IVAN BURITI DE ALMEIDA

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Nome: BURITI, Ivan
Nome Completo: IVAN BURITI DE ALMEIDA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BURITI, Ivan

BURITI, Ivan

* dep. fed. PB 1991-1995.

 

                Ivan Buriti de Almeida nasceu em João Pessoa no dia 3 de fevereiro de 1962, filho de Severino Talião de Almeida e de Neli Buriti de Almeida. Seu tio materno Tarcísio de Miranda Buriti foi governador da Paraíba de 1979 a 1982 e de 1987 a 1991 e deputado federal pelo seu estado de 1983 a 1987.

                Advogado e funcionário público, de 1982 a 1985 Ivan Buriti foi professor da rede estadual de ensino. Em 1983 ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa. Foi vice-presidente do centro acadêmico, ligado ao Partido Comunista do Brasil (PC do B). Em 1987, já no segundo governo do tio Tarcísio Buriti, foi nomeado diretor-presidente da Empresa Paraibana de Turismo (Paraibatur), função que desempenharia até 1990. Durante sua gestão, implantou o projeto turístico Costa do Sol, em João Pessoa. No final de 1987, bacharelou-se em direito e, dois anos mais tarde, foi nomeado procurador do estado.

                Ingressou na carreira política filiando-se ao Partido da Reconstrução Nacional (PRN) – do qual foi um dos fundadores em seu estado e viria a ser, mais tarde, vice-presidente regional –, em cuja legenda se elegeu deputado federal em outubro de 1990. Assumindo uma cadeira na Câmara dos Deputados em fevereiro do ano seguinte, tornou-se titular da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias e suplente da Comissão de Viação e Transportes, Desenvolvimento Urbano e Interior. Foi vice-líder do bloco parlamentar formado para dar sustentação política ao governo no Congresso, integrado, além do PRN, pelo Partido da Frente Liberal (PFL), Partido Social Cristão (PSC), Partido da Mobilização Nacional (PMN) e Partido Social Trabalhista (PST).

                Licenciado por movito de saúde entre 1º de novembro de 1991 e 9 de março de 1992, foi substituído nesse período pelo primeiro suplente Ramalho Leite. Em maio de 1992, as denúncias de irregularidades no governo do presidente da República Fernando Collor (1990-1992), iniciadas em 1991, atingiram o ponto máximo quando a revista Veja publicou uma entrevista de Pedro Collor, irmão do presidente, na qual denunciava um esquema de corrupção existente no governo sob o comando de Paulo César Farias, o PC, ex-tesoureiro de campanha de Collor. Essa denúncia levou o Congresso a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). As conclusões dessa comissão levaram ao envolvimento do presidente e foi pedido o seu impeachment.

                Ivan Buriti tornou-se membro da Comissão Especial encarregada de analisar o pedido de afastamento do presidente Fernando Collor e integrante intransigente da chamada “tropa de choque” governista no Congresso, denominação dada ao grupo de parlamentares que defendia o presidente e o seu mandato. Respondendo a uma pergunta feita pelo jornal Folha de São Paulo para a seção Tendências e Debates, sobre se o impeachment deveria ser votado antes ou depois das eleições de 3 de outubro, Buriti, em seu artigo, condenou o presidente da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro, por tentar, de todas as formas, cercear o direito de defesa do presidente, marcando a votação do impedimento do presidente para 29 de setembro, um dia antes do encerramento da campanha eleitoral. Segundo afirmou, os ritos criados pelo presidente da Câmara para encaminhar o processo feriam, do início ao fim, os mais singulares princípios do direito e, portanto, “não seria ético nem prudente fazer com que o processo de impeachment, traumático para toda a nação, se confunda na cabeça dos eleitores com o clima exaltado e apaixonado que marca as campanhas eleitorais em geral”. Diante disso, pedia que Ibsen se afastasse do cargo enquanto estivesse em curso o processo de impeachment. No dia da votação, Buriti votou contra o afastamento do presidente.

Todavia, o pedido de abertura do processo de impeachment foi aprovado por esmagadora maioria dos deputados. Afastado da presidência após a votação na Câmara, deixou o governo no dia 2 de outubro seguinte, no qual foi substituído pelo vice Itamar Franco. Collor renunciaria ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado Federal, ato que não seria levado em conta pela mesa dessa casa do Congressso. Pouco depois, o plenário da Câmara Alta decidiria pelo seu impedimento definitivo e, como conseqüência, ficaria inelegível por oito anos. Com esse resultado, o vice Itamar Franco seria efetivado na presidência da República.

                Em novembro de 1992, na condição de relator da subcomissão de assuntos jurídicos da CPI instituída para apurar possíveis irregularidades na privatização da Viação Aérea São Paulo (Vasp), Ivan Buriti citou o ex-governador paulista Orestes Quércia (1987-1991) em seu relatório, que seria apresentado ao relator geral da comissão, enquadrando-o em crime de peculato e prevaricação, por ter autorizado um aporte de capital de 53 milhões de dólares para a Vasp às vésperas de sua privatização, valor esse superior ao que havia sido pago pelo empresário Wagner Canhedo (43 milhões de dólares) na aquisição da empresa. 

                Deixando de concorrer à reeleição no pleito de outubro de 1994, permaneceu na Câmara dos Deputados até janeiro do ano seguinte, quando se encerrou seu mandato no fim da legislatura.

                Casou-se com Ana Márcia Alves de Almeida.

 

Alan Carneiro

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1991-1995); Estado de São Paulo (14/11/92); Folha de São Paulo (12/9/92); Globo (30/9/92); Jornal do Brasil (27/9/92); Perfil parlamentar/Isto É.

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