HUGO DE ARAUJO FARIA

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Nome: FARIA, Hugo
Nome Completo: HUGO DE ARAUJO FARIA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FARIA, HUGO

FARIA, Hugo

*min. Trab. 1954; ch. Gab. Civ. Pres. Rep. 1962-1963; pres. Bco. Bras. 1964.

 

Hugo de Araújo Faria nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 13 de dezembro de 1915, filho de Antônio de Sá Faria, comerciário, e de Norma de Araújo Faria.

Fez os primeiros estudos em escolas públicas municipais, cursando o secundário no Colégio Santo Inácio, sempre no Rio de Janeiro. Entrou para o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio em 1935 e, em 1941, bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil.

Com a desagregação do Estado Novo e a reorganização partidária em 1945, participou da fundação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Adepto do movimento “queremista”, que preconizava a convocação de uma assembléia nacional constituinte sob a presidência de Getúlio Vargas, opôs-se ao golpe que o depôs no dia 29 de outubro daquele ano. Com a posse do novo presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, em janeiro de 1946, foi transferido para Sergipe, onde ocupou o cargo de delegado regional do trabalho até o ano seguinte, quando passou a exercer a mesma função na Bahia.

Representante do Ministério do Trabalho nos conselhos regionais do Serviço Social da Indústria (Sesi), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Social do Comércio (Sesc) na Bahia de 1947 a 1951, foi relator-geral da Comissão de Reforma das Delegacias do Trabalho em 1949. Em 1950 tornou-se membro do diretório nacional do PTB, função que exerceria até a extinção do partido. Deixando a Delegacia Regional do Trabalho na Bahia em 1951, dirigiu o Departamento Nacional do Trabalho de abril a setembro de 1953 e, neste último ano, assumiu a chefia do gabinete do ministro do Trabalho João Goulart. No exercício desse cargo, presidiu as comissões de Imposto Sindical e de Orientação Sindical.

Em fevereiro de 1954 foi nomeado ministro interino do Trabalho em substituição a João Goulart, destituído do cargo pelo presidente Vargas juntamente com o ministro da Guerra, o general Ciro do Espírito Santo Cardoso, devido à crise que enfrentava o governo, acirrada após a publicação, ainda em fevereiro, do chamado Manifesto dos coronéis, assinado por coronéis e tenentes-coronéis do Exército que faziam críticas às autoridades federais. O documento, que advertia para a ameaça comunista, protestava ainda contra a exigüidade de recursos destinados ao Exército e a elevação do salário mínimo em 100% proposta por João Goulart. No período em que respondeu pelo Ministério do Trabalho, marcado por intensa mobilização sindical, foi baixado novo regulamento da previdência social e concedido o aumento de 100% do salário mínimo, que parecia já ter sido descartado por Vargas. Anunciado pelo próprio presidente no dia 1º de maio de 1954, o aumento entrou em vigor em julho seguinte.

Na madrugada de 24 de agosto de 1954, Hugo Faria participou da reunião ministerial convocada pelo presidente Vargas com o objetivo de encontrar uma solução para a crise político-militar que atravessava a nação, já agora agravada pelo envolvimento de membros da guarda pessoal do palácio do governo no atentado da Toneleros. Diante desse episódio, ocorrido em 5 de agosto de 1954 no Rio de Janeiro e cujo alvo principal fora o líder oposicionista Carlos Lacerda, mas do qual resultara a morte do major-aviador Rubens Vaz, as pressões da oposição e dos círculos militares aumentaram, passando a exigir a renúncia do presidente. Nessa reunião, na qual Vargas aparentemente concordou em apresentar um pedido de licença, Hugo Faria manifestou seu apoio a qualquer decisão do presidente, que, no entanto, se suicidaria horas depois. Nesse mesmo dia, Hugo Faria exonerou-se do Ministério do Trabalho.

Ocupou a seguir a diretoria regional do Sesi no Maranhão, cargo no qual permaneceu até 1955, quando passou a presidir o Instituto de Fomento Econômico da Bahia. Presidiu também, no ano seguinte em Genebra, na Suíça, a reunião anual da Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência filiada ao sistema das Nações Unidas. Em 1959 tornou-se um dos diretores da Confederação Nacional da Indústria (CNI), presidida por Lídio Lunardi, permanecendo no cargo até 1961. Durante este último ano teve atuação de destaque na campanha pela reeleição de Lunardi contra o candidato apoiado pelo presidente Jânio Quadros. Com a vitória da chapa antigovernista, a CNI sofreu intervenção federal em junho de 1961.

Após a renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto desse ano, Hugo Faria, juntamente com Tancredo Neves, viajou a Montevidéu, para onde se dirigira o vice-presidente João Goulart, a fim de transmitir-lhe as condições impostas pelos ministros militares para sua posse na presidência da República. Aprovada pelo Congresso uma proposta conciliatória baseada na adoção do sistema parlamentarista, Goulart foi afinal empossado em 7 de setembro de 1961. No ano seguinte, Hugo Faria tornou-se subchefe do Gabinete Civil da Presidência da República, assumindo a seguir como interino a chefia do mesmo, função que exerceu cumulativamente com a presidência do conselho nacional do Sesi. Durante esse período, participou da campanha pela antecipação do plebiscito que deveria decidir sobre a volta ao regime presidencialista, previsto pela própria emenda constitucional que implantara o parlamentarismo para o início de 1965. Obteve o apoio financeiro da CNI e chegou a integrar, juntamente com os banqueiros Antônio Balbino e José Luís Magalhães Lins, uma comissão que elaborou um trabalho sobre o plebiscito. Realizada a consulta popular em 6 de janeiro de 1963, ficou decidida por ampla maioria a volta do presidencialismo.

Nomeado diretor da Carteira de Redescontos e Mobilização Bancária do Banco do Brasil ainda neste último mês, participou de estudos sobre as reformas de base, a Lei de Remessa de Lucros e a integração econômico-social no Nordeste. Em 19 de março de 1964 recebeu instruções do presidente Goulart no sentido de suspender as operações de redesconto, medida que teria o objetivo de dar uma demonstração de força aos empresários, pois algumas entidades patronais estariam conspirando contra o governo. No dia 29 desse mês foi nomeado presidente do Banco do Brasil, nomeado em 30 de março, substituindo Nilo Medina Coeli, teve o mandato mais curto da história do banco, afastado três dias depois por determinação do novo regime que se instalou no governo. Efetivamente só exerceu o cargo por algumas horas, pois, com a vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs João Goulart, teve que deixar o posto.

Foi demitido do serviço público por força do ato institucional baixado no dia 9 de abril, retornando à atividade privada como advogado e consultor de bancos. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar, tendo chegado a participar de seu diretório nacional, do qual se afastou em 1967 por divergir de sua orientação, que considerava conciliatória em relação ao governo instaurado em 1964. Entre 1964 e 1969, Hugo de Faria trabalhou como advogado e consultor nos seguintes Bancos: Araújo S.A., Bordallo Brenha, Sul do Brasil e Banco Agrícola e Indústria do Espírito Santo. Em agosto de 1969 viajou para os EUA, numa espécie de exílio, para trabalhar no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em funções administrativas.

De volta ao Rio de Janeiro, em 1983, tornou-se vice-presidente de Operações Internacionais e membro do Conselho Administrativo do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj).

Beneficiado pela Lei da Anistia, teve restabelecido seu vínculo com o Ministério do Trabalho em junho de 1980, quando foi decretada sua reintegração conforme portaria baixada pelo ministro Murilo Macedo.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 24 de agosto de 1987.

 

 

FONTES: ARQ. MUSEU HIST. BANCO DO BRASIL; BANDEIRA, L. Governo; CORRESP. MIN. TRAB.; COSTA, M. Cronologia; DULLES, J. Getúlio; Efemérides paulistas; Encic. Mirador; ENTREV. BIOG.; Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (17/6/80); MACHADO, F. Últimos; MIN. TRAB. Documentário; MONTEIRO, F. Banco; VÍTOR, M. Cinco.

 

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