JOSE GERALDO RIBEIRO

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Nome: GERALDO, José
Nome Completo: JOSE GERALDO RIBEIRO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
GERALDO, JOSÉ

GERALDO, José

*const. 1987-1988; dep. fed. MG 1987-1994.

José Geraldo Ribeiro nasceu em Jequeri (MG) no dia 20 de agosto de 1940, filho de Geraldino de Assis Ribeiro e de Celuta Siqueira Ribeiro.

Em 1956 mudou-se para Belo Horizonte, onde fez o curso secundário no Colégio Santo Antônio. Formado em engenharia química pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em Belo Horizonte em 1964, fez cursos de especialização em refino de petróleo, estradas de rodagem, estabilização química de solos e pavimentação rodoviária, estes dois últimos no exterior.

Tendo iniciado sua vida profissional como engenheiro da Filibra, em Jacareí (SP), em 1965 foi contratado para dar aulas na Escola de Engenharia da UFMG. Exerceu esta função até 1972, quando tornou-se engenheiro-chefe de divisão do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) de Minas Gerais.

Entrou para a política por intermédio de Eliseu Resende, ex-diretor do DER, do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) e candidato ao governo de Minas na legenda do Partido Democrático Social (PDS) nas eleições de novembro de 1982. Apesar de ter apoiado Resende durante a campanha, após o encerramento do pleito Geraldo aliou-se à chapa vitoriosa formada por Tancredo Neves (governador) e Hélio Garcia (vice), eleitos na legenda do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Em decorrência disso, com a nomeação de Garcia para a prefeitura de Belo Horizonte em abril seguinte, foi indicado para a secretaria de Assuntos Especiais do município.

Encarregado da implantação de trólebus na capital mineira, Geraldo foi acusado pela oposição de ter usado dinheiro público em proveito próprio e de ter contratado empresas sem licitação para a execução do projeto — que não chegou a sair do papel. Segundo as denúncias, que resultaram na criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) na Câmara Municipal, Geraldo teria beneficiado a empreiteira Tratex e a empresa de consultoria Engenharia de Solos Ltda. (Engesolo), de sua propriedade.

Em agosto de 1984, com o lançamento da candidatura presidencial de Tancredo Neves e a posse de Hélio Garcia no governo de Minas, deixou o cargo de secretário municipal e assumiu a Secretaria de Assuntos Especiais da administração estadual. Durante sua gestão, ficou responsável pela realização de concorrências públicas e coordenação de obras, sendo mais uma vez acusado de intermediar verbas. Foi nesta época que recebeu o apelido de “Quinzinho”, alusão a uma suposta cobrança de comissão de 15%.

Ainda no primeiro governo de Hélio Garcia (1984-1987), viajou em missão oficial para os Estados Unidos da América para negociar com bancos americanos da rede privada e com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Deixou a secretaria em 1986 e em novembro desse ano candidatou-se a deputado federal por Minas Gerais na legenda do PMDB, contando com o apoio das grandes empreiteiras de Minas Gerais.

Durante a campanha, o candidato a governador na legenda do Partido Liberal (PL), senador Itamar Franco, lançou como um de seus slogans a frase “em meu governo as obras serão 15% mais baratas”, referência irônica às acusações contra José Geraldo. Apesar do desgaste causado pelas denúncias, José Geraldo conseguiu ser eleito, sendo empossado na Assembléia Nacional Constituinte (ANC) em fevereiro de 1987.

Membro do Centrão — grupo suprapartidário de orientação conservadora —, José Geraldo tornou-se titular da Comissão de Sistematização e suplente da Subcomissão do Poder Executivo da Comissão da Organização dos Poderes e Sistema de Governo. Nas principais votações da Constituinte, votou favoravelmente à unicidade sindical, ao presidencialismo, ao mandato de cinco anos para o presidente José Sarney e à anistia aos micro e pequenos empresários; foi contrário ao mandado de segurança coletivo, à legalização do aborto, à jornada semanal de 40 horas, ao aviso prévio proporcional, à pluralidade sindical, ao voto aos 16 anos, à nacionalização do subsolo, à estatização do sistema financeiro, ao limite de 12% ao ano para os juros reais, à limitação dos encargos da dívida externa, à criação de um fundo de apoio à reforma agrária e à desapropriação da propriedade produtiva.

Na Câmara dos Deputados, entre 1989 e 1990, foi membro das comissões de Economia, Indústria e Comércio e de Fiscalização e Controle. Nesse mesmo período, passou a vice-líder da bancada peemedebista. Em 1990 deixou o PMDB e ingressou no PL, exercendo a vice-liderança do partido e integrando as comissões Mista de Orçamento do Congresso Nacional e de Finanças e Tributação da Câmara.

Reeleito deputado federal por Minas Gerais na legenda do PL, no pleito de novembro daquele ano, e empossado em fevereiro de 1991, integrou-se aos trabalhos da Comissão de Economia, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados. Na sessão de 29 de setembro de 1992, votou a favor da abertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de envolvimento em uma série de irregularidades cometidas pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias.

Em outubro de 1993, numa reportagem da revista Veja, Geraldo foi citado como integrante de um amplo esquema de corrupção envolvendo senadores, deputados, governadores e até ministros de Estado. Resultando na criação de uma CPI no Congresso Nacional, as denúncias partiram de José Carlos dos Santos, um ex-funcionário do Departamento de Orçamento da União, que acusou diversos políticos de desvio de verbas e subvenções públicas em benefício pessoal e de empresas privadas, especialmente de algumas das maiores empreiteiras do país.

Em conseqüência do escândalo, Geraldo teve seu mandato parlamentar cassado — juntamente com mais cinco deputados — em 15 de junho de 1994, acusado de corrupção, conforme conclusão da CPI do Orçamento. O resultado do processo foi baseado em quatro acusações: uso indevido de verbas públicas pelas associações culturais Caldas da Rainha, Pampulha e Porto Velho, por ele criadas; desvio de 50 milhões de cruzeiros, liberados para a Prefeitura de Taiobeiras (MG) para uma das entidades por ele controladas; atuação no núcleo de poder da Comissão de Orçamento, e atuação articulada entre empresas construtoras junto à comissão. Durante a discussão do Orçamento da União, aprovou emendas de obras executadas por suas construtoras e, em acordo com prefeitos mineiros, desviou parte de verbas liberadas pelo Ministério de Ação Social. Inelegível até 1998, Geraldo foi substituído na Câmara pelo deputado Aníbal Teixeira, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Ao longo de sua vida profissional tornou-se consultor da Engenheiros Consultores (Consol) e da Engenharia de Solos e Pavimentos (Espa), diretor da Comércio e Indústria Oleogazas S.A., da Sotebra Terraplenagem e Obras, da Marina Empreendimentos Imobiliários S.A. e da Construtora Tratex S.A.

Casou-se com Deoni Cavalcante Ribeiro, com quem teve três filhos.

Publicou Química analítica quantitativa (1966).

Rogério Barros

FONTES: ASSEMB. LEGISL. MG. Dicionário biográfico; ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987-1988); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1991-1995); COELHO, J. & OLIVEIRA, A. Nova; Globo (18/5/94); Jornal do Brasil (26/2/94); Olho no voto/Folha (18/9/94); Perfil parlamentar/IstoÉ; Veja (27/10/93 e 26/1/94).

 

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