JOSE MATOSO DE SAMPAIO CORREIA

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Nome: CORREIA, Sampaio
Nome Completo: JOSE MATOSO DE SAMPAIO CORREIA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CORREIA, SAMPAIO

CORREIA, Sampaio

*dep. fed. DF 1918-1920; sen. DF 1921-1926; const. 1934; dep. fed. DF 1935-1937.

 

José Matoso de Sampaio Correia nasceu em Niterói no dia 8 de setembro de 1875, filho de Filipe Sampaio Correia e de Luísa Duque Estrada Matoso Correia.

Fez os primeiros estudos nos colégios Henrique Dias e Luís Peixoto, em Campos (RJ), cursando a seguir o Liceu de Campos e o Ginásio de Barbacena (MG). Já radicado na capital federal, ingressou na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, pela qual se diplomou engenheiro civil em 1898. Tornou-se em seguida professor da cadeira de estradas de ferro, pontes e viadutos dessa escola.

Inspetor-geral de Obras Públicas durante o governo de Afonso Pena (1906-1909), exerceu o cargo de engenheiro-chefe da Comissão de Abastecimento de Água do Distrito Federal de 1907 a 1910, chefiando em 1908 as obras da Exposição Nacional realizada no Rio de Janeiro. Engenheiro-chefe das obras contra as secas no Rio Grande do Norte em 1912, participou da construção de diversas ferrovias, entre as quais a Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte, a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e a Estrada de Ferro Maricá (RJ). Exerceu também a função de diretor da Repartição de Águas e Obras Públicas, da Companhia do Porto do Rio de Janeiro, da Companhia Aero-Postal Brasileira, da Companhia Radiotelegráfica Brasileira e da Companhia de Luz e Força de Campos. Autor do projeto de iluminação elétrica dessa cidade e da revisão do serviço de bondes, de força e de luz de Belo Horizonte, foi engenheiro-chefe da Companhia City Improvements, no Rio de Janeiro, diretor da Compagnie Générale de Chemins de Fer du Brésil, chefe da firma Sampaio Correia e proprietário da Usina Santa Luzia, no Rio de Janeiro.

Iniciou sua vida política em 1918 ao eleger-se deputado federal pelo Distrito Federal na legenda da Aliança Republicana. Durante essa legislatura, integrou a Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados e colaborou, em 1919, com o prefeito do Distrito Federal, Paulo de Frontin, no plano de abastecimento de água da cidade. Em 1920 elegeu-se senador, iniciando o mandato no ano seguinte. Durante a campanha da sucessão do presidente Epitácio Pessoa (1919-1922), apoiou, como líder da Aliança Republicana, a candidatura de Artur Bernardes, afinal eleito em março de 1922. Ocupou a cadeira de senador até 1926, tendo participado da visita ao Parlamento mexicano e da VI Conferência Pan-Americana, realizada em Havana, Cuba, durante o governo do presidente Washington Luís (1926-1930).

Após a Revolução de 1930, à qual se opôs, elegeu-se em maio de 1933 deputado pelo Distrito Federal à Assembléia Nacional Constituinte como candidato avulso, na legenda intitulada “o candidato da cidade”. Empossado em novembro do mesmo ano, passou a integrar a Comissão Constitucional, também conhecida como Comissão dos 26, incumbida de estudar o anteprojeto da Constituição. Encerrados os trabalhos dessa comissão em março de 1934, assinou o substitutivo com restrições, apresentando seu voto em separado. Na discussão relativa aos candidatos à presidência da República, apoiou de início o nome do general Pedro Aurélio de Góis Monteiro e, depois, o de Antônio Augusto Borges de Medeiros. Com a promulgação da nova Carta (16/7/1934) e a eleição de Getúlio Vargas no dia seguinte, teve o mandato estendido até maio de 1935.

Reeleito no pleito de outubro de 1934, permaneceu na Câmara, colocando-se na oposição a Vargas. Após o levante comunista de novembro de 1935 — promovido pelos comunistas em nome da Aliança Nacional Libertadora (ANL) — o governo procedeu a uma firme ação anticomunista e antiliberal com o objetivo de consolidar-se no poder. Nesse contexto, no início de 1936, se inseriu a prisão de cinco parlamentares pertencentes à minoria parlamentar, cuja ação se caracterizava pela denúncia da tendência autoritária que vinha sendo assumida pelo Executivo. Sampaio Correia participou então das negociações entre a minoria e o governo em torno da prisão dos parlamentares e do pedido de licença para processá-los. Tais negociações, que não chegaram a bom termo, terminaram por acentuar ainda mais as divergências entre oposição e governo. Em julho de 1936, a Câmara concedeu afinal permissão para que se instaurasse o processo dos congressistas presos, o que representou uma vitória do governo federal.

Sampaio Correia permaneceu na Câmara dos Deputados até 10 de novembro de 1937, quando o advento do Estado Novo suprimiu todos os órgãos legislativos do país. Mesmo fora do Parlamento, continuou a fazer oposição ao governo.

Tendo atuado também no campo do jornalismo, foi fundador do jornal A Tarde. Era sócio da Associação Comercial do Rio de Janeiro, da Federação das Associações Comerciais do Brasil — como representante de Minas Gerais —, ao Instituto Politécnico, do Clube de Engenharia — do qual foi presidente — e do Aeroclube Brasileiro, que também presidiu.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 17 de novembro de 1942.

Publicou O tenentismo e a política (em colaboração com J. Bernoville Pequeno, 1933), Motores elétricos, O abastecimento de água no Rio de Janeiro, A tração elétrica da Estrada de Ferro Central do Brasil, Parecer sobre as obras contra a seca do Nordeste, Depois de 1930 (estudos políticos, econômicos e técnicos) e Rumos de tropeiro.

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; Câm. Dep. seus componentes; CARONE, E. República nova; CASCUDO, L. História; CONSULT. MAGALHÃES, B.; Encic. Mirador; FUND. GETULIO VARGAS. Cronologia da Assembléia; GODINHO, V. Constituintes; Grande encic. Delta; Ilustração Brasileira (11/12); LIRA, A. Senado; PEIXOTO, A. Getúlio; Rev. Clube de Engenharia.

 

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