JORGE KALUME

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Nome: KALUME, Jorge
Nome Completo: JORGE KALUME

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
KALUME, JORGE

KALUME, Jorge

*dep. fed. AC 1963-1966; gov. AC 1966-1971; sen. AC 1979-1987.

 

Jorge Kalume nasceu em Belém, no dia 3 de dezembro de 1920, filho de Abib Moisés Kalume e de Latife Zaine Kalume, ambos descendentes de sírios-libaneses.

Técnico em administração e empresário ligado ao comércio da borracha e de gêneros alimentícios, radicado no então território federal do Acre, fundou em 1948 o Rotary Club de Xapuri, e reorganizou a Associação Comercial do município, cuja presidência assumiu e exerceu durante seis anos consecutivos. Nesse período participou de conferências e encontros no Pará, no Amazonas e em estados do Sul do país.

Iniciou a carreira política elegendo-se prefeito de Xapuri (AC) no pleito de outubro de 1955, encerrando o mandato em janeiro de 1961. Com a elevação do Acre a Estado através da lei nº. 4.670 de 15 de junho de l962, foram realizadas eleições gerais. Em outubro seguinte, Kalume elegeu-se deputado federal pela legenda do Partido Social Democrático (PSD), sendo o terceiro melhor votado no novo estado. Na Câmara dos Deputados, elaborou vários projetos voltados para o desenvolvimento do Acre, sobretudo nas áreas educacional e cultural. Titular das comissões de Valorização Econômica da Amazônia, de Orçamento e de Economia, após a vitória do movimento político-militar de 1964, e com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar. Escolhido pelo presidente da República, Humberto de Alencar Castelo Branco (1964-1967), foi eleito governador pela Assembléia Legislativa do Acre em substituição a Augusto Hidalgo de Lima, que ocupara o cargo interinamente. Tendo como vice Omar Sabino de Paula, Kalume foi empossado em março de 1966.

Como governador, Kalume efetuou importantes obras públicas durante seu mandato. Abriu e asfaltou cerca de 1.000 quilômetros de estradas; construiu estrada Brasiléia-Assis Brasil, (atual BR-317); construiu o primeiro caminho rumo ao Oceano Pacífico; abriu a estrada ligando Rio Branco à histórica vila Porto Acre; construiu a estrada de Tarauacá a Feijó; desmatou 40 quilômetros da BR-364 – trecho Sena Madureira; concluiu as obras do Hospital Geral de Cruzeiro do Sul e do Hospital Infantil em Rio Branco; comprou motores geradores de energia elétrica. Foi igualmente responsável pelo início do melhoramento no aspecto urbanístico de Rio Branco, abrindo novas ruas e alargando e regularizando as já existentes. Ainda em seu governo foi construída a ponte metálica sobre o rio Acre, pondo fim ao serviço de catraia, que fazia, até então, a travessia das pessoas do 1º para o 2º Distrito de Rio Branco, e vice versa.

Em setembro de 1969, por ocasião de visita do ministro do Trabalho, Jarbas Passarinho, ao estado, foi instituída a primeira Delegacia Regional do Trabalho no Acre. Em março de 1970 Kalume inaugurou a Fundação Centro Universitário do Acre, embrião da atual Universidade Federal do Acre.

Ainda em 1970 começaram as especulações em torno de sua sucessão. Após viagem a Brasília, Kalume anunciou os três nomes encaminhados pelo presidente da República, general Emílio Garrastazu Médici: os deputados Francisco Vanderlei Dantas e Geraldo Mesquita, e seu vice Omar Sabino de Paula.  

Permaneceu à frente do Executivo estadual até 15 de março de 1971, quando o passou a Francisco Wanderlei Dantas.

No pleito de novembro de 1974 candidatou-se ao Senado pela legenda da Arena, tendo sido derrotado pelo candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Adalberto Sena. Diretor financeiro do Banco da Amazônia S.A. (1976-1978), desincompatibilizou-se para disputar novamente o Senado em novembro de 1978, derrotando Alberto Zaire, do MDB, por uma diferença de apenas 60 votos. O Dia da Amazônia, que hoje é celebrado em 5 de setembro, foi instituído por meio de um projeto de Kalume.

Presidente da Comissão de Segurança Nacional, titular da Comissão de Finanças e suplente de secretário do Senado, com o fim do bipartidarismo, em novembro de 1979, e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), sucessor da Arena. Presidente do conselho de supervisão do Centro Gráfico do Senado (1980) e segundo-secretário do Senado (1980-1983), integrou a delegação que visitou a Arábia Saudita (1982).

Em novembro de 1982, com o restabelecimento de eleições diretas para os executivos estaduais, candidatou-se ao governo do Acre, sendo derrotado pelo candidato do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Nabor Júnior. De volta às atividades legislativas, integrou as comissões de Economia, de Municípios e de Serviço Público, e como suplente as de Finanças e de Legislação Social.

A rejeição da emenda Dante de Oliveira, que previa eleições diretas para presidente da República — faltaram 22 votos para que fosse levada à apreciação do Senado — determinou a convocação do Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985, ocasião em que Jorge Kalume votou em Paulo Maluf, candidato oficial do regime, derrotado pelo oposicionista Tancredo Neves, da Aliança Democrática, uma união do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Doente, Tancredo Neves não chegou a ser empossado, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo o cargo interinamente, desde 15 de março deste ano.

Em junho desse mesmo ano, o Congresso aprovou o restabelecimento de eleições diretas nas capitais e municípios considerados áreas de segurança nacional. No Senado, Kalume conseguiu aprovação de uma lei de sua autoria determinando que a quinta parte da produção cinematográfica nacional, executada com verba e patrocínio públicos, deveria enfocar acontecimentos ou personagens da história nacional. Encerrou o mandato em janeiro de 1987.

Em novembro de 1988, tendo como vice a ex-governadora Iolanda Ferreira de Lima, elegeu-se prefeito de Rio Branco, pela legenda do PDS, tomando posse em janeiro do ano seguinte.

Embora desfrutando de grande índice de aprovação popular, em 1º de janeiro de 1993 transferiu o cargo ao sucessor, Jorge Viana, do Partido dos Trabalhadores (PT).

Em outubro de 1994 tentou retornar ao Senado pela legenda do Partido Progressista Reformador (PPR), resultado da fusão do PDS com o Partido Democrata Cristão (PDC). Sem ter conseguido se eleger, e já filiado ao Partido Progressista Brasileiro (PPB), produto da fusão do PPR com o Partido Progressista (PP), em outubro de 1998 candidatou-se a uma cadeira na Câmara dos Deputados, sendo mais uma vez malsucedido.

Em outubro de 2009, Jorge Kalume residia em Brasília.

Foi casado com Georgete Eluan Kalume, com quem teve três filhos. Viúvo, contraiu segundas núpcias com Teresinha Kalume.

Jorge Kalume publicou Os militares no Acre, Padre Felipe Gallerani e Borracha: apogeu, declínio e nova fase, Templo inesquecível e Crônicas do Acre antigo.

 

 

 

 

 

 

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