JOSE RIBAMAR DE OLIVEIRA FRANKLIN DA COSTA

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Nome: OLIVEIRA, Franklin de
Nome Completo: JOSE RIBAMAR DE OLIVEIRA FRANKLIN DA COSTA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
OLIVEIRA, FRANKLIN DE

OLIVEIRA, Franklin de

*jornalista.

 

José Ribamar de Oliveira Franklin da Costa nasceu em São Luís no dia 12 de março de 1916, filho de Vladimir Costa Franklin e Guiomar de Oliveira.

Em 1932, aos 16 anos, teve sua primeira experiência como jornalista, no Diário da Tarde, de sua cidade natal. Em 1938, fazendo um trajeto similar a de muitos nordestinos, pegou um ita — navio de migrantes que vinha do Nordeste para o Sul do país — e viajou para o Rio de Janeiro. Deu continuidade à sua carreira de jornalista, trabalhando no jornal carioca A Notícia, dirigido na época por Cândido de Campos.

Trabalhou, no final dos anos 1930 também, na revista Pif-Paf e quando Freddy Chateaubriand e Acióli Neto assumiram a redação de O Cruzeiro, em 1944, transferiu-se para esta revista. Vivenciou sua reforma gráfica e por 12 anos escreveu a coluna de abertura da revista intitulada “Sete dias”.

Participou, como delegado do Distrito Federal, do Congresso Brasileiro de Escritores, promovido na cidade de São Paulo de 22 a 27 de janeiro de 1945 pela Associação Brasileira de Escritores. Esse congresso reuniu expressivo número de intelectuais de variadas tendências políticas e emitiu declaração em favor da democracia e das liberdades públicas, tendo representado uma contundente tomada de posição contra o Estado Novo.

Em 1951, segundo narrou o jornalista Fernando Morais em seu livro Chatô, um escândalo envolveu o empresário Assis Chateaubriand e o seu desejo de eleger-se senador da República antes das eleições de 1954. Chateaubriand teria subornado o senador Vergniaud Wanderley e seu suplente Antônio Pereira Diniz, do Partido Social Democrático (PSD) da Paraíba, para que renunciassem, obrigando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a convocar eleições suplementares para março de 1952. Acerca desse episódio, Oliveira escreveu em sua coluna de O Cruzeiro que “(...) a escolha do nome do sr. Assis Chateaubriand indica, evidentemente, uma sensível e saudável evolução da seleção de valores. Mostra agora a brava Paraíba ao Brasil a necessidade em que nos encontramos de recrutar homens representativos onde quer que eles se encontrem, substituindo com esse método valorativo a simples escolha feita nas bases estritas da vida partidária. A candidatura do sr. Assis Chateaubriand significa a vitória de uma nova mentalidade cívica”.

Nas eleições de 1954, Chateaubriand quis repetir a chamada “Operação Paraíba” no estado do Maranhão. Desta vez, contudo, Franklin de Oliveira opôs-se ao intento de seu chefe, o dono dos Diários Associados, e juntamente com os jornalistas Odilo Costa Filho, também maranhense e dos Diários Associados, e Neiva Moreira, articularam uma frente de oposição composta pelos deputados estaduais do PSB-MA Raimundo Bogéa, Nunes Freire e José Sarney, que resistiram a tal investida, sendo apoiados então pelo deputado federal Clodomir Millet, do Partido Social Progressista (PSP-MA). Para fazer oposição à tentativa do empresário de se eleger senador por este estado, criaram as Oposições Coligadas, tendo como candidato a vaga do senado pelo Maranhão o tenente-coronel da aviação Armando Serra de Meneses e Franklin de Oliveira como suplente. Em represália, Chateaubriand reproduziu em seus jornais o artigo “Paraíba, sim senhor”, da revista O Cruzeiro, de 1952, onde Franklin fizera elogios ao seu patrão, Assis Chateaubriand. A oposição venceu as eleições.

Franklin de Oliveira tornou-se editorialista e crítico literário do jornal Correio da Manhã em 1956, a convite de Paulo Bittencourt, substituindo Álvaro Lins, que assumiu a chefia da Casa Civil da Presidência no governo Juscelino Kubitschek.

Em 1960 transferiu-se para Porto Alegre, onde foi secretário-geral do Conselho de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul, no governo Leonel Brizola (1958-1961). Escreveu nesta época uma série de reportagens sobre esse estado, posteriormente convertida em livro e, segundo seu depoimento, determinantes para a criação do Banco de Desenvolvimento do Extremo Sul, no governo Jânio Quadros. Posteriormente atuou como delegado desse estado junto ao Banco de Desenvolvimento Regional do Extremo Sul. Exercia importantes funções administrativas na Petrobras quando, após o movimento político-militar de março de 1964, teve seus direitos políticos suspensos pelo Ato Institucional nº 1 (9/4/1964). Retornou então ao jornalismo.

Em 1966, quando agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) percorreram livrarias das cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Porto Alegre e Curitiba recolhendo exemplares do livro O Casamento, de Nélson Rodrigues, Franklin de Oliveira e outros jornalistas, como Paulo Francis, Hélio Peregrino, Rubem Braga, R. Magalhães Júnior, Austregésilo de Ataíde, José Lino Grünewal, saíram em apoio ao dramaturgo.

Foi redator do jornal O Globo, quando em fins dos anos 1970 passou a trabalhar no departamento de pesquisa do jornal. Nessa mesma época, colaborava para a Folha de S. Paulo, assinando artigos políticos.

Em agosto de 1984, protagonizou um debate com o economista Celso Furtado sobre as declarações deste em um encontro de secretários estaduais de cultura, reproduzida na Revista do Brasil. Celso Furtado elaborou “sete teses sobre a cultura brasileira” e Franklin de Oliveira se surpreendeu com a quinta tese, onde Furtado atribuiu ao ciclo barroco mineiro o exemplo de última síntese do pré-Renascimento europeu. A discussão ocupou as páginas da revista Veja e centrava-se na figura do escultor Antônio Francisco Lisboa, o “Aleijadinho”, que viveu entre 1730 a 1814, e foi defendido por Furtado como o último grande gênio da Idade Média, tese questionada por Franklin de Oliveira.

Publicou A fantasia exata (1959), Rio Grande do Sul, um novo Nordeste (1962), Revolução e contra-revolução no Brasil (1963), Viola d’amore (1965), Morte da memória nacional (1967 e reeditado em 1993), A tragédia da renovação brasileira (1971), Literatura e civilização (1978), Euclides: a espada e a letra (1983), A dança das letras (antologia crítica, 1991) e A Semana de Arte Moderna na contramão da história e outros ensaios (1993).

Recebeu os prêmios Golfinho de Ouro da Literatura, de 1978, atribuído pelo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, e Machado de Assis, de 1982, dado pela Academia Brasileira de Letras.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 6 de junho de 2000.

Foi casado em primeiras núpcias com Lígia Maria Fascine, com quem teve uma filha, e em segundas núpcias com Celma Carneiro Rodrigues, com quem teve dois filhos.

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CASTRO, R. Anjo; CONG. BRAS. ESCRITORES. I; Encic. Mirador; Globo (7/6/00); Grande encic. Delta; MORAIS, F. Chatô; TIAGO, F. História.

 

 

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