Hermano de Deus Nobre Alves

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Nome: ALVES, Hermano
Nome Completo: Hermano de Deus Nobre Alves

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

ALVES, Hermano

*jornalista; dep. fed. GB 1967-1968.

 

Hermano de Deus Nobre Alves nasceu em Niterói, então capital do estado do Rio de Janeiro, no dia 13 de dezembro de 1927, filho de Antônio José Alves e de Julieta Nobre Alves, ambos portugueses.

Ainda pequeno transferiu-se com a família para Ilhéus (BA), onde residiu até os 13 anos de idade. Fez o curso de admissão ao ginásio no Colégio Amazonas, em Salvador, mudando-se em seguida para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Aí iniciou os estudos secundários no Colégio Vera Cruz, concluindo-os afinal no Colégio Plínio Leite, em Niterói. Ingressou em seguida na Faculdade de Direito de Niterói, mas não chegou a terminar o curso.

Iniciou sua vida profissional como jornalista, tendo sido um dos fundadores da Tribuna da Imprensa, no Rio de Janeiro, em 1949, ao lado de Carlos Lacerda. Trabalhou no Jornal do Brasil, participando em 1958 de sua reestruturação, e foi editorialista do Correio da Manhã, onde começou a atuar em 1963. Ainda nos primeiros anos da década de 1960 lecionou na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro.

Contrário ao movimento político-militar que em 31 de março de 1964 depôs o presidente João Goulart, passou a atacar sistematicamente em seus artigos no Correio da Manhã o regime de exceção então instaurado. Em novembro de 1966 candidatou-se a deputado federal pelo estado da Guanabara na legenda do partido oposicionista, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), com uma plataforma de luta em favor do “pleno desenvolvimento das liberdades democráticas: voto para o analfabeto, para todos acima de 18 anos e cédula oficial em todo o país”. Propôs o “controle dos meios de comunicação por uma comissão ou órgão em que estejam representadas todas as correntes partidárias e religiosas”. Defendeu também a nacionalização das forças armadas, a subordinação do poder militar ao civil, as reformas de base fundamentais ao país, a proteção à indústria nacional e a modificação da política educacional.

Eleito, ocupou uma cadeira na Câmara em fevereiro de 1967 e participou dos trabalhos legislativos como vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores e membro da Comissão de Segurança Nacional. Tomou parte ainda na direção do movimento político denominado Frente Ampla, lançado oficialmente em outubro de 1966 com o objetivo de lutar “pela pacificação política do Brasil através da plena restauração do regime democrático”. Foi um dos líderes de sua facção considerada radical, em oposição àquela chefiada pelo ex-governador carioca Carlos Lacerda, até que, em abril de 1968, durante o governo do marechal Artur da Costa e Silva (1967-1969), todas as atividades da Frente Ampla foram proibidas pela Portaria nº 177, baixada pelo ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva.

Em novembro de 1968, num período de intensa crise política, a Câmara Federal negou o pedido da 1ª Auditoria da Marinha para processá-lo sob a acusação de que infringira dispositivos da Lei de Segurança Nacional em artigos publicados num matutino carioca. No dia 30 de dezembro, entretanto, teve seu mandato cassado e os direitos políticos suspensos por dez anos por força do Ato Institucional nº 5 (13/12/1968). Deixou o Brasil em maio de 1969, depois de passar três meses exilado na embaixada do México. Enquadrado na Lei de Segurança Nacional sob a acusação de tentar dividir as forças armadas, ainda em 1969 foi julgado e condenado, à revelia, a dois anos e meio de prisão. Em seu período de exílio residiu no México, na Argélia e na França, radicando-se depois na Inglaterra, onde passou a trabalhar para a BBC de Londres, foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo e professor na Universidade de Essex.

Em outubro de 1977 teve sua pena prescrita e em agosto de 1979 foi beneficiado pela anistia decretada pelo presidente João Figueiredo. Todavia, não regressou ao Brasil, permanecendo no exercício de suas atividades profissionais na Inglaterra.

No final de 1984, Hermano Alves retornou ao país, fixando-se em Brasília. Na capital federal, trabalhou em alguns jornais e prestou assessoria para o deputado federal cearense Antônio Pais de Andrade, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Em 1992, voltou para a Europa, estabelecendo-se em Lisboa, onde deu continuidade às suas atividades jornalísticas. Em 2005, recebeu indenização da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça em função das perseguições sofridas durante o regime militar que lhe renderam o emprego.

Ao longo da sua trajetória profissional, foi ainda redator do Diário Carioca, Folha de S. Paulo e O Radical, tendo trabalhado como colaborador em Manchete, Reunião, O Semanário, Senhor e Revista da Civilização Brasileira. Como jornalista, cobriu diversos setores, da polícia à política externa, realizando viagens a vários países da Europa, das Américas e da África.

Faleceu em Lisboa no dia 1° de julho de 2010.

Foi casado com Maria do Carmo Veloso Alves, com quem teve quatro filhos. Casou-se pela segunda vez com a professora universitária Maria Helena Alves, de nacionalidade portuguesa.

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1967-1971); ENTREV. BIOG.; Folha.com (1/7/10); Globo (2/7/10); Grande encic. Delta; INF. FAM.; Jornal do Brasil (4/11/66, 29/7/77, 3/7/79); KLEIN, L. Cronologia; MAGALHÃES, I. Segundo; Veja (23/11/77).

 

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