JOAO ADIL DE OLIVEIRA

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Nome: ADIL, João
Nome Completo: JOAO ADIL DE OLIVEIRA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
ADIL, JOÃO

ADIL, João

*militar; atent. Toneleros.; comte. II ZA 1961; comte. III ZA 1964-1966.

 

João Adil de Oliveira nasceu no Rio Grande do Sul em 16 de maio de 1907.

Depois de sentar praça no Exército em abril de 1926, seguiu a carreira militar, sendo designado aspirante em janeiro de 1930 e promovido a segundo-tenente em julho do mesmo ano. Tornou-se primeiro-tenente em junho de 1932 e recebeu a patente de capitão um ano depois. Em 1934, participou do vôo em grupo com destino ao norte do país realizado em sete aviões Bellanca, que percorreram um total de cerca de sete mil quilômetros. Essa iniciativa, uma das pioneiras no gênero, obteve pleno êxito e foi considerada modelar quanto ao planejamento, organização e execução.

De 1936 a 1939, realizou conferências na Escola de Estado-Maior do Exército a respeito da criação do Ministério da Aeronáutica, o que veio a se concretizar em janeiro de 1941. Nessa ocasião, já promovido a major desde dezembro de 1940, foi transferido para a nova arma. Em 1942, cumprindo a missão de trazer para o Brasil aviões de instrução fornecidos pelos Estados Unidos, foi obrigado a fazer um pouso de emergência numa ilha fluvial deserta localizada perto de Georgetown, na Guiana, onde permaneceu 48 horas esperando condições atmosféricas propícias à decolagem.

Promovido a tenente-coronel-aviador em janeiro de 1944, foi nomeado, em junho de 1946, adido aeronáutico junto às embaixadas brasileiras no Paraguai e na Bolívia. Entre janeiro e dezembro de 1948, exerceu as mesmas funções na Argentina e no Uruguai. De volta ao Brasil, comandou a Base Aérea de Salvador até 1951, tendo recebido por merecimento, em 1950, a patente de coronel-aviador.

Em 5 de agosto de 1954, juntamente com o promotor público João Batista Cordeiro Guerra, foi designado para acompanhar o inquérito policial aberto para apurar o atentado desfechado poucas horas antes na rua Toneleros, no Rio, contra o líder oposicionista Carlos Lacerda, resultando na morte do major-aviador Rubens Vaz. As investigações conduziram rapidamente à captura de Nélson Raimundo de Sousa, motorista do carro em que o assassino fugira, e à descoberta do envolvimento direto de membros da guarda pessoal do presidente Getúlio Vargas no acontecimento. Esse fato provocou o aprofundamento da crise política então em curso no país.

Por sugestão sua, o ministro da Aeronáutica, Nero Moura, baixou portaria do dia 11 de agosto ordenando a instauração de um inquérito policial-militar (IPM), com o objetivo de acelerar o processo e dificultar o acobertamento de suspeitos. Sob sua direção, esse IPM funcionou na Base Aérea do Galeão e reuniu amplos poderes para convocar autoridades suspeitas de envolvimento no crime, constituindo importante elemento no quadro da campanha pela deposição de Vargas. Em virtude de sua autonomia em relação ao governo na condução do inquérito, a base aérea era chamada, na época, de República do Galeão.

No dia 18, liderou um grupo de oficiais da Aeronáutica que retirou do palácio do Catete, sede do governo, o arquivo particular do chefe da guarda pessoal de Vargas, Gregório Fortunato, que já estava detido. Em seguida, declarou à imprensa possuir provas de que o crime havia sido planejado e executado por elementos ligados ao governo.

No dia 24 de agosto, foi divulgada a notícia de que Benjamim Vargas, irmão do presidente, havia sido convocado para depor, o que provocou o agravamento da crise política e contribuiu para apressar o seu desfecho, com o suicídio de Getúlio Vargas. No relatório final que acompanhou a remessa dos autos do IPM para o Ministério da Aeronáutica, o coronel Adil historiou os acontecimentos relacionados com o atentado e propôs que, além dos mandantes e dos executores do atentado, também fossem indiciados Euvaldo Lodi, Benjamim Vargas, Danton Coelho e o general Ângelo Mendes de Morais que, segundo o inquérito, haviam participado indiretamente da incitação ou do acobertamento do atentado.

Em fevereiro de 1961, João Adil foi promovido a brigadeiro e recebeu o comando da II Zona Aérea (II ZA), sediada em Recife. Depois da deposição do presidente João Goulart, ocorrida em 31 de março de 1964, foi transferido em abril para a chefia da III ZA, no Rio de Janeiro, substituindo o brigadeiro Francisco Teixeira, afastado do cargo pelo novo regime. Permaneceu nesse comando até novembro de 1966, sendo então substituído pelo major-brigadeiro Ari Presser Belo.

Durante sua carreira militar, João Adil realizou cursos de especialização aeronáutica nos Estados Unidos.

Faleceu no Rio de Janeiro, em 31 de julho de 1976.

FONTES: CARNEIRO, G. História; CORRESP. II COMDO. AÉREO REGIONAL; COSTA, M. Cronologia; DULLES, J. Getúlio; Jornal do Brasil (4/8/76); MACHADO, F. Últimos; MIN. AER. Almanaque; SOUSA, J. Verdade; WANDERLEY, N. História.

 

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