenda do Partido da Frente Liberal (PFL), mas conseguiu apenas a segunda suplência. Não chegando a exercer o mandato na legislatura seguinte, retornou às suas atividades rurais.    

Álvaro Gaudêncio Filho faleceu em Campina Grande em 12 de março de 2004.

Era casado com Ana Lúcia Cavalcanti Gaudêncio, com quem teve um filho. Seu sobrinho Álvaro Gaudêncio Neto foi deputado federal pela Paraíba de 1995 a 1999.

Alan Carneiro

atualização

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1971-1975, 1975-1979, 1979-1983, 1983-1987 e 1991-1995); CURRIC. BIOG.; Globo (26/4/84 e 16/1/85); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (22/9/78); NÉRI, S. 16; Perfil (1972 e 1980); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (9); Paraíba.com.br (12/03/2004).

 

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