GUIMARAES, GENIVAL BARBOSA

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Nome: GUIMARÃES, Genival Barbosa
Nome Completo: GUIMARAES, GENIVAL BARBOSA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
GUIMARÃES, GENIVAL BARBOSA

GUIMARÃES, Genival Barbosa

*pres. UNE 1948-1949.

 

Genival Barbosa Guimarães nasceu em João Pessoa no dia 4 de março de 1924, filho do guarda-livros José Lopes Guimarães e de Josefa Barbosa Guimarães.

Fez os estudos básicos na sua cidade natal, no Liceu Paraibano, onde concluiu, em 1944, o curso de pré-engenharia. Em 1941, iniciou suas atividades políticas no Centro Estudantil da Paraíba, em João Pessoa, do qual se tornou vice-presidente. Em 1945, participou ativamente da campanha de redemocratização do país, sendo fundador, na Paraíba, da União Democrática Nacional (UDN), da qual integrou o primeiro diretório estadual no cargo de secretário de organização partidária. Na UDN, fez parte da Esquerda Democrática, grupo que, em 1946, deu origem ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Ainda em 1945, saudou, em nome dos estudantes paraibanos, o jornalista Carlos Lacerda, que percorria o país na campanha vitoriosa pela anistia aos exilados, presos políticos e todos os cidadãos atingidos pelo arbítrio do Estado Novo.

Em 1946, foi morar em Recife com seu tio Lourenço Barbosa — o compositor Capiba — e ingressou na Escola de Engenharia. Em abril de 1948 foi eleito presidente da União de Estudantes de Pernambuco. No mês seguinte, participou da fundação do Centro Pernambucano de Estudos e Defesa do Petróleo, tornando-se um dos seus vice-presidentes. O Centro de Pernambuco era filiado ao Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (CEDPEN), instituição civil criada no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, com o objetivo de congregar o povo brasileiro para a defesa da emancipação econômica do país e, em particular, da exploração do petróleo brasileiro através de monopólio estatal.

Ainda em 1948, por ocasião do XI Congresso Nacional de Estudantes, realizado no Rio de Janeiro, foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), para o período de julho desse ano a julho de 1949, no lugar de Roberto Gusmão. Ao assumir a presidência da UNE, passou a exercer a vice-presidência do CEDPEN, sendo conduzido a uma de suas presidências de honra por decisão da Convenção Nacional de Defesa do Petróleo, realizada em outubro de 1948 no Rio de Janeiro.

Durante sua gestão, a UNE sofreu, em janeiro de 1949, a primeira invasão à sua sede pelo esquema policial do governo de Eurico Dutra (1946-1951), sob o pretexto de reprimir os protestos estudantis realizados na via pública no Flamengo, na cidade do Rio de Janeiro, contra o aumento de 30 para 40 centavos do preço das passagens dos bondes. Nessa ocasião, vários estudantes foram presos e a sede da entidade ficou interditada por sete dias. A UNE, então, se transferiu provisoriamente para a sede do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO) da Faculdade Nacional de Direito e — com o apoio unânime das uniões estaduais de estudantes (UEEs) e dos centros acadêmicos de todo o país, da imprensa e de alguns políticos, tais como José Eduardo Prado Kelly (presidente da UDN), Domingos Velasco (líder do PSB) e Artur Bernardes (ex-presidente da República e presidente do Partido Republicano) — desenvolveu uma campanha nacional vitoriosa pela liberação de sua sede e libertação dos estudantes presos.

Em abril desse ano, pela segunda vez, a sede da UNE foi invadida pela polícia política do governo federal, a fim de impedir — utilizando até armas de fogo — a instalação do I Congresso Brasileiro pela Paz, promovido pela Organização Brasileira em Defesa da Paz e da Cultura (OBDPC), lançada em março por vários setores da sociedade brasileira e julgada “subversiva” pelas autoridades do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Em decorrência desse acontecimento, a UNE se desligou da OBDPC e Genival, com problemas de saúde e pressionado por setores à esquerda e à direita do movimento estudantil, que o responsabilizavam pelos fatos ocorridos, renunciou à presidência da entidade, 80 dias antes de concluir seu mandato. Foi substituído pelo estudante paulista Ubaldo de Maio, também ligado às correntes de esquerda.

De volta a Recife, retomou, em 1950, os estudos, mas em dezembro seguinte teve que suspendê-los pelo agravamento de seu estado de saúde. Somente no ano letivo de 1954, já restabelecido, pôde dar continuidade aos estudos, tendo concluído três anos depois o curso de engenharia civil na Escola Politécnica da Universidade Católica de Pernambuco. Durante todo o curso, trabalhou no distrito do Departamento Nacional de Estradas de Ferro (DNEF).

Após a formatura, ingressou, em janeiro de 1958, no Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) na Paraíba e, em fevereiro do ano seguinte, foi requisitado por Celso Furtado para integrar, como fundador, a equipe técnica da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Em janeiro de 1960, tornou-se o primeiro diretor da divisão de transportes da instituição, onde permaneceu até julho de 1962. Ainda em 1960, representando a Sudene, participou no Rio de Janei-ro do curso de treinamento em problemas de desenvolvimento, promovido pelo Banco Na-cional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) e ministrado pela Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU).

Na Sudene, em 1961, coordenou a elaboração do capítulo do setor de transportes do 1º Plano Diretor de Desenvolvimento Econômico e Social do Nordeste, aprovado, no ano seguinte, pelo Congresso Nacional. Indicado por Celso Furtado, superintendente da instituição, ao ministro de Viação e Obras Públicas, Hélio de Almeida, Genival foi nomeado diretor-geral do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS), cargo que exerceu de agosto de 1962 a agosto do ano seguinte, durante o governo João Goulart (1961-1964). Na sua gestão à frente do DNOCS, lutou pela integração do órgão à Sudene, em consonância com as diretrizes estabelecidas no plano diretor, e teve a iniciativa, em conjunto com a Sudene e as Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobrás), de criar a Companhia Hidroelétrica de Boa Esperança no rio Parnaíba, no Piauí. Obteve também êxito com a aprovação, em julho de 1963, pelo Congresso Nacional, da lei que transformou o DNOCS em autarquia e que resultou na aceitação, quase na íntegra, do substitutivo elaborado pelo DNOCS, e enviado ao Senado pelo ministro Hélio de Almeida, a um projeto de lei que já tramitava há cerca de seis anos.

Em setembro de 1963, retornou ao DNER, sendo posto à disposição do Instituto de Pesquisas Rodoviárias (IPR), vinculado ao Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), para organizar e dirigir o seu núcleo no Nordeste, em convênio com a Sudene e o DNER, tendo a Agência de Desenvolvimento dos Estados Unidos (USAID) doado todo o equipamento do laboratório de solos e asfalto do núcleo e o convidado para uma viagem técnica aos Estados Unidos.

Em decorrência do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart, foi destituído das funções de representante do MVOP no conselho deliberativo da Sudene, que ocupava desde setembro de 1963, e exonerado de seu cargo efetivo de consultor técnico do DNER, voltando à sua condição de engenheiro. Em junho de 1964, viajou para os Estados Unidos, em companhia de mais 18 engenheiros rodoviários do Nordeste, numa viagem técnica de 45 dias, sendo-lhe conferido ao final, pelo Bureau of Public Roads, o certificado de estudos no campo da engenharia de auto-estradas. Na sua volta, continuou o trabalho no núcleo do IPR, sendo designado, em março de 1966, subchefe do distrito do DNER, cargo que exerceu até dezembro de 1972. Optando, em janeiro do ano seguinte, pelo quadro funcional da Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes, foi organizador e gerente do escritório regional Nordeste, sediado em Recife, onde permaneceu até março de 1987. Nesse período, foram elaborados, entre outros, os projetos de transportes urbanos das regiões metropolitanas do Recife, Salvador e Fortaleza e das capitais do Nordeste e o projeto do metrô de Recife, em operação desde 1986.

Em março de 1979, o ministro dos Transportes no governo João Figueiredo, Eliseu Resende (1979-1982), nomeou-o coordenador-executivo do Programa Corredor de Exportação e Abastecimento do Nordeste e representante desse ministério no conselho deliberativo da Sudene, permanecendo nessas funções até março de 1989, quando se aposentou do serviço público.

Em fevereiro de 2007, prestou depoimento ao projeto Memória do Movimento Estudantil.

Foi casado com Rute Borba Delgado Guimarães, com quem teve um filho.

Marcelo Costa

 

 

FONTES: CARVALHO, E. Petróleo; FICHÁRIO PESQ. M. AMORIM; INF. BIOG.; MEMOREX; POERNER, A. Poder jovem; http://www.mme.org.br/main.asp?View=%7BD8F61CAF%2DFA6F%2D480C%2DB5B8%2D2B7E57510000%7D&Team=&params=itemID=%7B0E0436EC%2DF518%2D4557%2DA977%2D4045A8BA240C%7D%3B&UIPartUID=%7BD90F22DB%2D05D4%2D4644%2DA8F2%2DFAD4803C8898%7D acesso em 24/11/09;

 

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