JOAQUIM DE ABREU SAMPAIO VIDAL

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Nome: VIDAL, Joaquim Sampaio
Nome Completo: JOAQUIM DE ABREU SAMPAIO VIDAL

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
VIDAL, JOAQUIM SAMPAIO

VIDAL, Joaquim Sampaio

*rev. 1930; rev. 1932; dep. fed. SP 1935-1937; const. 1946; dep. fed. SP 1946-1951.

 

Joaquim de Abreu Sampaio Vidal nasceu em São Carlos (SP) no dia 2 de novembro de 1897, filho de Bento de Abreu Sampaio Vidal, banqueiro e senador pelo Partido Republicano Paulista (PRP), e de Maria Isabel Botelho de Abreu Sampaio Vidal. Pertencia a uma família de cafeicultores tradicionalmente ligada à política estadual, na qual se destacou também Rafael de Abreu Sampaio Vidal, deputado federal entre 1918 e 1922, ministro da Fazenda entre 1922 e 1925 e membro da Assembléia Nacional Constituinte de 1934. O irmão de Joaquim Sampaio Vidal, Clóvis de Abreu Sampaio, foi vereador em Garça entre 1948 e 1951.

Depois de cursar o Ginásio Anglo-Brasileiro, a Escola Americana e o Colégio Mackenzie, na capital paulista, Joaquim Sampaio Vidal matriculou-se em 1914 na Faculdade de Direito de São Paulo. Em 1917, ainda acadêmico, ingressou na Liga Nacionalista, organização recém-fundada que, inspirada no pensamento de Olavo Bilac, pregava a adoção do serviço militar obrigatório e do voto secreto. No ano seguinte, concluiu o curso superior e participou da campanha de Luís Pereira Barreto para o Senado estadual, que tentou, sem êxito, romper o monopólio político regional do PRP.

Embora desvinculado da revolta contra o governo de Artur Bernardes irrompida em 5 de julho de 1924 na capital paulista, Sampaio Vidal manifestou-se contra o bombardeio da cidade pelas forças federais que, depois de três semanas de combates, forçaram a retirada dos rebeldes comandados pelo general Isidoro Dias Lopes. Junto com Frederico Steidel, Armando de Sales Oliveira, Plínio Barreto e outros destacados líderes da Liga Nacionalista, foi signatário do telegrama de protesto enviado pela organização ao presidente da República sobre esses fatos.

Integrou a direção do Partido Democrático (PD) de São Paulo desde seu congresso de fundação em 1926, quando foi aprovado um programa que propunha a realização de reformas políticas de cunho liberal que incluíam a adoção do voto secreto. No ano seguinte, foi um dos fundadores e patrocinadores financeiros do Diário Nacional, órgão do PD, cuja secretaria geral assumiu em 1928, substituindo Paulo Nogueira Filho, que viajara para o exterior. Nesse cargo, atuou de forma essencialmente pacifista e circunscrita aos marcos legais do regime, não aderindo à pregação revolucionária desenvolvida por setores do movimento tenentista.

Em 1929, participou da convenção da Aliança Liberal, coligação interpartidária de oposição ao governo federal formada pelas situações dos estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba, e por forças oposicionistas dos demais estados, que apoiaram a chapa Getúlio Vargas-João Pessoa para as eleições presidenciais do ano seguinte. Ainda em 1929, integrou a comissão de estatutos do primeiro e único congresso do Partido Democrático Nacional, articulado desde 1927 pelo PD e que contou com a presença de representantes gaúchos e cariocas.

Com a derrota da chapa liberal nas eleições de março de 1930, ganhou força entre os oposicionistas a idéia de promover um levante contra o governo federal, finalmente deflagrado em 3 de outubro com a colaboração do PD. Sampaio Vidal reuniu-se então com Júlio de Mesquita Filho, Paulo Duarte, Elias Machado, Carlos de Morais Andrade, Aureliano Leite, Benaton Prado, José Paulino Nogueira, Prudente de Morais Neto, Antônio Soares Lara, Zoroastro Gouveia e Osvaldo Leite Ribeiro, para planejarem a tomada do governo de São Paulo. Resolveram atacar o palácio dos Campos Elísios (sede do governo paulista), formando para esse fim um grupo composto por membros do PD e oficiais do Exército e da Força Pública. O plano foi frustrado com a prisão, em 24 de outubro, de seus principais articuladores, mas nesse mesmo dia o presidente Washington Luís foi deposto no Rio de Janeiro, selando a vitória da revolução.

 

Antecedentes da Revolução de 1932

Na nova situação criada, o PD — principal ponto de apoio político-militar da revolução em São Paulo — esperava que o governo do estado fosse entregue a Francisco Morato, presidente do partido, o que não aconteceu em virtude da oposição das correntes tenentistas lideradas por Miguel Costa e João Alberto Lins de Barros, chefes militares de grande prestígio, pertencentes à ala radical do movimento revolucionário. No dia 30 de outubro, o governo paulista foi reorganizado pelo próprio Getúlio Vargas, chefe da revolução vitoriosa, que nomeou João Alberto para o posto crucial de delegado militar da revolução no estado. A presença de elementos ligados ao PD nesse governo levou o diretório central do partido a emitir nota, da qual Sampaio Vidal foi um dos signatários, comprometendo-se a colaborar com a nova administração.

Entretanto, a presença tenentista no governo de São Paulo continuou a se ampliar, fortalecendo também a influência federal nos negócios do estado, o que desagradava ao PD. No dia 25 de novembro, João Alberto assumiu a interventoria. Apesar das desconfianças recíprocas, em 8 de dezembro a direção do PD divulgou novo comunicado, novamente assinado por Sampaio Vidal, expressando sua disposição de colaborar com o novo interventor. Mesmo assim, as relações entre as forças políticas tradicionais no estado e o governo federal continuaram a deteriorar-se e a colaboração com João Alberto não foi duradoura. Em pouco tempo, o PD passou a acusá-lo de preterir “ilustres paulistas” em favor de elementos da sua confiança, além de estimular as perseguições que a Legião Revolucionária, organização comandada por Miguel Costa, promovia contra membros do partido, impedindo sua livre expressão. Nesse período, Sampaio Vidal era um dos diretores do Diário Nacional, que passou a desenvolver intensa campanha contra a presença de João Alberto à frente do governo paulista.

O agravamento do conflito levou ao rompimento de relações com o interventor, formalizado em manifesto publicado pelo PD em 6 de abril de 1931 com a assinatura de Sampaio Vidal. No dia seguinte, o Diário Nacional pediu que todos os membros do partido se demitissem dos cargos que ocupavam na administração estadual. Nesse contexto, Sampaio Vidal e outros líderes do PD tentaram ganhar para a sua causa o apoio do ministro do Trabalho, Lindolfo Collor, homenageado pelo partido com um banquete em maio de 1931, logo depois de ter sido alvo de violentas críticas por parte de setores do operariado paulista, cuja simpatia João Alberto tentava obter para aumentar sua base política.

Em 24 de julho, João Alberto foi substituído na interventoria por Laudo Ferreira de Camargo, medida considerada insuficiente pelos paulistas, que prosseguiram a luta pela devolução da autonomia estadual e a constitucionalização do país. No início de 1932, o conflito assumiu maiores proporções, envolvendo diretamente o governo federal, com o qual o PD chegou ao rompimento formal no dia 13 de janeiro através de novo manifesto. A identidade de objetivos com o PRP (que a Revolução de 1930 havia alijado da política estadual) levou os dois partidos à formação da Frente Única Paulista (FUP), cujas reivindicações foram publicadas em novo comunicado, datado de 16 de fevereiro. Sampaio Vidal foi signatário dos dois documentos e participou das manifestações populares a favor da “união sagrada” dos dois grandes partidos paulistas. Em 19 de março a FUP obteve importante vitória, com a nomeação de Pedro de Toledo, “paulista e civil”, conforme reivindicava para a interventoria. Seu primeiro secretariado, empossado 15 dias depois, contava com seis membros da FUP, mas mantinha a chefia de polícia e o comando da Força Pública nas mãos dos “tenentes” Osvaldo Cordeiro de Farias e Miguel Costa.

Nos dois meses seguintes a tensão aumentou, em virtude do fortalecimento da FUP e de sua resistência em aceitar um governo cujos postos-chaves, do ponto de vista militar, permaneciam fora do seu controle. Nesse período, Sampaio Vidal começou a colaborar com o general Euclides Figueiredo na organização de um plano para um levante armado contra o governo de Vargas.

Nos dias 22 e 23 de maio, violentas manifestações de rua contra a presença do ministro da Fazenda, Osvaldo Aranha, em São Paulo, evidenciaram o estado de espírito da população, favorável ao confronto com o governo federal. Nesse contexto, Pedro de Toledo, contrariando as orientações de Getúlio Vargas, formou novo gabinete com hegemonia da FUP, cabendo a Sampaio Vidal a chefia do Departamento de Administração Municipal. Poucos dias depois, Vidal presidiu a convenção, realizada no Clube Comercial, que deu origem à Milícia Paulista, convertida posteriormente no MMDC, organização que desempenhou importante papel na preparação da Revolução Constitucionalista. Sua sigla era formada com as iniciais dos nomes de quatro populares mortos pela polícia durante os choques de 22 e 23 de maio. Nesse período, coube a Sampaio Vidal escolher, com o aval do coronel Júlio Marcondes Salgado (novo comandante da Força Pública), os instrutores militares do MMDC.

Em 9 de julho de 1932 foi deflagrada a Revolução Constitucionalista de São Paulo, que deu origem a uma guerra civil opondo forças paulistas e federais. Durante todo o conflito, Sampaio Vidal integrou o gabinete chefiado pelo governador revolucionário Pedro de Toledo e, nessa condição, tornou-se um dos signatários do manifesto, datado de 2 de outubro, em que o secretariado explicava ao povo paulista a impossibilidade de prosseguir a luta em virtude do armistício assinado nesse mesmo dia entre o governo federal e representantes da Força Pública.

Encerrava-se assim o governo constitucionalista de São Paulo. Depois da rendição, Sampaio Vidal foi preso e posteriormente embarcado no navio Siqueira Campos, que conduziu 77 líderes civis e militares da revolução para o exílio em Portugal, onde chegaram no dia 19 de novembro.

 

Retorno do exílio

Depois da vitória sobre os paulistas, o governo federal retomou o processo de institucionalização da vida política nacional, satisfazendo inclusive algumas aspirações dos revolucionários de 1932, como a convocação, para maio de 1933, de eleições para uma assembléia nacional constituinte que se reuniu em novembro desse ano.

Nessa época, ganharam força os debates e pronunciamentos sobre a questão da anistia, em meio aos quais o governo autorizou o retorno dos exilados. De volta ao Brasil, Sampaio Vidal filiou-se ao Partido Constitucionalista de São Paulo, fundado em fevereiro de 1934 sob a liderança do interventor paulista Armando de Sales Oliveira, com quem Vidal possuía forte ligação. Resultante da fusão do PD com a Ação Nacional Republicana (dissidência do PRP) e a Federação dos Voluntários, esse partido obteve expressiva vitória nas eleições parlamentares de outubro de 1934, elegendo 34 deputados estaduais e 22 federais, entre os quais Sampaio Vidal.

Durante seu mandato, iniciado em 1935, Sampaio Vidal tentou, sem êxito, evitar a adesão de José Cardoso de Melo Neto — que substituíra Armando de Sales Oliveira no governo de São Paulo — ao golpe de Estado planejado por Vargas e articulado junto aos governadores de diversos estados pela chamada “missão Negrão de Lima”. Deflagrado em 10 de novembro de 1937, o golpe implantou o Estado Novo, que decretou o fechamento do Legislativo, cassou os mandatos parlamentares e suspendeu o funcionamento dos partidos políticos.

Durante a vigência desse regime, Sampaio Vidal ocupou por duas vezes a vice-presidência da Sociedade Rural Brasileira (1938 e 1942), assumindo a presidência dessa entidade no período 1943-1945. Em 1942, integrou a delegação brasileira à Conferência Interamericana do Rio de Janeiro (III Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas) que recomendou a todos os países do continente a ruptura de relações diplomáticas com os países do Eixo. Pouco depois, foi chamado para fazer parte da Coordenação da Mobilização Econômica, órgão criado depois do ingresso do Brasil na Segunda Guerra Mundial e possuidor de uma soma de atribuições e poderes sem precedentes no campo da intervenção governamental na economia. Participou também de outras comissões de natureza econômica, como as que tratavam da produção da seda natural e da distribuição de fitas de aço e do arsênico. Ainda durante o Estado Novo, foi membro do Conselho de Expansão Econômica de São Paulo e do Conselho Consultivo do Departamento Nacional do Café, além de representante paulista no Convênio dos Estados Cafeeiros (1943) e diretor da Companhia de Armazéns Gerais de São Paulo.

Em 1945, com o início do processo de reconstitucionalização do país e a conseqüente criação de novos partidos, Sampaio Vidal ingressou no Partido Social Democrático (PSD), liderado em São Paulo pelo interventor Fernando Costa. Depois da queda do Estado Novo, foi eleito em dezembro deputado por São Paulo à Assembléia Nacional Constituinte na legenda do PSD, cumprindo o mandato de 1946 a 1951. Nessa legislatura, integrou a Comissão Permanente de Agricultura, a Comissão Especial do Trigo, a Comissão de Inquérito sobre o Departamento Nacional do Café, e presidiu a Comissão Mista de Investigações da Produção Agrícola. Em 7 de janeiro de 1948, foi um dos deputados que votou a favor da cassação dos mandatos dos parlamentares comunistas.

Sampaio Vidal foi também diretor do Instituto de Organização Racional do Trabalho (IDORT) e do Conselho da Bolsa de Mercadorias, além de presidente da fábrica de tecidos Pindorama.

Titular da cadeira nº 17 da Academia de Ciências Econômicas de São Paulo, escreveu o livro Síntese do pensamento de Armando de Sales Oliveira (1937).

Faleceu no dia 19 de maio de 1952, a bordo do navio que o levava aos Estados Unidos. Enterrado em São Paulo, seus restos mortais foram exumados posteriormente, sendo trasladados para o Obelisco do Ibirapuera, monumento em homenagem aos revolucionários de 1932.

Jorge Miguel Mayer

 

FONTES: Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1946-1967); CÂM. DEP. Relação dos dep.; Diário do Congresso Nacional; Estado de S. Paulo (21/5/52); FIGUEIREDO, E. Contribuição; GALVÃO, F. Fechamento; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; INF. Carlota Josefina Malta Cardoso; JARDIM, R. Aventura; LEITE, A. História; LEITE, A. Memórias; LEITE, A. Páginas; NOGUEIRA FILHO, P. Ideais; SILVA, H. 1932.

 

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