JORGE DODSWORTH MARTINS

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Nome: MARTINS, Dodsworth
Nome Completo: JORGE DODSWORTH MARTINS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MARTINS, DODSWORTH

MARTINS, Dodsworth

*militar; min. Mar. 1945-1946.

 

Jorge Dodsworth Martins nasceu em Ponte Nova, na então província de Minas Gerais, no dia 19 de fevereiro de 1884, filho de Custódio José Ferreira Martins e de Georgina Dodsworth Martins. Seu pai, médico, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi diretor do Instituto de Educação de Surdos, tendo promovido a construção do prédio da rua das Laranjeiras, que passou a abrigar aquele educandário. Pelo lado materno, era neto de Jorge João Dodsworth, segundo barão de Javari, e bisneto do capitão Joaquim Floriano de Toledo, político de grande prestígio em São Paulo durante a Monarquia, além de primo de Henrique Dodsworth, constituinte em 1934 e prefeito do Distrito Federal entre 1937 e 1945.

Estudou no Ginásio Nacional, depois Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, de onde saiu em 1898 para cursar o secundário no Colégio Castro Lopes, em Santos (SP). Retornando ao Rio, fez o curso preparatório no Colégio Aquino.

Ingressou na Escola Naval em abril de 1900, concluindo o curso em dezembro de 1903, quando passou a segundo-tenente. Em abril de 1908 foi promovido a primeiro-tenente, tendo sido ajudante-de-ordens do almirante Alexandrino de Alencar, ministro da Marinha entre 1906 e 1910, e servido posteriormente na mesma função junto aos presidentes da República Nilo Peçanha (1909-1910) e Venceslau Brás (1914-1918). Em outubro de 1914 foi promovido a capitão-tenente. Deixou o cargo de ajudante-de-ordens de Venceslau Brás para servir às ordens do almirante Pedro Max Fernando de Frontin, comandante da Divisão Naval em Operações de Guerra (DNOG), que foi enviada a Dacar, na África, em maio de 1918, após o Brasil declarar guerra ao Império alemão (outubro de 1917) em meio aos acontecimentos da Primeira Guerra Mundial. Os navios brasileiros, agregados à esquadra inglesa baseada no litoral ocidental da África, tinham como missão proteger as embarcações dos submarinos alemães que circulavam na área.

Em 1922 Dodsworth Martins formou-se engenheiro civil pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro e nesse mesmo ano dirigiu em Paris a impressão do Mapa geral do Brasil. Em abril de 1923 foi promovido a capitão-de-corveta. Adido naval à embaixada brasileira em Paris de 1927 a 1930, foi representante oficial do Brasil no Congresso Internacional de Salvamento do Mar, em Deauville, França, em 1929.

Por ocasião da Revolução de 1930, que depôs o presidente Washington Luís e levou Getúlio Vargas ao poder no mês de novembro, comandava o encouraçado São Paulo. Foi promovido a capitão-de-fragata em julho de 1932, a capitão-de-mar-e-guerra em julho de 1936 e a contra-almirante em janeiro de 1941.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) comandou a Divisão de Cruzadores, força naval enviada ao Nordeste em janeiro de 1942, pouco antes do rompimento das relações diplomáticas do Brasil com a Alemanha e a Itália. Composta por dois cruzadores, quatro navios mineiros e um navio auxiliar, a força sob seu comando tinha por missão defender o litoral nordestino dos ataques dos submarinos alemães. Ainda em janeiro de 1942, chegou a Recife, onde já estava o almirante norte-americano Jonas Ingram, comandante da IV Esquadra norte-americana, com quem viria a estabelecer os planos de patrulha da costa. Em julho seguinte pediu exoneração do comando da Divisão de Cruzadores, sendo substituído pelo capitão-de-mar-e-guerra Jerônimo Gonçalves.

Também no período da Segunda Guerra Mundial, ocupou o cargo de diretor-geral de Navegação da Marinha e nessa função representou oficialmente o Brasil no II Congresso Pan-Americano de Consulta sobre Hidrografia e Cartografia, realizado em 1944, ano em que participou também do X Congresso Nacional de Geografia. Ainda em 1944 assumiu o Comando Naval do Centro, no Rio de Janeiro, no qual permaneceu até 1945. Em junho desse ano foi promovido a vice-almirante.

Com a deposição do presidente Getúlio Vargas pelos chefes militares em 29 de outubro de 1945, o governo foi assumido por José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal, que nomeou Dodsworth Martins ministro da Marinha no dia 30 de outubro. As eleições presidenciais de dezembro de 1945 deram a vitória ao general Eurico Gaspar Dutra, que, empossado na presidência da República em 31 de janeiro seguinte, o manteve no Ministério da Marinha. Permaneceu no cargo até o início de outubro de 1946, quando foi substituído pelo almirante Sílvio de Noronha. Nesse mesmo ano passou a almirante-de-esquadra.

Foi vice-presidente do Conselho do Almirantado de 1948 a 1950. No decorrer de sua vida militar fez os cursos superior da Escola de Guerra Naval, da Escola de Defesa Submarina, da Escola de Submersíveis, de torpedos e minas de alto comando. Representante da Marinha brasileira na Comissão Mista Brasil-Estados Unidos, em Washington, exerceu também inúmeras funções de comando, como o da canhoneira fluvial Acre, no rio Amazonas, dos contratorpedeiros Piauí, Paraná e Alagoas, do monitor Pernambuco, no rio Paraguai, do navio hidrográfico Vital de Oliveira e da flotilha de contratorpedeiros. Foi diretor-militar do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, na ilha das Cobras, diretor-geral da Marinha Mercante e presidente do Tribunal Marítimo. Em março de 1950 passou para a reserva remunerada e mais tarde, por serviços de guerra, foi promovido a almirante.

Pertenceu a várias associações como o Clube Naval, o Clube de Engenharia e o Centro de Pesquisas Biológicas. Presidiu o Instituto Oceanográfico Brasileiro e foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Efetuou serviços hidrográficos nas costas marítimas do Brasil e dirigiu estudos sobre a foz do rio Amazonas, apresentando cinco trabalhos originais que motivaram seu ingresso na Sociedade Brasileira de Geografia, entidade que chegou a presidir.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 18 de fevereiro de 1974.

Foi casado com Risa Batista Dodsworth Martins.

 

 

FONTES: ANDREA, J. Marinha; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORRESP. SERV. DOC. GER. MAR. Histórico; INST. HIST. GEOG. BRAS. (302 e 305); Jornal do Brasil (19 e 20/2/74); Jornal do Comércio, Rio (20/2/74); MIN. MAR. Almanaque (1946); SALDANHA, A. Marinha; SILVA, H. 1942; SILVA, H. 1945.

 

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