JEREISSATI, CARLOS

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Nome: JEREISSATI, Carlos
Nome Completo: JEREISSATI, CARLOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
JEREISSATI, CARLOS

JEREISSATI, Carlos

*dep. fed. CE 1955-1963; sen. CE 1963.

 

Carlos Jereissati nasceu em Fortaleza no dia 2 de dezembro de 1917, filho de Aziz Jereissati e de Maria José Boutala Jereissati. Seu pai imigrou da cidade libanesa de Zahle para o Brasil em 1902 e estabeleceu-se em Fortaleza em 1908, acumulando fortuna no comércio de bacalhau e tecidos.

Carlos Jereissati fez seus estudos na capital cearense, onde freqüentou o Instituto São Luís e os colégios Cearense, dos Irmãos Maristas e Militar.

Antes de iniciar a vida pública, foi comerciante e industrial, o que lhe permitiu acumular uma das maiores fortunas particulares do Ceará. A partir de 1950, dominou o comércio de linho estrangeiro no Nordeste. Nessa época, o então deputado cearense Armando Falcão, do Partido Social Democrático (PSD), acusou-o de promover contrabando e forjar licenças de importação. Apesar de pessedista, Armando Falcão havia se aliado a Carlos Lacerda na ferrenha oposição ao segundo governo de Getúlio Vargas (1950-1954). Carlos Jereissati, que havia apoiado Vargas desde a campanha eleitoral de 1950, tornara-se um dos mais importantes aliados do presidente para derrubar seus adversários no Ceará.

Com o propósito de levar sua defesa até o Congresso Nacional, Jereissati lançou-se à carreira política como candidato a deputado federal por seu estado na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), no pleito de outubro de 1954. Eleito, assumiu o mandato em fevereiro do ano seguinte, tornando-se um dos principais líderes do partido. Ao longo de seu mandato, pronunciou na tribuna do plenário apenas dois discursos: um para provar que fora absolvido das imputações feitas pelo deputado Armando Falcão e outro para responder ao deputado Esmerino Arruda, do Partido Social Progressista (PSP), que o acusara de utilizar o leite pertencente ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), através da seção cearense da Legião Brasileira de Assistência (LBA), como forma de suborno eleitoral.

Reelegeu-se, em outubro de 1958, deputado federal pelo Ceará, sempre na legenda do PTB, para a legislatura iniciada em fevereiro de 1959.  Em 1961, apoiou o reatamento das relações diplomáticas entre o Brasil e a União Soviética, invocando o princípio da autodeterminação dos povos e da não-intervenção. Segundo pesquisa realizada pelo jornal Correio Brasiliense em 1962, era partidário do monopólio estatal do petróleo, dos minérios atômicos, da energia elétrica, das telecomunicações e dos transportes.  Na Câmara Federal, defendeu as reformas eleitoral e agrária não coletivista, votando ainda a favor da Emenda Constitucional nº 5, que ampliou a competência tributária dos municípios. Partidário do presidente João Goulart, manifestou-se pela antecipação do plebiscito destinado a decidir sobre a manutenção do regime parlamentarista instaurado pela Emenda Constitucional nº 4 em setembro de 1961. Prevista para o início de 1965, a consulta à nação foi feita em janeiro de 1963, determinando o retorno ao presidencialismo.

Nas eleições de outubro de 1962, enfrentou novamente Armando Falcão, que havia promovido a coligação “União pelo Ceará”, aglutinando as forças conservadoras da União Democrática Nacional (UDN) e do PSD para barrar a ascensão das esquerdas no estado. Apesar da vitória de Virgílio Távora, um dos três maiores coronéis da região e candidato da coligação ao governo do Ceará, Carlos Jereissati, que apoiava o candidato do PTB, Adail Barreto, conquistou uma vaga no Senado Federal pela legenda do PTB no pleito de outubro de 1962. Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 1963, assumindo sua cadeira no Senado em fevereiro seguinte.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 9 de maio de 1963, em pleno exercício do mandato. Foi substituído no Senado por Antônio Jucá.

Como dirigente partidário, Jereissati integrou a comissão executiva nacional do PTB.  Foi, ainda, diretor da Associação Comercial e do Centro dos Importadores do Ceará.

Era casado com Maria de Lurdes Ribeiro Jereissati, com quem teve cinco filhos. Um deles, Tasso Jereissati, foi governador do Ceará (1987-1991 e a partir de 1995).

 

 

FONTES:  CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CAMPOS, Q. Fichário; COUTINHO, A. Brasil; GIRÃO, R. Ceará; Jornal do Brasil (10/5/63); Jornal do Comércio, Rio (10/5/63); MACEDO, R. Efemérides; SOC. BRAS.  EXPANSÃO COMERCIAL. Quem.

 

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