IRAPUAN COSTA JUNIOR

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Nome: COSTA JUNIOR, Irapuan
Nome Completo: IRAPUAN COSTA JUNIOR

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
JÚNIOR, Irapuan Costa

COSTA JÚNIOR, Irapuan

* gov. GO 1975-1979, dep. fed. 1983-1987, const.1987-1988; sen.1987-1995

 

Irapuan Costa Júnior nasceu em Goiânia no dia 23 de dezembro de 1937, filho de Irapuan Sardinha Costa e de Rainerita de Queirós Costa.

Formou-se em engenharia civil pela Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, então capital da República, especializou-se em estruturas e mais tarde fez um curso de introdução à física atômica e nuclear. Iniciou sua carreira profissional como calculista das Centrais Elétricas de Goiás (Celg), onde, posteriormente, ocuparia o cargo de diretor-técnico.

 Exercia a presidência da Celg quando foi nomeado prefeito de Anápolis (GO), em substituição a José Batista Júnior, eleito na legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e cassado quando a cidade passou a ser considerada área de segurança nacional por sediar a base dos aviões Mirage. Permanecendo à frente da administração de Anápolis, em junho de 1974, por ocasião da visita de Petrônio Portela, então presidente nacional da Aliança Renovadora Nacional (Arena), a Goiânia, foi eleito pela Assembléia Legislativa governador de Goiás. Tendo conseguido, naquele momento, com o apoio de Portela, unificar em torno de seu nome as duas alas divergentes da Arena, lideradas pelo governador Leonino Caiado e pelo ex-governador Otávio Laje, distribuiu nota à imprensa afirmando: "Lutarei pela unidade partidária, que pretendo manter e ampliar dentro dos princípios revolucionários de 31 de março de 1964."

Assumindo o governo em março de 1975, teve desde o início sérios problemas com as lideranças políticas locais e enfrentou uma Arena que na verdade se manteve dividida. Embora tenha caracterizado sua gestão por um estilo de trabalho mais voltado para os problemas administrativos, distante das lides partidárias, em maio de 1976 declarou à imprensa que o MDB não tinha condições de governar o país porque se encontrava "despreparado e comprometido com ideologias estranhas", concluindo que "aqueles que correram em 1964 não voltarão ao poder". Chefiando uma administração caracterizada por freqüentes crises internas, em junho desse mesmo ano alterou as chefias de sete secretarias e de algumas autarquias, justificando a medida como conseqüência de desajustamentos na equipe, que a ele cabia corrigir. Governou Goiás até março de 1979, quando foi substituído por Ari Ribeiro Valadão.

Em outubro desse ano, às vésperas da extinção do bipartidarismo (29/11/79), afirmou que iria deixar a Arena, pois não permaneceria na mesma agremiação política do governador Ari Valadão, acrescentando que ainda não havia feito outra opção partidária.  Na mesma ocasião, firmou um pacto político com os ex-governadores da Bahia, Roberto Santos, do Rio Grande do Sul, Sinval Guazelli, e do Paraná, Jaime Canet, de resistência à Arena e a favor de um partido que, apoiando o governo a nível federal, mantivesse autonomia no plano estadual.

Embora conhecido como um homem do regime militar, em novembro de 1980 filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).  Seu ingresso causou sérios descontentamentos no interior desse partido, motivando inclusive uma nota de protesto lançada pelo diretório de Anápolis. Em abril do ano seguinte, integrando o grupo que defendia as candidaturas de Íris Resende para o governo de Goiás e de Mauro Borges para o Senado nas eleições previstas para novembro de 1982, declarou que concorreria, na ocasião, a uma cadeira na Câmara dos Deputados. 

                No pleito de novembro de 1982 conquistou seu primeiro mandato pelo voto, tendo sido eleito deputado federal na legenda do PMDB de Goiás. Empossado em fevereiro de 1983, nessa legislatura foi membro da Comissão de Relações Exteriores.

                Em 25 de abril de 1984 votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que, apresentada na Câmara dos Deputados, propôs o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Como a Emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação - faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado Federal -, no Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, Irapuan da Costa Júnior votou no candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito novo presidente da República pela Aliança Democrática, uma união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal, que derrotou o candidato do regime militar, Paulo Maluf. Tancredo Neves, contudo, não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março deste ano.

                Em 1986, foi indicado para concorrer a uma vaga de senador constituinte na chapa de Henrique Santillo, seu adversário tradicional, que pertencia à ala progressista do PMDB. Sua indicação deveu-se a conveniências eleitorais e políticas, pois, além de ter boa votação, possuía recursos financeiros e era um interlocutor confiável por parte dos setores conservadores. Eleito com mais de 800 mil votos e com o apoio da União Democrática Ruralista (UDR) – entidade que representou na Constituinte os interesses dos grandes proprietários contra a reforma agrária –, garantiu também a  eleição de sua esposa, Lúcia Vânia (PMDB-GO), para a Câmara dos Deputados.

                Empossado em fevereiro de 1987, atuou nos trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte como titular da Subcomissão de Princípios Gerais, Intervenção do Estado, Regime da Propriedade do Subsolo e da Atividade Econômica, da Comissão da Ordem Econômica, e suplente da Subcomissão da Educação, Cultura e Esportes, da Comissão da Família, da Educação, Cultura e Esportes, da Ciência e Tecnologia e da Comunicação.

Votou contra o rompimento de relações diplomáticas com os países com política de discriminação racial, o mandado de segurança coletivo, a jornada semanal de 40 horas, o turno ininterrupto de seis horas, a unicidade sindical, a soberania popular, o voto aos 16 anos, a estatização do sistema financeiro, o limite de 12% ao ano para os juros reais, a limitação dos encargos da dívida externa e a desapropriação da propriedade produtiva. Posicionou-se a favor da proteção ao emprego contra demissão sem justa causa, a pluralidade sindical, o presidencialismo, a nacionalização do subsolo, a anistia para os micro e pequenos empresários e o mandato de cinco anos para Sarney. Esteve ausente nas seguintes votações: pena de morte, limitação do direito de propriedade privada, criminalização do aborto, remuneração 50% superior para o trabalho extra, aviso prévio proporcional, proibição do comércio de sangue, criação de um fundo de apoio à reforma agrária e legalização do jogo do bicho.

                Com a promulgação da Constituição em 5 de outubro de 1988, retornou aos trabalhos ordinários no Senado Federal, vindo a integrar as comissões de Relações Exteriores, de Defesa Nacional, do Distrito Federal, Assuntos Econômicos e de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado entre 1988 e 1990.

Ainda nesta legislatura realizou várias missões no exterior. No pleito de outubro de 1994, concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados na legenda do Partido Progressista (PP), não tendo sido eleito. Deixou o Senado em janeiro de 1995, ao final da legislatura.

                Foi ainda professor da Escola de Engenharia da Universidade Católica de Goiás e da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Goiás, empresário do setor de construção civil, vice-presidente da Associação Brasileira de Bancos Comerciais e presidente da Associação de Bancos do Estado de Goiás.

Casou-se com Lúcia Vânia Abrão Costa, com quem teve três filhos. Sua esposa foi deputada federal entre 1987 e 1995.

 

                                                                                                                              Ednílson Cruz

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST.  Repertório (1987); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1983-1987); Correio Brasiliense (30/11/86); Folha de São Paulo (19/1/87); Jornal do Brasil (17/6/74, 13/5, 5/6 e 8/11/76, 11 e 25/10/79, 29/11/80, 30/4/81); NÉRI, S. 16; Perfil (1975); SENADO. Dados biográficos (1987, 1991); Who's who in Brazil.

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