IVO BORGES LEAL

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Nome: BORGES, Ivo
Nome Completo: IVO BORGES LEAL

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BORGES, IVO

BORGES, Ivo

*militar; rev. 1932; comte. I ZA 1943-1944; comte. II ZA 1951-1953; comte. IV ZA 1955.

 

Ivo Borges Leal nasceu no dia 11 de outubro de 1890.

Em 1921 participou da primeira turma de observadores aéreos, tendo figurado no primeiro grupo de oficiais da arma de artilharia que, em 1927, foram transferidos para a arma de aviação. No ano seguinte, assumiu o comando do Grupo de Esquadrilhas de Aviação sediado em Santa Maria (RS).

Em 1932, participou das articulações que precederam à Revolução Constitucionalista que eclodiria no dia 9 de julho em São Paulo. Este movimento teve como antecedentes a nomeação do “tenente” João Alberto Lins de Barros para o cargo de interventor em São Paulo logo após a vitória da Revolução de 1930, o que significou a marginalização do segmento da oligarquia política local que havia participado do movimento, em especial do Partido Democrático (PD). Esse processo, acirrado progressivamente ao longo de 1931-1932, foi marcado pela oposição entre as correntes políticas tradicionais do estado, de um lado, e as forças tenentistas e o governo federal que as apoiava, de outro.

Encontrando-se no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, quando da antecipação da data para a eclosão do movimento de 14 para 9 de julho de 1932, Ivo Borges viajou para São Paulo, onde assumiu o comando das unidades aéreas da aviação constitucionalista. A vitória das forças legalistas foi-se evidenciando a partir do mês de agosto, com o recuo progressivo das tropas paulistas em todas as frentes. No dia 27 de setembro, após debater a situação militar e política do movimento, o comando da Força Pública de São Paulo concluiu que estava configurada a derrota militar do estado. No dia seguinte, o comandante-em-chefe das forças constitucionalistas, general Bertoldo Klinger, comunicou aos comandantes das tropas paulistas estar na iminência de pedir um armistício. Frente à resistência do coronel Euclides Figueiredo, um dos chefes militares do movimento, Klinger concordou em sustar a divulgação de sua proposta.

Diante desses fatos, Euclides Figueiredo e o chefe civil do movimento, o interventor Pedro de Toledo, convocaram para o mesmo dia uma reunião no palácio do governo, em São Paulo, com outros comandantes militares, entre os quais Ivo Borges, e alguns membros civis do governo paulista. Chamado a participar, Klinger recusou-se, mantendo-se firme em sua disposição de negociar o armistício. No encontro, em que foi debatida a possibilidade de prosseguirem os combates, Ivo Borges foi um dos que defenderam os pontos de vista de Klinger. Por fim, resolveram exonerar o coronel Herculano de Carvalho e Silva do comando do setor de Campinas (SP) e também da Força Pública, nomeando para substituí-lo nos dois postos o major Romão Gomes. Entretanto, o grupo que decidiu tomar essas medidas já não tinha mais controle sobre a situação do estado e logo se viu superado pelos acontecimentos: na madrugada do dia 29, mesmo sem a autorização do governo paulista, Bertoldo Klinger enviou rádio a Getúlio Vargas, chefe do Governo Provisório da República, propondo o armistício. A proposta foi levada no próprio dia 29 pelo tenente-coronel Osvaldo Vilabela, chefe do estado-maior de Klinger, e por Ivo Borges, comandante das unidades aéreas. O primeiro encontro de negociações com o general Pedro Aurélio de Góis Monteiro, representante do governo federal, entretanto, foi infrutífero. No dia seguinte, os emissários de Klinger retornaram com uma contraproposta de convenção militar, à qual Klinger respondeu preparando outra proposta, a ser discutida em nova reunião com o general Góis Monteiro, no dia 19 de outubro. Ao término desta, por fim, no dia seguinte foi assinado o armistício.

Após a rendição das forças constitucionalistas, Ivo Borges foi exilado para Lisboa, indo depois para Buenos Aires. Anistiado, retornou ao Brasil e foi reintegrado às forças armadas em 2 de janeiro de 1934. Em abril do ano seguinte, já como tenente-coronel, assumiu o comando da Escola de Aviação Militar. Nesse mesmo mês, foi um dos organizadores da campanha pela criação do Ministério da Aeronáutica.

Encontrava-se no comando da Escola de Aviação Militar quando tomou conhecimento da existência de uma certa insatisfação reinante no corpo de alunos e do aparecimento, no interior da instituição, de folhetins considerados subversivos. Decretou a prisão do capitão Sócrates Gonçalves da Silva, tido como responsável pela distribuição dos folhetos, que não foi encontrado. Esta primeira ocorrência prenunciou a revolta comunista em novembro daquele ano.

Após a eclosão dos levantes organizados pelo Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), em nome da Aliança Nacional Libertadora (ANL), nas cidades de Natal e Recife, respectivamente nos dias 23 e 24 de novembro de 1935, as autoridades militares da capital federal tomaram medidas preventivas contra uma esperada insurreição no 3º Regimento de Infantaria (3º RI), sediado na Praia Vermelha. O tenente-coronel Eduardo Gomes, que desde maio de 1935 assumira o comando do 1º Regimento de Aviação, e o tenente-coronel Ivo Borges mantinham freqüentes contatos, recebendo informação do chefe de polícia, capitão Filinto Müller.

Efetivamente, na madrugada do dia 27 de novembro, o movimento foi deflagrado no 3º RI e na Escola de Aviação Militar, onde foi comandado pelos capitães Agliberto Vieira de Azevedo e Sócrates Gonçalves da Silva e pelos tenentes Benedito de Carvalho e Ivan Ramos Ribeiro. Nessa ocasião, Ivo Borges, que acabara de se comunicar com os comandantes do 1º Regimento de Aviação (1º RA) e do Grupo-Escola, encontrava-se fazendo, pessoalmente, a fiscalização dos dispositivos de segurança: situada na amplidão do Campo dos Afonsos, próxima à Vila Militar, a escola não possuía qualquer cerca ou outro tipo de vedação. A inspeção de Ivo Borges foi interrompida quando um automóvel entrou, em alta velocidade, pela estrada que ligava a enfermaria ao conjunto principal dos prédios, sem que o grupo de combate ali posicionado o hostilizasse, pois seus ocupantes teriam se identificado como oficiais do estabelecimento.

Pouco depois, ouviram-se os primeiros tiros no interior da escola, o que levou Ivo Borges, acompanhado do major Bento Ribeiro Carneiro Monteiro e do capitão Jorge Gomes Ramos, a se encaminhar para o local do tiroteio, certos de serem seguidos pelo grupo de combate. Foram detidos, no entanto, por rajadas de metralhadoras vindas da retaguarda, ou seja, daquele grupo. Não podendo voltar ao interior do quartel, Ivo Borges dirigiu-se para o 1º Regimento de Aviação, onde Eduardo Gomes, isolado no pavilhão de comando, vinha conseguindo manter sua posição. Enquanto isso, a artilharia da Vila Militar bombardeava a escola e o 1º Regimento de Aviação, preparando o terreno para a chegada dos reforços. Finalmente, após a prisão de alguns rebeldes e a expulsão dos demais das proximidades do regimento, chegaram Ivo Borges e elementos de ligação das unidades-escolas, que, reforçados por um esquadrão de metralhadoras e por integrantes do Regimento Andrade Neves, aprofundaram a contra-ofensiva. O levante foi dominado na manhã do mesmo dia 27, com a chegada de tropas legalistas à Vila Militar. Ivo Borges permaneceu no comando da Escola de Aviação Militar até março de 1938. Em seguida, foi nomeado comandante do 3º Regimento de Aviação em Canoas (RS) em maio de 1938, permanecendo no posto até agosto de 1939.

Com a criação, em janeiro de 1941, do Ministério da Aeronáutica, Ivo Borges transferiu-se para esta força. Foi adido aeronáutico às embaixadas do Brasil na Argentina e no Uruguai de junho de 1941 a agosto de 1943. Como coronel, comandou a I Zona Aérea (ZA), sediada em Belém, de agosto de 1943 a agosto de 1944. Já brigadeiro-do-ar, comandou a III ZA, sediada no Rio de Janeiro, de janeiro de 1945 a agosto do mesmo ano, e foi diretor do Pessoal da Aeronáutica de agosto de 1945 a janeiro de 1948. Nesse período, entre agosto de 1945 e agosto de 1947, foi o primeiro presidente do Clube de Aeronáutica. A partir de agosto de 1948, chefiou a Inspetoria do Estado-Maior da Aeronáutica (Emaer), tendo permanecido na função até fevereiro de 1950. Como major-brigadeiro chefiou o Departamento de Estudos da Escola Superior de Guerra, de janeiro a junho de 1951, e comandou a II ZA, com sede em Recife, no período de maio de 1951 a fevereiro de 1953.

Comandava a IV ZA, sediada em São Paulo, quando ocorreu, em novembro de 1955, o movimento militar liderado pelo general Henrique Teixeira Lott, então ministro da Guerra. Com o objetivo de impedir uma conspiração que se articulava para não permitir a posse do presidente da República eleito, Juscelino Kubitschek, esse movimento provocou o impedimento dos presidentes da República, Carlos Luz, em exercício, e João Café Filho, licenciado, fazendo com que ascendesse ao cargo o presidente do Senado, Nereu Ramos, até a posse do presidente eleito. Contrariando as instruções do ministro da Guerra, bem como as do general Olímpio Falconière da Cunha, comandante da Zona Militar Centro, atual II Exército, sediado em São Paulo, Ivo Borges e o general Tasso Tinoco, comandante da 2ª Divisão de Infantaria (DI), divulgaram nota à imprensa em que afirmavam que continuariam a receber e acatar ordens do presidente Carlos Luz e de seus ministros militares. Durante os dias 11 e 12 de novembro, a tensão política na capital paulista aumentou, estimulada pelo comparecimento do governador de São Paulo, Jânio Quadros, ao quartel-general da 2ª DI para entender-se com Ivo Borges e Tasso Tinoco. A 12 de novembro, as manifestações contrárias ao novo governo foram abafadas pela intervenção das tropas comandadas pelo coronel Hugo Panasco Alvim.

Tendo encerrado sua carreira na Aeronáutica na patente de marechal-do-ar, Ivo Borges faleceu no Rio de Janeiro no dia 19 de maio de 1980.

Era casado com Celeste Viegas Borges.

 

 

FONTES: CARNEIRO, G. História; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORRESP. II COMDO. AÉREO REGIONAL; COSTA, M. Cronologia; Eleitos; FRAGOSO, A. Escola; MIN. GUERRA. Subsídios; SILVA, H. 1932; SILVA, H. 1935; SOUSA, J. Verdade; Veja (28/5/80); WANDERLEY, N. História.

 

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