JORIO DAUSTER MAGALHAES E SILVA

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Nome: DAUSTER, Jório
Nome Completo: JORIO DAUSTER MAGALHAES E SILVA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
DAUSTER, JÓRIO

DAUSTER, Jório

*diplomata; pres. IBC 1987-1990; pres. CVRD 1999-2001.

 

Jório Dauster Magalhães e Silva nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 19 de novembro de 1937 filho do médico José Dauster Mota e Silva e de Josefa Magalhães e Silva, professora do Instituto de Educação.

Fez o curso primário no Instituto de Educação entre 1942 e 1947, e o ginásio e o científico no Colégio Militar entre 1949 e 1955, ambos na cidade natal. Em 1957 iniciou o curso de ciências econômicas no Instituto Superior de Estudos Brasileiros, concluído no ano seguinte.

Aluno do curso de preparação à carreira diplomática no Instituto Rio Branco, iniciou sua vida profissional em dezembro de 1961 como terceiro-secretário e assumiu naquele mesmo ano o cargo de assistente do chefe da divisão da América Setentrional. No ano seguinte, exerceu o cargo de auxiliar do secretário-geral-adjunto para Assuntos Econômicos, aí permanecendo até 1964.

Em 1963 foi designado para trabalhar no Gabinete Civil da Presidência da República no governo de João Goulart, realizando nesse mesmo ano o curso de economia cafeeira no Instituto Brasileiro do Café (IBC). Entre 1963 e 1964, participou como membro da II e III Sessões do Comitê Preparatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) realizadas, respectivamente, em Genebra (Suíça) e em Nova Iorque; da Missão Especial à América Latina para assuntos daquela conferência; do Seminário da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) de peritos governamentais em política comercial, em Brasília; da Conferência Interamericana do Café, realizada em Nova Iorque; da Reunião da CECLA em Alta Gracia, na Argentina, e da I Unctad, realizada em Genebra.

Em 1965 ocupou a função de vice-cônsul brasileiro em Montreal e no ano seguinte a de cônsul-adjunto, sendo promovido a segundo-secretário em setembro. Ainda em Montreal, ingressou, em 1966, no curso de mestrado em economia na Universidade de Mcgill, concluído em 1968.

Neste último ano, deixou o consulado canadense e transferiu-se para Praga, ocupando funções na embaixada brasileira até 1972, quando então foi transferido para Londres para trabalhar na representação do Brasil junto aos organismos internacionais. Retornou ao Brasil ainda em 1972 para assumir a subcoordenadoria da Secretaria de Informações e Transferência de Tecnologia do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), do Ministério da Indústria e Comércio. Em 1973 tornou-se coordenador do Projeto de Modernização do Sistema Brasileiro de Patentes (INPI/PNUD/OMP) e participou também da Reunião de Peritos em Práticas Comerciais Restritivas, em Genebra, e da Conferência Diplomática de Viena sobre Propriedade Industrial.

Promovido a primeiro-secretário em setembro de 1974, participou nesse mesmo ano da Sessão do Conselho da Organização Internacional do Café (OIC), em Londres, e da I Reunião do Grupo de Países Latino-Americanos e do Caribe Exportadores de Açúcar, realizada em Cozumel, no México.

Deixou o Ministério da Indústria e Comércio em 1974 e assumiu, no ano seguinte, o cargo de assistente do chefe da Divisão de Produtos de Base, em Brasília. Durante o ano de 1975 participou da Reunião do Grupo de Produtores de Café, em El Salvador; do Grupo de Trabalho para negociação do novo Convênio Internacional do Café e da Sessão do Conselho da OIC para a negociação do III Acordo Internacional do Café, ambos em Londres; e da Reunião da Junta Executiva do Escritório Pan-Americano do Café, em Nova Iorque. No ano seguinte participou, ainda, da Reunião do Grupo Assessor da Organização Internacional do Açúcar, da IV Sessão do Conselho da Organização Internacional do Açúcar, ambas em Londres, e das III e VII Sessões das comissões da Conferência de Cooperação Econômica Internacional, em Paris. Promovido a conselheiro em junho de 1978, deixou a Divisão de Produtos de Base em 1979, transferindo-se novamente para Londres para assumir a presidência do Grupo de Países Produtores de Café na OIC, cargo que ocuparia até 1987. Entre 1980 e 1983, participou como delegado das XXXII, XXXIII, XXXIV, XXXV, XXXVI, XXXVII, XXXVIII, XXXIX e XL Reuniões do Conselho da Organização Internacional do Açúcar, em Londres.

Ainda em Londres, assumiu novamente, em 1982, a representação do Brasil junto aos organismos internacionais, função que exerceria por três anos consecutivos. Em dezembro de 1982, foi promovido a ministro de segunda classe. Em 1985, foi nomeado chefe do escritório do IBC, com sede em Londres, cargo que ocuparia até janeiro de 1987, quando foi chamado pelo então ministro da Indústria e Comércio José Hugo Castelo Branco para substituir o empresário Paulo Graciano no IBC. O nome de Jório Dauster foi aprovado por unanimidade pelos membros do Conselho Nacional da Política Cafeeira (CNPC). Assumiu a presidência do órgão em fevereiro de 1987 e, em abril desse mesmo ano, o IBC perdeu o status de único órgão da política cafeeira, pois suas atribuições foram diluídas. As exportações foram submetidas às normas fixadas pelo CNPC, do qual faziam parte representantes de plantadores, comerciantes, exportadores e industriais de café.

Seus atritos com os empresários começaram a partir da resolução adotada no caso da chamada “Operação Patrícia”. Essa transação, engendrada em novembro de 1986 pelo então presidente Paulo Graciano e pelo ministro da Indústria e Comércio José Hugo Castelo Branco, consistiu na aquisição, por parte de 17 empresas e da Interbrás, de cerca de seiscentas mil sacas de café no valor aproximado de 150 milhões de dólares na Bolsa de Londres. A intenção era estocar o café, apostando na alta da cotação do produto. No entanto, a estratégia não deu certo, pois os preços do café no mercado internacional acabaram despencando meses depois, o que representou um prejuízo de aproximadamente 60 milhões de dólares. À frente do IBC, Jório Dauster não julgou ser obrigação do instituto ressarcir as empresas pela desastrosa operação. Em dezembro de 1987, foi promovido a ministro de primeira classe.

A 4 de maio de 1990, foi exonerado da presidência do IBC, em virtude da extinção do órgão pelo presidente Fernando Collor de Melo, empossado no cargo em março daquele ano. No final de abril, Collor designou Dauster embaixador extraordinário para a negociação da dívida externa brasileira, ao lado da ministra da Fazenda Zélia Cardoso de Melo. Em seguida, chefiou uma delegação brasileira num ciclo de reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em Washington, cumprindo sua primeira missão como negociador da dívida externa. Em junho de 1991, foi substituído pelo economista Pedro Malan, sendo designado em setembro embaixador junto à Comunidade Européia, em Bruxelas, na Bélgica. Na ocasião, a pedido do ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, passou a atuar como negociador da dívida de 20 milhões de dólares com o Clube de Paris, que congrega as agências oficiais de crédito européias. Permaneceu no posto até 1998.

Em abril de 1999, tornou-se presidente da Companhia Vale do Rio Doce, empresa pública privatizada em 1997. Deixou o cargo em julho de 2001 e foi substituído por Roger Agneli. A partir de 2002 passou a trabalhar como consultor independente.

Jório Dauster foi presidente e possuía 3% do capital da companhia Brasil Ecodiesel.

Casou-se com Lúcia Vivacqua Dauster, com quem teve dois filhos.

Colaborou na tradução para o português do livro O apanhador no campo de centeio, de J. D. Sallinger, e de cinco romances de Vladimir Nabokov.

 

Sergio Lamarão/Susana Cesa Delgado/

 

FONTES: Estado de S. Paulo (13, 30 e 31/1, 5/3/87, 29/4/88); Folha de S. Paulo (30/1/87); Globo (18/3/85, 14/2/86); Jornal do Brasil (19/8/85, 6/3/87, 1/5/90, 15/6/91); Dicionário de Tradutores; CVRD (12/7/01).

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