JOSE VICENTE GOULART BRIZOLA

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Nome: BRIZOLA, José Vicente
Nome Completo: JOSE VICENTE GOULART BRIZOLA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BRIZOLA, JOSÉ VICENTE

BRIZOLA, José Vicente

*dep. fed. RJ 1991-1995.

 

José Vicente Goulart Brizola nasceu em Porto Alegre em 26 de abril de 1951, filho de Leonel de Moura Brizola e de Neusa Goulart Brizola. Seu pai foi deputado federal pelo Rio Grande do Sul em 1955, prefeito de Porto Alegre (1956-1959), governador do Rio Grande do Sul (1959-1963) e deputado federal pela Guanabara (1963-1964). Cassado pelo regime militar implantado em abril de 1964, exilou-se no Uruguai, voltando ao Brasil após a decretação da anistia em 1979. Retomando a carreira política, foi por duas vezes governador do Rio de Janeiro, entre 1983 e 1987 e entre 1991 e 1994. Seu tio materno, João Goulart, foi deputado federal pelo Rio Grande do Sul (1951, 1952-1953), ministro do Trabalho (1953-1954), vice-presidente (1956-1961) e presidente da República (1961-1964), tendo sido deposto pelos militares em 31 de março de 1964.

José Vicente passou parte da infância no exterior com o pai exilado, voltando à capital gaúcha para morar com uma tia. Entre 1968 e 1972, cursou engenharia na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Porto Alegre, mas não completou o curso. Foi então estudar música com o professor Ian Guest no Rio de Janeiro, indo depois para a Inglaterra com o mesmo propósito. Nos anos 1970 acompanhou grupos de rock como Bicho da Seda e As Frenéticas. Em 1981, voltou definitivamente ao Brasil, tornando-se professor da Proarte e da Escola de Música do Rio de Janeiro e trabalhando na Tomada Cinematográfica, entre 1981 e 1988, e na gravadora Polygram do Brasil, entre 1986 a 1989.

Em 1988, aceitando convite do prefeito Aluísio Gama, assumiu a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer de Nova Iguaçu, à frente da qual permaneceu até 1989. Nesse período, acumulou a secretaria com a presidência da Fundação Educacional e Cultural de Nova Iguaçu, responsável por 16 centros integrados de educação pública (CIEPs) que passaram da gerência do governo estadual para a prefeitura. Ocupou esse cargo até 1990.

Candidato a deputado federal pelo Estado do Rio, na legenda do Partido Democrático Trabalhista (PDT), elegeu-se em outubro deste último ano. Empossado em fevereiro de 1991, foi titular da Comissão de Educação, Cultura e Desporto.

Em 29 de setembro de 1992, foi um dos 441 deputados a votar favoravelmente à abertura de um processo de impeachment contra o presidente Fernando Collor, acusado de crime de responsabilidade, durante o funcionamento da comissão parlamentar de inquérito (CPI) instaurada no Congresso para investigar denúncias de corrupção contra Paulo César Farias, ex-tesoureiro de sua campanha presidencial. Afastado da presidência após a votação na Câmara, Collor renunciou em 29 de dezembro seguinte, antes da aprovação de sua cassação pelo Senado. Foi substituído pelo vice Itamar Franco, que vinha exercendo a função interinamente desde 2 de outubro.

Em março de 1994, teve seu nome citado numa lista de pessoas que supostamente teriam recebido dinheiro do jogo do bicho, atividade ilegal. Descoberta pelo procurador-geral de Justiça, Antônio Carlos Biscaia, após uma diligência ao escritório do bicheiro Castor de Andrade, a lista incluía, além de políticos, membros do Poder Judiciário e nomes da alta cúpula da Polícia Civil. O caso, que ficou conhecido como “Operação mãos limpas tupiniquim”, numa alusão às investigações levadas a cabo pela Justiça italiana contra a máfia, teve como resultado a condenação de dezenas de pessoas, entre elas o próprio Castor, mas não incriminou qualquer político.

Prevista para a legislatura 1991-1995, a revisão da Constituição de 1988 acabou não acontecendo e poucas alterações na Carta foram aprovadas. Nas principais votações do período, esteve ausente da sessão que rejeitou o fim do conceito de empresa nacional e também da que instituiu o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), além de ter votado contrariamente ao fim do voto obrigatório e à criação do Fundo Social de Emergência (FSE), que, ao lado do IPMF, serviria como fonte de financiamento para o plano de estabilização econômica do governo federal (Plano Real).

Em agosto de 1994, em plena campanha para a reeleição, sofreu um acidente automobilístico numa das vias de acesso à rodovia Presidente Dutra. Disse ter sido vítima de um atentado político, já que lhe havia sido roubada uma maleta com documentos.

No pleito para a Câmara em outubro seguinte, obteve uma votação inexpressiva e não conseguiu se reeleger. Teve uma nova oportunidade em novembro de 1994, com a realização de um novo escrutínio, após o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) ter anulado a eleição de outubro por suspeitas de fraude. Novamente derrotado, deixou a Câmara em janeiro do ano seguinte, no fim da legislatura.

No início do ano seguinte, transferiu-se para o Uruguai, a fim de assumir a administração de uma propriedade rural que recebera como herança após a morte da mãe.

Retornou, e, em 2000, já instalado no Rio Grande do Sul, e integrou um grupo dissidente do PDT, que se chocou com as diretrizes do partido ao reivindicar por maior reconhecimento interno, bem como por apoiar um candidato do PT à prefeitura local. Entrou em confronto direto, e, se desligou do partido, brigando com seu pai e representante maior daquele partido, Leonel Brizola. Filiou-se ao PT, para desgosto de seu pai.

No ano seguinte, assumiu o cargo de diretor da Loteria do Estado do Rio Grande do Sul (LOTERGS), a convite do então governador, Olívio Dutra, também do PT. Acusado de ter feito uso do cargo para desviar verbas ilícitas para campanhas do PT, José Vicente Brizola foi um dos protagonistas da Comissão Parlamentar de Inquérito que ficou conhecida como CPI dos Bingos na qual denunciou um suposto esquema ilícito no partido. Deixou a atuação política de lado, e sua última aparição pública de destaque ocorreu em 25/06/2004, quando, no enterro de Leonel Brizola, declarou que eles já haviam se entendido.

Foi casado com Nereida Daudt Brizola, com quem teve três filhos. Divorciado, uniu-se a Maria Vigoritto, com quem teve mais dois filhos.

Daniela Cândido/Luís Otávio de Sousa

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1991-1995); Folha de S. Paulo (18/9/94); Globo (20/3/96); Perfil parlamentar/IstoÉ; http://www.webartigos.com/articles/653/2/brizola-o-ultimo-dos-maragatos/pagina2.html; acessado em 17/06/2009.

 

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