GILBERTO DE LIMA AZEVEDO SOUSA FERREIRA AMADO DE FARIA

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Nome: AMADO, Gilberto
Nome Completo: GILBERTO DE LIMA AZEVEDO SOUSA FERREIRA AMADO DE FARIA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

AMADO, Gilberto

*jornalista e diplomata; dep. fed. SE 1915-1917 e 1921-1926; sen. SE 1927-1930; emb. Bras. Chile 1936-1937; emb. Bras. Itália 1939-1942.

 

Gilberto de Lima Azevedo Sousa Ferreira Amado de Faria nasceu em Estância (SE) no dia 7 de maio de 1887, filho de Melquisedec Amado de Faria e de Ana de Lima Azevedo Sousa Ferreira. Sua família produziu uma série de escritores, entre os quais seus irmãos Genolino, Gildásio e Gílson e seus primos Jorge e James Amado.

Após ter sido alfabetizado pela mãe, ingressou no Ateneu Sergipano, onde iniciou os estudos preparatórios. Em 1902, matriculou-se na Faculdade de Medicina da Bahia, obtendo o diploma de farmacêutico no ano seguinte. Retornou então a Aracaju, onde concluiu o curso preparatório em 1904 e foi nomeado lente de ciências físicas e naturais da Escola Normal de Sergipe. Nesse mesmo ano, começou a colaborar nos jornais Estado de Sergipe e Folha de Sergipe.

Em 1905, ingressou na Faculdade de Direito de Recife, e no ano seguinte passou a escrever para o Diário de Pernambuco a seção diária “Golpes de vista”. Nessa época, sustentou polêmica com os jornais, A Província e Correio de Recife em torno da obra do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, que procurava difundir.

Durante sua permanência na Faculdade de Direito, proferiu conferências nesta e em outras instituições de Recife. Em 1909, foi escolhido pelos alunos da faculdade para representá-los no congresso de estudantes que se realizou em São Paulo no mês de agosto. Ainda estudante, Gilberto Amado já exercia o cargo de primeiro oficial da Câmara dos Deputados de Pernambuco.

Após formar-se em 1909, foi nomeado promotor público em Aracaju, mas recusou o cargo, preferindo dedicar-se ao jornalismo. Seguiu para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no início de 1910, publicando no Jornal do Comércio artigos sobre literatura que lhe valeram o reconhecimento no meio literário da capital federal. Em seguida, foi admitido no corpo de colaboradores de A Imprensa, sob a direção de Alcindo Guanabara, e depois em O País. Neste jornal, escrevia a crônica dominical “A Semana”. Na mesma época, escrevia para o jornal Comércio de São Paulo.

Entre os inúmeros órgãos de imprensa em que colaborou ao longo de sua carreira jornalística, figuram além dos já citados, O Estado de S. Paulo, Correio Paulistano, Folha do Norte (do Pará), Gazeta de Notícias, A Pátria, América Brasileira, Mundo Literário, O Cruzeiro e Época. Costumava também assinar seus artigos com os pseudônimos de Áureo ou Gil.

Em 1911, voltou para Recife, a fim de assumir o cargo de professor substituto da cadeira de direito penal da Faculdade de Direito, para o qual fora nomeado. Ainda em 1911, casou-se com Alice do Rego Barros Gibson.

No ano seguinte, candidatou-se a deputado federal por Sergipe, não conseguindo porém eleger-se. Após as eleições, foi mandado em comissão à Europa pelo governo brasileiro, em viagem de estudos. Em 1914, após a publicação de seu primeiro livro, As chaves de Salomão, candidatou-se, sem sucesso, à Academia Brasileira de Letras. Em 1915, foi eleito deputado federal por Sergipe. Em junho do mesmo ano, já deputado, matou a tiros o poeta Aníbal Teófilo no saguão do Jornal do Comércio por questões pessoais. Recolhido à Brigada Policial, ficou à disposição da justiça, sendo absolvido tempos depois.

Permaneceu na Câmara até 1917, revertendo à atividade jornalística ao fim do mandato. Em 1919, passou a redator-chefe da Época, ao mesmo tempo que continuava a escrever para diversos outros órgãos de imprensa.

Novamente eleito deputado federal por Sergipe em 1921, foi reeleito em 1924, permanecendo na Câmara até o final de 1926. Durante esse período, fez parte da Comissão de Diplomacia e Tratados e da Comissão de Finanças. Seus pareceres nesta última comissão sobre o orçamento do exterior, suscitaram teses que tiveram influência sobre a orientação da diplomacia brasileira. O parecer que emitiu em 1924, abordando a atitude do Brasil ante o pan-americanismo, mostrava-se favorável a um estreitamento maior das relações entre os países latino-americanos e os Estados Unidos.

Em 1927 tornou-se diretor da Caixa Econômica do Rio de Janeiro.

Eleito senador por Sergipe nesse mesmo ano, exerceu o mandato até 1930, quando a vitória da revolução de outubro suspendeu o funcionamento dos órgãos legislativos do país. Também na Câmara Alta, desenvolveu estudos sobre a diplomacia brasileira. Ao longo de sua carreira no Congresso, participou das conferências interparlamentares de comércio realizadas em Roma (1925), Londres (1926), Paris (1927) e Berlim (1930). Em 1930, deixou a cátedra de direito penal da Faculdade de Direito de Recife, pedindo transferência para a Faculdade de Direito do Rio de Janeiro.

Nomeado consultor jurídico do Ministério das Relações Exteriores em 1934, participou em 1935 da delegação brasileira à Conferência para Manutenção da Paz, realizada em Buenos Aires. Em dezembro desse mesmo ano, foi efetivado no posto de ministro plenipotenciário de primeira classe.

Exerceu as funções de embaixador e ministro plenipotenciário inicialmente em Santiago, Chile, de 1936 a 1937. Em 1938, foi nomeado diretor-geral da biblioteca do Ministério das Relações Exteriores, antes de seguir como embaixador para Helsinque, na Finlândia, onde permaneceu até 1939. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi o último embaixador brasileiro em Roma (1939-1942) antes do rompimento de relações com os países do Eixo. Em seguida, foi embaixador em Berna (1942-1943).

Posto em disponibilidade em 1943, representou o Brasil no Conselho Administrativo da Repartição Internacional do Trabalho em 1945 e, desde 1946, foi delegado do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), tendo representado o país em diversas sessões ordinárias e extraordinárias da entidade. Além disso, participou em 1947 do Conselho Interamericano Econômico e Social, em Washington, e foi membro e diversas vezes presidente da Comissão de Direito Internacional da ONU. Em 1951, representou ainda o Brasil na Comissão Internacional de Jurisdição Criminal, antes de aposentar-se de suas funções diplomáticas em maio de 1952.

Dedicando-se a partir de então especialmente à produção literária, aceitou contudo chefiar a delegação brasileira à Conferência da ONU sobre o Direito de Mar em 1960.

Pelos cinco volumes que publicou na década de 1950 (História de minha infância, 1954; Minha formação no Recife, 1955; Mocidade no Rio e primeira viagem à Europa, 1956; Presença na política, 1958, e Depois da política, 1960), Gilberto Amado é situado como um dos expoentes do memorialismo na moderna literatura brasileira.

A maioria dos críticos valoriza esse aspecto de sua obra, especialmente do ponto de vista estritamente literário, mas sua vasta produção ensaística também é notável, destacando-se o exame da realidade e do caráter socio-cultural do Brasil, sobretudo da vida política, contido em As instituições políticas e o meio social no Brasil (1924), Eleições e representação (1931), e Presença na política (1958).

Entre as idéias expostas, destaca-se a crítica às formas de representação, ao militarismo, à fragilidade das instituições, ao predomínio dos grandes estados e à persistência do mecanismo de importação dos padrões culturais e institucionais europeus, os quais, a seu ver, deveriam ser substituídos pela procura de formas brasileiras, condizentes com as condições peculiares do país, e pela adoção de uma política de aproximação com as demais nações do continente americano.

Através de sua obra e de sua militância jornalística, exerceu considerável influência sobre as gerações brasileiras formadas depois de 1915.

Gilberto Amado ocupou a cadeira nº 26 da Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito em 1963. Pertenceu a inúmeras associações, entre as quais o Instituto dos Advogados do Brasil, o Instituto de Direito Internacional e o Museu Social Argentino, do qual foi sócio-correspondente desde 1923.

Faleceu no Rio de Janeiro, em 27 de agosto de 1969.

Além dos livros já mencionados, publicou ainda: O instinto (contos, 1910), Suave ascensão (poesia, 1917), Grão de areia: estudo de nosso tempo (1919, 2 ed. modificada, 1948), Aparências e realidades (1922), Espírito de nosso tempo (1932), A dança sobre o abismo (1932, 2 ed.,1952), Dias e horas de vibração (impressões de viagem, 1933), Perfil do presidente Getúlio Vargas (1936), Inocentes e culpados (2 ed., 1941), Os interesses da companhia (1942), Sabor do Brasil (1953) e Poesias (1954, 2 ed., 1967).

Sobre Gilberto Amado, há uma grande série de artigos publicados em jornais e revistas especializadas, além do livro de Homero Sena Gilberto Amado e o Brasil (1968).

Sílvia Pantoja/Sérgio Flaksman

 

 

FONTES: ABRANCHES, C. Gilberto; ABRANCHES, J. Governos; ARQ. GETÚLIO VARGAS; ARQ. OSVALDO ARANHA; BITTENCOURT, L. Homens I; BRINCHES, V. Dic.; CÂM. DEP. Relação dos dep.; COELHO, J. Dic.; CONSULT. MAGALHÃES, B.; COUTINHO, A. Brasil; DAUDT FILHO, J. Memórias; Encic. Mirador; Encic. prática Jackson; Grande encic. Delta; Grande encic. portuguesa; GUARANÁ, M. Dic.; GUIMARÃES, A. Dic.; Ilustração Brasileira (12/22); INST. NAC. LIVRO. Índice; Jornal do Brasil (29/6/70, 5/1/77); Jornal do Comércio, RJ (28/8/69); MENESES, R. Dic.; MIN. REL. EXT. Almanaque (1943); MIN. REL. EXT. Anuário; OLIVEIRA, C. Biografia; PINTO, A. Caixa; PORTELA, E. Dimensões; REIS, A. Poetas; RODRIGUES, J. Algumas; SILVA, R. Bacharéis; SODRÉ, N. História da imprensa.

 

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