JOSE ADAUTO BEZERRA

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Nome: BEZERRA, Adauto
Nome Completo: JOSE ADAUTO BEZERRA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

BEZERRA, Adauto

*militar; gov. CE 1975-1978; dep. fed. CE 1979-1983; superint. Sudene 1990-1991.

José Adauto Bezerra nasceu em Juazeiro do Norte (CE) no dia 3 de julho de 1926, filho de José Bezerra de Meneses e de Maria Amélia Bezerra de Meneses. Sua família, radicada no sul do Ceará desde o século XVIII, tornou-se a mais rica de Juazeiro do Norte e uma das mais poderosas do estado, tendo interesses em vários setores da economia. Fizeram também carreira política seu irmão gêmeo, Humberto Bezerra, deputado federal pelo Ceará de 1967 a 1971 e em 1975, e o irmão mais novo, Orlando, deputado federal de 1983 a 1995.

Ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em fevereiro de 1943, sendo declarado aspirante a oficial da arma de artilharia em dezembro de 1949. Foi promovido a segundo-tenente no ano seguinte, a primeiro-tenente em junho de 1952 e a capitão em dezembro de 1954. Durante sua carreira militar, fez ainda o curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (Esao).

Iniciou-se na política em outubro de 1958, quando foi eleito deputado à Assembleia Legislativa do Ceará na legenda da União Democrática Nacional (UDN). Tendo assumido o mandato em fevereiro de 1959, em outubro de 1962 foi reeleito, na legenda da Aliança União pelo Ceará, coligação que congregou a UDN e o Partido Social Democrático (PSD). Em novembro de 1964, meses após a vitória do movimento político-militar de 31 de março, que depôs o presidente João Goulart, foi promovido a major. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao governo. Nessa legenda voltou a se eleger deputado estadual em novembro de 1966. Ao longo dessas três legislaturas, foi presidente da Assembleia Legislativa por duas vezes, da Comissão de Orçamento e Finanças e de diversas outras comissões da casa. Em 1968 passou para a reserva com a patente de coronel e em 1970 reelegeu-se para mais um mandato de deputado estadual, concluído em janeiro de 1975.

Em maio de 1974 foi indicado pelo presidente da República, general Ernesto Geisel, como seu candidato ao governo do Ceará. Contando com o apoio de uma ala da Arena liderada pelo veterano político cearense Virgílio Távora, sua candidatura prevaleceu sobre a do coronel Luciano Salgado, que era apoiado pelo então governador César Cals – o qual, por sua vez, tinha como vice-governador Humberto Bezerra, seu irmão. Eleito pela Assembleia Legislativa cearense em outubro de 1974, foi empossado no governo do estado em março do ano seguinte. Como governador, liderou a campanha da Arena cearense para as eleições municipais de novembro de 1976, tendo prometido ao presidente Geisel a vitória do partido governista em 90% dos 141 municípios do estado. Após a apuração, apresentou a Geisel um quadro geral dos resultados, mostrando que a Arena havia obtido 55% dos votos em Fortaleza e 84% no interior.

Visando a concorrer ao Senado em 1978, renunciou ao governo do Ceará em fevereiro desse ano, passando o cargo ao vice-governador Valdemar Alcântara. Em seu discurso de despedida, citou como realizações mais importantes de sua administração a instalação do sistema básico de saneamento da capital e a valorização do serviço público através de aumentos salariais e de novos planos de promoção funcional. Seu projeto de concorrer ao Senado sofreu, contudo, a oposição dos setores arenistas liderados por Virgílio Távora, que já havia sido indicado pelo poder central para governar o Ceará entre 1979 e 1983. Esses setores teriam ameaçado boicotar sua candidatura e apoiar Chagas Rodrigues, candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição. Desgastado ainda pelo fato de Távora não ter aceito o nome de Ossian Araripe, que havia indicado para vice-governador, desistiu da candidatura ao Senado e concorreu a uma cadeira na Câmara dos Deputados. Obtendo quase 118 mil votos, foi o deputado federal mais votado da história do Ceará.

Iniciou o mandato na Câmara em fevereiro de 1979, pouco antes de o general João Batista Figueiredo ser empossado na presidência da República (15/3/1979). Durante a legislatura, pronunciou-se favoravelmente à anistia para os cidadãos brasileiros exilados e banidos, afinal concedida em agosto de 1979. Nos debates que antecederam a extinção do bipartidarismo (29/11/1979) e a reformulação partidária, alinhou-se aos parlamentares arenistas que defendiam a organização de dois partidos de apoio ao governo em substituição à Arena. No entanto, a questão foi decidida conforme a diretriz do governo federal, segundo a qual deveria ser constituído um único partido situacionista. Estruturada essa agremiação — o Partido Democrático Social (PDS) —, filiou-se a ela.

Defensor de eleições diretas para os governos estaduais e para a presidência da República, em novembro de 1982 foi eleito vice-governador do Ceará na chapa encabeçada por Luís Gonzaga Mota. Em janeiro de 1983 concluiu o mandato de deputado federal e em março seguinte tomou posse no executivo estadual. Logo em seguida, acusou Virgílio Távora, que acabara de deixar o governo, de ter levado o estado à falência por não ter respeitado o equilíbrio orçamentário, gastando acima da arrecadação. Em abril, quando Gonzaga Mota foi a Brasília, na tentativa de obter recursos junto ao governo federal para solucionar a crise do estado, assumiu o governo do estado.

Com a saída de Gonzaga Mota do PDS em abril de 1985, depois de divergências em torno da escolha do candidato do partido às eleições municipais de novembro para a prefeitura de Fortaleza, deixou também o cargo de vice-governador. No pleito de novembro de 1986 candidatou-se ao governo do estado na legenda do Partido da Frente Liberal (PFL), em coligação com o PDS e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Sua candidatura foi apoiada por Virgílio Távora e por César Cals. A coalizão, conhecida como a “aliança dos três coronéis”, aludia ao fato de os três políticos terem feito também carreira militar e recebido diversos benefícios do poder central, impondo uma forma de manutenção de poder fundada no conceito de “coronelismo”. A “aliança dos três coronéis” dissolveu-se, contudo, em decorrência de divergências políticas existentes entre eles desde o início da década de 1960, sofrendo Adauto, inclusive, acusações de não apoiar os candidatos dos outros partidos que compunham a coligação. A dissidência não só levou à sua derrota, como inviabilizou a candidatura da coligação ao governo do estado.

Em maio de 1990, foi designado pelo presidente Fernando Collor de Melo para a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A indicação provocou descontentamento nos meios empresariais e políticos de Pernambuco, pois estes, chefiados pelo senador Marco Maciel, desejavam ter um nome daquele estado à frente da Sudene. Descontentou também políticos ligados ao presidente Collor, que o acusaram de ser “cliente do Fundo de Investimento do Nordeste (Finor)”, com o qual havia contratado um empréstimo de 21 milhões de dólares. Além disso, foi acusado de ter montado sua fortuna com recursos provenientes de incentivos fiscais e de empréstimos conseguidos junto a instituições de desenvolvimento regional do governo federal.

Tomou posse na Sudene em 30 de maio de 1990, substituindo o superintendente interino José Martins Oliveira Amado. Permaneceu à frente do órgão até abril de 1991, quando cedeu o lugar a Elionaldo Maurício Magalhães Morais.

No início de 2007, quando o PFL decidiu renovar-se, transformando-se em Democratas (DEM), permaneceu na agremiação. Deixou-a, porém, em outubro do mesmo ano, filiando-se ao Partido Progressista (PP).

Proprietário, ao lado do irmão Humberto, do Banco Industrial do Ceará (Bicbanco) desde o início da década de 1980, tornou-se também proprietário de numerosas indústrias e de uma estação de rádio em Juazeiro do Norte.

Eduardo Junqueira

 

FONTES: Blog do Eliomar (3/10/07). Disponível em: <http://blog.opovo.com.br/blog doeliomar/adauto-bezerra-anuncia-frente-de-oposicao-contra-psdb-de-juazeiro-do-norte>. Acesso em: 17 jul. 2009; Estado de S. Paulo (27/4/76, 19/11/82, 10/8, 17/8 e 14/9/86, 25 e 30/5/90); Globo (26/10/86, 1/6/90); Jornal do Brasil (16/5/74, 7/3/76, 16 e 22/2/78, 5/4/83, 31/5/90); MIN. GUERRA. Almanaque (1967); NÉRI, S. 16; Perfil (1975, 1980); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (6).

 

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