HELIO FERREIRA MACHADO

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Nome: MACHADO, Hélio
Nome Completo: HELIO FERREIRA MACHADO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MACHADO, HÉLIO

MACHADO, Hélio

*militar; dep. fed. BA 1959-1963.

 

Hélio Ferreira Machado nasceu em Salvador no dia 26 de dezembro de 1916, filho de Artur Ferreira Machado Soares e de Maria Idalina de Almeida Machado. Seu pai era ligado ao comércio.

Cursou a Escola Naval, onde se formou em 1936. Em março de 1938, então no posto de segundo-tenente, participou de um levante liderado pela Ação Integralista Brasileira (AIB), organização de cunho fascista fundada em 1932 por Plínio Salgado. Desde a implantação do Estado Novo em 1º de novembro de 1937 e a conseqüente extinção dos partidos políticos, a AIB vinha adotando uma política de confronto com Getúlio Vargas e preparando um golpe de Estado com o apoio de outras correntes de oposição. O levante de 11 de março foi a primeira tentativa nesse sentido. Um grupo de milicianos encaminhava-se para ocupar a Rádio Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, a fim de transmitir a ordem para o início da revolta, quando foi detido pela ação policial. Apesar das inúmeras prisões efetuadas, a conspiração não foi debelada, resultando na eclosão de um novo movimento em maio seguinte.

Por sua participação na tentativa de levante, Hélio Machado permaneceu quase quatro meses na prisão, após o que foi libertado. Enquanto aguardava o julgamento pelo Tribunal de Segurança Nacional (TSN), fugiu para a Argentina. Criado em 1936, inicialmente para julgar os implicados na Revolta Comunista do ano anterior, o TSN, a partir de 1938, passou a julgar também integralistas e demais adversários do regime. Embora tivesse sido absolvido no dia 15 de junho por falta de provas, Hélio Machado teve decretada sua exclusão da Marinha de Guerra.

De volta ao Brasil, ingressou na Marinha Mercante como piloto das Indústrias Matarazzo, no serviço de cabotagem na costa sul do país. Em 1940 entrou para o Serviço Aerofotogramétrico do Sindicato Condor, empresa de aviação de capital alemão cujos bens foram mais tarde confiscados pelo governo brasileiro, que criou os Serviços Aéreos Condor Ltda. depois Cruzeiro do Sul. Ao mesmo tempo, dava aulas particulares e cursava a Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, onde se formou em engenharia civil em 1944.

A partir de então, e ainda ligado à Cruzeiro do Sul, especializou-se nos serviços de manutenção de aviões. Em 1948, assumiu o cargo de gerente da companhia em Salvador, tendo por função principal reorganizar seus serviços aéreos na Bahia. Em Salvador dedicou-se também à construção civil, criando uma firma de engenharia.

Em 1951, no início do segundo governo de Getúlio Vargas (1951-1954), foi convidado por Rômulo de Almeida, da Assessoria Econômica da Presidência da República, para ocupar em Salvador a presidência da Comissão de Abastecimento e Preços (Coap) — órgão ligado à Comissão Federal de Abastecimento e Preços (Cofap), atual Superintendência Nacional de Abastecimento (Sunab), criada pelo governo federal para intervir no domínio econômico, assegurando a livre distribuição de produtos de consumo. Em sua gestão na Coap, enfrentou desde o início a oposição dos açougueiros da capital baiana, que intensificaram a campanha pelo aumento do preço da carne. Determinou o abate de bovinos pela própria Coap e sua venda em barracas, de modo a evitar qualquer tentativa de greve por parte dos comerciantes. Em dezembro de 1953, no entanto, o controle do conselho da Coap estava em mãos dos açougueiros, agravando ainda mais as divergências internas do órgão. Hélio Machado apresentou a Vargas o seu pedido de demissão.

Sua atuação à frente da Coap valeu-lhe o convite do Partido Democrata Cristão (PDC) para que disputasse, em sua legenda, a prefeitura de Salvador. Deixando de ser considerada base militar, Salvador acabara de receber sua autonomia política. Em fevereiro de 1954 foi eleito prefeito da capital baiana — o primeiro desde 1930. Ainda em 1954, após obter o reingresso na Marinha, reformou-se como capitão-de-mar-e-guerra.

Como prefeito de Salvador, cargo no qual permaneceu até 1958, encampou os serviços de transportes urbanos e implantou o serviço de ônibus elétrico. Atacou o problema das favelas, criando uma rede de postos médicos e distribuindo cerca de três mil lotes a trabalhadores pobres. Construiu 30 escolas e, dando continuidade à linha de ação já adotada na Coap, de combate à elevação do custo de vida, instalou postos de comércio de gêneros alimentícios, além de controlar o preço das passagens dos transportes urbanos.

No pleito de outubro de 1958, recebeu 10.519 votos, tendo sido o único candidato a deputado federal eleito pela legenda do PDC na Bahia. Nessa mesma ocasião, candidatou-se a vice-governador do estado, na chapa de Tarcilo Vieira de Melo, apoiada pela coligação PDC-Partido Social Progressista (PSP). Os vencedores, entretanto, foram Juraci Magalhães, da União Democrática Nacional (UDN), e Orlando Barreto de Araújo, da coligação que reunia o Partido Social Democrático (PSD), o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido Republicano (PR).

Deu início a seus trabalhos na Câmara em fevereiro de 1959, assumindo a vice-liderança de seu partido em maio desse mesmo ano. Em outubro de 1961, foi escolhido líder de seu partido na Câmara dos Deputados, cargo onde permaneceu até o término da legislatura, em janeiro de 1963. Em sua atuação parlamentar, lutou pelo aumento dos royalties pagos à Bahia pela exploração de petróleo e participou de várias comissões de inquérito sobre a aviação civil. Segundo o Correio Brasiliense, mostrou-se favorável ao intervencionismo estatal na economia, bem como ao monopólio da exploração de bens e serviços de interesse da segurança nacional. Defendeu ainda a reforma agrária em termos cooperativistas, a não-intervenção no campo internacional, o municipalismo e o parlamentarismo. Durante o período em que atuou como deputado federal, fixou residência no Rio de Janeiro, onde se dedicou também a uma empresa de engenharia, responsável pela construção do oleoduto Rio de Janeiro-Belo Horizonte.

No pleito de outubro de 1962, tornou a se candidatar à prefeitura de Salvador. Derrotado por Virgildásio Sena, retornou ao Rio de Janeiro, onde passou a exercer a função de membro do conselho consultivo da Cruzeiro do Sul. Foi ainda um dos fundadores do Instituto Brasileiro de Aeronáutica.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 21 de novembro de 1975.

Era casado com Enriqueta Reina Bes Machado, com quem teve três filhos.

 

 

FONTES: CÂM. DEP. Anais (1960-1); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; CAMPOS, Q. Fichário; COUTINHO, A. Brasil; Jornal do Brasil (23/11/79); SEREJO, J. Processo; Tarde (22/11/75 e 19/2/81); VAITSMAN, M. Sangue.

 

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