GERALDO DE MENESES CORTES

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Nome: CORTES, Meneses
Nome Completo: GERALDO DE MENESES CORTES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CORTES, MENESES

CORTES, Meneses

*militar; dir.-ger. DFSP 1954-1955; dep. fed. 1959-1962.

 

Geraldo de Meneses Cortes nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 2 de agosto de 1911, filho de Elói Teixeira Cortes e de Alice de Meneses Cortes. Seu avô paterno, Agostinho Cesário de Figueiredo Cortes, republicano histórico em Minas Gerais, foi senador estadual de 1899 a 1905.

Estudou no Instituto Lafayette e no Colégio Paula Freitas. Sentou praça em março de 1928, ingressando na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, de onde saiu aspirante em novembro de 1930. Promovido a segundo-tenente em junho do ano seguinte, serviu no 3º Regimento de Infantaria (3º RI), na capital federal, até 1932. Em junho desse ano foi promovido a primeiro-tenente e pouco depois participou do combate à Revolução Constitucionalista de São Paulo, tendo tomado parte em manobras realizadas no vale do Paraíba.

De 1932 a 1934 serviu na 2ª Brigada de Infantaria, no Rio de Janeiro, e, ainda neste último ano, foi auxiliar de instrutor de infantaria na Escola Militar do Realengo. Participou na Escola de Aviação Militar, no Campo dos Afonsos, sempre na capital federal, da repressão à revolta de novembro de 1935 e, no ano seguinte, serviu no Arquivo do Exército, no Rio, e no 1º Batalhão de Caçadores (1º BC), sediado em Petrópolis (RJ). Promovido a capitão em maio de 1937, foi removido para Curitiba, onde serviu no 15º BC. De volta à Escola Militar do Realengo em 1939, comandou aí a 3ª Companhia.

Atuou na Escola de Estado-Maior do Exército, na capital federal, em 1944, sendo promovido a major em junho de 1946. Exerceu em seguida o cargo de auxiliar de instrutor na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e, ainda em 1946, começou a trabalhar na secretaria geral do Conselho de Segurança Nacional como conselheiro de imigração e colonização, função que desempenharia durante o governo de Eurico Dutra, até 1951. Em 1950 dirigiu o Serviço de Trânsito (atual Detran) do Distrito Federal, do qual se exonerou por divergências com o prefeito Ângelo Mendes de Morais.

Promovido a tenente-coronel em outubro de 1951, serviu na 1ª Seção do Estado-Maior do Exército (EME) em 1952, quando representou o Brasil na Comissão Mista Ítalo-Brasileira para Assuntos de Imigração. No ano seguinte atuou na Escola Superior de Guerra (ESG), onde foi professor de assuntos psicossociais. Transferido para a Diretoria Geral de Pessoal do Exército em 1954, ainda nesse ano — após a morte do presidente Getúlio Vargas, ocorrida em 24 de agosto —, foi nomeado pelo presidente João Café Filho chefe do Departamento Federal de Segurança Pública (DFSP).

Acusado de participar da articulação de um suposto golpe em andamento no governo, que visaria a impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek, foi preso e afastado do DFSP pelo Movimento do 11 de Novembro de 1955, liderado pelo general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra demissionário. Esse movimento determinou o impedimento dos presidentes da República Carlos Luz, em exercício, e Café Filho, licenciado, empossando na chefia da nação o vice-presidente do Senado, Nereu Ramos. Após deixar o DFSP, Meneses Cortes assumiu a chefia da 19ª Circunscrição de Recrutamento, em Aracaju. Promovido a coronel em agosto de 1956, entre esse ano e 1958 serviu no Nordeste.

No pleito de outubro de 1958 elegeu-se deputado federal pelo Distrito Federal na legenda da União Democrática Nacional (UDN), assumindo o mandato em fevereiro do ano seguinte e tornando-se, a partir de maio, vice-líder de seu partido. Ainda em 1959 foi promovido a general-de-brigada e passou para a reserva. Em junho desse mesmo ano, como membro de uma comissão parlamentar de inquérito instituída por iniciativa da UDN para apurar atos de corrupção no DFSP, dirigiu-se à sede desse órgão para proceder a investigações. Na ocasião, depois de áspera troca de palavras, foi agredido fisicamente pelo chefe do órgão, o coronel Amauri Kruel, que, em conseqüência, foi obrigado a deixar o cargo.

Em 1960 foi articulada sua candidatura ao governo do recém-criado estado da Guanabara com apoio do líder udenista Carlos Lacerda, que, entretanto, lançaria sua própria candidatura e lograria ser eleito em outubro do mesmo ano. O episódio levou-o a renunciar ao cargo de secretário-geral da seção carioca da UDN. Entretanto, quando, em 19 de agosto de 1961, durante a crise provocada pela condecoração do ministro cubano Ernesto “Che” Guevara pelo presidente Jânio Quadros, Lacerda ameaçou renunciar ao governo do estado. Para evitar que isso ocorresse, Meneses Cortes, acompanhado de Adauto Lúcio Cardoso, embarcou para o Rio de Janeiro, sendo bem-sucedido em seu objetivo.

Em junho de 1961 tornou-se líder da UDN mas no mês seguinte voltou à condição de vice-líder do partido, tendo sido também vice-líder da minoria na Câmara. No pleito de outubro de 1962 reelegeu-se deputado federal pela Guanabara na mesma legenda.

Professor da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), cursou a Command and General Staff School, a G.L — Officers School e a Strategical Intelligence School, nos EUA. Foi membro da Sociedade Interamericana de Planejamento e da Associação Brasileira para a Prevenção de Acidentes.

Faleceu em 30 de outubro de 1962, em desastre aéreo, quando viajava para Brasília, tendo sido promovido post mortem, em 1963, a general-de-divisão.

Era casado com Tilma Camilo Cortes, com quem teve um filho.

Publicou O serviço de informações e transmissões num RI, A batalha de Roma, Tráfego e sua repercussão no urbanismo e Migração e colonização no Brasil.

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; CAFÉ FILHO, J. Sindicato; CÂM. DEP. Anais (1961-1 e 1962-21); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; CARNEIRO, G. História; CONSULT. MAGALHÃES, B.; COSTA, M. Cronologia; COUTINHO, A. Brasil; Grande encic. Delta; Grande encic. portuguesa; KUBITSCHEK, J. Meu (3); LACERDA, C. Depoimento; MACEDO, R. Efemérides; MIN. GUERRA. Subsídios; NÉRI, S. 16; RIBEIRO FILHO, J. Dic.; SILVA, H. História; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; Visão (8/12/75).

 

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