JOSE MACHADO DE CASTRO E SILVA

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Nome: SILVA, Castro e
Nome Completo: JOSE MACHADO DE CASTRO E SILVA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SILVA, CASTRO E

SILVA, Castro e

*militar; comte.-em-ch. Esquadra 1933-1935; ch. EMA 1938-1941; min. STM 1941-1943.

 

José Machado de Castro e Silva nasceu em Pernambuco no dia 10 de maio de 1876.

Em fevereiro de 1895 ingressou na Escola Naval, no Rio de Janeiro (então Distrito Federal), saindo segundo-tenente em 1898. No ano seguinte foi promovido a primeiro-tenente e, em março de 1901, incorporou-se ao Corpo de Infantaria da Marinha.

Elevado a capitão-tenente em 1903, foi designado no ano seguinte para servir na Divisão Naval do Norte, sediada em Manaus. Transferido em 1906 para a Flotilha do Alto Uruguai, passou, em 1907, para a de Mato Grosso, em virtude da extinção da primeira. Em março de 1908 foi nomeado para o Comando Geral das Torpedeiras, onde permaneceu até dezembro, quando foi encarregado dos torpedos do encouraçado Deodoro. Deixou essa função em março de 1909 para trabalhar como adjunto da Escola de Defesa Submarina.

Em setembro de 1910 seguiu para o México representando o Brasil nas festas do centenário daquele país. Foi designado em novembro para servir no cruzador Rio Grande do Sul, onde assumiu a chefia do Departamento dos Marinheiros Nacionais. No mês seguinte a guarnição desse navio aderiu à Revolta da Chibata, rebelião de praças ocorrida no Distrito Federal sob a liderança do marinheiro João Cândido, em protesto contra as más condições de trabalho na Esquadra e no Batalhão Naval. Castro e Silva participou da repressão à revolta, recebendo por isso elogios do Estado-Maior da Armada (EMA).

Em janeiro de 1911 foi nomeado imediato do Rio Grande do Sul, função que exerceu até abril do ano seguinte, quando assumiu o cargo de primeiro-auxiliar da 1ª Seção da Superintendência do Pessoal. Designado em junho ajudante interino no Arsenal de Marinha, aí permaneceu até setembro, quando foi encarregado de estudar torpedos e defesa submarina.

Em janeiro de 1914 foi nomeado auxiliar da subcomissão naval do Brasil em Spezia, Itália, assumindo em junho a função de imediato no Comando de Defesa Naval. Elevado a capitão-de-corveta em outubro, foi designado no mesmo mês vice-diretor do Serviço de Submersíveis e Aviação, assumindo em janeiro de 1915 o comando da Flotilha de Submersíveis. A partir de agosto de 1916, acumulou esse cargo com o de diretor da Escola de Submersíveis, onde ficou até janeiro do 1918, sendo substituído pelo capitão-de-fragata Protógenes Pereira Guimarães.

Em março de 1920, Castro e Silva matriculou-se na Escola Naval de Guerra, sendo designado, em janeiro do ano seguinte, adido naval à legação brasileira em Santiago (Chile) e promovido, em setembro, a capitão-de-fragata. Em fevereiro de 1923 foi nomeado membro da comissão naval que acompanhou a delegação brasileira à V Conferência Pan-Americana, realizada na capital chilena.

Partiu do Distrito Federal rumo ao Nordeste em janeiro de 1926, para combater a Coluna Prestes, que então operava naquela região. Em junho foi nomeado para a Comissão de Avaliação e Requisição, da qual foi dispensado em março do ano seguinte, quando viajou a Dacar, no Senegal, para receber os restos mortais de marinheiros da Divisão Naval em Operações de Guerra, destacamento da Marinha brasileira que operou durante a Primeira Guerra Mundial.

Em maio de 1927 assumiu a chefia do Estado-Maior da Divisão de Cruzadores, onde permaneceu por um ano, até sua nomeação para o cargo de capitão dos portos do estado do Rio Grande do Sul. Em julho de 1929 passou a ocupar o comando do Corpo de Marinheiros Nacionais.

Foi nomeado diretor militar do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro logo após a vitória da Revolução de 1930, assumindo em dezembro desse ano o cargo de inspetor do Arsenal de Marinha do Estado do Pará. Promovido a capitão-de-mar-e-guerra em maio de 1931, em junho do ano seguinte foi designado vice-diretor da Diretoria Geral do Pessoal da Marinha, assumindo em agosto o comando da II Divisão Naval. Nesse mesmo mês, integrou-se às operações militares de combate à Revolução Constitucionalista de São Paulo, exercendo entre os dias 4 e 15, por ordem do Governo Provisório, o comando militar da praça de Santos.

Em novembro de 1932 foi promovido a contra-almirante e nomeado diretor-geral do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Em julho do ano seguinte passou às funções de diretor da Escola Naval e, em dezembro, tornou-se comandante-em-chefe da Esquadra, substituindo o contra-almirante Américo dos Reis. Deixou o posto em fevereiro de 1935 e em abril de 1936 foi promovido a vice-almirante, assumindo em dezembro a chefia da Direção Geral do Ensino Naval.

Tomou posse em fevereiro de 1938 no comando do Estado-Maior da Armada, sendo designado em março para a Comissão de Estudos de Segurança Nacional. Sua residência foi um dos alvos visados pelos integralistas quando da tentativa de golpe desfechada em 11 de maio daquele ano. Livrando-se do cerco, Castro e Silva dirigiu-se para o palácio Guanabara, residência oficial do presidente da República e também objeto de ataque no mesmo dia, de onde coordenou a reação da Marinha contra os sediciosos.

Em maio de 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, os altos comandos militares norte-americanos contavam com a possibilidade de uma ofensiva alemã no Atlântico, o que aumentou a importância militar da região costeira do Norte e Nordeste do Brasil. Iniciaram-se então negociações entre os dois países no sentido de articular um dispositivo capaz de garantir a aplicação do plano de defesa do hemisfério.

Na condição de comandante do EMA, Castro e Silva manteve contatos com o chefe da missão naval norte-americana que resultaram na adoção de um documento intitulado Cooperação e acordo, redigido e aprovado pelo Departamento de Marinha dos Estados Unidos desde novembro de 1940. Ficaram assim estabelecidas as linhas gerais de cooperação entre os dois países na defesa da costa. Reconhecia-se a necessidade de que os portos e aeroportos brasileiros permanecessem abertos, em caso de ataque, até que os EUA pudessem enviar reforços; que isso seria feito na forma de armamento e pessoal adestrado na eventualidade de agressão por parte de um país não americano ou de infiltração nazi-fascista; ambas as partes concordavam em estabelecer um serviço de intercâmbio de informações e organizar um código comum, e o Brasil aceitava colocar à disposição da Marinha norte-americana bases aéreas, navais e ancoradouros, além de permitir “operações avançadas discretas” na área de Natal.

Em agosto de 1941 Castro e Silva deixou o EMA por ter sido nomeado ministro do Supremo — hoje Superior — Tribunal Militar (STM), do qual tornou-se vice-presidente em 5 de janeiro de 1942. Em maio de 1943, representou a Marinha brasileira em reunião realizada nos EUA entre todos os chefes de estados-maiores das armadas do continente.

Faleceu no dia 10 de junho de 1943, vítima de acidente automobilístico. Até esse dia, exercia suas funções no STM. Em sua homenagem, a base da Flotilha de Submarinos da Marinha, instalada na ilha de Mocanguê, Niterói, foi batizada em 1946 como Base Almirante Castro e Silva.

Foi casado com Maria Amália de Castro e Silva.

Renato Lemos

 

 

FONTES: CORRESP. SERV. DOC. GER. MAR.; CORRESP. SUP. TRIB. MILITAR; FRANCO, A. Estadista; História do Paraná; Jornal do Brasil (12/6/43); Jornal do Comércio, Rio (11/6/43); LAGO, L. Conselheiros; MIN. MAR. Almanaque (1941); SERV. DOC. GER. MARINHA; SILVA. H. 1938; SILVA, H. 1942.

 

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