José João Abdalla

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Nome: ABDALLA, J. J.
Nome Completo: José João Abdalla

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

ABDALLA, J.J.

*const. 1946; dep. fed. SP 1946-1948, 1954-1964.

 

José João Abdalla nasceu em Aparecida do Norte (SP) no dia 16 de setembro de 1903, filho de João Abdalla e de Amélia Félix Abdalla, de origem árabe.

Fez os primeiros estudos em Guaratinguetá (SP), prosseguindo-os no Ginásio São Joaquim, em Lorena (SP). Formou-se em 1927 pela Faculdade Nacional de Medicina do Rio de Janeiro, então Distrito Federal.

Iniciou suas atividades profissionais em Birigüi (SP), onde se dedicou à medicina e à agricultura, chegando também a exercer a presidência da Câmara Municipal no período constitucional que antecedeu o Estado Novo.

Na vigência desse regime, assumiu a prefeitura de Birigüi, nomeado pelo interventor paulista Ademar de Barros.

Durante o processo de redemocratização do país, em 1945, foi um dos fundadores e conselheiros da seção de São Paulo do Partido Social Democrático (PSD). Eleito por este partido deputado à Constituinte de 1946, exerceu seu mandato até 1948, quando se afastou da Câmara para assumir a Secretaria do Trabalho, Indústria e Comércio de São Paulo, então governado por Ademar de Barros. No Congresso, foi membro da Comissão de Comércio e Indústria, e votou a favor da cassação dos mandatos dos parlamentares comunistas.

Nas eleições de 1950, obteve apenas o posto de suplente do PSD paulista. Em 1951, deixou a secretaria de governo, e em agosto de 1954 assumiu uma cadeira na Câmara. Nas eleições desse mesmo ano, elegeu-se pelo PSD, tendo sido reeleito em 1958 e em 1962. Em junho de 1964, teve seu último mandato cassado com base no Ato Institucional nº 1, decretado pelo regime militar instaurado no país em abril deste ano. Entre 1955 e 1959, fora membro da Comissão de Finanças da Câmara.

No período em que cumpria seu primeiro mandato de deputado federal (1946-1948), comprou a Companhia de Cimento Portland Perus, através de manobra qualificada pelos jornais de fraudulenta, lesando o antigo proprietário, um grupo canadense. A partir daí, expandiu seus negócios, desenvolvendo um amplo leque de empresas industriais, financeiras e agropecuárias.

Entre suas indústrias, contavam-se, além da citada, a Fábrica de Papel Carioca e o Lanifício Paulista, em Jundiaí (SP), a fábrica de tecidos Japi, em Americana (SP) e as indústrias Carioba, também no interior do estado de São Paulo. Como banqueiro, foi diretor-presidente do Banco Interestadual do Brasil S.A., em São Paulo, e do Banco da Capital S.A., no Rio de Janeiro. Mais tarde, foi o incorporador da Companhia Corcovado de Imóveis. Suas atividades rurais construíram uma vasta rede de empreendimentos agropecuários em São Paulo denominados Indústrias José João Abdalla S.A., além da Mineração da Ribeira S.A., dedicada à extração de adubos e fosfatos em Juquiá (SP). Além dos ramos mencionados, sua atividade empresarial abrangeu a indústria açucareira, de cal e cálcio, de manteiga, de artefatos de ferro, a distribuição de óleos, seguros e exportação e importação.

Ao longo de 30 anos de atividade, travou inúmeras lutas com a justiça, impetrando cerca de 12 habeas-corpus e respondendo a mais de quinhentos processos. Já em 1944, em Andradina (SP), foi indiciado por transporte clandestino de gasolina e por crime contra a economia popular. No mesmo ano, em Penápolis (SP), foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional. Em 1959, foi indiciado em São Paulo por crime de apropriação indébita.

Em 1965, por determinação do ministro do Trabalho, Válter Peracchi Barcelos, instauraram-se vários processos para apurar irregularidades praticadas por Abdalla. Na mesma época, o ministro da Indústria e Comércio, Paulo Egídio Martins, determinou a intervenção em uma das empresas de seu grupo, a Companhia Urano de Capitalização. Em 1966, a delegacia de polícia de Pirajaí (SP) indiciou-o em inquérito policial por infração à lei de greve. Em 1969, ficou constatado que, através da holding Cibrape, suas 32 empresas não pagavam quaisquer impostos. Foi então processado e preso.

Novamente preso em 1973, teve sete de suas empresas confiscadas, entre elas a Cibrape. Contudo, através de manobras jurídicas, impediu a ação da justiça contra uma dessas empresas, uma pedreira, cuja propriedade transferiu para a Socal S.A., outra firma de seu grupo.

Finalmente, em setembro de 1975, o presidente da República Ernesto Geisel decretou, com base no Ato Institucional nº 5, o confisco de outros bens de J. J. Abdalla — que foi ao mesmo tempo preso —, para saldar dívidas com os poderes públicos. No ano seguinte, com base em proposta da Comissão Geral de Investigações, foram confiscadas do grupo Abdalla as empresas Potassa e Adubos Químicos do Brasil S.A., Fábrica de Tecidos Carioba S.A. e Central de Imóveis e Construções, todas sediadas em São Paulo. Em conseqüência do reiterado desrespeito às leis trabalhistas, as empresas de J. J. Abdalla foram afetadas por repetidos movimentos grevistas.

Por outro lado, J. J. Abdalla fez construir a Santa Casa de Birigüi, um grupo escolar em Cajamar (SP) e um pavilhão no Lar-Abrigo Monsenhor Felipo, em Guaratinguetá.

Faleceu na cidade de São Paulo, no dia 13 de outubro de 1988.

Era casado com Rosa Abdalla.

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CNI. Notícias; COUTINHO, A. Brasil; Diário do Congresso Nacional; Eleitos; GALVÃO, F. Fechamento; Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (21/7/73, 6/10/74 e 16/9/75); LEITE, A. História; SILVA, G. Constituinte; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (6); Veja (26/10/88).

 

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