JOSE MADEIRA DE FREITAS

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: FREITAS, Madeira de
Nome Completo: JOSE MADEIRA DE FREITAS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FREITAS, MADEIRA DE

FREITAS, Madeira de

*jornalista; mov. Integralista

 

José Madeira de Freitas nasceu em Alfredo Chaves (ES) no dia 3 de abril de 1893, filho do juiz João Madeira de Freitas e de Maria Elisa Madeira de Freitas.

Em 1910, mudou-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, para estudar medicina, formando-se em 1917. Nos primeiros tempos, completava a mesada paterna vendendo as paisagens que pintava em grãos de arroz. Editor de arte e único desenhista da revista Rio Ilustrado a partir de 1913, foi um dos poucos caricaturistas do seu tempo que uniu o texto ao desenho.

Grande amigo do poeta satírico Emílio de Meneses, seu padrinho de casamento, cultivou um estilo excêntrico. Alcançou grande êxito popular através da publicação de livros baseados no chamado “método confuso”, expressão colhida numa crônica de João do Rio sobre os programas de governo. Em maio de 1917 começou a colaborar regularmente, sob o pseudônimo de Mendes Fradique, na revista humorística Dom Quixote, editada por Bastos Tigre no Rio de Janeiro. Ainda nesse ano, lançou Hipocratéa, reunião de sonetos, no qual satirizava os seus colegas do curso de medicina. A partir de 1919, passou a publicar, semanalmente, na Dom Quixote, os capítulos da História do Brasil pelo método confuso, reunidos em livro em 1920, que foi sucessivamente reeditado até 1928.

Ao longo da década de 1920, publicou praticamente toda a sua obra: Feira livre — antologia nacional pelo método confuso (1923), Contos do vigário (1923), A lógica do absurdo (1925, 1926), Doutor Voronoff (1926), Gramática portuguesa pelo método confuso (1927), e Idéias em zig-zag (1928).

Mais tarde, tendo deixado a literatura humorística para se dedicar essencialmente à medicina, inclusive lecionando na universidade, participou no Rio de uma reunião, realizada em 1931, cujo objetivo era formar um movimento para defender as idéias do manifesto político lançado pela Legião Revolucionária de São Paulo e redigido por Plínio Salgado, também responsável pela articulação do encontro. No início de 1932, colaborou em Hierarquia, revista que defendia as idéias do fascismo europeu no Brasil. Membro do Centro Dom Vital — associação civil subordinada à Igreja, que reunia intelectuais católicos — aderiu ao integralismo. Ocupou cargos importantes dentro da Ação Integralista Brasileira (AIB), tendo chefiado o departamento nacional de propaganda a partir de março de 1934 e integrando mais tarde o conselho supremo da organização.

Redator-chefe de A Ofensiva, semanário integralista que circulou a partir de maio de 1934, em novembro desse ano, durante o I Congresso Provincial da AIB no Rio de Janeiro, pronunciou um discurso afirmando a necessidade de o movimento ganhar força para enfrentar a “crescente ameaça comunista”. Colaborador da revista Anauê, publicação integralista lançada em janeiro de 1935, em março seguinte, no II Congresso Nacional da AIB, realizado em Petrópolis (RJ), fez um balanço dos avanços da organização e apresentou aos congressistas o filme Integralismo no Brasil, com cenas do I Congresso, realizado em Vitória em fevereiro de 1934, e de conflitos de rua com militantes de esquerda em São Paulo.

Participou ainda do Congresso da Imprensa Integralista ocorrido em Belo Horizonte em dezembro de 1936, cujo objetivo era elaborar um código de jornalismo para membros do Sigma Jornais Reunidos — associação que congregava os jornalistas integralistas — e organizar o estatuto de uma escola brasileira de jornalismo a ser patrocinada pela AIB. Segundo Elmer R. Broxson, tais iniciativas contaram com o apoio do presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Herbert Moses.

Em julho de 1937, Madeira de Freitas passou a integrar a Câmara dos quatrocentos, órgão consultivo de Plínio Salgado, chefe nacional da AIB. Quando o presidente Getúlio Vargas instituiu o Estado Novo — que contou com o apoio integralista — em 10 de novembro de 1937, dirigia A Ofensiva e era chefe provincial da AIB no Distrito Federal. Segundo Olbiano de Melo, a organização encontrava-se nessa época dividida nas alas sindicalista, antiimperialista e burguesa, pertencendo Madeira de Freitas a esta última. Em dezembro de 1937, o governo decretou a ilegalidade da AIB.

Madeira de Freitas faleceu no Rio de Janeiro no dia 25 de fevereiro de 1944.

Era casado com Maria Teresa Lintz, com quem teve três filhas.

Publicou, além das obras mencionadas, Espírito Santo, terra e turismo (1932).

A seu respeito, foi publicado Brasil pelo método confuso; humor e boemia em Mendes Fradique, de Isabel Lustosa (1993).

 

FONTES: BROXSON, E. Plínio; Grande encic. portuguesa; LACOMBE, L. Chefes; LUSTOSA, I. Brasil; MELO, O. Marcha; MENESES, R. Dic.; SILVA, H. 1935; SILVA, H. 1938; TAVARES, J. Radicalização; TODARO, M. Pastors; TRINDADE, H. Integralismo.

 

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados