GUIMARAES, HONORIO DE FREITAS

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Nome: GUIMARÃES, Honório de Freitas
Nome Completo: GUIMARAES, HONORIO DE FREITAS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
GUIMARÃES, HONÓRIO DE FREITAS

GUIMARÃES, Honório de Freitas

*rev. 1935.

 

Honório de Freitas Guimarães nasceu em Petrópolis (RJ) no dia 8 de julho de 1902, filho do promotor e juiz Álvaro de Freitas Guimarães e de Maria Emília Carneiro Leão de Barros Guimarães. Sua mãe era neta do barão de São João de Icaraí, Constantino Pereira de Barros, bisneta do marquês de Paraná, Honório Hermeto Carneiro Leão, e pertencente a uma família de fazendeiros e usineiros do estado do Rio de Janeiro, nas regiões de Niterói e de Barra Mansa.

Em 1910, seu pai foi afastado do cargo público que ocupava em Nova Friburgo (RJ) por apoiar a candidatura oposicionista de Rui Barbosa à presidência da República. Com recursos financeiros de sua mãe, a família viajou em seguida para a Europa, fixando residência inicialmente em Paris e, a partir de 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial, na Inglaterra. Na ocasião, Honório Guimarães ingressou na Escola Preparatória de Eton — até então só tivera professores particulares —, concluindo o curso em 1919.

De volta ao Brasil, entrou para a Escola Politécnica do Rio de Janeiro, no então Distrito Federal, abandonando o curso em fins de 1921. Na tentativa de livrar-se da dependência econômica da família, ingressou na primeira turma do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), organizado em fins daquele ano na 3ª Companhia de Metralhadoras Pesadas, no bairro carioca de São Cristóvão. Fez em seguida um estágio de mais de seis meses como sargento. Tendo passado no exame para oficial da reserva de primeira linha, iniciou o curso regular como aspirante-a-oficial na própria companhia.

Honório Guimarães não aderiu à Revolta de 5 de Julho de 1922, movimento que irrompeu no Rio de Janeiro e em Mato Grosso em protesto contra a eleição de Artur Bernardes à presidência da República e as punições impostas pelo governo Epitácio Pessoa (1919-1922) aos militares, com o fechamento do Clube Militar e a prisão do marechal Hermes da Fonseca. Ao contrário, assumiu a defesa do quartel em que servira combatendo os revoltosos, afinal derrotados no mesmo dia. Ainda em 1922 foi promovido a segundo-tenente, concluindo o estágio de três meses no 3º Regimento de Infantaria (3º RI), sediado na Praia Vermelha.

Abandonando os planos de ingresso na Escola Militar, juntou-se a uma expedição para trabalhar no garimpo do rio das Garças (PE), atividade que se estendeu de fins daquele ano até princípios de 1924. Por ocasião do segundo levante tenentista (5/7/1924), liderado em São Paulo por Isodoro Dias Lopes, apresentou-se novamente como voluntário antes mesmo da convocação feita aos oficiais da reserva. Depois de um breve período de preparação, o batalhão a que se incorporou seguiu para São Paulo, lá permanecendo por alguns dias. Com o deslocamento dos revoltosos para o interior do estado após ocuparem a capital por três semanas, o batalhão voltou ao Rio de Janeiro, onde foi rapidamente desmobilizado.

Nos anos seguintes voltou às suas atividades na área da mineração, dessa vez em Minas Gerais e Goiás. Atuou também como encarregado da vistoria de fazendas para uma firma hipotecária inglesa e, em fins de 1928, passou a trabalhar como superintendente de uma fazenda de plantação de frutas em Queimados, distrito do município de Nova Iguaçu (RJ), pertencente à família Guinle, tentando depois, sem sucesso, o negócio de exportação de laranjas.

Em meados da década de 1920, por influência de sua esposa, Maria de Figueiredo — filha mais jovem de Francisco Figueiredo, conde de Figueiredo —, que freqüentara os meios intelectuais parisienses da época, Honório Guimarães passaria a interessar-se por questões ligadas ao socialismo e ao comunismo. Por outro lado, mostrara-se também simpático à Coluna Prestes, núcleo de um movimento rebelde irrompido em abril de 1925 através da junção dos grupos que haviam sublevado no ano anterior guarnições de São Paulo e do Rio Grande do Sul. Por haver modificado seus pontos de vista políticos, não atuou em defesa de Washington Luís quando eclodiu a Revolução de 1930.

Pouco depois, juntamente com seu cunhado, Afonso de Figueiredo, passou três semanas em Buenos Aires com o objetivo de entrar em contato com Luís Carlos Prestes e com ele traçar os planos para reviver a então recém-dissolvida Liga de Ação Revolucionária, organização política criada em julho de 1930 na capital argentina sob a liderança de Prestes com a finalidade de pôr em prática a revolução agrária e antiimperialista.

De volta ao Brasil, aproximou-se do Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), no qual ingressou em fins de 1931 para desempenhar a função de técnico de mimeógrafo e outros serviços gerais. Trabalhou em seguida em estreita relação com Eucina de Lacerda, esposa de Fernando de Lacerda, ambos importantes membros do PCB, além de cumprir tarefas ligadas ao comitê regional do partido. No início de 1934 passou a integrar o secretariado nacional do PCB, para cuja secretaria geral fora eleito Antônio Maciel Bonfim, conhecido pelo codinome Miranda. Em julho desse ano foi eleito para integrar o comitê central do PCB, adotando os codinomes M., Martins, Nico e Henrique Vieira de Sousa. Mantido no secretariado regional do Rio de Janeiro e do Distrito Federal como secretário e comissário de finanças, foi ainda encarregado de organizar as células do partido, inclusive a dos ferroviários, que contava com mais de cem membros.

Embora não concordasse com a idéia afinal vitoriosa — de deflagração de um movimento armado em 1935 —, participou durante o segundo semestre desse ano, juntamente com Luís Carlos Prestes, Maciel Bonfim e Rodolfo Ghioldi, entre outros, da articulação e preparação do levante. Em novembro do mesmo ano, a Aliança Nacional Libertadora (ANL) — organização antifascista e nacionalista fechada pelo governo federal quatro meses antes e que era liderada pelo PCB — deflagrou o levante do Nordeste — Natal e Recife — e na capital federal, onde foi rapidamente sufocado. Após a revolta, a direção do partido ordenou a execução da companheira de Miranda, a menor Elsa Fernandes, acusada de ser informante da polícia. Cumprindo então ordens superiores, Honório Guimarães esteve envolvido na execução da jovem.

O final de 1935 marcou o início de uma violenta repressão do governo a todos os opositores do regime. A prisão de vários membros da direção do PCB levou Honório Guimarães a ocupar o cargo de secretário-geral do partido durante alguns meses do ano seguinte em substituição a Miranda, que estava preso. Nessa ocasião propôs a transferência do comitê central do PCB para a Bahia devido à impossibilidade de atuar no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Em 1937 saiu clandestinamente do país com destino à Europa. Morou na França e na Espanha e, com passaporte desse país, viajou para Moscou, onde foi prestar contas ao Komintern sobre o levante de 1935 e a atuação do partido.

Já no período do Estado Novo (1937-1945) voltou ao país em 1939 e, em fins desse ano e princípios de 1940, foi preso. Condenado pelo Tribunal de Segurança Nacional (TSN) a penas que somavam cerca de 30 anos de prisão, foi levado para o presídio político da ilha Grande, no litoral fluminense. Após tentativas de suicídio e de fugas, foi-lhe concedida uma casa nas imediações do presídio para que ali vivesse em companhia de sua segunda mulher, Maria Nazaré Nunes Guimarães — Honório enviuvara nos primeiros anos da década de 1930 —, e de seus filhos. A precariedade das condições de vida no local levou à morte dois de seus filhos. Durante sua prisão chegaram ao país telegramas do duque de Gloucester e de Leopoldo da Bélgica — seus colegas em Eton —, pedindo sua libertação e respeito aos direitos humanos.

Com a anistia de abril de 1945, Honório Guimarães teve comutadas as penas que lhe haviam sido impostas pelo TSN. Uma vez libertado, não reingressou no partido, dedicando-se em seguida às atividades agropecuárias no município de Santa Maria Madalena (RJ). Em 1952 estabeleceu-se em Macaé (RJ), onde se tornou proprietário de uma tamancaria e de uma empresa de transportes, além de dedicar-se ao comércio de tecidos. Voltou ao Rio de Janeiro em 1964, passando a partir de então a administrar os bens de sua mãe.

Faleceu em fevereiro de 1968 em conseqüência de um acidente automobilístico ocorrido na rodovia Presidente Dutra.

Teve dois filhos de seu primeiro casamento e sete do segundo.

 

 

FONTES: DULLES, J. Anarquistas; LEVINE, R. Vargas; PORTO, E. Insurreição; SILVA, H. 1937.

 

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