JOSE SARNEY FILHO

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Nome: SARNEY FILHO
Nome Completo: JOSE SARNEY FILHO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SARNEY FILHO

SARNEY FILHO

*dep. fed. MA 1983-1999; 2003-2007; 2007- ; const. 1987-1988; min. Meio Ambiente 1999-2002.

 

José Sarney Filho nasceu em São Luís no dia 14 de junho de 1957, filho de José Sarney e de Marli Macieira Sarney. Seu pai foi governador do Maranhão de 1966 a 1970, senador pelo mesmo estado de 1971 a 1985, presidente da República de 1985 a 1990 e senador pelo Amapá a partir de 1991. Sua irmã, Roseana Sarney, foi deputada federal pelo Maranhão de 1991 a 1995 e governadora do estado a partir desse ano, tendo sido reeleita em 1998.

Ainda estudante de direito da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), pela qual se bacharelaria em 1981, Sarney Filho ingressou na política filiando-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido então presidido por seu pai e que apoiava o regime militar vigente no país desde abril de 1964. Eleito deputado estadual nesta legenda em novembro de 1978, tornou-se o mais jovem parlamentar da história da Assembléia Legislativa do estado. Assumindo a cadeira em fevereiro de 1979, tornou-se membro titular da Comissão de Educação e Cultura, da qual foi vice-presidente, da Comissão de Constituição e Justiça e da Comissão de Redação Final.

Com a extinção do bipartidarismo em novembro desse ano, acompanhou o pai na fundação do Partido Democrático Social (PDS), sucessor da Arena no apoio ao governo, ao qual se filiou no ano seguinte e do qual seu pai se tornara igualmente presidente. Nessa legenda, concorreu a uma cadeira de deputado federal no pleito de novembro de 1982, elegendo-se com 75.099 votos, obtidos principalmente na capital e nos municípios de Timon, Caxias e Pinheiro. Concluindo seu mandato na Assembléia Legislativa em janeiro de 1983, assumiu na Câmara dos Deputados em fevereiro seguinte. Integrou, como titular, a Comissão de Relações Exteriores e, como suplente, a de Constituição e Justiça. Participou ainda, como titular, da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a Caixa de Pecúlio dos Militares Beneficentes (Capemi). Assumiu posições em defesa da reforma agrária e do reatamento das relações diplomáticas com Cuba.

No final de 1983, o deputado Dante de Oliveira, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), apresentou na Câmara a emenda pela volta das eleições diretas para presidente. Na sessão da Câmara dos Deputados realizada no dia 25 de abril de 1984, Sarney Filho contrariou a orientação partidária, votando a favor dessa emenda, que, por falta de 22 votos, não foi aprovada, pois não atingiu o quorum mínimo necessário que permitiria seu envio para apreciação do Senado. Com esse resultado, ficou definido que o sucessor do então presidente João Figueiredo (1979-1985) seria mesmo eleito por via indireta. Vários eram os postulantes à condição de candidato oficial do partido governista. A falta de consenso quanto à forma de escolha provocou uma cisão na agremiação, levando José Sarney a deixar a presidência do PDS e formar com dissidentes a Frente Liberal, à qual Sarney Filho se aliou. Para definir a questão, o PDS realizou sua convenção em agosto, na qual os deputados Paulo Maluf, de São Paulo, e Flávio Marcílio, do Ceará, derrotaram o então ministro do Interior Mário Andreazza e o então governador de Alagoas Divaldo Suruagi, tornando-se, assim, os candidatos oficiais do partido à presidência e à vice-presidência da República, respectivamente.

Definido o quadro sucessório do lado governista, os partidos de oposição, liderados pelo PMDB, e a Frente Liberal, reunidos na Aliança Democrática — o Partido dos Trabalhadores (PT) não entrou na coligação —, lançaram como seus candidatos Tancredo Neves, então governador de Minas Gerais, e José Sarney, senador pelo Maranhão. Na sessão do Colégio Eleitoral realizada no dia 15 de janeiro de 1985, Sarney Filho votou em Tancredo Neves, que derrotou Paulo Maluf. Com a transformação da dissidência pedessista em agremiação política, o Partido da Frente Liberal (PFL), filiou-se a essa nova legenda. Na véspera de sua posse em março, Tancredo adoeceu e quem assumiu a presidência da República foi o vice José Sarney, que, com a morte do titular em 21 de abril, acabou sendo efetivado no cargo.

Um dos projetos mais polêmicos que Sarney Filho apresentou nessa legislatura, sancionado em março de 1985 pelo presidente José Sarney, foi o da Lei nº 7.300, que equiparava as empresas cinematográficas às jornalísticas, para fins de responsabilidade civil e penal. Esta equiparação implicava sujeição das empresas cinematográficas à Lei de Imprensa vigente, que impedia o acolhimento de capital acionário estrangeiro a qualquer grupo voltado para atividades de comunicação, nacionalizando, na prática, as atividades cinematográficas.

Com o restabelecimento de eleições diretas para as capitais e municípios considerados áreas de segurança nacional durante o período de governo militar, a partir de maio de 1985 Sarney Filho integrou-se à campanha de Jaime Santana, candidato do PFL à prefeitura de São Luís, tendo como adversária a candidata do PDS, Gardênia Gonçalves, mulher do ex-governador e senador João Castelo, com cuja sobrinha José Sarney Filho era casado. A disputa pela prefeitura de São Luís marcou um momento de grande crise política no estado, pois consolidava o rompimento de Castelo com o grupo político liderado por José Sarney, iniciado com o apoio do primeiro à candidatura de Paulo Maluf à presidência da República. A vitória de Gardênia Gonçalves deu a João Castelo a única vantagem na disputa com Sarney pelo controle político do estado. No ano seguinte, Sarney Filho tornou-se vice-líder do PFL na Câmara dos Deputados.

Nesse ano de eleições para a Constituinte, Congresso Nacional, assembléias legislativas e governos estaduais, Sarney Filho defendia a reedição da Aliança Democrática no estado e apoiava a candidatura de Epitácio Cafeteira, do PMDB, ao governo maranhense. De acordo com reportagem publicada pelo Jornal do Brasil em 9 de outubro de 1986, Sarney Filho foi quem convenceu o presidente José Sarney a patrocinar a formação da aliança em torno da candidatura de Cafeteira, antigo adversário de seu pai. Para viabilizar essa aliança, Sarney Filho teria ameaçado trocar o PFL pelo PMDB para ficar ao lado de Cafeteira. Este empenho pela candidatura do peemedebista era atribuído por João Castelo e seus correligionários ao interesse de Sarney Filho em governar o estado a partir de 1991. Concretizada a aliança, a família do presidente da República participou intensamente da campanha de Cafeteira. Na ocasião, Roseana assessorava o pai no palácio do Planalto, ao mesmo tempo em que trabalhava em São Luís, no comitê eleitoral do deputado João Alberto, candidato a vice-governador na chapa de Cafeteira, quando foi acusada por partidários de João Castelo de usar a máquina federal com objetivos eleitorais. A aliança em torno de Cafeteira foi viabilizada após reunir ainda lideranças conservadoras como Alexandre Costa, o ex-malufista Edson Lobão, que iria disputar uma vaga no Senado pelo PFL, e o deputado Magno Bacelar.

Sarney Filho reelegeu-se deputado federal na legenda do PFL, com poderes de constituinte, em novembro de 1986, obtendo 109.448 votos, a maior votação do estado. Esse potencial de votos foi também canalizado para a eleição de Cafeteira, que derrotou João Castelo. A vitória representou um ajuste de contas do grupo de José Sarney pela derrota que sofrera nas eleições municipais do ano anterior.

Iniciando novo período legislativo em 1º de fevereiro de 1987, nesse mesmo dia foi instalada a Constituinte, na qual Sarney Filho passou a integrar, como membro titular, a Subcomissão da Nacionalidade, da Soberania e das Relações Internacionais da Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher; e, como suplente, a Subcomissão dos Negros, Populações Indígenas, Pessoas Deficientes e Minorias da Comissão da Ordem Social. Um de seus primeiros atos junto à primeira subcomissão foi subscrever ofício ao seu presidente, deputado Roberto D’Ávila, do Partido Democrático Trabalhista (PDT-RJ), solicitando a presença de personalidades estrangeiras, como o presidente de Cuba, Fidel Castro, para a discussão sobre a dívida externa brasileira.

Em abril desse ano, numa manobra para viabilizar sua candidatura ao governo do Maranhão em 1990, foi eleito presidente do PFL no estado. Em outubro, segundo O Estado de S. Paulo, foi um dos principais articuladores da tentativa de reaproximação do PMDB com o presidente Sarney. Anunciou que poderia filiar-se a este partido se o PFL decidisse romper com o governo. Em novembro, no entanto, diante da decisão da Comissão de Sistematização da Constituinte de recomendar o mandato de quatro anos para Sarney, tornou-se o porta-voz do rompimento do pai com a Aliança Democrática, que, no seu entendimento, não existia mais.

Em fevereiro de 1988, o líder do PDT na Câmara, deputado José Carlos Brandão Monteiro (RJ), denunciou a ausência de Sarney Filho do plenário durante a tramitação da emenda do deputado Amaury Müller (PDT-RS) sobre o direito de propriedade, enquanto o painel eletrônico registrava seu voto favorável, na primeira votação, ao texto proposto pelo Centrão, e contrário, na segunda, à proposta da Comissão de Sistematização. A denúncia foi acolhida pelo senador Mauro Benevides (PMDB-CE), que presidia a sessão e ordenou ao corregedor-geral da Constituinte, Jorge Arbage (PDS-PA), a sua apuração. Sarney Filho alegou que seu código secreto de votação havia sido utilizado por alguém do plenário disposto a atingir o presidente da República.

Os ataques ao presidente José Sarney prosseguiram com a instalação da CPI sobre a corrupção no governo federal e em torno da duração de seu mandato. Em abril, Sarney Filho voltou a ser alvo de acusações, veiculadas pela Folha de S. Paulo, de uso indevido de avião a serviço do governo federal. Através de esclarecimento publicado pelo jornal, disse ter retornado ao Brasil de viagem ao exterior no dia seguinte ao ocorrido e acusou o diário paulista de “irresponsabilidade e afã de atingir o presidente Sarney, seja diretamente ou através de seus familiares”.

Sua postura de independência e, às vezes, de rebeldia, fez com que entrasse em rota de colisão com o deputado José Lourenço (BA), líder do PFL na Constituinte. Na sessão de 28 de abril de 1988, votou a favor da nacionalização do subsolo, contrariando a orientação do partido e do pai. O episódio se repetiu na sessão do dia 4 de maio, quando foi votada uma proposta do Centrão, grupo suprapartidário de parlamentares conservadores que atuava na Constituinte, tratando da política agrícola e fundiária dentro dos moldes da União Democrática Ruralista (UDR). Sarney Filho, desobedecendo às ordens do Planalto e da liderança de seu partido, votou contra e acabou destituído da vice-liderança do PFL. No dia seguinte, licenciou-se do mandato para assumir a Secretaria para Assuntos Políticos do Maranhão, nomeado pelo governador Epitácio Cafeteira, criada especificamente para que Sarney Filho coordenasse a campanha para as eleições municipais de novembro, reeditando a Aliança Democrática no estado. Sua vaga na Câmara foi ocupada pelo suplente Edivaldo Holanda. Segundo declarou à imprensa, sua saída da Constituinte também visava preservar o pai, uma vez que seu voto passara a interferir nas relações do presidente com a Constituinte, Segundo a Folha de S. Paulo, a volta de Sarney Filho ao Maranhão fazia parte da estratégia destinada a fortalecer o prestígio do presidente Sarney no estado e colocar em pauta sua própria candidatura à sucessão de Epitácio Cafeteira. Permaneceu nessa secretaria até o dia 15 de setembro, quando reassumiu o mandato.

Após a promulgação da Constituição de 5 de outubro de 1988, passou a exercer somente o mandato ordinário. Nas eleições municipais de novembro, a família Sarney apoiou o candidato do PMDB, Carlos Guterrez, ex-secretário de Governo do estado, colocando à sua disposição todos os recursos e meios de comunicação que mantinha sob controle, mas não conseguindo evitar sua derrota para o candidato do PDT, Jackson Lago. No ano seguinte, Sarney Filho tornou-se titular da Comissão de Relações Exteriores e suplente da Comissão de Defesa do Consumidor e do Meio Ambiente, da Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Turismo e da Comissão de Constituição e Justiça e de Redação. Em junho de 1989, voltou a se licenciar da Câmara para reassumir a Secretaria para Assuntos Políticos de Cafeteira, que havia deixado o PMDB e ingressado no Partido Democrata Cristão (PDC). Sua saída da Câmara se deu uma semana após a divulgação da relação dos deputados que excederam o limite de ausência às sessões no primeiro semestre, incluindo seu nome e de outros deputados, como Felipe Cheide (SP) e Mário Bouchardet (MG), ambos do PMDB, que perderam o mandato, de acordo com a Constituição.

De volta à política maranhense, procurou fortalecer sua provável candidatura ao governo, ameaçada pelo crescimento da candidatura de Fernando Collor de Melo, do Partido de Reconstrução Nacional (PRN), à presidência da República, apoiada no estado pelo senador e presidente regional do PRN, João Castelo. Numa manobra para impedir, por ocasião da desincompatibilização, a ocupação do governo pelo grupo político de Castelo, que tentava uma aproximação com o grupo liderado por Epitácio Cafeteira, Sarney Filho articulou o retorno de João Alberto de Souza, que ocupava na ocasião a prefeitura de Bacabal, ao cargo de vice-governador. Permaneceu na secretaria até 22 de janeiro de 1990, quando reassumiu formalmente o mandato e continuou a articular sua candidatura ao governo do Maranhão. Na Câmara, tornou-se titular da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias. No entanto, a vitória de Collor e o conseqüente fortalecimento político de João Castelo abalaram sua pretensão, que foi definitivamente sepultada diante do esperado rompimento de Epitácio Cafeteira com o grupo sarneysista. Em maio de 1990, segundo O Estado de S. Paulo, Sarney Filho decidiu devolver ao PFL a sua “aspiração de concorrer ao governo do estado”, quando, então, foi homologada a candidatura de Edson Lobão. Em julho, foi novamente incluído na lista de quatro deputados que excederam o limite de 62 faltas nas sessões parlamentares, sendo, por isso, passíveis de perda de mandato.

Seu absenteísmo e um momentâneo desfavorecimento político do grupo liderado por seu pai no Maranhão diante do grupo de João Castelo não impediram sua reeleição no pleito de outubro, nem a vitória do candidato do PFL, Edson Lobão, apoiado pela família Sarney, sobre Castelo. Iniciando seu terceiro mandato federal em fevereiro de 1991, Sarney Filho continuou como titular da Comissão de Relações Exteriores e tornou-se suplente da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias. No ano seguinte, integrou, como titular, a CPI sobre violência no campo e a comissão especial sobre o sistema previdenciário. Foi ainda titular da comissão mista (Câmara e Senado) de planos, orçamentos públicos e fiscalização.

As denúncias de irregularidades no governo de Fernando Collor, veiculadas na imprensa, com maior freqüência, ao longo de 1991, atingiram o clímax em maio de 1992, quando a revista Veja publicou uma entrevista de Pedro Collor, irmão do presidente, na qual denunciava a existência de um esquema de corrupção no governo sob o comando de Paulo César Farias, o PC, ex-tesoureiro da campanha presidencial. Essa denúncia levou o Congresso a instalar uma CPI no mês seguinte. As conclusões dessa comissão levaram ao envolvimento do presidente e foi pedido o seu afastamento. Na sessão da Câmara dos Deputados do dia 29 de setembro desse mesmo ano, com voto favorável do deputado Sarney Filho, foi aprovada a admissibilidade de abertura do processo de impeachment e o presidente foi afastado do Poder no início do mês seguinte, sendo substituído pelo vice Itamar Franco.

Em 1993, Sarney Filho tornou-se vice-líder do bloco partidário composto, além do PFL, pelo Partido Social Cristão (PSC), o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido das Reformas Sociais (PRS) e integrou a CPI sobre a pistolagem nas regiões Centro-Oeste e Norte. Nas principais votações na Câmara ao longo dessa legislatura, votou a favor da criação do Fundo Social de Emergência (FSE) e do fim do voto obrigatório, estando ausente na votação do projeto que criava o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), que ficou conhecido como imposto do cheque.

Em outubro de 1994, voltou a reeleger-se deputado federal, com 66.214 votos obtidos em São Luís, Imperatriz, Cururupu e Joselândia, na legenda da coligação comandada pelo PFL e integrada ainda pelo PMDB, PSC e o Partido Progressista (PP). Iniciando novo período legislativo em fevereiro de 1995, tornou-se titular da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias e da Comissão Externa sobre Demarcação de Terras Indígenas, das quais foi presidente, e suplente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle.

Entre os principais projetos de interesse do governo enviados à Câmara ao longo desse ano, votou a favor de todas as propostas voltadas para a abertura da economia aos investimentos estrangeiros, tais como o fim do monopólio estatal das telecomunicações; dos monopólios da Petrobras na exploração do petróleo e dos estados na distribuição do gás canalizado; do fim da reserva de mercado na navegação de cabotagem para as embarcações nacionais; do novo conceito de empresa nacional, acabando com todas as diferenças legais entre empresas brasileiras e estrangeiras; e o da prorrogação por 18 meses do Fundo Social de Emergência (FSE), rebatizado de Fundo de Estabilização Fiscal (FEF). No ano seguinte, tornou-se titular da Comissão de Economia, Indústria e Comércio, suplente da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias e votou a favor da recriação do imposto do cheque, que recebeu a nova denominação de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Em janeiro de 1997, quando tramitava na Câmara o projeto de emenda constitucional que permitia que ocupantes do Poder Executivo concorressem à reeleição, votou a favor do mesmo, ratificando sua posição no mês seguinte, quando foi aprovado no segundo turno de votação na casa. Também votou a favor do projeto de reforma administrativa do governo que, ao ser aprovado em novembro desse ano, acabou com a estabilidade do servidor público. Em junho de 1998, licenciou-se do mandato para se dedicar à sua campanha eleitoral, sendo substituído na Câmara pelo suplente Antônio Costa Ferreira. Em outubro, obteve nova reeleição na legenda do PFL, com 96.212 votos, a maior votação do estado, e reassumiu seu mandato no Legislativo Federal poucos dias após o pleito. No mês seguinte, votou a favor do projeto do governo de reforma da previdência que fixou um valor máximo para aposentadorias no setor público, bem como a idade mínima e o tempo de contribuição no setor privado.

Com a reeleição de Fernando Henrique Cardoso (1999-2003) para a presidência da República, Sarney Filho foi nomeado ministro do Meio Ambiente. Licenciando-se do mandato de deputado federal, foi substituído na Câmara por Nan Sousa.

 

                                    No Ministério do Meio Ambiente

Ao assumir a pasta em fevereiro de 1999, comprometeu-se a dar prioridade às discussões da Agenda 21 – documento criado após a Conferência Eco-92, ocorrida no Rio de Janeiro em 1992, que estabeleceu o comprometimento de diversos países com o desenvolvimento sustentável através do estudo de soluções para os problemas sócio-ambientais.

Nessa perspectiva, empenhou-se pela aprovação da lei que instituiu em abril seguinte a Política Nacional de Educação Ambiental, a qual previa, entre outras medidas, a criação da carreira de especialista em meio ambiente. Além disso, promoveu a assinatura de um  convênio entre o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e o Centro de Operações Terrestres do Exército, cuja meta seria prevenir a ação de queimadas e controlar desmatamentos clandestinos na Amazônia Legal - conceito instituído pelo governo brasileiro para designar área formada por nove estados pertencentes à Bacia Amazônica, possuindo em seu território trechos da floresta amazônica. Também em 1999, foi um dos responsáveis pela assinatura do contrato entre o Ibama e a Petrobrás referentes ao projeto Tamar, dedicado à preservação de espécies de tartaruas-marinhas ameaçadas de extinção.

Na área florestal, Sarney Filho participou do lançamento, em abril de 2000, do Programa Nacional de Florestas, que teria como meta a articulação de políticas públicas setoriais capazes de promover o desenvolvimento sustentável das florestas brasileiras, conciliando seu uso e conservação. Em julho seguinte, foi aprovado o projeto de lei que instituiu a Agência Nacional de Águas (ANA). Vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, o órgão ocupou-se em implementar uma política nacional de recursos hídricos e coordenar um sistema nacional de gerenciamento de águas. Com essa medida, esperava-se amenizar o problema da contaminação dos rios e das secas prolongadas, sobretudo na região Nordeste. 

Em novembro de 2000, o ministro apresentou um pacote de medidas que propunham a diminuição de 5% para 0,5% ao ano dos juros de crédito para o setor extrativista da Amazônia e anunciou a implementação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável, que previa uma reforma agrária em comunhão com a preservação ambiental, além da criação da reserva extrativista de Tarauacá (AC), seringal de maior produção da região no estado. A criação da reserva fora sugerida pelo seringueiro e ativista ambiental, Chico Mendes, assassinado em dezembro de 1988. Também em 2000, Sarney Filho assinou a "Carta do Parnaíba", documento que criou o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, na divisa entre Piauí, Maranhão, Bahia e Tocantins.

Em 2001, entregou ao Congresso Nacional a proposta de reforma do Código Florestal aprovada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que estabelecia em 80% o índice de reserva a ser preservado em áreas de floresta na Amazônia Legal, e em 35% nas regiões de cerrados na Amazônia. Em atitude apoiada por várias organizações não-governamentais, Sarney Filho criticou as tentativas da bancada ruralista no Congresso de reduzir para 50% e 25%, respectivamente, as áreas destinadas à preservação.

Em março de 2002, Sarney Filho deixou a pasta do Meio Ambiente, sendo substituído por José Carlos Carvalho, à época seu secretário-executivo. Sua saída do cargo ocorreu após uma operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal numa empresa de propriedade de sua irmã, a governadora do Maranhão e então pré-candidata à presidência da República, Roseana Sarney (PFL), e de seu cunhado, Jorge Murad. Ambos haviam sido acusados de participação em irregularidades na extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A operação provocou o rompimento do PFL com Fernando Henrique Cardoso, pondo fim à aliança do partido com o governo. Com isso, não lhe restou alternativa senão afastar-se do ministério.

De volta ao Congresso

Nas eleições de outubro de 2002, Sarney Filho elegeu-se mais uma vez deputado federal pelo PFL com 111.479 votos. Assumiu o novo mandato em fevereiro de 2003, transferindo-se ainda neste ano para o Partido Verde (PV). Na Câmara, foi presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias e titular das comissões de Economia, Indústria e Comércio; e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Em outubro de 2004, manifestou apoio à Marta Suplicy, candidata à reeleição para a prefeitura de São Paulo pelo PT, em oposição a José Serra (PSDB), que acabou saindo vitorioso no 2º turno do pleito.

No pleito de outubro de 2006, com 136.873 votos, foi reeleito ao Legislativo federal pelo PV e tomou posse de sua cadeira de deputado em fevereiro seguinte. Líder de seu partido na Câmara, integrou como titular as comissões de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias; de Economia, Indústria e Comércio; e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

Iniciou curso de economia na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, porém não chegou a concluí-lo.

Sarney Filho foi ainda presidente da Frente Parlamentar Ambientalista para o Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados.

Foi casado com Lucialice Gomes Cordeiro Sarney, com quem teve quatro filhos.

Publicou O planejamento familiar e a nova Constituição do Brasil (1988); Planejamento familiar na Nova República (1988); e Enfrentar a crise do velho e o risco do novo (1989).

Maria Cristina Guido/Alan Carneiro

Márcia Gomes atualização

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987-1988); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1991-1995, 1995-1999); Correio Brasiliense (21/1/87); Estado de S. Paulo (8/4 e 17/10/87, 10 e 11/2 e 5 e 6/5/88, 6/5/90 e 28/11/97); Folha de S. Paulo (29/3/85, 5 e 19/1/87, 10/2, 22/4, 6 e 7/5 e 9/8/88, 6/6, 16/7 e 13/8/89, 23/1 e 16/7/90 e 6/11/98); Globo (26/4/84, 16/1/85, 21/4, 28/7, 17/10 e 21/11/87, 24/4, 5 e 6/5/88, 20/9/90, 29/1/97 e 10/10/98; 10/5/99; 11, 17, 19/5; 3 e 23 e 28/6 e 10/11/2000; 24/10/2001; 5/3/2002; 2/10/2004; Jornal do Brasil (25/11/82, 18/5 e 18/9/85, 9/10 e 9/11/86, 8/4/87, 2/1, 10 e 11/2 e 6/5/88); Olho no Congresso/Folha de S. Paulo (31/1/95, 14/1/96 e 5/2/98); Olho no voto/Folha de S. Paulo (18/9/94 e 29/9/98); TRIB. REG. ELEIT. MA. Relação (1998).

Fontes Internet:  Câmara dos Deputados. http://www2.camara.gov.br. Acesso em 6.11.2009.

                                        Perfil José Sarney Filho.                                          http://www.sarneyfilho.com/area.cfm?id_area=12. Acesso em 6.11.2009.

                              Tribunal Superior Eleitoral (TSE). http://www.tse.gov.br/internet/index.html. Acesso em 6.11.2009.

 

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