JONAS BAHIENSE DE LIRA

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Nome: BAHIENSE, Jonas
Nome Completo: JONAS BAHIENSE DE LIRA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

BAHIENSE, Jonas

*dep. fed. RJ 1955-1962.

Jonas Bahiense de Lira nasceu em Cachoeiro do Itapemirim (ES) no dia 9 de junho de 1919, filho de José Marciano de Lira e de Edeltrudes Bahiense de Lira.

Concluiu os estudos secundários no Colégio Jurema e bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito de Niterói, em 1946. Nesse mesmo ano, foi nomeado prefeito de Angra dos Reis pelo governador Edmundo de Macedo Soares e exerceu o cargo durante oito meses.

Em outubro de 1954 elegeu-se deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), e em fevereiro do ano seguinte assumiu sua cadeira na Câmara. Apoiou o Movimento Militar Constitucionalista, articulado no Exército no início de 1955 com o objetivo de garantir a realização das eleições presidenciais de outubro e assegurar a posse dos eleitos. Em consequência, foi favorável ao movimento militar de 11 de novembro de 1955, liderado pelo general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra demissionário, que visava, segundo seus promotores, interromper uma conspiração em curso dentro do governo para impedir a posse de Juscelino Kubitschek, recém-eleito presidente da República. O movimento culminou com os impedimentos do presidente em exercício, Carlos Luz, e posteriormente de Café Filho, que se licenciara por motivo de saúde. Empossado interinamente na chefia do governo, o vice-presidente do Senado, Nereu Ramos, deu posse a Juscelino em janeiro de 1956.

Em 1956 integrou a Frente Parlamentar Nacionalista (FPN), formada principalmente por deputados do PTB, do Partido Social Democrático (PSD) e da União Democrática Nacional (UDN) para elaborar e defender uma plataforma nacionalista que condenasse a intervenção do capital estrangeiro na economia brasileira, sobretudo no setor energético, e combatesse a remessa de lucros para o exterior. Nesse mesmo ano foi indicado terceiro-suplente da mesa da Câmara. Em 1957 votou a favor da concessão da licença pedida pelo ministro das Relações Exteriores, José Carlos de Macedo Soares, e pela Procuradoria Geral da Justiça Militar, para processar o deputado udenista Carlos Lacerda por crime contra a segurança nacional, em virtude de ter fornecido, pela imprensa, elementos para a decifração do código secreto do Itamaraty. Nessa época foi eleito vice-presidente da Comissão de Mudança da Capital. Integrou também a Comissão Mista de Reforma Agrária, criada por proposição sua, e apresentou a primeira emenda constitucional para a fusão do estado da Guanabara com o estado do Rio de Janeiro, que não chegou a ser levada a votação naquela legislatura. A fusão dos dois estados só seria votada e aprovada em 1974, e implementada no ano seguinte. Vice-líder da bancada do PTB a partir de abril de 1958, apoiou a instalação da indústria automobilística no Brasil, realizada no governo Kubitschek, a nacionalização da indústria naval e o monopólio estatal da distribuição de petróleo.

Em outubro de 1958 concorreu à reeleição na legenda da Aliança Popular Nacionalista, constituída por PTB, Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Democrata Cristão (PDC) e Partido Republicano (PR), e obteve uma suplência. Deixou a Câmara ao final da legislatura, em janeiro de 1959, e em setembro seguinte foi nomeado secretário do Trabalho e Serviço Social do governo do estado do Rio de Janeiro, na gestão de Roberto da Silveira. Um mês depois afastou-se do cargo para assumir, em novembro, uma cadeira na Câmara, na vaga do deputado Luís Gonzaga de Paiva Muniz. Já no governo do presidente Jânio Quadros, empossado em janeiro de 1961, apoiou a iniciativa de reatar relações diplomáticas com a União Soviética, que haviam sido rompidas em outubro de 1947 e seriam finalmente restabelecidas pelo governo de João Goulart, ainda em 1961, após a renúncia de Jânio. Foi partidário também da política externa independente adotada pelo governo Jânio. Em julho de 1961 deixou a Câmara em virtude do retorno de Paiva Muniz.

Após o início do governo João Goulart em setembro de 1961, voltou a ocupar uma cadeira na Câmara de novembro daquele ano a fevereiro de 1962, e novamente em abril de 1962.  Apoiou mais uma vez o projeto de reforma agrária, com a defesa da desapropriação dos latifúndios e do pagamento em títulos da dívida pública, sustentou a socialização e a gratuidade total do ensino, além de ser favorável às reformas eleitoral, administrativa, bancária e cambial e à extensão do voto a analfabetos e praças de pré. Ainda nessa legislatura, defendeu a antecipação do plebiscito que poria em julgamento o regime parlamentarista, instituído em 1961 como medida conciliatória para propiciar a posse de Goulart. No pleito de outubro de 1962 candidatou-se ao Senado na legenda do Partido Social Trabalhista (PST), mas não teve êxito.

Após o movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente Goulart, foi aposentado da administração estadual pelo Ato Institucional nº 1, de abril desse mesmo ano. Em outubro de 1966, foi um dos 20 candidatos às eleições de novembro indicados no processo de impugnação aberto pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), por iniciativa de oficiais do Serviço Nacional de Informações (SNI). Como recorreu da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conseguiu o deferimento da candidatura, mas logo após teve seus direitos políticos suspensos.

Com a extinção do bipartidarismo e a anistia aos políticos cassados pelo regime militar em 1979, participou da fundação do novo PTB, juntamente com Ivete Vargas e Gilberto Mestrinho, que disputou a legenda no TSE com o grupo liderado por Leonel Brizola. Rompeu com Ivete Vargas assim que esta conseguiu o registro do partido, por discordar das linhas de condução política do PTB. Pregando a união trabalhista, ingressou então no Partido Democrático Trabalhista (PDT) de Leonel Brizola. Nessa legenda, concorreu a uma cadeira na Câmara dos Deputados em novembro de 1982 e obteve uma suplência. Foi então convidado por Brizola, que foi eleito governador do Rio de Janeiro, para ser o presidente do Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro (IPERJ). Exerceu o cargo até meados de 1986, quando se afastou para se candidatar à Assembleia Nacional Constituinte na legenda PDT, mas não conseguiu se eleger.

Durante a gestão de Marcelo Alencar (1989-1992) na Prefeitura do Rio de Janeiro, foi sucessivamente presidente do Instituto de Previdência do Município do Rio de Janeiro, secretário municipal de Administração e secretário chefe de gabinete do prefeito. Solidarizou-se com Marcelo Alencar em seu rompimento com Leonel Brizola, apoiando sua bem-sucedida candidatura a governador do estado do Rio na legenda do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) em outubro/novembro de 1994.

Foi ainda adjunto de promotor em Parati (RJ), delegado regional do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários e chefe de gabinete do secretário de Interior e Justiça do estado do Rio de Janeiro.

Foi casado com Teresa Cândida de Carvalho Lira, com quem teve dois filhos, e mais tarde com Léa Graça Bahiense de Lira, com quem teve duas filhas.

Lorenzo Aldé

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros (1946-1967); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertórios (1955-1959, 1959-1963); CÂM. DEP. Deputados federais:inventário; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CÂM. DEP. Relação nominal; CÂM. DEP. Súmulas; CAMPOS, Q. Fichário parlamentar; INF. BIOG.; Jornal do Brasil (9/10/66).

 

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