KLEINUBING, VILSON

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Nome: KLEINÜBING, Vílson
Nome Completo: KLEINUBING, VILSON

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
KLEINÜBING, VÍLSON

KLEINÜBING, Vílson

*dep. fed. SC 1983 e 1987; gov. SC 1991-1994; sen. SC 1995-1998.

 

Vílson Pedro Kleinübing nasceu em Montenegro (RS) no dia 9 de setembro de 1944, filho de Valdemar Kleinübing e de Carmelina Pontin Kleinübing.

Fez os primeiros estudos no Colégio Imaculada Conceição, em Videira, cidade catarinense da qual seu pai viria a ser prefeito entre 1966 e 1969.

De 1958 a 1959 trabalhou como auxiliar de escritório no Banco Contábil Ltda., também em Videira e, no ano seguinte, iniciou o curso secundário no Colégio Catarinense, em Florianópolis, concluído em 1962 no Colégio Anchieta, em Porto Alegre. Em 1967, assumiu a chefia da área de planejamento e controle da produção da Ipesul Ltda., empresa sediada na capital gaúcha, cargo que exerceu até o ano seguinte, quando se graduou engenheiro mecânico pela Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em 1969 voltou a Florianópolis para trabalhar como engenheiro-assistente na Ineal Engenharia e Arquitetura S.A. Pós-graduou-se em engenharia econômica, administração de empresas e finanças industriais na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 1970 e, em seguida, tornou-se professor titular de processamento de dados da Escola Superior de Administração e Gerência (ESAG), na qual permaneceria até 1978.

Ainda em 1970 ingressou, como analista de sistemas, nos quadros das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), empresa pública estadual de energia elétrica. Na Celesc, foi assessor do diretor administrativo em 1972 e, no ano seguinte, assumiu a chefia do Departamento de Distribuição, onde permaneceria até 1979. À frente desse departamento participou, em 1975, da organização da Comissão Regional de Processamento de Dados do Setor Elétrico. Em 1977 presidiu o conselho da Sociedade dos Usuários de Computadores Eletrônicos e Equipamentos Subsidiários (Susesu) e, em 1979, integrou o Grupo de Planejamento da Administração do Estado de Santa Catarina. Entre 1979 e 1981 esteve à frente da Diretoria de Distribuição da Celesc.

Iniciou sua atividade política em 1980 filiando-se ao Partido Democrático Social (PDS). Nesta agremiação lançou-se, no início de 1982, candidato à Câmara dos Deputados, deixando, por essa razão, seu cargo na diretoria da Celesc. Nas eleições de 15 de novembro daquele ano foi o candidato a deputado federal mais votado do estado.

Empossado em 1º de fevereiro de 1983, licenciou-se do cargo em março seguinte para assumir a secretaria de estado de Agricultura e Abastecimento, a convite do governador recém-empossado Esperidião Amin (1983-1987). Para ocupar sua cadeira na Câmara, foi convocado o suplente Evaldo Amaral. Presidente do PDS catarinense em 1985, no ano seguinte deixou o partido e o cargo no Executivo estadual ao ser preterido na disputa para o governo do estado pelo candidato apoiado por Esperidião Amin, Amílcar Gazanica.

Convidado por Jorge Bornhausen, presidente do Partido da Frente Liberal (PFL) em Santa Catarina, lançou-se candidato nessa legenda à sucessão estadual no pleito de novembro de 1986. Numa disputa que envolveu seis postulantes ao cargo, ficou em segundo lugar, tendo sido derrotado pelo candidato do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Pedro Ivo Campos.

Em 1988, com vistas às eleições municipais marcadas para novembro, as principais forças políticas de Santa Catarina, representadas pelo PFL e pelo PDS, recompuseram-se lançando, com o apoio de outras legendas conservadoras, chapas comuns em quase todos os municípios do estado. Na ocasião, Vílson Kleinübing voltou a disputar a prefeitura de Blumenau, tendo como vice Vítor Fernando Sasse, do Partido Liberal (PL). Vitorioso nas urnas, tomou posse em 1º de janeiro do ano seguinte, permanecendo à frente do Executivo municipal até 2 de abril de 1990, ocasião em que se desincompatibilizou do cargo para candidatar-se, outra vez, ao governo do estado.

Nesse ano, tendo em vista as eleições para o Executivo estadual, para uma vaga no Senado e para a Câmara dos Deputados, o PFL novamente coligou-se ao PDS e a três outros partidos menores, reaglutinando na chapa “União por Santa Catarina” os derrotados no pleito de 1986. O PFL indicou os candidatos a governador e vice-governador, respectivamente Vílson Kleinübing e Antônio Carlos Konder Reis; e o PDS, o candidato ao Senado, Esperidião Amin. No primeiro turno das eleições, realizado em outubro de 1990, a coligação saiu vitoriosa das urnas elegendo toda a chapa majoritária.

Vílson Kleinübing tomou posse no governo do estado em 1º de janeiro de 1991, reafirmando seu compromisso de campanha de construir uma sala de aula por dia de governo e dez mil casas por ano “para operários que pagam aluguel ou não têm onde morar”. Sua administração foi marcada pelo enxugamento da máquina do governo, que promoveu a demissão de cerca de 20 mil funcionários, e pelo impulso à agroindústria e ao turismo.

No começo de 1994, o PFL e o Partido Progressista Reformador (PPR) — agremiação surgida em 1993 da fusão do PDS com o Partido Progressista (PP) — articularam-se novamente para o lançamento de chapa majoritária única à sucessão estadual, com a intenção de lançar as candidaturas de Esperidião Amin e Vílson Kleinübing, respectivamente para os cargos de governador e senador, invertendo os fatores da fórmula que vencera as eleições em 1990. Para integrar a chapa considerada imbatível, Vílson Kleinübing — cujo governo contava então com elevados índices de aprovação popular —, desincompatibilizou-se do cargo de governador em 31 de março de 1994, passando a chefia do governo a Konder Reis. No final de março, entretanto, a aliança entre as principais forças políticas catarinenses sofreria uma reviravolta em função da decisão do senador Esperidião Amin — líder de todas as pesquisas de intenção de voto em Santa Catarina — de abandonar a sucessão estadual para concorrer às eleições presidenciais, apresentando para substituí-lo na campanha ao governo catarinense o nome de sua esposa, Ângela Amin.

A decisão de Amin levou ao rompimento da aliança e o PFL acabou lançando o nome do ex-senador Jorge Bornhausen para a disputa ao governo do estado, enquanto o PPR empenhou-se na candidatura de Ângela Amin. Não obstante os efeitos negativos da divisão dessas forças sobre o controle da política estadual — Jorge Bornhausen não chegou ao segundo turno e Ângela Amin foi derrotada, em 15 de novembro, por Paulo Afonso Vieira, do PMDB — Vílson Kleinübing conseguiu eleger-se senador da República com quase um milhão de votos.

Empossado em 1º de janeiro de 1995 para um mandato de oito anos, Vílson Kleinübing foi vice-líder do governo no Senado e integrou, como titular, as comissões de Assuntos Econômicos e de Serviços de Infra-Estrutura e, como suplente, as comissões de Educação e de Relações Exteriores e Defesa Nacional.

Durante o processo de votação das emendas constitucionais enviadas pelo Executivo Federal ao Congresso ao longo de todo o ano de 1995, pronunciou-se a favor das principais propostas do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Assim, votou pela abolição do monopólio estatal na exploração do petróleo e nas telecomunicações, pelo fim do monopólio dos governos estaduais na distribuição do gás canalizado, pela abertura da navegação de cabotagem às embarcações de outros países, pela extinção do conceito de empresa nacional e pela criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF).

Em 1996, destacou-se pelas denúncias que apresentou contra o governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira, a quem acusou de haver emitido irregularmente 605 milhões de reais em títulos públicos para o pagamento de dívidas judiciais do governo (os precatórios), na época em que Paulo Afonso era secretário de Fazenda do governo Pedro Ivo Campos (1987-1990). Com base em suas denúncias foi instalada, em novembro daquele ano, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades na emissão e negociação de títulos públicos estaduais e municipais entre 1995 e 1996.

Os trabalhos da CPI dos Precatórios, da qual foi sub-relator, estenderam-se por todo o primeiro semestre de 1997 e desvendaram parte de um complexo esquema montado por corretoras de valores, com a conivência de prefeituras e governos estaduais, para ganhar milhões de reais às custas dos cofres públicos. As investigações acabaram envolvendo, além do governador de Santa Catarina, os de Pernambuco, Miguel Arrais, e de Alagoas, Divaldo Suruagi, e o prefeito de São Paulo, Celso Pitta que, na época da emissão dos títulos, ocupava a secretaria de Finanças do estado de São Paulo.

Sua destacada participação nos trabalhos da CPI, ao lado de Esperidião Amin, foi considerada por seus adversários em Santa Catarina como uma tentativa de desestabilizar o governo do PMDB, que se configurava como o principal obstáculo à hegemonia das duas forças políticas mais tradicionais do estado. Na ocasião, o PFL, que havia apoiado a candidatura de Paulo Afonso no segundo turno das eleições de 1994, retirou-se do governo e sua bancada no Legislativo catarinense passou a exigir o impeachment do governador. O pedido de impeachment solicitado pela seção catarinense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entretanto, acabou sendo recusado pela Assembléia estadual em outubro de 1997.

Conhecido por sua preocupação com as contas públicas, também em 1997 conseguiu a aprovação pelo Congresso Nacional de um projeto de sua autoria, de acordo com o qual todos os recursos arrecadados com as privatizações estaduais deveriam ter pelo menos metade do seu total destinada ao pagamento das dívidas públicas desses estados. A chamada Lei Kleinübing, entretanto, teve sua validade suspensa pelo Superior Tribunal Federal (STF) por ferir o princípio federativo de autonomia dos estados.

Fiel aos compromissos de seu partido com o governo Fernando Henrique, nas votações dos principais projetos enviados pelo Executivo Federal ao Congresso em 1997 e 1998, apoiou o projeto de emenda constitucional da reeleição e os projetos de reforma administrativa e de reforma da previdência nos termos propostos pelo governo.

Faleceu em Florianópolis no dia 23 de outubro de 1998, em pleno exercício do mandato senatorial. Sua vaga na Senado foi ocupada por seu suplente, o empresário Geraldo Althoff.

Era casado com Vera Maria Karan Kleinübing, com quem teve três filhos.

Rejane Correia de Araújo

 

FONTES: ASSEMB. LEGISL. SC. Dicionário político; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1983-1987); Estado de S. Paulo (3/6/90, 22/1/96, 24/10/98); Folha de S. Paulo (14/1, 8/2 e 25/11/96, 29/9 e 24/10/98); Globo (4/10/90, 22/3 e 7/5/97); Jornal do Brasil (19/3/91, 16/4/93, 26/2/96); KONDER, V. M. Antônio Carlos Konder Reis; Perfil parlamentar/IstoÉ; SENADO. Dados biográficos.

 

 

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