JOSE JOAQUIM DE LIMA E SILVA MUNIZ DE ARAGAO

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: ARAGÃO, Muniz de
Nome Completo: JOSE JOAQUIM DE LIMA E SILVA MUNIZ DE ARAGAO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
ARAGÃO, MUNIZ DE

ARAGÃO, Muniz de

*diplomata; emb. Bras. Alemanha 1935-1938; emb. Bras. Inglaterra 1940-1952.

 

José Joaquim de Lima e Silva Muniz de Aragão nasceu no Rio de Janeiro, então capital do Império, em 12 de maio de 1887, filho de Salvador Barreto Muniz de Aragão e de Maria Bernardina de Lima e Silva Muniz de Aragão, sobrinha de Luís Alves de Lima e Silva, o duque de Caxias. Seu primo João Muniz Barreto de Aragão, médico militar, é patrono do Serviço de Veterinária do Exército e pai do educador Raimundo Muniz de Aragão, ministro da Educação e Cultura no biênio 1966-1967, e do general Augusto César Muniz de Aragão, um dos líderes do movimento político-militar que depôs o presidente João Goulart em 1964.

José Joaquim Muniz de Aragão morou em sua cidade natal durante todo o seu período de estudos, freqüentando o Colégio Pedro II e, depois, a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, pela qual se bacharelou.

Em 1908 ingressou nos quadros do Ministério das Relações Exteriores, exercendo a função de auxiliar de gabinete do ministro José Maria da Silva Paranhos Júnior, o barão do Rio Branco. Nessa condição, foi o portador, em março do ano seguinte, da nota secreta enviada pelo chanceler aos embaixadores brasileiros em Buenos Aires e Santiago repelindo as condições impostas pela Argentina para a assinatura do Pacto de Cordial Inteligência, ou Pacto ABC, que previa a colaboração entre os três países no combate a movimentos sediciosos internos. Diante da impossibilidade de superação das divergências, o acordo não chegou a ser concretizado.

Em maio de 1911, Muniz de Aragão tornou-se segundo-secretário, e um ano depois foi transferido para os Estados Unidos, onde permaneceu até abril de 1913. Promovido a primeiro-secretário, em junho desse ano foi designado para servir em Montevidéu, alcançando, em outubro de 1914, a posição de conselheiro de delegação. Em agosto de 1915, foi nomeado encarregado de negócios em Madri, sendo transferido em dezembro de 1916 para Roma, onde serviu até o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918. No ano seguinte, integrou a delegação brasileira à Conferência de Paz, em Paris, e a comitiva que acompanhou o presidente Epitácio Pessoa em sua visita à Inglaterra.

Serviu em Berlim entre 1920 e 1925, ano em que foi promovido ao posto de ministro-residente. Em agosto de 1926 seguiu para Genebra, na Suíça, onde atuou por um breve período como delegado adjunto do Brasil na Liga das Nações. Em 1927, foi transferido para a França, mas retornou a Genebra nesse ano e em 1928 na condição de chefe da delegação brasileira à X e à XI Conferência Internacional do Trabalho. Em outubro de 1929, Muniz de Aragão foi nomeado embaixador na Dinamarca e, em junho de 1931, na qualidade de ministro de primeira classe, foi designado para chefiar a legação brasileira em Caracas.

Retornou ao Rio de Janeiro em junho de 1933, sendo encarregado de organizar a recepção ao presidente da Argentina, general Augustín Justo, por ocasião da sua visita ao Brasil em outubro do mesmo ano. Em maio de 1935, integrou a comitiva que acompanhou o presidente Getúlio Vargas em sua viagem oficial ao Uruguai e à Argentina.

Em dezembro de 1935, Muniz de Aragão assumiu a chefia da legação brasileira em Berlim, sendo recebido de maneira especialmente amistosa por parte das autoridades alemãs, que enfatizavam o esforço comum dos dois governos na luta contra o comunismo. Pouco depois, recebeu o almirante Canaris, chefe do serviço de informações do governo nazista, dados que permitiram a identificação dos cidadãos alemães Harry Berger (pseudônimo do ex-deputado Arthur Ernst Ewert) e Olga Benário (mulher de Luís Carlos Prestes), presos no Brasil sob acusação de participação no fracassado levante comunista de novembro de 1935.

Nesse ano, graças ao desenvolvimento das trocas compensadas — realizadas sem a utilização de divisas —, o Brasil se havia tornado o principal parceiro comercial latino-americano da Alemanha, que passou a insistir na assinatura de um acordo formal sobre essa questão. Em janeiro de 1936, o empresário Olavo de Sousa Aranha apresentou a Muniz de Aragão um projeto, aprovado pelo governo alemão, para constituir a Sociedade Internacional do Comércio, firma de importação e exportação que atuaria como intermediária nas trocas do café brasileiro por produtos industriais alemães. Interessado também no aumento da exportação de algodão, o governo brasileiro se dispôs a iniciar negociações em abril de 1936. Os Estados Unidos, entretanto, consideraram que a assinatura do acordo prejudicaria seus interesses e, por intermédio de seu representante diplomático no Rio de Janeiro, o embaixador Hugh Gibson, solicitaram a inclusão de cláusulas que restringissem as exportações de determinados produtos brasileiros para a Alemanha e as importações de manufaturados desse país que concorressem com os produtos norte-americanos. Em junho, o Brasil firmou o acordo comercial com a Alemanha, após comprometer-se com os Estados Unidos a examinar suas reivindicações.

Em seguida, Brasil e Alemanha concordaram em elevar suas legações em nível de embaixada, o que foi concretizado, por parte do Brasil, em 17 de junho, quando Muniz de Aragão entregou suas novas credenciais ao chanceler Adolf Hitler, que ratificou, na ocasião, seu especial interesse em intensificar o comércio com o Brasil.

Entretanto, em 1938 as relações diplomáticas entre os dois países tornaram-se tensas devido a uma série de incidentes entre o embaixador alemão Karl Ritter e o governo brasileiro a propósito do envolvimento de agentes alemães no fracassado levante integralista de maio daquele ano. Em agosto, o ministro das Relações Exteriores, Osvaldo Aranha, solicitou, através de Muniz de Aragão, que o governo alemão substituísse Ritter na chefia de sua embaixada no Brasil. O embaixador germânico, que se encontrava em seu país, comunicou a Muniz de Aragão a aceitação do pedido por parte do seu governo, mas solicitou que lhe fosse permitido retornar ao Brasil, por pouco tempo, a fim de apresentar ao presidente Vargas os planos da Krupp para a instalação de uma siderúrgica no país. O veto categórico de Osvaldo Aranha a esta solicitação agravou a situação e, pouco depois, Ritter foi declarado persona non grata pelo governo brasileiro. A Alemanha tomou então idêntica medida em relação a Muniz de Aragão, que deixou Berlim no dia 27 de outubro de 1938.

Nomeado embaixador na Inglaterra em 24 de janeiro de 1940, em pleno curso da Segunda Guerra Mundial, Muniz de Aragão foi incumbido também da proteção dos interesses italianos nesse país a partir de junho do mesmo ano. Nesse período, a Marinha britânica, empenhada em bloquear o comércio exterior da Alemanha, realizou freqüentes abordagens a navios mercantes brasileiros para verificar a presença de mercadorias alemãs, gerando assim uma série de atritos entre os governos do Brasil e da Inglaterra. O incidente mais grave foi o apresamento do navio Siqueira Campos, que transportava material bélico adquirido pelo Brasil à empresa Krupp em 1938. O governo inglês não aceitou o pedido de livre trânsito formulado por Muniz de Aragão, liberando o navio e sua carga somente em janeiro de 1941, graças às gestões realizadas pelos Estados Unidos e à interferência pessoal de lord Halifax, chanceler britânico. O problema, entretanto, não foi superado, pois, em seguida, o navio Bajé foi impedido de partir de Lisboa com nova remessa de material bélico de origem alemã, o que levou a novas negociações com o governo inglês e à mediação do presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, que chegaram a bom termo em junho de 1941.

Em 1943, Muniz de Aragão foi nomeado representante do Brasil no Comitê Executivo Intergovernamental para os Refugiados, com sede em Londres. Em 1945, após o término da guerra, foi delegado brasileiro à Conferência Internacional Preparatória da Paz com a Itália e à Conferência para a Criação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultural (UNESCO), realizadas na capital inglesa. No ano seguinte, na assembléia da fundação da UNESCO, realizada em Paris, foi eleito vice-presidente do conselho executivo da entidade.

Encerrou sua missão na Inglaterra em junho de 1952, quando se aposentou do serviço diplomático.

Muniz de Aragão foi membro da Sociedade Brasileira de Direito Internacional e de diversos institutos estrangeiros, como a Real Academia Hispano-Americana de Cádiz e de Madri, a Academia Diplomática Internacional de Paris, a Academia de Altos Estudos Jurídicos e Científicos de Leipzig, a Assembléia Internacional de Londres e a Academia Americana de Ciências Políticas e Sociais da Filadélfia (Estados Unidos).

Faleceu no Rio de Janeiro em 29 de julho de 1974.

Foi casado com Isabel Rodrigues Alves Muniz de Aragão, filha de Francisco de Paula Rodrigues Alves, presidente da República de 1902 a 1906.

Publicou vários trabalhos sobre a história da diplomacia brasileira, entre os quais Résumé de l’histoire politique et diplomatique du Brésil (1928), Considerações sobre o comércio exterior do Brasil com a Dinamarca e a Escandinávia (1929), Comentários sobre o Tratado de Limites com o Uruguai na parte referente à lagoa Mirim, Trabalhos da Conferência Internacional do Trabalho em 1927 e 1928 e Como morreu o barão do Rio Branco (1967).

Paulo Brandi

 

FONTES: BANDEIRA, L. Presença; BRINCHES, V. Dic.; CARNEIRO, G. História; CONSULT. MAGALHÃES, B.; COUTINHO, A. Brasil; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; GUIMARÃES, A. Dic.; HILTON, S. Brasil e as grandes; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; Jornal do Brasil (4/8/74); MIN. REL. EXT. Almanaque; MIN. REL. EXT. Anuário; SILVA, H. 1938; SILVA, H. 1939; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; Súmulas.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados