JOST, NESTOR

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Nome: JOST, Nestor
Nome Completo: JOST, NESTOR

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
JOST, NESTOR

JOST, Nestor

*dep. fed. RS 1951-1961; pres. Bco. Bras. 1967-1974; min. Agric. 1984-1985.

Nestor Jost nasceu em Candelária (RS) no dia 10 de janeiro de 1917, filho de Reinaldo Jost e de Ernestina Jost.

Fez seus primeiros estudos em sua cidade natal, transferindo-se para Porto Alegre aos 17 anos. Nessa cidade, enquanto prestava o serviço militar no 7º Batalhão de Cavalaria, freqüentou o curso noturno do Colégio Anchieta. Ingressou na Faculdade de Direito de Porto Alegre em 1937 e, no ano seguinte, durante o Estado Novo, prestou concurso para delegado de polícia, sendo aprovado e nomeado para este cargo em Cambuçu (RS).

Em 1939 foi nomeado prefeito municipal de São Lourenço do Sul (RS) pelo interventor no estado, coronel Osvaldo Cordeiro de Farias, para um mandato de seis anos. Em 1941 concluiu o curso de direito, continuando à frente da prefeitura até a deposição de Getúlio Vargas da presidência da República, em 29 de outubro de 1945.

No ano seguinte, no início do governo do presidente Eurico Gaspar Dutra, recusou um convite do interventor no Rio Grande do Sul, Cilon Rosa, para reassumir a prefeitura de São Lourenço do Sul, preferindo candidatar-se à Assembléia Constituinte estadual na legenda do Partido Social Democrático (PSD). Eleito em janeiro de 1947, tornou-se quarto-secretário da mesa da Assembléia Constituinte do estado. Participou dos trabalhos constituintes e exerceu em seguida seu mandato na legislatura ordinária. Nesse período, iniciou seus estudos de economia.

Em outubro de 1950 foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Sul na legenda do PSD. Em fevereiro de 1951, após deixar a Assembléia gaúcha, teve início o seu mandato na Câmara Federal, que foi dedicado principalmente aos problemas agrários de seu estado. Contrário à tese do monopólio estatal do petróleo e favorável à participação de capitais estrangeiros na Petrobras, em setembro de 1952 apresentou uma emenda ao projeto do Executivo, procurando facilitar a aquisição de ações da empresa. Essa modificação — acusada pelos defensores do monopólio estatal de possibilitar indiretamente o ingresso de capitais privados estrangeiros na Petrobras — foi rejeitada na Câmara dos Deputados por 96 votos contra 56. Em outubro de 1953 a tese do monopólio estatal foi aprovada pelo Congresso e sancionada em seguida por Vargas.

Em outubro de 1954, foi novamente eleito deputado federal, tornando-se, em abril de 1956, vice-líder do PSD na Câmara Federal. Nessa legislatura participou ativamente da Comissão de Educação da Câmara, colaborando na fase preparatória da Lei Federal de Diretrizes e Bases do Ensino, que só seria aprovada anos depois. Reeleito pela terceira vez consecutiva em outubro de 1958, continuou a atuar como membro da Comissão de Educação e exerceu a vice-presidência da Câmara dos Deputados de 1959 a 1960. Foi também suplente das comissões de Legislação Social, de Relações Exteriores e de Finanças e vice-presidente da Comissão Jurídica e Social da União Interparlamentar.

Entrosado com os problemas dos setores agropecuário e industrial brasileiros, em janeiro de 1961, nos últimos dias do governo Juscelino Kubitschek (1956-1961), foi nomeado pelo presidente diretor da Carteira de Crédito Agrícola e Industrial do Banco do Brasil (Creai), licenciando-se conseqüentemente da Câmara dos Deputados. Foi mantido à frente do Creai pelos presidentes Jânio Quadros (1961), João Goulart (1961-1964) e Humberto de Alencar Castelo Branco, este último eleito indiretamente após a deposição de João Goulart pelo movimento político-militar de 31 de março de 1964. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), de orientação governista. Durante sua atuação à frente do Creai, ampliou o acesso e as facilidades de concessão de crédito agrícola e industrial, sobretudo ao setor agropecuário, e promoveu a simplificação das formalidades para a obtenção de financiamentos.

Em 20 de março de 1967, substituindo Luís de Morais Barros, foi nomeado para a presidência do Banco do Brasil pelo marechal Artur da Costa e Silva, empossado no governo da República em 15 de março daquele ano. Nesse mesmo dia deixou a direção do Creai.

Na presidência do Banco do Brasil (1967-1974)

No início de sua gestão determinou a contenção do crescimento do quadro de funcionários, criando ao mesmo tempo cursos intensivos de treinamento de pessoal, visando à racionalização e à dinamização dos serviços bancários. Ativou os setores de câmbio e de comércio exterior, entrosando-os com a orientação governamental de expansão das exportações brasileiras, secundando assim a atividade comercial do país.

Ampliou a rede de agências e escritórios internacionais do Banco do Brasil, restrita até então à América Latina, estendendo-a para o hemisfério norte. Em 1969 inaugurou a agência de Nova Iorque e em seguida a de Londres, para a captação de recursos junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e ao Banco Mundial e a obtenção de empréstimos externos em outras áreas.

Quando da posse na presidência da República do general Emílio Garrastazu Médici, em outubro de 1969, foi mantido na presidência do Banco do Brasil. Em novembro de 1971 anunciou, juntamente com o ministro da Fazenda, Antônio Delfim Neto, a formação do European Brazilian Bank (Eurobrás), em sociedade com três bancos europeus e um norte-americano. Durante sua administração, reduziu também os juros sobre empréstimos a pequenos e médios produtores, fortaleceu a Carteira de Crédito Agrícola e Industrial e elevou para 12 o total de agências e escritórios internacionais do banco. Durante toda sua gestão integrou o Conselho Monetário Nacional.

Deixou a direção do banco em 19 de março de 1974, nos primeiros dias do governo do general Ernesto Geisel, para disputar uma cadeira no senado pelo Rio Grande do Sul, na legenda da Arena. Foi substituído no cargo por Ângelo Calmon de Sá. Derrotado nas eleições de 15 de novembro por Paulo Brossard, candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) — partido de oposição ao regime militar —, retirou-se da vida pública, iniciando uma intensa atividade empresarial e desenvolvendo diversos empreendimentos agrícolas. Passou a exercer a presidência da Associação Brasileira da Indústria de Fumo (Abifumo) e assumiu a direção de inúmeras empresas privadas, entre as quais o Grupo Denasa e o Grupo Têxtil Bangu, e a presidência do conselho administrativo das Indústrias Bayer.

Em 1979 foi nomeado novamente para o Conselho Monetário Nacional e para o conselho do Banco do Brasil pelo presidente João Batista Figueiredo, que assumira a presidência da República em 15 de março daquele ano. Em março de 1982 foi designado pelo presidente Figueiredo, em substituição a Oziel Carneiro, secretário-executivo do Conselho Interministerial do Projeto Grande Carajás, relativo a uma área de 400km2 nos estados do Pará e Maranhão. O conselho tinha por objetivo o planejamento e a coordenação da exploração dos recursos minerais da região, a implantação e o desenvolvimento de um programa agroindustrial e a criação de um fundo de recursos para atender a esse programa.

Participou, entre outras, das II, III e IV conferências da Comissão Interamericana Econômica e Social, realizadas respectivamente em São Paulo, Lima e Buenos Aires; do I Seminário Brasileiro de Instituições Financeiras; da Conferência sobre Bancos Centrais em Buenos Aires; e da I Reunião Latino-Americana de Instituições Financeiras de Desenvolvimento, em Washington.

Tornou-se presidente do conselho de diretores do Eurobrás, da Comissão Consultiva de Crédito Industrial do Conselho Monetário Nacional e da Comissão de Compra do Trigo Nacional. Integrou também os conselhos Nacional de Comércio Exterior, Nacional de Desenvolvimento da Pecuária (Condepe), Consultivo da Indústria Siderúrgica (Consider) e de Desenvolvimento Industrial (CDI).

Em 1984, Jost ocupava os cargos de presidente da Associação Brasileira da Indústria do Fumo e de diretor-executivo do Projeto Carajás, quando foi convidado pelo então ministro Leitão de Abreu para assumir o Ministério da Agricultura do governo do general João Batista Figueiredo (1979-1985). O convite se deu logo após o afastamento do antigo ministro Ângelo Amauri Stábile que justificou sua saída para facilitar a apuração de irregularidades no Banco Nacional de Crédito Cooperativo (BNCC). Stábile caiu em função das denúncias de irregularidades no BNCC, do agravamento de suas relações com Delfim Neto e por sua discordância com a entrega da Cobal ao PTB. Jost foi um dos primeiros homens do governo a defender mudanças na correção monetária que considerava um dos fatores da alta da inflação. Assumiu a pasta em março de 1984, defendendo um nova política agrícola baseada no acesso fácil ao crédito rural, na manutenção da política de preços garantidos e de estoque regulador, e na garantia dos preços dos custos da produção, transporte e armazenamento.

A nomeação de Jost teve evidentes implicações no processo sucessório de João Figueiredo. Jost era colaborador e simpatizante da candidatura do ministro do Interior, Mário Andreazza, que chegou a cogitar indicá-lo para o comando da economia caso fosse eleito.

A atuação de Jost no Ministério da Agricultura dirigiu-se para o abastecimento do mercado interno e não para a exportação. Além disso, embora tenha realizado mudanças na direção dos órgãos vinculados à pasta, manteve o acordo firmado entre o governo e o PTB, no qual este partido tinha o direito de indicar a diretoria da Cobal. Também em 1984, criou uma subsecretaria-geral para o Nordeste que foi ocupada pelo suplente de deputado federal por Pernambuco José Inácio da Silva que pertencia ao grupo político que apoiava a candidatura de Andreazza.

Neste último ano, Jost foi acusado pelo deputado federal  Hélio Duque (PMDB-PR) de estar envolvido no escândalo do BNCC. Duque afirmou que a empresa Granóleo, presidida por Jost, teria  cobrado juros da Central de Cooperativas de Produtores Rurais do Rio Grande do Sul (Central-Sul) por operações realizadas no mercado financeiro americano, prática considerada ilegal pelo Banco Central. Convocado para depor na Comissão de Agricultura da Câmara, Jost admitiu as irregularidades e afirmou que os fatos deviam ser esclarecidos. Ainda assim, defendeu o sistema cooperativista que ajudou a montar, sustentando que ele era imprescindível para o desenvolvimento econômico de seu estado.

Em agosto de 1984, Andreazza foi derrotado por Paulo Maluf na convenção do Partido Democrático Social (PDS) que indicou o candidato governista à sucessão de Figueiredo. Apesar da vitória, Maluf não teve o apoio de todo o partido e acabou sendo derrotado no Colégio Eleitoral de 15 de janeiro de 1985 que deu a vitória ao ex-governador de Minas Gerais Tancredo Neves, eleito presidente da República pela Aliança Democrática, coligação do PMDB com a dissidência pedessista reunida na Frente Liberal. Gravemente enfermo, Tancredo, no entanto, não chegou a assumir a presidência, sendo internado no Hospital de Base de Brasília na véspera de sua posse, marcada para 15 de março. Com isso, o vice José Sarney tornou-se o novo presidente do país, sendo efetivado no cargo após a morte do ex-governador mineiro em 21 de abril de 1985.

Com o fim do regime militar, Jost perdeu grande parte de sua influência política e afastou-se da vida pública, passando a dedicar-se aos seus negócios, em especial à Avipal, maior aviário do Rio Grande do Sul. Em 1986, presidiu o Conselho de Administração da Trol, empresa controlada pelo ministro da Fazenda Dílson Funaro.

Em 1989, filiado ao Partido Democrático Social (PDS) fez várias críticas à politica econômica do então presidente José Sarney, propondo a este uma redução na taxa de juros. Sua opinião era de que as altas taxas inviabilizavam o investimento na produção, além de defender a retomada dos investimentos e a recuperação dos salários. Seu nome chegou a ser cogitado nesta ocasião para o Ministério da Fazenda, o que não passou de um boato.

Em abril de 1993, ingressou no Partido Progressista Reformador (PPR), resultado da fusão entre o PDS e o Partido Democrata Cristão (PDC) e, em agosto de 1995, com a união do PPR ao Partido Progressista (PP), filiou-se ao Partido Progressista Brasileiro (PPB).

Em 1998 tornou-se conselheiro da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

Jost foi ainda presidente do Conselho de Administração da Bayer do Brasil, conselheiro técnico da Confederação Nacional de Comércio e da Sociedade Nacional de Agricultura, e diretor da União de Refinadores e da corretora de valores Concentro.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 9 de outubro de 2010.

Casou-se com Iná Ferreira Jost, com quem teve cinco filhos.

FONTES:  CAFÉ FILHO, J. Sindicato; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CÂM. DEP. Relação nominal; Cidadão (1); CISNEIROS, A. Parlamentares; COUTINHO, A. Brasil; Encic. Mirador; FONTENLA, V. História; Globo (26/4/84 e 16/1/85); Grande encic. Delta; INF. BIOG.; Jornal do Brasil (31/1 e 11 e 13/12/77); KLEIN, L. Cronologia; MONTEIRO, F. Banco; MUSEU DO BANCO DO BRASIL; NÉRI, S. 16; Perfil (1972); REIS, A. Bibliografia bras.; SILVA, R. Notas; SILVA  JÚNIOR, J. Galeria; VÍTOR, M. Batalha; Who’s who in Brazil.

 

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