GERALDO BULHOES BARROS

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Nome: BULHÕES, Geraldo
Nome Completo: GERALDO BULHOES BARROS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BULHÕES, GERALDO

BULHÕES, Geraldo

*dep. fed. AL 1971-1987; const. 1987-1988; dep. fed. AL 1987-1991; gov. AL 1991-1995.

 

Geraldo Bulhões Barros nasceu no dia 19 de fevereiro de 1938 em Santana do Ipanema (AL), filho de Benício Mendes Barros e Aquilina Bulhões Barros.

Formou-se em 1963 em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e, até o ano seguinte, foi promotor público adjunto em seu estado natal. Exerceu as funções de procurador do município de Maceió de 1964 a 1965, ano em que concluiu pós-graduação em ciências jurídicas e sociais na Ufal. Incorporador e diretor financeiro da Companhia de Habitação Popular (Cohab) de Maceió entre 1965 e 1970, atuou também durante esse período como assessor jurídico da Cohab (1966), nos governos do general João Batista Tubino (1966) e de Antônio Lamenha Filho (1966-1971). Foi ainda assessor técnico e coordenador do setor jurídico da Companhia de Desenvolvimento de Alagoas (Codeal) e secretário do Conselho de Desenvolvimento de Alagoas.

No pleito de novembro de 1970 elegeu-se deputado federal por seu estado na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar instaurado no país em abril de 1964. Iniciando o mandato em fevereiro de 1971, foi membro das comissões de Agricultura e Política Rural e da Bacia do São Francisco, suplente da Comissão de Legislação Social (1971) e integrante da delegação da Câmara dos Deputados que visitou a Polônia em 1973. Reeleito em novembro de 1974, sempre na legenda da Arena, voltou a participar, na legislatura iniciada em fevereiro do ano seguinte, da Comissão de Agricultura e Política Rural, atuando ainda uma vez como suplente da Comissão de Trabalho e Legislação Social da Câmara. Em setembro de 1978, votou a favor da emenda de Francisco Acióli Filho, que propunha a extinção da figura do senador indireto. Em novembro seguinte, reelegeu-se novamente deputado federal por Alagoas na mesma legenda.

Considerado um dos fundadores do grupo renovador da Arena, em fevereiro de 1979 deu voto favorável à emenda do senador cearense Mauro Benevides, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), a favor do restabelecimento de eleições diretas para prefeito e vice-prefeito das capitais. Nessa legislatura, exerceu pela terceira vez as funções de membro efetivo da Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara. Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, Geraldo Bulhões absteve-se de ingressar em qualquer das agremiações então formadas. Mais tarde, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), agremiação que sucedeu à Arena.

Apoiado pelo presidente João Figueiredo, lançou sua pré-candidatura ao governo de Alagoas. Preterido por Guilherme Palmeira, que contava com o respaldo do ex-presidente Ernesto Geisel e do ex-governador Divaldo Suruagy, em novembro de 1982 reelegeu-se deputado federal, passando a integrar a dissidência da bancada do PDS.

Presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas, em 25 de abril de 1984 votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que previa eleições diretas para presidente da República. Derrotada a proposição — faltaram 22 votos para que fosse levada à apreciação do Senado — no Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, Geraldo Bulhões apoiou o candidato oficial do regime, Paulo Maluf, derrotado pelo oposicionista Tancredo Neves, da Aliança Democrática, uma união do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Doente, Tancredo Neves não chegou a ser empossado, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo o cargo interinamente, desde 15 de março deste ano.

Logo no início do governo Sarney, Geraldo Bulhões filiou-se ao PMDB, juntamente com Fernando Collor de Melo, eleito governador de Alagoas em novembro de 1986. Na mesma ocasião, Bulhões conquistou um mandato de deputado federal constituinte, assumindo a cadeira em fevereiro de 1987.

Titular da Subcomissão da Nacionalidade, da Soberania e das Relações Internacionais, da Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher, e suplente da Subcomissão de Defesa do Estado, da Sociedade e de sua Segurança, da Comissão da Organização Eleitoral, Partidária e Garantia das Instituições, votou a favor da limitação do direito de propriedade; da estatização do subsolo, do limite de 12% ao ano para os juros reais, da limitação dos encargos da dívida externa, do voto facultativo aos 16 anos, do mandado de segurança coletivo, da soberania popular, da legalização do aborto, da estabilidade no emprego, do turno ininterrupto de seis horas, da jornada semanal de 40 horas, do aviso prévio proporcional, da criação de um fundo de apoio à reforma agrária e da desapropriação da propriedade produtiva. E contra a pena de morte, o presidencialismo, o mandato de cinco anos para o então presidente José Sarney, a anistia aos micro e pequenos empresários e a legalização do jogo do bicho.

Em outubro de 1990 candidatou-se ao governo de Alagoas na legenda do Partido Social Cristão (PSC), disputando com seu principal concorrente, Renan Calheiros, do Partido da Reconstrução Nacional (PRN), o apoio de Fernando Collor de Melo, eleito presidente da República em dezembro do ano anterior. O pleito foi acirrado, e diante das denúncias de fraudes de ambas as partes a Justiça Eleitoral anulou o resultado em cinco cidades, convocando eleições suplementares.

Com uma vitória apertada sobre Calheiros, Bulhões não recebeu contudo o número de votos suficientes para vencer a eleição já no primeiro turno. Ex-líder do governo federal na Câmara e companheiro de partido de Collor, Calheiros rompeu com o presidente em novembro de 1990, já durante a campanha para o segundo turno. Assim, no início do ano seguinte, tornando público o que a imprensa já noticiava extra-oficialmente, Collor declarou apoio à candidatura de Bulhões. Sustentado por uma ampla coligação, o candidato do PSC recebeu também a adesão da primeira-dama, Rosane Collor de Melo — prima de sua esposa, Denilma Vilar de Bulhões Barros — e do candidato a senador eleito pelo Partido da Frente Liberal (PFL), Guilherme Palmeira. No dia 20 de janeiro de 1991, finalmente, Geraldo Bulhões alcançou a vitória apesar da alta proporção de votos nulos e brancos, e do índice recorde de 40% de abstenção.

No governo, Bulhões preocupou-se em melhorar a imagem do estado perante o restante do país através de promessas de reestruturação da polícia alagoana e de maior rigor na solução dos vários crimes políticos. Todavia, a comissão parlamentar de inquérito instaurada na Câmara dos Deputados para apurar o esquema de corrupção envolvendo Paulo César Farias, ex-tesoureiro da campanha presidencial de Collor, apontou entre outras irregularidades a liberação de recursos do Ministério da Saúde para a compra de votos que teriam favorecido o governador.

Afastado da presidência logo após a abertura do processo de impeachment, Collor acabou renunciando ao cargo em 29 de dezembro de 1992. Geraldo Bulhões foi dos poucos que insistiu em defendê-lo, questionando a legitimidade do mandato de Itamar Franco e defendendo a convocação de eleições gerais, sob o argumento de que o afastamento do ex-presidente fora um “golpe branco” contra as instituições.

Em junho de 1993 o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana — formado por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, da Procuradoria Geral da República e da Associação Brasileira de Imprensa, e presidido pelo ministro da Justiça, Maurício Correia — aprovou relatório sugerindo a transferência do comando da Polícia Militar de Alagoas para o Exército ou, em contrapartida, a intervenção federal no estado.

Em depoimento à CPI do Congresso que investigava o crime organizado no país, e embora reconhecendo a responsabilidade da Polícia Militar em vários delitos, Bulhões acusou o prefeito de Maceió, Ronaldo Lessa, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), e o senador Teotônio Vilela Filho, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), de liderarem uma campanha favorável à intervenção. Além dos problemas na área de segurança, a gestão de Bulhões foi marcada por problemas de sua vida privada. Num episódio de repercussão nacional, sua esposa e primeira-dama, Denilma Bulhões, teria agredido o governador com uma toada molhada.  Concluiu o mandato em janeiro de 1995, passando o cargo para Divaldo Suruagy.

Tentou, sem sucesso, uma vaga de senador por Alagoas nas eleições de 2002 na legenda do PFL.

Foi ainda professor universitário e dono de duas estações de rádio em Santana do Ipanema e em Rio Largo, em Alagoas.

Teve quatro filhos com Denilma Bulhões.

Publicou Sistema bancário, em co-autoria com Francisco M. Leahy.

Alexandra Toste

 

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987); CÂM. DEP. Deputados; CAM. DEP. Deputados brasileiros. Repertórios (1971-1975, 1975-1979, 1983-1987); COELHO, J. & OLIVEIRA, A. Nova; Correio Brasiliense (18/1/87); Estado de S. Paulo (10/7 e 22/9/91, 26/6 e 7/7/92, 5/9/95); Folha de S. Paulo (22/11/90, 22/1 e 7/4/91, 1/7/93, 6/1 e 4/4/94, 5/9/95, 5/10/96, 22/3/97); Globo (26/4/84, 16/1/85, 27/1 e 1/4/91, 22/7 e 5/12/92, 15, 27, 28/6, 1/7 e 9/8/93, 4 e 22/1/95, 22/3/97); Jornal do Brasil (22/9/78, 23/2/79, 15/12/90, 11/1/91, 19, 24/3, 10/4 e 14/6/93, 10/4/94, 20/7, 6 e 11/9/95); NÉRI, S. 16; Perfil (1972, 1980).

http://www.tse.gov.br/internet/eleicoes/2002/result_blank.htm acesso em 15/10/09.

 

 

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