GEISEL, ORLANDO

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Nome: GEISEL, Orlando
Nome Completo: GEISEL, ORLANDO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
GEISEL, ORLANDO

GEISEL, Orlando

*militar; ch. Depto. Ger. Pess. Ex. 1965-1966; comte. III Ex. 1966; ch. EME 1966-1968; ch. EMFA 1968-1969; min. Exérc. 1969-1974.

 

Orlando Geisel nasceu em Estrela (RS) no dia 5 de setembro de 1905, filho de Augusto Guilherme Geisel e de Lídia Beckmann Geisel. Seu irmão, Ernesto Geisel, foi comandante do Comando Militar de Brasília em 1961, chefe do Gabinete Militar da Presidência da República de 1964 a 1967, ministro do Superior Tribunal Militar entre 1967 e 1969, presidente da Petrobras de 1969 a 1973 e presidente da República de 1974 a 1979.

Orlando Geisel estudou no Colégio Militar de Porto Alegre, ingressando em fevereiro de 1923 na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Saiu aspirante-a-oficial da arma de artilharia em dezembro de 1925, na mesma data foi promovido a segundo-tenente e em janeiro de 1928 a primeiro-tenente.

Participou do movimento revolucionário de outubro de 1930, levantando a guarnição de Cachoeira do Sul (RS), na qual comandava uma bateria. Após a vitória do movimento e a instalação do Governo Provisório chefiado por Getúlio Vargas, serviu como subcomandante do 6º Regimento de Artilharia Montada, sediado em Cruz Alta (RS), entre agosto e outubro de 1931, e do 3º Grupo Independente de Artilharia, sediado em Bajé (RS), de novembro desse último ano a janeiro de 1932. Tomou parte, também, como comandante de bateria, do combate à Revolução Constitucionalista de São Paulo, deflagrada em julho de 1932 contra o Governo Provisório. Com a vitória das forças legalistas no início de outubro, voltou ao subcomando do 3º Grupo Independente de Artilharia, onde permaneceu até fevereiro de 1933, quando foi promovido a capitão.

Entre fevereiro de 1938 e novembro de 1940, foi instrutor adjunto e depois instrutor da Escola de Estado-Maior. Foi promovido a major em dezembro de 1941 e a tenente-coronel em março de 1945. Em maio de 1946 assumiu o comando do 1º Grupo de Obuses 155, que exerceu até junho de 1947, quando passou a servir como adjunto na 3ª Seção do Estado-Maior Geral — designação que tinha então o Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) onde permaneceu até dezembro de 1949.

Adjunto do adido militar em Washington a partir de fevereiro de 1950, fez os cursos de comando e estado-maior do Exército norte-americano e em janeiro de 1952, ainda nos Estados Unidos, recebeu a patente de coronel. Exerceu suas funções até março desse mesmo ano e, de volta ao Brasil, ocupou entre abril e dezembro, a chefia do gabinete da Diretoria de Motomecanização. Foi diretor de ensino da Escola de Estado-Maior de 1953 a 1955 e em fevereiro deste último ano assumiu o comando do 1º Grupo de Canhões Automáticos, que ocuparia até janeiro de 1956.

Pouco antes, em novembro de 1955, ficou à disposição do general Antônio José de Lima Câmara, executor do estado de sítio — que vigorou dessa data a fevereiro do ano seguinte — e comandante da 1ª Região Militar (1ª RM), sediada no Rio. O estado de sítio foi uma decorrência do Movimento do 11 de Novembro de 1955, liderado pelo ministro da Guerra demissionário, general Henrique Teixeira Lott, que colocou na chefia do governo o vice-presidente do Senado, Nereu Ramos, após ter afastado o presidente em exercício Carlos Luz, por considerá-lo envolvido em conspiração para impedir a posse de Juscelino Kubitschek e João Goulart, eleitos respectivamente presidente e vice-presidente da República em outubro de 1955.

Durante os anos de 1956 e 1957, Orlando Geisel foi, respectivamente, subcomandante e comandante interino da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). À disposição do Ministério da Fazenda a partir de outubro de 1957, foi promovido em abril de 1958 a general-de-brigada. De volta ao serviço ativo em julho de 1959, nesse mesmo mês assumiu a chefia do estado-maior do I Exército, sediado no Rio, cujo comandante era o marechal Odílio Denis. Exerceu suas funções até fevereiro de 1960, quando passou a chefiar o gabinete de Denis, já titular da pasta da Guerra, e permaneceu no cargo até setembro de 1961, logo após a renúncia de Jânio Quadros da presidência da República.

Foi promovido a general-de-divisão em março de 1964, mês em que foi deflagrado o movimento político-militar, que, vitorioso, depôs o presidente João Goulart. Durante o governo do marechal Humberto Castelo Branco, exerceu sucessivamente diversos cargos. Foi comandante da 1ª Divisão de Infantaria e da guarnição da Vila Militar, no Rio, em abril de 1964, presidente da Comissão Especial de Reversão do Exército ainda no mesmo ano e comandante da 1ª RM a partir de maio de 1964, obtendo em novembro de 1965 sua promoção a general-de-exército. No mês seguinte deixou o comando da 1ª RM para assumir, em substituição ao general Rafael de Sousa Aguiar, a chefia do Departamento Geral de Pessoal do Exército, que em maio de 1966 transmitiu ao general Hugo Panasco Alvim. Comandou o III Exército, sediado em Porto Alegre, de maio a novembro de 1966, em substituição ao general Joaquim Justino Alves Bastos. Seu sucessor foi o general Álvaro Alves da Silva Braga.

Em dezembro de 1966 recebeu a chefia do Estado-Maior do Exército do general Décio Escobar, e permaneceu no cargo até março de 1968 — já no governo do marechal Artur da Costa e Silva —, quando foi substituído pelo general Adalberto Pereira da Costa. No mês seguinte assumiu a chefia do EMFA, ocupada até então pelo tenente-brigadeiro Nélson Freire Lavenère Wanderley. Em agosto de 1969, já constatada a impossibilidade de Costa e Silva permanecer no exercício da presidência devido a grave enfermidade, participou, na qualidade de chefe do EMFA, da reunião do Alto Comando das Forças Armadas que determinou o afastamento do vice-presidente Pedro Aleixo da linha sucessória e a constituição de uma junta militar, pelos três ministros militares, para governar o país em caráter temporário.

Nesse interregno, esteve cotado para a chefia do Executivo, juntamente com os generais Afonso de Albuquerque Lima, Antônio Carlos Murici, Aurélio de Lira Tavares, Siseno Sarmento e Emílio Garrastazu Médici. No entanto, desaprovando sua indicação, compareceu ao palácio Laranjeiras para solicitar à junta militar que não permitisse articulações em torno de seu nome. No dia 29 de setembro, foi convocada uma nova reunião do Alto Comando do Exército, de cuja pauta constava a apreciação da lista tríplice para a presidência da República, resultante das preferências dos quatro exércitos (Médici, Orlando Geisel e Murici), que em seguida seria encaminhada ao Alto Comando das Forças Armadas, já com os resultados da Marinha e da Aeronáutica. Médici foi o único candidato indicado pelas três armas.

No dia 4 de outubro, juntamente com Lira Tavares, Orlando Geisel enviou telegrama a Médici, pedindo-lhe que não recusasse a presidência. No dia 18 seguinte, foi convidado pelo futuro presidente para ocupar o Ministério do Exército, mas condicionou sua aceitação a ter nas mãos todas as responsabilidades pela segurança nacional. Um dia após a posse de Médici (30 de outubro), passou a chefia do EMFA ao almirante-de-esquadra Murilo Vasco do Vale e Silva e em 3 de novembro assumiu a pasta do Exército, em substituição a Lira Tavares. Durante sua gestão, promoveu a total reforma do ministério e o reaparelhamento do Exército, substituindo o armamento obsoleto e gasto por equipamento moderno e eficiente, padronizando o calibre e adestrando a tropa. No período, foi intensificado o papel do Exército no esquema de repressão política aos opositores do regime.

Com a aproximação do fim do mandato de Médici, Orlando Geisel teve seu nome mais uma vez cotado para o cargo de presidente. Na ocasião, desempenhou, segundo o Jornal do Brasil, um papel importante no processo que resultou na escolha de Ernesto Geisel para a presidência da República, consultando Médici sobre a existência de alguma restrição ao nome de seu irmão e afirmando que se houvesse, ele próprio aceitaria então a indicação. O resultado dos entendimentos foram favoráveis a Ernesto Geisel, que assumiu afinal a presidência em março de 1974, quando foi empossado o novo ministério. Orlando Geisel deixaria o serviço ativo do Exército logo após transmitir o cargo de ministro ao general Vicente Paulo Dale Coutinho.

Segundo o Jornal do Brasil a influência que exercia junto ao irmão, o presidente da República, ficou evidenciada em dois importantes episódios transcorridos naquele governo. O primeiro, em janeiro de 1976, quando da exoneração do comandante do II Exército, sediado em São Paulo, general Ednardo Dávila Melo, após as mortes do jornalista Vladimir Herzog (outubro de 1975) e do operário Manuel Fiel Filho (janeiro de 1976) nas dependências do Departamento de Operações Internas do Centro de Operações para a Defesa Interna (DOI-CODI) paulista — área da responsabilidade daquele comando. Ednardo foi substituído pelo general Dilermando Gomes Monteiro e pediu transferência para a reserva, após recusar cargo no Departamento de Ensino e Pesquisa do Exército. O segundo episódio, em outubro de 1977, quando da demissão do ministro Sílvio Frota da pasta do Exército. Neste caso, sua interferência teria se dado não apenas pelo conhecimento que tinha de algumas posições de Sílvio Frota — contrário ao processo de distensão inaugurado por Ernesto Geisel e à candidatura do general João Batista Figueiredo à sucessão presidencial —, como também pelas informações de que o general Jaime Portela estaria articulando a candidatura de Frota à presidência, juntamente com o ex-vice-presidente Augusto Rademaker, o marechal Denis e o brigadeiro Márcio de Sousa e Melo.

Ao longo de sua carreira militar, Orlando Geisel fez ainda os cursos de aperfeiçoamento e informações da Escola de Armas, da Escola de Estado-Maior e da Escola Superior de Guerra (ESG), onde foi subdiretor de ensino.

Faleceu em Brasília no dia 30 de maio de 1979.

Foi casado com Alzira Torres Geisel, com quem teve um casal de filhos.

 

 

FONTES: CACHAPUZ, P. Cronologia; CHAGAS, C. 113; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORRESP. ESTADO-MAIOR DAS FORÇAS ARMADAS; CORRESP. SECRET. GER. EXÉRC.; FICHÁRIO PESQ. M. AMORIM; FIECHTER, G. Regime; Jornal do Brasil (12/2/60, 18/3/74, 19/7/75, 16/10/77, 31/5 e 30/11/79); MIN. GUERRA. Almanaque (1969); Perfil (1972); Veja (15/6/77).

 

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