JOAQUIM DOS SANTOS ANDRADE

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Nome: JOAQUINZÃO
Nome Completo: JOAQUIM DOS SANTOS ANDRADE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
JOAQUINZÃO

JOAQUINZÃO

*sind.; pres. CGT 1986-1991.

 

Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão, nasceu em São Paulo no dia 16 de outubro de 1926, filho de Alfredo dos Santos e de Emília Andrade dos Santos.

Fez o curso primário no Externato São Vicente de Paula, no bairro da Penha, em sua cidade natal, e iniciou o secundário no Ginásio Nossa Senhora do Carmo, concluindo-o no Ginásio São Bento.

A partir de 1942 freqüentou cursos de formação profissional de torneiro de retificador, de ferramenteiro e em desenho mecânico, atingindo a categoria de mestre.

De 1943 a 1945 trabalhou como tecelão. Em abril desse ano ingressou nas Indústrias Matarazzo, inicialmente como torneiro, passando a retificador-ferramenteiro. Engajou-se na vida sindical participando de núcleos operários patrocinados pela Igreja Católica.

Em 1952 presidiu uma comissão de fábrica da empresa e em 1957 filiou-se ao Sindicado dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de São Paulo e elegeu-se delegado-ativista. Em 1961 e 1963 concorreu a presidente do sindicato, como candidato da oposição à diretoria então controlada pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e pelo proscrito Partido Comunista Brasileiro (PCB). Nessas duas ocasiões, foi derrotado.

Demitido das Indústrias Matarazzo em 1963, em maio desse ano foi contratado pela indústria Arno S.A., na função de retificador-ferramenteiro.

Apoiou publicamente o movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart (1961-1964), tendo participado em São Paulo, semanas antes, ao lado de políticos conservadores, da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, comandada pela organização Tradição, Família e Propriedade (TFP). Com a implantação do regime militar, os sindicatos foram interditados e os principais líderes foram presos, cassados ou exilados. Joaquim dos Santos Andrade foi nomeado interventor do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos (SP).

Em 1965 foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, o que se repetiria nas oito eleições seguintes. Enquanto era tratado cordialmente pelos governantes e por associações de empresários, os sindicalistas que se opunham aos militares eram duramente perseguidos. Desde então, aquele que passaria a ser chamado, pejorativamente, de Joaquinzão, nos anos 1970, tornou-se o símbolo do peleguismo no Brasil. Nesse mesmo ano, demitiu-se da Arno S.A., tornando-se sindicalista profissional.

Presidente do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (DIEESE) de 1966 a 1968, aproximou-se em 1967 da Frente Ampla, movimento pela redemocratização do país, conforme programa mínimo endossado por um dos líderes civis do movimento político-militar de 1964, Carlos Lacerda, e por lideranças cassadas e exiladas, como o presidente deposto João Goulart e o ex-presidente Juscelino Kubitschek. Nessa conjuntura, foi um dos criadores do Movimento Intersindical Antiarrocho Salarial (MIA).

Em maio e em outubro de 1968, as greves operárias de Osasco (SP) e de Contagem (MG), duramente reprimidas pelo Exército, revelaram ao país o surgimento de novas lideranças operárias à margem dos tradicionais sindicatos. Durante aquele ano, Joaquinzão esteve no Seminário de Economia Laboral, promovido pela Universidade de Nova Jérsei (EUA), e em Zurique, na Suíça, onde participou da Conferência Mundial Setorial de Eletrodomésticos.

Em 1972 elegeu-se secretário nacional do Departamento Profissional dos Metalúrgicos, em congresso realizado na Praia Grande (SP).

Ainda no início dos anos 1970 tornou-se vogal efetivo na 29ª Junta de Conciliação e Julgamento da Justiça do Trabalho, em São Paulo, e membro efetivo do Conselho Mundial dos Trabalhadores do Setor da Indústria de Automóveis.

No final da década, as novas lideranças operárias conduziram greves no ABC paulista, em maio de 1978, que se alastraram, até julho, por São Paulo, Osasco e Campinas (SP). Pela primeira vez, durante o regime militar, foram firmados acordos diretos entre empresas e sindicatos. Luís Inácio da Silva, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, que passou a ser conhecido como Lula, despontou como o grande líder do novo sindicalismo brasileiro, ofuscando os dirigentes tolerados pelos governantes e cujo melhor exemplo era Joaquinzão.

Nas eleições de 1978, em seu sindicato, Joaquinzão derrotou duas chapas de oposição que o acusaram de fraudar a apuração dos votos. Afastado temporariamente da presidência, foi a ela reconduzido pela intervenção direta do ministro do Trabalho, Arnaldo Prieto.

A ascensão das novas lideranças levou o governo a intervir, em abril de 1980, nos sindicatos do ABC, prendendo 13 dirigentes e enquadrando-os na Lei de Segurança Nacional. Em agosto de 1981, Joaquinzão se empenhou na realização da I Conferência das Classes Trabalhadoras (Conclat), na Praia Grande, onde foi criada a Comissão Pró-Central Única dos Trabalhadores (Comissão Pró-CUT).

Em julho de 1983 foi o principal líder da greve geral nacional, a primeira durante a vigência do regime militar. Em agosto, a CUT foi fundada em torno dos sindicatos do ABC, Osasco e Contagem, ficando de fora os sindicatos influenciados por Joaquinzão, espalhados por todo o Brasil, e, dentre eles, o dos Metalúrgicos de São Paulo, considerado o mais importante de toda a América Latina. Nesse mesmo ano, Joaquinzão filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), liderado por Ivete Vargas.

Em 1983 e 1984 participou ativamente da campanha pela eleição direta do presidente da República, que ficou conhecida como campanha das Diretas Já. Como a emenda que propunha a realização de eleições diretas para a presidência ainda em novembro de 1984 foi derrotada na Câmara, Joaquinzão defendeu a participação da oposição no Colégio Eleitoral que iria eleger o novo chefe do Executivo, pregando o voto em Tancredo Neves, candidato da Aliança Democrática, uma união de agremiações centrada no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Nessa ocasião, os dirigentes da CUT defenderam o boicote ao processo eleitoral indireto, na forma como fora decidido pelo Congresso Nacional.

Em julho de 1984, apoiado por sindicalistas vinculados aos então clandestinos Partido Comunista Brasileiro (PCB) e Partido Comunista do Brasil (PCdoB), derrotou o candidato lançado pela CUT nas eleições para presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Em 1985 transferiu-se para o PMDB, em cerimônia dirigida pelo presidente do partido, Ulisses Guimarães, e que contou com a presença de Fernando Henrique Cardoso, então candidato a prefeito de São Paulo.

Em outubro de 1986 elegeu-se segundo suplente do senador constituinte Mário Covas (1986-1994), não tendo tido oportunidade de substituí-lo.

Com a criação da Central Geral dos Trabalhadores (CGT), em 1986, assumiu sua presidência, sendo substituído, no sindicato, pelo ex-militante comunista Luís Antônio de Medeiros. Em setembro de 1988, a CGT passou a se denominar Confederação Geral dos Trabalhadores. No congresso realizado no ano seguinte, Joaquinzão perdeu a presidência da Confederação para um dos seus discípulos sindicais, Antônio Rogério Magri. Diante da derrota, Joaquinzão rompeu com a Confederação e retomou o projeto da Central Geral dos Trabalhadores. Assim, a partir daí, o sindicalismo brasileiro passou a contar com duas entidades distintas que usavam a mesma sigla — CGT.

No segundo turno das eleições presidenciais de 1989, embora afirmasse que provavelmente votaria em Luís Inácio Lula da Silva, o candidato do Partido dos Trabalhadores, absteve-se de apoiá-lo publicamente.

O presidente eleito, Fernando Collor de Melo, nomeou Antônio Magri, no momento o grande desafeto de Joaquinzão, ministro do Trabalho e da Previdência Social.

Joaquinzão anunciou que a CGT faria oposição ao governo, aliando-se à CUT contra as medidas que viessem a prejudicar os trabalhadores. No entanto, a Central não participou da greve geral de 12 de junho de 1990, tendo seu presidente declarado: “Não somos contra a greve, mas ela não pode ser decidida assim, de cima para baixo...” Em 1991 dissolveu a sua CGT e apoiou Luís Antônio de Medeiros na criação de outra central de trabalhadores: a Força Sindical (FS). Medeiros acabou tornando-se líder dos setores sindicais tradicionalmente fiéis a Joaquinzão.

Nas eleições presidenciais de outubro de 1994, Joaquinzão apoiou Fernando Henrique Cardoso, candidato lançado pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), agremiação à qual se filiara. Fernando Henrique foi eleito ainda no primeiro turno, derrotando seu principal adversário, Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), ao qual a CUT era estreitamente ligada.

Em 1995, já aposentado como juiz classista, Joaquinzão passou a ser assessor especial do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Nesse mesmo ano, sua saúde debilitou-se em razão de problemas cardiovasculares. Residindo sozinho numa pequena casa no bairro da Penha, em setembro de 1996 foi internado num asilo modesto, onde, em sua última entrevista, lamentou não ter sido bom marido nem bom pai, justificando seu aparente abandono pela família. Em dezembro foi transferido para uma clínica melhor equipada por um de seus filhos, advogado do sindicato.

Faleceu em São Paulo no dia 5 de fevereiro de 1997. Foi velado no palácio do Trabalhador, sede da Força Sindical, tendo recebido homenagens de tradicionais adversários, como Luís Inácio Lula da Silva e Vicentinho, presidente da CUT. Luís Antônio de Medeiros, por sua vez, declarou: “A importância de Joaquinzão no movimento sindical é a mesma de Teotônio Vilela na política. Ambos apoiaram o regime militar e depois tornaram-se defensores da democracia.”

Joaquinzão foi casado com Ana Júlia dos Santos, com quem teve quatro filhos.

Sinclair Cechine

 

FONTES: Almanaque Abril (1993 e 1995); CURRIC. BIOG; Estado de S. Paulo (6/2/97); Folha de S. Paulo (6/2/97); Globo (6/2/97); INF. SIND. METAL. SP.

 

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