GEORGE ALVARES MACIEL

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Nome: MACIEL, George Álvares
Nome Completo: GEORGE ALVARES MACIEL

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MACIEL, GEORGE ÁLVARES

MACIEL, George Álvares

*diplomata; emb. Bras. Peru 1969-1970; emb. Bras. OEA 1970-1974.

 

George Álvares Maciel nasceu em Belo Horizonte no dia 17 de dezembro de 1920, filho de Jacques Dias Maciel e de Amanda Álvares Maciel.

Bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil em 1943.

Ingressou por concurso na carreira diplomática em maio de 1942 como cônsul de terceira classe, tornando-se oficial-de-gabinete do ministro Pedro Leão Veloso a partir de agosto de 1944. Em fevereiro do ano seguinte integrou a delegação do Brasil à Conferência Interamericana sobre Problemas da Guerra e da Paz, realizada no México. Serviu junto ao Ministério das Relações Exteriores até junho de 1945, sendo transferido no mês seguinte para Londres, onde permaneceu à disposição da delegação brasileira junto ao Comitê Executivo da Organização das Nações Unidas (ONU).

Nomeado secretário da delegação do Brasil à reunião da Comissão Preparatória da ONU em novembro de 1945, no mês seguinte foi promovido a cônsul de segunda classe, atuando em seguida como secretário da delegação brasileira à I Sessão da Assembleia Geral da ONU, em janeiro de 1946, ainda em Londres. Em abril seguinte tornou-se secretário da delegação do Brasil à Comissão Preparatória e ao Comitê Executivo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), atuando também como secretário da delegação brasileira à Conferência Geral dessa agência especializada da ONU, realizada em novembro de 1946 em Paris. Voltou a secretariar a delegação brasileira, desta vez junto à Conferência Internacional para Salvaguarda da Vida Humana no Mar, reunida em abril de 1948 em Londres.

Removido para Madri em maio do ano seguinte como segundo-secretário, atuou como assessor da delegação brasileira ao Congresso da União Postal das Américas e Espanha em outubro de 1950, permanecendo no posto até julho do ano seguinte, quando retornou ao Itamarati. Em abril de 1952 tornou-se auxiliar de gabinete do ministro das Relações Exteriores, João Neves da Fontoura (1951-1953), e, em agosto do mesmo ano, integrou a comissão encarregada de proceder ao levantamento da documentação confidencial e secreta do Arquivo de Correspondência Especial do Itamarati. Nomeado em outubro seguinte assessor da delegação do Brasil à VII Sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, serviu na Secretaria do Itamarati até agosto de 1953.

A partir de setembro seguinte passou a atuar junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, tornando-se ainda nesse mês assessor da delegação do Brasil à VIII Sessão da Assembleia Geral da ONU e delegado-suplente de seu país no Conselho da OEA e na Comissão Interamericana de Paz, também em Washington. Promovido a primeiro-secretário em janeiro de 1954, em março desse ano foi delegado à X Conferência Interamericana, reunida em Caracas, na Venezuela, e em setembro foi assessor da delegação brasileira à IX Sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Foi também chefe da delegação do Brasil junto à OEA de janeiro a fevereiro de 1954, de março a maio de 1955 e em setembro do ano seguinte. Ainda em 1956 assessorou a delegação do Brasil à III Reunião do Conselho Interamericano de Jurisconsultos e à Conferência Especializada Interamericana sobre a Preservação dos Recursos Naturais, Plataforma Submarina e Águas do Mar, realizadas respectivamente no México, em janeiro, e em Ciudad Trujillo, no Peru, em março. Serviu junto à OEA até janeiro de 1957.

Transferido para Roma como primeiro-secretário, assumiu o posto em fevereiro de 1957, nele permanecendo até dezembro de 1959. De volta ao Brasil em fevereiro do ano seguinte, em agosto de 1960 assumiu a chefia da Divisão de Organismos Internacionais de Assuntos Específicos do Itamarati, passando a integrar no mês seguinte a comissão encarregada de elaborar as instruções para a delegação do Brasil à reunião do Comitê dos 21 da OEA em Bogotá, na Colômbia. Esse comitê era formado pelos países-membros da Operação Pan-Americana (OPA), criada por iniciativa do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) em novembro de 1958. Em novembro de 1960 integrou a delegação do Brasil à reunião do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), realizada em Genebra, na Suíça, e, em dezembro seguinte, tornou-se membro da seção brasileira da Comissão Mista Brasil-Equador, participando ainda do Grupo de Trabalho de Quito para o estudo dos itens da agenda provisória da XI Conferência Interamericana e a elaboração de instruções à delegação brasileira. Em abril do mesmo ano foi delegado à II Assembleia de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), realizada no Rio de Janeiro, integrando também a comissão incumbida de preparar o encontro dos presidentes do Brasil, Jânio Quadros (1961), e da Argentina, Arturo Frondizi (1958-1962).

Promovido a ministro de segunda classe em outubro de 1961, exerceu a função de chefe da divisão de política comercial e de produtos de base do Itamarati entre 1961 e 1962, atuando ainda como membro do Conselho de Política Aduaneira de outubro de 1961 a abril de 1962. Integrou também o Grupo de Trabalho para o Estudo dos Problemas das Relações Econômicas do Brasil e da Comunidade Européia em março deste último ano. A partir de junho de 1962 serviu junto à embaixada brasileira em Washington como ministro-conselheiro, atuando ainda como subchefe da delegação brasileira na Conferência sobre o Convênio Internacional do Café, realizado na sede da ONU, em Nova Iorque, em julho do mesmo ano. Em 1963 assumiu por duas vezes o posto de encarregado de negócios em Washington, de 23 de fevereiro a 29 de abril e de 23 de maio a 7 de outubro. Em julho desse mesmo ano representou o Brasil na I Reunião do Conselho Internacional do Café (CIC), celebrada em Londres. Permaneceu em Washington até janeiro de 1964, quando foi transferido para Londres.

Em 1964, participou de diversos encontros internacionais, como, entre outros, os da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), em Genebra, em junho; do Acordo Internacional de Produtores de Cacau, em Lomé, no Togo, em julho; e da Junta Executiva Internacional do Café, em El Salvador, em dezembro. Nestas duas últimas chefiou a delegação do Brasil. Em 1965 e 1966 participou como representante brasileiro de diversas reuniões relativas ao café e ao açúcar, realizadas em Londres e Genebra sob o patrocínio de organismos internacionais como a Organização Internacional do Café (OIC), o Conselho Internacional do Açúcar e o Conselho Consultivo sobre o Acordo Internacional do Açúcar. Encarregado de negócios em Londres em 1965 e 1966, chefiou neste último ano a delegação brasileira à Conferência Internacional sobre Linhas de Cargas, reunida sob os auspícios da Organização Consultiva Marítima Internacional (OCMI), atuando ainda como delegado de seu país à III Sessão Consultiva dessa agência filiada às Nações Unidas, tendo ambos os encontros se realizado em Londres. Promovido a ministro de primeira classe em dezembro de 1966, permaneceu na capital britânica até início do ano seguinte.

Retornou ao Brasil em 1967 para ocupar o cargo de secretário-geral-adjunto para assuntos econômicos do Itamarati e, ainda nesse ano, participou das X e XI sessões do CIC. Representou o Brasil na Junta Arbitral do Convênio Internacional do Café em 1969, também em Londres. Neste último ano foi nomeado embaixador em Lima, no Peru, substituindo no posto a Martim Francisco Lafayette de Andrada e nele permanecendo até 1970, quando foi substituído por Manuel Antônio Maria de Pimentel Brandão.

Nomeado em seguida embaixador na Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, exerceria essa função de 1970 a 1974, participando das sessões desse organismo de 1971 a 1974. Em 1971 representou o Brasil na II Reunião Ordinária do Conselho Interamericano Econômico e Social (CIES) e na XI Reunião Extraordinária desse órgão, ambas realizadas em Punta del Este, no Uruguai, participando ainda do Country Review do Brasil no Comitê Interamericano da Aliança para o Progresso (CIAP), em Washington, da Reunião Ministerial do Grupo dos 77 e da XII Reunião da Comissão Especial de Coordenação Latino-Americana (CECLA), ambas em Lima. Em 1972 participou ainda a III Sessão da UNCTAD em Santiago do Chile, e novamente do Country Review do Brasil no CIAP.

Em 1973 fez palestras na Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio de Janeiro, sobre os temas segurança e desenvolvimento, a OEA e o Brasil. Ainda nesse ano tomou parte na XV Reunião da CECLA, no México, e, de 1973 a 1974, participou das VIII e IX reuniões anuais do CIES/OEA, realizadas respectivamente em Bogotá e em Quito. Foi também delegado do Brasil à Conferência de Chanceleres, realizada em 1973 no México, e à Reunião dos Chanceleres do Continente, em Washington, em 1974, chefiando ainda a delegação brasileira às reuniões da Comissão Especial para Estudar o Sistema Interamericano (CEESI) e propôs medidas destinadas à sua reestruturação, realizadas em Lima e Washington, respectivamente, em 1973 e 1974.

Transferido para Genebra ainda em 1974 na qualidade de embaixador permanente junto aos organismos internacionais, no exercício dessa função foi delegado à XXIV Sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Chefiou em Genebra as delegações às XXX e XXXI sessões das partes contratantes do GATT, em 1974 e 1975, à Conferência Técnica Marítima Preparatória, em 1975, e à II Sessão do Subgrupo de Subsídios e Direitos Compensatórios do Comitê de Negociações Comerciais do GATT, também em 1975. Ainda nesse ano foi delegado à LX Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, e em 1977 chefiou a delegação brasileira à Conferência Negociadora do Fundo Comum de Produtos de Base da UNCTAD, também em Genebra; deixou Genebra em 1983.

Apesar de aposentado desde 1987, em função do seu conhecimento de comércio internacional, nesse mesmo ano passou a presidir o grupo negociador da Rodada Uruguai, missão concluída em 1991.

Tornou-se membro da Sociedade Brasileira de Direito Internacional.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 15 de março de 1999.

Era casado com Daisy Álvares Maciel, com quem teve uma filha.

O arquivo de George Maciel encontra-se depositado no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) da Fundação Getulio Vargas.

 

FONTES: Globo (19/3/99); MIN. REL. EXT. Anuário (1965, 1973 e 1977); Perfil.

 

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