JOSE OSORIO DE MORAIS BORBA

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Nome: BORBA, Osório
Nome Completo: JOSE OSORIO DE MORAIS BORBA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BORBA, OSÓRIO

BORBA, Osório

*jornalista; const. 1934; dep. fed. PE 1935-1937 e 1957.

 

José Osório de Morais Borba nasceu em Aliança (PE) no dia 16 de janeiro de 1900, filho de José Jerônimo da Silva Borba, proprietário do engenho Laureano e líder oposicionista da cidade, e de Ana de Morais da Silva Borba.

Estudou no colégio do professor Clementino Bezerra, em Nazaré, atual Nazaré da Mata (PE), e na Academia de Comércio de Recife, pela qual se formou em 1918. Ingressou depois na Faculdade de Direito de Recife, mas abandonou o curso ainda no primeiro ano.

Iniciando-se na carreira jornalística, transferiu-se em 1925 para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde passou a colaborar em diversos jornais. Em seus artigos combateu os governadores pernambucanos Estácio Coimbra (1922-1926) e Sérgio Loreto (1926-1930), apoiando a campanha da Aliança Liberal (1929-1930).

Após a Revolução de 1930, elegeu-se em maio de 1933 deputado à Assembléia Nacional Constituinte na legenda do Partido Social Democrático (PSD) pernambucano, assumindo o mandato em novembro seguinte. Participou dos trabalhos constituintes, combatendo o fascismo e a interferência religiosa no ensino, e, com a promulgação da nova Carta (16/7/1934), teve o mandato estendido até maio de 1935. Em outubro de 1934, entretanto, elegeu-se deputado federal para a legislatura ordinária que se seguiu. Opôs-se ao presidente Getúlio Vargas, especialmente no que se refere às medidas repressivas que se seguiram ao malogrado levante comunista de novembro de 1935, permanecendo na Câmara até novembro de 1937, quando o advento do Estado Novo suprimiu todos os órgãos legislativos do país. Durante a vigência do Estado Novo, exerceu o jornalismo literário, publicando sátiras e críticas ao regime ditatorial.

Em janeiro de 1945 representou Pernambuco no I Congresso Brasileiro de Escritores, realizado em São Paulo. O encontro reuniu expressivo número de intelectuais de distintas tendências políticas e emitiu uma declaração em favor da democracia e das liberdades do cidadão, constituindo uma frontal tomada de posição contra o Estado Novo.

Com a redemocratização do país ao longo de 1945, engajou-se no processo de reorganização partidária, ligando-se aos grupos que articulavam a criação da União Democrática Nacional (UDN). Entretanto, após a redação dos documentos fundamentais da agremiação, identificou-se com a corrente que exigia um programa de “espírito social” mais acentuado, voltado para a ampliação das conquistas sociais obtidas durante o governo de Vargas. Esse setor estruturou-se sob o nome de Esquerda Democrática, tendo Osório Borba integrado sua comissão provisória ao lado de João Mangabeira, Hermes Lima, Herculino Cascardo e outros.

No pleito de janeiro de 1947, Osório Borba foi o único candidato da Esquerda Democrática a eleger-se vereador no Distrito Federal. No mês de agosto, quando a organização se transformou no Partido Socialista Brasileiro (PSB), ingressou na nova agremiação. No ano seguinte participou da criação do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (CEDPEN), fundado em abril com o objetivo de promover uma campanha destinada a encampar a tese nacionalista de exploração das jazidas petrolíferas pelo monopólio estatal. Desde o início integrante da comissão diretora do CEDPEN, tornou-se um de seus vice-presidentes em 1949, quando a entidade se organizou em definitivo.

Após concluir seu mandato de vereador em 1951, Osório Borba concorreu no ano seguinte, com o apoio do PSB e do Partido Comunista Brasileiro — então Partido Comunista do Brasil (PCB) —, à sucessão do governador pernambucano Agamenon Magalhães, falecido nesse mesmo ano durante o exercício do mandato. Embora vitorioso na capital pernambucana, foi derrotado no cômputo geral dos votos por Etelvino Lins, candidato apoiado por todos os outros partidos. Em outubro de 1954, concorreu à Câmara dos Deputados na legenda do Movimento Popular Autonomista, coligação encabeçada pelo PSB, obtendo apenas uma suplência e ocupando uma cadeira naquela casa durante o período de outubro a dezembro de 1957.

Osório Borba foi jornalista dos mais ativos, tendo colaborado no Jornal Pequeno, no Diário de Pernambuco, no Diário da Manhã e no Diário da Tarde, todos da capital pernambucana, no semanário Dom Casmurro — que fundou juntamente com o escritor José Lins do Rego —, em O Estado de S. Paulo e em O Imparcial, no Jornal do Comércio, no ABC, em A Esquerda, no Diário de Notícias, em A Manhã e no Diário Carioca, estes últimos no Rio de Janeiro.

Faleceu no Rio de Janeiro, então estado da Guanabara, no dia 6 de novembro de 1960.

Além de traduções de obras clássicas da literatura francesa, publicou Medalhões e medalhinhas (sátira política, 1925), A Comédia literária (1937) e Sombra no túnel (1946).

A seu respeito Antônio de Andrade Lima Filho escreveu Itinerário de Osório Borba, o homem que cuspia marimbondos (1979).

 

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais; Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação dos dep.; Câm. Dep. seus componentes; CARVALHO, E. Petróleo; CONG. BRAS. ESCRITORES, I; Diário do Congresso Nacional; Encic. Barsa; GODINHO, V. Constituintes; Grande encic. Delta; MENESES, R. Dic.; NABUCO, C. Vida; NÉRI, S. 16; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (3 e 7).

 

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