JOSE COLAGROSSI FILHO

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Nome: COLAGROSSI, José
Nome Completo: JOSE COLAGROSSI FILHO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
COLAGROSSI, JOSÉ

COLAGROSSI, José

*dep. fed. GB 1967-1969; dep. fed. RJ 1983; dep. fed. RJ 1983-1987.

 

José Colagrossi Filho nasceu em Jaú (SP) no dia 4 de setembro de 1926, filho de José Colagrossi e de Ana Almeida Prado Colagrossi.

Cursou a Faculdade de Engenharia da Universidade Mackenzie, em São Paulo, começando então a atuar na política estudantil. Presidiu em 1950 o Centro Acadêmico Horácio Lane e no ano seguinte foi eleito presidente da União Estadual de Estudantes (UEE) de São Paulo. Participou de conferências internacionais estudantis, realizadas em Paris e Pequim, e de um encontro mundial da juventude, realizado em 1951 na Bulgária.

Formado em engenharia civil em 1951, trabalhou na Companhia Auxiliar de Viação e Obras, grande empreiteira de obras públicas, cuja presidência exerceu de 1954 a 1963. Nesse último ano tornou-se presidente da Cinco, Comércio, Indústria e Construções e participou da Conferência da Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC), realizada em Caracas, na Venezuela. Presidiu ainda o Consórcio Técnico Brasileiro — constituído pelas 19 maiores firmas de engenharia do país — e a Auto Nova Iguaçu. Foi diretor da Novatec e do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada.

Com a decretação do Ato Institucional nº  2, de 27 de outubro de 1965, que instaurou o bipartidarismo, Colagrossi foi um dos fundadores do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril do ano anterior.

Nas eleições marcadas para novembro de 1966, candidatou-se a deputado federal pelo então estado da Guanabara na legenda do MDB. Defendeu em sua campanha eleitoral a luta “pelo retorno à plenitude do regime democrático” no país e apontou o pleito de 15 de novembro “como o primeiro passo para a modificação do atual quadro excepcional da vida brasileira”. Eleito com o apoio de setores trabalhistas e comunistas, assumiu o mandato em fevereiro de 1967 e ainda nesse ano participou da Conferência da Associação Internacional dos Transportes Aéreos (IATA), realizada em Lucerna, na Suíça. Durante o período em que permaneceu na Câmara, defendeu teses nacionalistas e integrou algumas comissões técnicas, aparecendo pouco em plenário. No dia 7 de fevereiro de 1969 teve seu mandato cassado por força do Ato Institucional nº 5, mas manteve seus direitos políticos.

Empresário no Rio de Janeiro, e atuando sobretudo no campo das empreitadas de obras públicas, José Colagrossi voltou a aparecer no cenário político em agosto de 1978, quando a imprensa apontou seu nome como um dos prováveis candidatos à Câmara Federal da ala do MDB ligada a Ernâni do Amaral Peixoto. Apesar de contar com boas possibilidades eleitorais, não disputou o pleito realizado em novembro seguinte. Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), a convite de Leonel Brizola, passando a integrar o diretório nacional da agremiação.

Nas eleições de novembro de 1982, elegeu-se à Câmara dos Deputados, pelo estado do Rio de Janeiro, na legenda do PDT, sendo o segundo deputado federal mais votado do partido.

Empossado em fevereiro seguinte, licenciou-se do mandato para assumir a Secretaria de Transportes no primeiro governo de Leonel Brizola (1983-1987) no Rio de Janeiro.

Permaneceu neste cargo até agosto de 1983, quando foi substituído pelo deputado federal Jiulio Caruso. A exoneração de Colagrossi foi provocada por uma sucessão de episódios que contribuíram para enfraquecê-lo politicamente junto a Brizola. Entre estes fatos estavam a precipitação da disputa sucessória; a indicação do ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner para assumir a função de coordenador estadual de transportes; a descoberta de casos de corrupção na IV Circunscrição de Trânsito de Nova Iguaçu, envolvendo pessoas ligadas ao próprio secretário; e divergências com o prefeito do Rio de Janeiro, Jamil Haddad, em torno das tarifas de ônibus.

Colagrossi reassumiu seu mandato na Câmara dos Deputados em setembro de 1983. Em 25 de abril do ano seguinte, declarou-se favorável à aprovação da emenda Dante de Oliveira, que previa o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República. A emenda, contudo, não obteve o número de votos necessários à sua aprovação — faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado Federal —, fazendo com que a sucessão presidencial fosse mais uma vez decidida pela via indireta. No Colégio Eleitoral reunido a 15 de janeiro de 1985 para escolher o novo presidente do país, Colagrossi decidiu apoiar a chapa vitoriosa formada por Tancredo Neves e José Sarney, lançada pela Aliança Democrática, coligação do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) denominada Frente Liberal. Gravemente enfermo, Tancredo não chegou a assumir a presidência, sendo internado no Hospital de Base de Brasília na véspera de sua posse, marcada para 15 de março de 1985. Foi substituído por seu vice José Sarney, que acabou sendo efetivado no cargo em 21 de abril seguinte, após a morte do presidente eleito.

Ainda em 1985, Colagrossi tentou ser o candidato do PDT à prefeitura do Rio de Janeiro, mas perdeu a indicação para o senador Roberto Saturnino Braga. O mesmo também ocorreu no ano seguinte, quando foi impedido de disputar a convenção do PDT que escolheu o vice-governador Darci Ribeiro como candidato do partido à sucessão de Brizola.

Devido a estes insucessos, e dizendo-se “cansado do autoritarismo do governador”, saiu do PDT e, em maio de 1986, filiou-se ao PMDB, levando consigo cerca de quatrocentos trabalhistas. Derrotado na convenção do PMDB que indicou os dois candidatos do partido para a o Senado, tendo em vista o pleito de novembro de 1986, acabou no entanto compondo como suplente a chapa do senador eleito Nélson Carneiro. Deixou a Câmara Federal em janeiro de 1987, ao fim de seu mandato.

Depois de ter integrado o comando geral da campanha vitoriosa de Moreira Franco ao governo estadual em 1986, Colagrossi assumiu, no ano seguinte, a Secretaria Extraordinária de Articulação com a União, sediada em Brasília, permanecendo neste cargo até abril de 1988. No mês seguinte, assumiu a presidência da Fundação Leão XIII, com o objetivo de “imprimir um ritmo político aos programas sociais do governador Moreira Franco em áreas sensíveis como a da assistência ao menor abandonado e aos mendigos”. Contudo, permaneceu no cargo apenas por dois meses.

Em julho de 1988, lançou-se pré-candidato do PMDB à prefeitura do Rio de Janeiro, derrotando, na prévia do partido, o deputado Márcio Braga. Em agosto, sua candidatura a prefeito foi oficializada, tendo como companheiro de chapa o empresário Hélio Paulo Ferraz, do Partido da Frente Liberal (PFL). Sua candidatura contava ainda com o apoio do Partido Trabalhista Renovador (PTR) e do Partido Democrata Cristão (PDC), mas Colagrossi não obteve sucesso, sendo derrotado pelo candidato do PDT, Marcelo Alencar, no pleito de novembro de 1988.

Em outubro de 1990, concorreu a deputado federal pelo Rio de Janeiro, na legenda peemedebista, obtendo apenas uma suplência. Quatro anos depois, em outubro de 1994, voltou a se candidatar ao cargo, mas novamente não conseguiu se eleger.

Membro do Instituto de Engenharia do Rio de Janeiro e de São Paulo, José Colagrossi foi ainda vice-presidente da Associação Brasileira de Empreiteiros de Obras Públicas. Como engenheiro, participou dos projetos de construção dos aeroportos de Salvador e do Galeão e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e das rodovias Rio-Bahia, São Paulo-Brasília e São Paulo-Porto Alegre.

Vítima de câncer, faleceu no Rio de Janeiro no dia 22 de agosto de 1998, quando ocupava a presidência do PMDB no estado.

Era casado com Fernanda Cecília Ribeiro Luz Colagrossi, com quem teve três filhos. Um deles, Juca Colagrossi, foi presidente regional do Partido da Reconstrução Nacional (PRN) no Rio de Janeiro, tendo participado ativamente da campanha presidencial de Fernando Collor de Melo em 1989.

Colagrossi publicou Canalização de poupanças nos investimentos com vista à integração econômica regional (1963) e Ação parlamentar de 1967 (1968).

Marcelo Costaatualização

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1967-1971); Estado de S. Paulo (13/5/86); Globo (24/8/83, 16/1/85, 21/2, 2/5, 10, 13, 14, 15 e 28/5/86, 26/5/87, 24/5, 10, 26, 31/7, 3, 5 e 13/8/88 e 25/8/98); Jornal do Brasil (27/10/66, 5/8/78, 2/1 e 28/8/83, 17/5/85, 27/3, 26/4, 3, 14 e 15/5/86, 14/6/87, 5/5, 10, 31/7 e 13/8/88 e 26/8/98); SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; Veja (31/8/83, 18/7 e 1/8/90, 10/6/92 e 7/6/95).

 

 

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