JOSE MONTEIRO RIBEIRO JUNQUEIRA

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Nome: JUNQUEIRA, Ribeiro
Nome Completo: JOSE MONTEIRO RIBEIRO JUNQUEIRA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
JUNQUEIRA, RIBEIRO

JUNQUEIRA, Ribeiro

*dep. fed. MG 1903-1930; const. 1934; sen. MG 1935-1937.

 

José Monteiro Ribeiro Junqueira nasceu em Santa Isabel, distrito de Leopoldina (MG), no dia 27 de agosto de 1871, filho de José Ribeiro Junqueira e de Antônia Augusta Lobato Monteiro Junqueira. Também seguiram a trajetória política seus primos Antero Andrade Botelho, deputado federal eleito por Minas Gerais (1903-1923), e Antônio Augusto Ribeiro Junqueira, deputado da Assembléia Legislativa de Minas (1927-1930).

Tendo iniciado seus estudos na fazenda de seus pais com um preceptor francês, Ribeiro Junqueira freqüentou depois a escola particular dirigida por Inácio Gama, o Colégio Biolkini de Petrópolis (RJ) e o Colégio Abílio, onde concluiu, em 1888, os preparatórios. No ano seguinte, matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, formando-se em 1893. Durante este período, presidira o Centro Republicano Mineiro e a Sociedade Mineira de Beneficência, além de colaborar com o jornal Minas Acadêmica.

Em 1894, foi nomeado promotor interino de Leopoldina, sendo designado em seguida promotor da comarca de Pomba, sempre em Minas Gerais. Entretanto, recusou este último cargo para permanecer em Leopoldina no exercício da advocacia. Ainda em 1894, elegeu-se presidente do Conselho Distrital de Leopoldina, dando início a uma série de medidas de modernização do município.

No ano seguinte, foi eleito deputado estadual pelo distrito do Sul de Minas, favorecido em grande parte pela influência de sua família na região. Na legislatura seguinte, embora lhe fosse oferecida a reeleição pelo mesmo distrito, não aceitou, preferindo candidatar-se por seu distrito natal. Eleito apesar dos esforços em contrário do presidente mineiro Silviano Brandão, exerceu durante seu mandato firme oposição ao governo estadual. Em 1897, foi eleito presidente da Câmara Municipal de Leopoldina para o triênio de 1898 a 1900, sendo mais tarde reeleito para o triênio seguinte.

Em 1903, foi eleito deputado federal pela legenda do Partido Republicano Mineiro (PRM), cargo ao qual seria sucessivamente reconduzido até 1930. Eleito agente executivo de Leopoldina em 1910, tornou-se membro da comissão executiva do PRM no ano seguinte. Na Câmara Federal, exerceu várias vezes a liderança da bancada mineira, tendo liderado também a coligação formada contra o governo do marechal Hermes da Fonseca (1910-1914). Participou de inúmeras comissões durante sua permanência no Congresso, tendo relatado em 1912, como presidente da Comissão de Finanças, o orçamento da Viação. Em 1920, presidiu a Comissão de Reformas tributárias da Câmara que enviou ao Senado o projeto de reforma das tarifas aduaneiras.

Em 1929, com o início da campanha liberal, ingressou na comissão executiva da Aliança Liberal que, mais tarde, no dia 15 de agosto, lançou as candidaturas de Getúlio Vargas e João Pessoa à presidência e à vice-presidência da República. Em janeiro de 1930, acompanhou os candidatos liberais na viagem que estes fizeram ao Rio e a São Paulo para lançar a plataforma de governo. Em seguida, acompanhou João Pessoa em sua viagem a Minas. Em maio, participou da reunião da comissão executiva do PRM em que esta aceitou os compromissos formais que o presidente mineiro Antônio Carlos Ribeiro de Andrada assumira com a revolução em nome do partido.

Após a vitória da Revolução de 1930, participou, em fevereiro de 1931, da criação da Legião de Outubro em Minas, sendo eleito para o conselho supremo da entidade, composto de oito membros. Os demais eram Francisco Campos, Gustavo Capanema, Amaro Lanari, Antônio Carlos, Venceslau Brás, Teodomiro Santiago e José Bonifácio de Andrada e Silva. Em 4 de maio do mesmo ano, foi nomeado secretário da Agricultura do estado, permanecendo no cargo até 3 de março de 1932.

Em agosto de 1931, durante o congresso do PRM realizado em Belo Horizonte, viu-se envolvido nos acontecimentos que levaram à tentativa de deposição de Olegário Maciel, governador do estado. Ribeiro Junqueira era proprietário da Companhia de Força e Luz Cataguases-Leopoldina, à qual Olegário havia concedido facilidades. A concessão, considerada irregular, foi o estopim da investida contra o governo, atribuída tanto a membros do próprio PRM quanto a elementos do governo federal. Na agitação que se seguiu, Ribeiro Junqueira chegou a ser preso por um grupo de jovens.

Após estes acontecimentos, ficaram abaladas as relações entre o governo mineiro e o federal, e se acentuaram as divergências entre o PRM e o governo de Olegário Maciel. Com a finalidade de promover a conciliação, chegou-se a um acordo, conhecido como Acordo Mineiro, que propunha a fusão da Legião de Outubro com o PRM, criando-se um partido único que serviria de base de apoio aos governos federal e estadual. Assim, em fevereiro de 1932, foi fundado o Partido Social Nacionalista (PSN), em cuja comissão diretora encontrava-se Ribeiro Junqueira. Entretanto, frente às pressões em favor da reconstitucionalização do país, o PSN não conseguiu manter-se, sendo dissolvido com a eclosão da Revolução Constitucionalista em São Paulo (9/7/1932).

Em 1933, foi fundado em Minas o Partido Progressista (PP), por cuja legenda Ribeiro Junqueira foi eleito para a Assembléia Nacional Constituinte que se reuniu em 1933-1934. Em outubro de 1934, elegeu-se deputado federal pela legenda do PP, e, em 1935, foi eleito para o Senado Federal pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

Na convenção que escolheu, em 25 de maio de 1937, José Américo candidato à presidência da República, Ribeiro Junqueira foi um dos representantes do PP. Com o advento do Estado Novo (10/11/1937), perdeu seu mandato de senador e não mais retornou à vida pública.

Em sua atividade empresarial, além de ter sido incorporador e diretor-presidente da empresa hidrelétrica já mencionada e da S.A. de Pecúlios Zona da Mata, fundou a Gazeta de Leopoldina e o Ginásio Leopoldinense, dos quais foi também diretor, a Companhia Leiteira Leopoldinense, as Casas Bancárias Ribeiro Junqueira, a empresa Irmãos Botelho, a Companhia Fiação e Tecidos Leopoldinense, todos em Minas Gerais, e a Companhia Carbonífera de Urussangueda do Rio Carvão, em Santa Catarina.

Faleceu no dia 14 de maio de 1946.

Era casado com Helena de Andrade Ribeiro Junqueira, com quem teve três filhos.

O arquivo de Ribeiro Junqueira encontra-se depositado no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) da Fundação Getulio Vargas.

Helena Faria

 

 

FONTES: ABRANCHES, J. Governos; ARQ. GETÚLIO VARGAS; ASSEMB. LEGISL. MG. Dicionário biográfico; Boletim Min. Trab. (5 /36); CONSULT. MAGALHÃES, B.; Diário de Notícias (26/5/37); Diário do Congresso Nacional; FONTOURA, J. Memórias; GODINHO, V. Constituintes; HORTA, C. Famílias; Ilustração Brasileira (7/9/22); MORAIS, A. Minas; NOGUEIRA FILHO, P. Ideais; Personalidades; Rev. Arq. Públ. Mineiro (12/76); SENADO. Anais (1935); SODRÉ, N. História da imprensa.

 

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