JURUNA, MARIO

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Nome: JURUNA, Mário
Nome Completo: JURUNA, MARIO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
JURUNA, MÁRIO

JURUNA, Mário

*dep. fed. RJ 1983-1987.

Mário Juruna nasceu em Couto Magalhães (MT) no dia 3 de setembro de 1943, filho dos índios xavantes Isaías Butsé e Mercedes Ro Otsitsina.

Viveu na selva, sem contato com a civilização, até os 17 anos. Adulto, tornou-se cacique da aldeia xavante Namunjurá, localizada na reserva indígena de São Marcos, no município de Barra do Garça (MT). Por volta de 1977 apareceu em Brasília pedindo ao governo agasalhos, cobertores e sapatos para sua comunidade. Ficou conhecido por seu gravador, que usava para registrar as promessas dos “brancos”, que considerava mentirosos. Ganhando notoriedade, em 1980 presidiu, como delegado dos índios brasileiros, o IV Tribunal Bertrand Russel em Roterdam, na Holanda.

No pleito de novembro de 1982 elegeu-se deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro na legenda do Partido Democrático Trabalhista (PDT), doando na ocasião seu gravador ao Museu do Índio de Campo Grande (MT). Primeiro deputado índio no Brasil, ao declarar antes de ser empossado que não usaria paletó e gravata nem pronunciaria seus discursos em português, causou certa inquietação no Congresso e suscitou discussões na imprensa sobre a questão do decoro parlamentar. Iniciada a legislatura em fevereiro de 1983, em abril seguinte encontrou-se com o ministro do Interior, coronel Mário Andreazza, a quem entregou um documento, elaborado a partir de depoimentos de 360 líderes sertanistas e missionários, fazendo acusações à Fundação Nacional do Índio (Funai) por estar distanciada da realidade indígena. Estreou na tribuna da Câmara no Dia Nacional do Índio, 19 de abril, pronunciando discurso em português, no qual pedia a demissão de todo o ministério do governo do general João Batista Figueiredo, a quem considerava “bom, mas mal assessorado”. Sugeria também o retorno dos militares aos quartéis e afirmava a necessidade de a Funai ser administrada por índios, e não por militares. Ao final do discurso, presenteou o presidente da Câmara, Flávio Marcílio, com um cocar, sendo aplaudido pela bancada de oposição e por mais de quatrocentas pessoas que ocuparam as galerias.

Ainda em 1983, foi membro da Comissão do Interior da Câmara dos Deputados. Em setembro proferiu discurso que foi considerado ofensivo à honra do presidente da República e de seus ministros por tê-los chamado de corruptos e ladrões, entre outros adjetivos. Vários ministros chegaram a encaminhar à Câmara um pedido de punição, propondo a cassação de seu mandato. Em 25 de abril de 1984 declarou-se favorável à aprovação da emenda Dante de Oliveira, que previa para novembro seguinte o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República, suspensas desde a instauração do regime militar em abril de 1964. A proposta não obteve, contudo, a votação necessária para ser encaminhada ao Senado. Ainda em abril de 1984, encaminhou ao procurador-geral da República, Inocêncio Mártires Coelho, um documento elaborado por líderes indígenas reivindicando que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerasse inconstitucional o decreto que submetia a demarcação de suas terras — antes atribuição da Funai — à autorização de um grupo formado por representantes dos ministérios de Assuntos Fundiários e do Interior, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e dos governos estaduais.

Em outubro seguinte, acusou o empresário Calim Eid, coordenador da campanha presidencial do candidato do Partido Democrático Social (PDS), Paulo Maluf, de tentar suborná-lo para que votasse no candidato pedessista ou para que não comparecesse ao Colégio Eleitoral. Resistindo às pressões, em 15 de janeiro de 1985 votou em Tancredo Neves para presidente. Lançado pela coligação oposicionista Aliança Democrática, que reuniu o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e a dissidência pedessista Frente Liberal, Tancredo foi eleito com uma expressiva votação, mas não chegou a tomar posse em 15 de março, devido a uma grave doença. Substituído por seu vice José Sarney, veio a falecer no dia 21 de abril de 1985, não tendo chegado a exercer a presidência do país.

Ainda na legislatura 1983-1987, Juruna presidiu a Comissão do Índio, tendo conseguido aprovar um projeto que modificava a composição da diretoria da Funai, o que garantiu a formação de um conselho diretor para fiscalizar a atuação da entidade nas áreas indígenas. Em 1986, no período de campanha eleitoral, queixou-se da falta de apoio do PDT para sua candidatura à Assembléia Nacional Constituinte. Na época, chegou a mencionar a possibilidade de criar nova agremiação política, o Partido do Índio Brasileiro (PIB), caso não conseguisse ser reeleito. Derrotado nas urnas em novembro, desligou-se do PDT e deixou a Câmara em janeiro de 1987. Em seguida foi contratado pelo Projeto Rondon e colocado à disposição da Constituinte como assessor técnico.

Em 1990 ingressou no Partido Liberal Humanista (PLH). Nas eleições de outubro desse ano candidatou-se novamente a deputado federal pelo Distrito Federal e obteve uma suplência. Foi assessor da Funai até 1994. De volta ao PDT, em outubro desse ano foi mais uma vez candidato a deputado federal. Mais uma vez derrotado, em 1995 tornou-se assessor da liderança do PDT na Câmara.

Faleceu em Brasília no dia 17 de julho de 2002.

Foi casado três vezes, uma delas com Doralice Carvalho Juruna, e teve 14 filhos.

Publicou O gravador do Juruna (1983).

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1983-1987, 1991-1995); Estado de S. Paulo (5/3 e 24/4/83 e 26/8/94); Folha de S. Paulo (12/12/82 e 20/4/83); Globo (13/4/83, 26/4 e 26/10/84, 16/1/85, 13/9, 19/10 e 21/11/86 e 21/5/95); Jornal do Brasil (8/12/82, 20 e 30/4 e 29/9/83, 27/10/84; 23/4/87 e 18/7/02 ).

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