Hugo de Andrade Abreu

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Nome: ABREU, Hugo
Nome Completo: Hugo de Andrade Abreu

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

ABREU, Hugo

*militar; ch. Gab. Mil. Pres. Rep. 1974-1978.

 

Hugo de Andrade Abreu nasceu em Juiz de Fora (MG) no dia 27 de dezembro de 1916, filho de José Ribeiro de Abreu e de Antônia de Andrade Abreu. Seu irmão, Sílvio de Andrade Abreu, foi deputado federal por Minas Gerais de 1971 a 1975, e seu sobrinho Sílvio de Andrade Abreu Júnior, passou igualmente a representar esse estado na Câmara dos Deputados a partir de 1975.

Após concluir o curso ginasial na Academia de Comércio, em sua cidade natal, transferiu-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde sentou praça em março de 1934, ingressando na Escola Militar do Realengo. Em 1935 participou pela primeira vez de uma missão ao exterior, como membro da comitiva do presidente Getúlio Vargas que visitou a Argentina e o Uruguai. Em janeiro de 1937 foi declarado aspirante-a-oficial da arma de infantaria e, em novembro do mesmo ano, tornou-se segundo-tenente, sendo promovido a primeiro-tenente em setembro de 1938.

Em dezembro de 1943 alcançou o posto de capitão e, no ano seguinte, por ocasião da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, integrou a Força Expedicionária Brasileira, (FEB) na Itália como comandante da 9ª Companhia do 13º Regimento de Infantaria. Por sua atuação no combate de Montese recebeu a mais alta condecoração do Exército, a Cruz de Combate de Primeira Classe, conferida àqueles que são considerados heróis de guerra.

Entre 1946 e 1948 cursou a Escola de Estado-Maior do Exército e, em outubro de 1951, passou a major, tendo viajado em seguida para os EUA, onde fez o curso avançado de infantaria em Fort Benning, na Geórgia. Promovido a tenente-coronel em dezembro de 1957, em 1962 fez o curso de comando e estado-maior das forças armadas na Escola Superior de Guerra (ESG).

Quando eclodiu em 31 de março de 1964 o movimento político-militar que depôs o presidente João Goulart, Hugo Abreu, alinhado às forças sublevadas, encontrava-se na chefia da subseção da Diretoria Geral de Ensino do Exército. No dia seguinte, por ordem do general Augusto Muniz de Aragão, passou a chefiar o estado-maior do Grupamento de Unidades Escolas e, ainda em abril, foi promovido a coronel e designado chefe do estado-maior da 1ª Divisão de Infantaria, na Vila Militar do Rio, assumindo posteriormente o comando do 1º Batalhão de Guardas, também sediado nessa cidade. Em 1968 realizou o curso de Atualização da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Ainda como coronel, Hugo Abreu foi para os EUA, onde atuou como assessor da delegação brasileira na Junta Interamericana de Defesa e na Comissão Mista de Defesa Brasil-Estados Unidos. Na mesma época serviu como adjunto do adido militar do Exército junto à embaixada do Brasil em Washington, substituindo-o no período de outubro a novembro de 1968. Em março do ano seguinte foi promovido a general-de-brigada, e em agosto, passou a comandar a 2ª Brigada Mista, sediada em Corumbá (MS), então no estado de Mato Grosso, onde permaneceu durante quatro meses.

De volta ao Rio de Janeiro, assumiu em janeiro de 1970 o comando da Brigada Pára-quedista, tendo viajado em seguida novamente, para os EUA, onde, ainda uma vez em Fort Benning, fez os cursos básico de pára-quedista, de transmissões, de mestre em saltos e avançado de pára-quedista.

Foi como comandante da Brigada Pára-quedista que, em 1973, Hugo Abreu participou das operações do Exército para neutralizar focos guerrilheiros que, desde 1966, vinham sendo instalados por núcleos de militantes do clandestino Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em regiões situadas ao sul do Pará e norte de Goiás. Esses focos — que, em 1972, quando se iniciaram as operações do Exército, contavam com cerca de 70 guerrilheiros — tinham como objetivo organizar militarmente a população local para um futuro levante armado, considerando que, naquela região, se registrava então um dos mais sérios conflitos relativos à posse da terra no país. O clima de tensão aí reinante se agravara ainda mais a partir de 1970 com a criação do Programa de Integração Nacional, expresso na construção da Transamazônica e na implementação dos programas de colonização. A chamada guerrilha do Araguaia — que, da mesma forma que os movimentos de guerrilha urbana, manifestava a radicalização dos grupos de oposição ao regime — foi inteiramente dizimada pela ação das forças armadas, terminando com a prisão e a morte da maioria de seus organizadores e a incorporação da região do Araguaia às áreas consideradas de segurança nacional.

Hugo Abreu se achava ainda no comando da Brigada Pára-quedista quando, no dia 7 de março de 1974, recebeu do general Ernesto Geisel, que fora eleito pelo Congresso Nacional para suceder ao general Emílio Médici na chefia do governo, o convite para ocupar o cargo de chefe do Gabinete Militar da Presidência da República. O convite fora feito anteriormente ao general Dilermando Gomes Monteiro, que entretanto ficara impossibilitado de assumir o cargo em virtude de haver fraturado a perna.

Chefe do Gabinete Militar

Hugo Abreu foi empossado no Gabinete Militar no dia 15 de março de 1974, quando teve início o governo do presidente Geisel. Durante o período em que esteve à frente do Gabinete Militar— além de fazer parte, ao lado dos chefes do Gabinete Civil, general Golberi do Couto e Silva, e do Serviço Nacional de Informações, general João Batista de Figueiredo, e do ministro do Planejamento, João Paulo dos Reis Veloso, do principal grupo de assessoramento das decisões presidenciais — destacou-se por sua participação no episódio da exoneração do ministro do Exército, general Sílvio Frota, ocorrida em 12 de outubro de 1977. A exoneração resultou da dissensão do ministro com o governo, agravada por ocasião do debate interno sobre a sucessão presidencial, quando a imprensa começou a dar destaque ao nome de Frota como possível candidato à presidência.

Ocupando, na qualidade de chefe do Gabinete Militar, a secretaria geral do Conselho de Segurança Nacional, Hugo Abreu comandou, em nome do presidente Geisel, todo o processo de demissão de Frota, desde a leitura da nota oficial comunicando o fato à nação até as articulações dentro do Exército, com o intuito de eliminar possíveis indícios de resistência de determinadas unidades militares solidárias ao ex-ministro. Frota foi substituído pelo general Fernando Belfort Bethlem que comandava o III Exército.

No dia 3 de janeiro de 1978, em conseqüência da indicação do general João Figueiredo como candidato oficial do governo às eleições presidenciais indiretas que se realizariam em 15 de outubro seguinte, Hugo Abreu apresentou seu pedido de demissão alegando que, quando providenciou a demissão de Sílvio Frota, garantira que tal medida não beneficiaria nenhuma outra candidatura à presidência, propósito esse que sentiu burlado com a indicação de Figueiredo. Acrescentou ainda que a escolha desse nome pelo presidente Geisel contrariava a orientação fixada pelo sistema revolucionário de 1964, que exigia um nome resultante de consenso dentro das forças armadas. No dia seguinte deixou o cargo, sendo substituído pelo general Gustavo de Morais Rego. Em fevereiro do mesmo ano foi nomeado subchefe do Departamento Geral de Pessoal do Exército em substituição ao general Luís Serff Sellmann, que, preterido nas listas de promoções por duas vezes consecutivas, solicitara transferência para a reserva.

Ainda em 1978 intensificaram-se as dissidências que desde o ano anterior vinham ocorrendo no seio das forças que tradicionalmente apoiavam o regime implantado em 1964. Na legenda do próprio partido do governo, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), o senador José de Magalhães Pinto lançou-se como candidato civil à sucessão do presidente Geisel, passando a percorrer o país a fim de dar ímpeto à sua campanha e iniciando nesse mesmo período um movimento para a formação da Frente Nacional de Redemocratização, que reuniria setores civis e militares dissidentes. A candidatura de Magalhães Pinto, todavia, ficou isolada em seu próprio partido, não conseguindo a adesão das forças oposicionistas.

Ao mesmo tempo, entre os grupos militares que se opunham ao nome do general Figueiredo, começou-se a articular a candidatura do general da reserva Euler Bentes Monteiro. Hugo Abreu — que, naquele momento, já assumia uma postura deliberadamente antigovernista — destacou-se então como um dos principais articuladores da candidatura de Euler Bentes. Essa candidatura, lançada a princípio pela Frente Nacional de Redemocratização, acabou recebendo o apoio do partido de oposição, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que a aprovou oficialmente em sua convenção nacional de 28 de agosto de 1978. Como candidato à vice-presidência, foi lançado o senador Paulo Brossard, do MDB gaúcho. Não obstante o esforço dos setores oposicionistas empenhados na campanha, o número de dissidentes arenistas foi pequeno, sendo Euler Bentes derrotado nas eleições realizadas pelo colégio eleitoral em 15 de outubro seguinte; enquanto o general Figueiredo somava 355 votos, o candidato da oposição recebia apenas 226.

Pouco antes das eleições, no dia 2 de outubro, foi decretada pela Secretaria Geral do Exército a prisão disciplinar de Hugo Abreu durante 20 dias sob a acusação de haver transgredido o regulamento militar ao enviar a outros generais um documento onde esclarecia o motivo de sua demissão do Gabinete Militar, acusando de corrupção e abuso de poder várias personalidades do governo Geisel. Entretanto, depois de cumprir o período de prisão que lhe fora imposto, Hugo Abreu declarou à imprensa que considerava a punição um ato político em represália ao fato de haver ele assumido uma posição definida em favor da redemocratização do país.

Através de decreto assinado pelo presidente Geisel em 5 de março de 1979, Hugo Abreu foi transferido para a reserva. Sua transferência decorreu do fato de o seu nome “ter sido retirado pela segunda vez da lista de oficiais candidatos à promoção, o que, de acordo com o regulamento do Exército, implica a passagem obrigatória para a reserva”. Em 14 de março, um dia antes da posse do general Figueiredo na presidência da República, deixou a subchefia do Departamento Geral de Pessoal do Exército, onde foi substituído pelo general Geraldo Knaak de Sousa, passando então oficialmente à reserva.

Em abril de 1979 lançou, no Rio de Janeiro, seu primeiro livro, intitulado O outro lado do poder — depoimento sobre o período em que servira no Gabinete Militar da Presidência da República —, em cujas páginas figuravam novas acusações contra colaboradores do presidente Geisel. No dia 7 de maio seguinte teve decretada sua prisão pelo ministro do Exército do governo Figueiredo, general Válter Pires, sob a alegação de que as revelações contidas no livro infringiam as normas hierárquicas e disciplinares do Exército. Após cumprir pena de 20 dias nas dependências do quartel-general da 1ª Divisão do Exército, na Vila Militar do Rio de Janeiro, declarou em entrevista à imprensa, no dia 27 de maio, seu intuito de escrever outro livro, seguindo a mesma linha do anterior, do qual já possuía inclusive um esboço, elaborado durante o período em que estivera preso. Na mesma ocasião manifestou-se favorável à anistia e contrário à reforma eleitoral, que considerou inútil se processada fora de um regime democrático.

Hugo Abreu pertenceu à Associação dos Ex-combatentes do Brasil e foi membro do conselho deliberativo do Clube Militar e do conselho deliberativo da Associação dos Veteranos da FEB.

Faleceu no Rio de Janeiro em 5 de dezembro de 1979.

Era casado com Consuelo Procópio de Abreu, com quem teve três filhos, um dos quais, Olavo Procópio de Abreu, também oficial do Exército, foi durante muito tempo seu ajudante-de-ordens.

Seu segundo livro, Tempo de crise, foi editado postumamente, tendo sido lançado em fevereiro de 1980.

 

FONTES: CORRESP. GAB. MIL. PRES. REP.; GÓIS, V. Brasil; Jornal do Brasil (6/12/79); Perfil (1974 e 1975); Who’s who in Brazil.

 

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