IEDA RORATO CRUSIUS

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Nome: CRUSIUS, Ieda
Nome Completo: IEDA RORATO CRUSIUS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CRUSIUS, IEDA

CRUSIUS, Yeda

*min. Planej. 1993; dep. fed. RS 1995-2006; gov. RS 2007-

 

Yeda Rorato Crusius nasceu na cidade de São Paulo no dia 26 de julho de 1944, filha de Francisco Rorato e de Sílvia Rorato.

Em 1963 iniciou o curso de economia na Universidade de São Paulo (USP), graduando-se em 1966. Entre 1964 e 1966, atuou como assistente do Tribunal de Contas do estado. Em 1967, trabalhou como economista na Federação do Comércio do Estado de São Paulo, transferindo-se no ano seguinte para a Viação Aérea São Paulo (VASP). Em 1968 concluiu o curso de pós-graduação em economia na USP e no ano posterior trabalhou na Hidroservice Engenharia. Em 1969 mudou-se para os Estados Unidos, onde fez pós-graduação na Universidade do Colorado, iniciando, em seguida, o mestrado em economia na Universidade Vanderbilt, em Nashville, concluindo-o em 1971.

De volta ao Brasil nesse ano, Yeda Crusius radicou-se em Porto Alegre, tornando-se professora titular do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A partir de 1974, começou a trabalhar como consultora de empresas e, dois anos mais tarde, especializou-se em estatística pela UFRGS. Em 1983, assumiu a coordenação do Curso de Pós-Graduação em Economia da UFRGS, função que exerceu até 1986, quando se tornou membro do conselho fiscal do Banco Meridional, em Porto Alegre. Em 1988, foi contratada como comentarista econômica pela Rede Brasil Sul de Comunicações (RBS), afiliada à Rede Globo de Televisão. Entre 1989 e 1990, foi vice-diretora da Faculdade de Economia da UFRGS e, ainda neste último ano, filiou-se ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Diretora da Faculdade de Economia de 1991 a 1992, deixou a RBS em abril deste último ano.

No Ministério do Planejamento

Em fins de janeiro de 1993, licenciou-se da UFRGS e deixou as outras atividades que realizava para ocupar o cargo de ministra-chefe da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Coordenação no governo de Itamar Franco (1992-1994), por indicação do ministro da Fazenda, Paulo Haddad, seu amigo pessoal desde 1970 e interino na pasta do Planejamento. Apesar de pouco conhecida, a escolha de seu nome foi bem recebida pelos empresários brasileiros, tendo sua indicação correspondido aos desejos de Itamar Franco de colocar uma mulher à frente do ministério.

A maior preocupação de Yeda Crusius ao assumir a pasta do Planejamento foi de colaborar com a política de estabilização econômica conduzida por Haddad e evitar comparações com a ex-ministra Zélia Cardoso de Melo, o que significou, na prática, a rejeição de choques e pacotes econômicos para combater a inflação.

O curto período de Yeda à frente do ministério foi marcado por insinuações acerca de sua inexpressividade e pouca iniciativa política. Poucos dias depois da posse a imprensa noticiou que Itamar Franco estaria descontente com sua falta de agilidade na conclusão de um dos projetos prioritários do governo, o plano de combate à miséria.

Com a demissão do ministro da Fazenda em 2 de março, cogitou-se de sua saída da pasta do Planejamento. No entanto, foi convidada a permanecer no cargo pelo próprio presidente da República, e instada a colaborar com o novo ministro da Fazenda, Eliseu Resende. Ainda em março, Yeda Crusius sustentou, juntamente com Eliseu Resende, a impossibilidade de aplicação para o funcionalismo público da mesma política salarial adotada para o setor privado, como desejavam os ministros do Trabalho, Válter Barelli, e da Administração, Luísa Erundina. Ao final desse mês, esteve em Hamburgo, na Alemanha, para participar do 34º Encontro Anual do Conselho da Assembleia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). No dia 3 de abril, após o leilão de privatização da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), considerou a venda como um sucesso e um símbolo da preocupação do governo em gastar menos com as empresas estatais e investir mais na área social.

Ainda em abril, começaram a circular na imprensa notícias de que estaria perdendo espaço no governo para Eliseu Resende, sendo cada vez menos consultada em assuntos da área econômica. Segundo essas informações, o ministro da Fazenda teria se intrometido em assuntos da responsabilidade do Planejamento, interferindo no programa de privatizações, reformulando a proposta de orçamento da União para 1993 e pretendendo montar, na sua pasta, uma assessoria de assuntos internacionais, órgão já existente no Planejamento. A situação chegou ao ápice durante a preparação do Plano de Ação Governamental, elaborado por Eliseu Resende sem a participação da ministra.

No dia 23 do mesmo mês, Yeda Crusius solicitou ao ministro das Relações Exteriores, Fernando Henrique Cardoso, que entregasse sua carta de demissão ao presidente, que, no entanto, não aceitou o pedido, convidando-a para participar da reunião em que seriam decididos os últimos detalhes do plano do governo, prolongando-se, assim, sua permanência na pasta por mais alguns dias. Sua saída concretizou-se em 7 de maio de 1993, quando declarou encerrada sua participação no ministério, recusando-se a admitir que o afastamento resultara de sua pouca influência no governo.

Contudo, suas declarações iam de encontro a afirmações que fizera na véspera de sua saída do ministério, ocasião em que confirmou alterações feitas por Eliseu Resende em seus planos de investimento no setor elétrico. Na ocasião, Resende foi acusado de ter privilegiado exclusivamente as hidrelétricas construídas pela companhia Norberto Odebrecht, cancelando os investimentos previstos no plano da ministra para outras empresas do setor.

Substituída interinamente por Eliseu Resende e mais tarde por Alexis Stepanenko, reassumiu suas funções na UFRGS. Ainda em 1993, passou a integrar os conselhos administrativos do Banco Meridional e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de exercer a função de primeira vice-presidente do diretório regional do PSDB gaúcho.

Na Câmara dos Deputados

Em 1994, tornou-se a primeira-tesoureira do PSDB nacional, concorrendo nas eleições de outubro a uma vaga de deputado federal pelo Rio Grande do Sul. Eleita com mais de cem mil votos — a mais votada do seu partido e a segunda em todo o estado —, assumiu o mandato em fevereiro, participando dos trabalhos legislativos como primeira vice-presidente da Comissão de Orçamento e titular da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.

Durante o processo de reforma constitucional em 1995, acompanhou sempre a orientação da base parlamentar governista, manifestando-se a favor da abolição do monopólio estatal nas telecomunicações, na distribuição do gás canalizado pelos estados e na exploração do petróleo. Também foi favorável à abertura da navegação de cabotagem às embarcações estrangeiras, à prorrogação da vigência do Fundo Social de Emergência (FSE), rebatizado de Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), e ao fim de todas as diferenças jurídicas entre as empresas de capital nacional e as de capital estrangeiro. Ainda em 1995, afastou-se da vice-presidência do PSDB gaúcho e, no ano seguinte, deixou a tesouraria do partido.

Em julho de 1996, defendeu a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) — antigo Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF) — tributo de 0,2% sobre transações bancárias criado como fonte complementar de recursos para a saúde. Em outubro, candidatou-se à prefeitura de Porto Alegre, porém foi derrotada pelo candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) Raul Pont. Ainda em 1996, atuou como relatora da Subcomissão de Educação e do Desporto, Cultura, Ciência e Tecnologia, da Comissão do Orçamento do Congresso Nacional.

Em fevereiro de 1997, votou a favor da emenda que estabeleceu o direito de reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos. No mês seguinte, foi indicada como relatora da comissão especial criada na Câmara para analisar a proposta de prorrogação do FEF. Em seu parecer, aprovado pela comissão em junho, afirmou que o fundo era apenas um “paliativo ao ajuste fiscal”, diante da “impossibilidade política” do governo em realizar reformas econômicas mais profundas.

Em novembro de 1997 declarou-se favorável ao destaque do projeto de reforma administrativa, que instituiu a possibilidade de demissão no funcionalismo público em caso de desempenho insuficiente ou quando os gastos com pessoal superassem 60% da arrecadação do Estado.

Em outubro de 1998 reelegeu-se deputada federal numa ampla coligação liderada pelo PSDB, pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e pelo Partido da Frente Liberal (PFL). Em novembro, sempre em apoio ao governo, votou a favor dos destaques da reforma da previdência que propunham o estabelecimento de um teto de 1.200 reais para as aposentadorias dos funcionários públicos e a adoção de critérios de idade mínima e tempo de contribuição para a concessão de aposentadorias no setor privado.

Assumiu o novo mandato na Câmara em fevereiro de 1999. Em maio, foi nomeada diretora de Estudos e Pesquisas do Instituto Teotônio Vilela, órgão de formação política do PSDB. Em 2000, candidatou-se pela segunda vez à prefeitura de Porto Alegre, sempre pelo PSDB, mas não obteve êxito. Em 2002, elegeu-se novamente deputada federal pelo Rio Grande do Sul na legenda do PSDB, para um mandato que teve início em 2003.

Em 2006, lançou nova candidatura ao governo do Rio Grande do Sul, e teve como principais adversários o então governador do estado, Germano Rigoto (PMDB), e Olívio Dutra (PT). Embora as pesquisas de opinião pública realizadas durante o período de campanha eleitoral apontassem os dois como os candidatos favoritos, já no 1º turno o resultado da votação surpreendeu, e Yeda Crusius venceu no 2º turno com 53,94% dos votos válidos, contra os 46,06% obtidos por Olívio Dutra.

Em dezembro de 2006, antes mesmo de tomar posse do cargo, sofreu sua 1ª derrota junto à Assembleia Legislativa gaúcha quando os deputados rejeitaram as medidas que propôs para reestruturação das finanças do estado, que apresentava um déficit anual estimado na época em 2,3 bilhões de reais. O conjunto de medidas, encaminhado à Assembleia Legislativa pelo então governador do estado, Germano Rigotto, a pedido da futura governadora, para que entrasse em vigor já no próximo ano, caso fosse aprovado, incluía a prorrogação da vigência da alíquota de 28% do ICMS incidente sobre energia, combustíveis e telecomunicações, o congelamento do salário do funcionalismo público por 2 anos e a redução dos benefícios fiscais concedidos ao setor exportador. A reação contrária ao pacote de medidas, que ficou conhecido na mídia como “tarifaço”, reuniu desde parlamentares da base aliada à governadora-eleita até sindicalistas e representantes de entidades empresariais, além de três secretários indicados por Yeda, Berfran Rosado, do Partido Popular Socialista (PPS), Jerônimo Goergen, do Partido Progressista (PP) e Marquinho Lang (PFL), que desistiram de assumir os cargos antes mesmo de tomar posse.

Yeda iniciou seu mandato em 1º de janeiro de 2007, anunciando forte contenção de gastos a fim de sanear as finanças do estado. Já no 1º ano de governo, o déficit estrutural do estado diminuiria pela metade.

Em abril de 2007, Yeda entrou em choque com o secretário de segurança, Ênio Bacci, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), que vinha sendo acusado por delegados de polícia de suposto envolvimento com o jogo do bicho e com o crime organizado, e o demitiu do cargo, o que resultou no rompimento do PDT e do Democratas (DEM, antigo PFL) com o governo do estado.

Em novembro de 2007, a Polícia Federal, através da Operação Rodin, apontou uma fraude de R$44 milhões no Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (DETRAN-RS). Diante dos fatos apurados, a Assembleia Legislativa instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o esquema, que consistiria na cobrança de preços superfaturados pelas carteiras de habilitação, além da contratação de fundações e empresas sem licitação. Em seu depoimento à chamada “CPI do Detran”, o ex-secretário de Segurança, Enio Bacci, afirmou que havia alertado a governadora da existência de irregularidades nos contratos e licitações do órgão. Paralelamente a essas acusações, foi divulgada uma conversa gravada pelo então vice-governador, Paulo Afonso Feijó (DEM), na qual o chefe da Casa Civil, César Busatto, admitia que partidos aliados haviam sido financiados por órgão públicos na campanha de 2006. Diante dessas denúncias, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e o Partido Verde (PV), protocolaram um pedido de impeachment da governadora na Assembleia Legislativa, sob acusação de improbidade administrativa. O pedido foi arquivado, e em agosto de 2008, foi aprovado, por 9 votos a 3, o relatório final da CPI, que não citou o nome da governadora e isentou seus ex-secretários.

Em novembro de 2008, a governadora anunciou ter zerado o déficit público do Rio Grande do Sul. Na mesma ocasião, anunciou o pagamento antecipado do 13º salário aos funcionários públicos estaduais, com recursos próprios do Tesouro do estado, ou seja, sem qualquer operação de financiamento.

Em fevereiro de 2009, o PSOL acusou Yeda Crusius e seus ex-colaboradores de terem participado ou tomado conhecimento de um esquema de caixa 2 na campanha eleitoral que a elegeu em 2006. Em Porto Alegre, seguiram-se inúmeras manifestações de protesto contra a governadora, convocadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), grêmios estudantis e sindicatos de servidores públicos. Em agosto, o Ministério Público Federal (MPF) anunciou que apresentaria uma ação de improbidade administrativa contra Yeda Crusius, seu marido, Carlos Crusius, a assessora do governo estadual, Walna Menezes, o ex-secretário-geral do governo, Delson Martini,, o presidente do Tribunal de Contas do estado, João Luís Vargas, e o tesoureiro da campanha do PSDB ao governo do estado em 2006, Rubens Bordini.

Ainda em agosto, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul instalou uma nova CPI para apurar as suspeitas de corrupção no governo gaúcho, mas em outubro novo pedido de impeachment contra Crusius foi arquivado na Assembleia gaúcha, por 30 votos contra 17.

Casou-se com Carlos Augusto Crusius, com quem teve dois filhos.

Publicou A escolha entre inflação e desempenho (1981), Economia (1982), Dívida externa brasileira: elementos para discussão (1983), Autonomia ou submissão: a economia do Rio Grande do Sul face à economia brasileira (1983), Introdução à economia (1983), A busca pelos fundamentos, sem choques (1987), O programa de estabilização do Governo Collor: 110 dias (1990), O Plano Brasil Novo como uma proposta de mudança de regime (1990), e A resistência da inflação brasileira a choques (1992),

Gisela Moura/Luís Otávio de Sousa

 

 

 

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertórios (1995-1999, 1999-2003); Estado de S. Paulo (23, 29, 30/1, 6, 11, 12/2, 2, 3, 4, 6, 7, 18, 22/3 e 24/4/93); Estado de S.Paulo (online) 12 maio 2009. Disponível em : <http://www.estadao.com.br>. Acesso  em: 29 set. 2009; Folha de S. Paulo (23, 25/1, 5, 6, 12, 25/2, 2, 3, 6, 14, 18, 19, 26/3, 3, 9, 11/4, 6 e 7/5/93, 14/1/96, 10/10 e 11/11/98, 2/2/99); Folha de S.Paulo (online). Disponível em : <http:// www1.folha.uol.com.br>. Acesso em : 21 dez. 2009; Globo (24, 29/1, 2, 5, 6/2, 2, 5, 6, 11, 13, 17/3, 3/4, 5 e 7/5/93); Globo (online) 29 dez. 2006. Disponível em : <http://oglobo. globo.com>. Acesso em : 29 set. 2009; Jornal do Brasil (23, 26/1, 6, 11/2, 2, 3, 4, 6, 8, 11, 12, 15, 17, 18, 31/3, 8, 19, 27/4 e 7/5/93); Portal do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Disponível em : < http://www.estado.rs.gov.br>. Acesso em : 29 set. 2009.

 

 

 

 

 

 

 

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