LANDULFO ALVES DE ALMEIDA

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Nome: ALVES, Landulfo
Nome Completo: LANDULFO ALVES DE ALMEIDA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
ALVES, LANDULFO

ALVES, Landulfo

*interv. BA 1938-1942; sen. BA 1951-1954.

 

Landulfo Alves de Almeida nasceu em Santo Antônio de Jesus (BA) no dia 4 de setembro de 1893, filho de Aprígio Alves de Almeida e de Ana Augusto Alves de Almeida. Entre seus irmãos, destacou-se Isaías Alves de Almeida, secretário de Educação da Bahia (1938-1942) e diretor da Faculdade de Filosofia da Universidade da Bahia (1942-1961).

Fez os estudos preparatórios no Ginásio Ipiranga, em Salvador. Em 1914, formou-se em engenharia agronômica na Escola Federal de Agricultura de São Bento das Lajes (BA). Mais tarde, fez um curso especializado em zootecnia em Pinheiros (SP), tendo recebido prêmio de viagem aos Estados Unidos.

Nesse país, fez cursos de especialização em zootecnia e freqüentou o Agriculture and Mechanical College, no Texas.

Landulfo Alves era diretor da Divisão de Fomento Animal do Ministério da Agricultura quando foi nomeado interventor federal na Bahia, graças à sua capacidade como técnico agrícola e à estreita ligação com Geraldo Rocha, amigo do então presidente Getúlio Vargas e proprietário do jornal A Noite. Assumiu a interventoria em 28 de março de 1938, substituindo o coronel Antônio Fernandes Dantas, comandante da 6ª Região Militar, que ocupava aquele cargo desde a decretação do Estado Novo e a conseqüente destituição de Juraci Magalhães (novembro de 1937).

O governo de Landulfo Alves deixou marcas duradouras nos setores de agricultura, transporte, educação e cultura, saúde e urbanismo.

Para incrementar a economia interiorana, renovou a estrutura da Secretaria de Agricultura, tendo construído quatro núcleos coloniais e duas escolas rurais. Novos métodos agropecuários foram levados a cerca de 70 municípios. Auxiliado pelo Serviço de Colonização do Nordeste, fomentou a cultura do algodão, da mamona e do sisal, criando com essa finalidade uma estação experimental. Em Feira de Santana, instalou um aviário modelo e introduziu a mecanização da lavoura.

Além disso, Landulfo Alves transferiu a Escola de Agronomia para a cidade de Cruz das Almas, grande centro baiano de produção e industrialização de fumo, dotando-a de modernos equipamentos e instalações e transformando-a numa das faculdades mais importantes do país.

Durante seu governo, realizou-se na Bahia o primeiro plano rodoviário de caráter sistemático. Construíram-se cerca de oitocentos quilômetros de rodovias, entre as quais a que liga Itambé a Palestina, o que permitiu a articulação dos centros de produção litorâneos.

Mediante a criação de 30 novos postos de saúde no interior e na capital, combateu o tracoma, doença amplamente difundida no estado.

No setor de educação e cultura, criou a Faculdade de Filosofia e Letras, doou à Academia de Letras da Bahia a sua sede e estimulou os trabalhos da Faculdade de Direito, fornecendo-lhe ajuda financeira. Fez erguer grande número de escolas primárias e terminou a construção, iniciada no governo anterior, de dois estabelecimentos de ensino muito conhecidos na capital baiana: o Instituto Normal da Bahia e o Grupo Escolar Duque de Caxias.

Entre as obras urbanísticas que realizou em Salvador, destaca-se o alargamento da praça da Sé, da ladeira da Água Brusca e da rua Carlos Gomes.

Em 1942, o torpedeamento de navios brasileiros por submarinos alemães desencadeou um forte sentimento antigermânico na população baiana. Landulfo Alves era casado com uma alemã, Elsa Schneider Alves. Acredita-se que esse fato tenha sido uma das razões de seu afastamento do governo, em 23 de novembro daquele ano, quando foi substituído na interventoria pelo comandante da 6ª Região Militar, Renato Onofre Pinto Aleixo.

Em 1950, Landulfo Alves voltou ao cenário político, elegendo-se senador pela Bahia na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), com 302.051 votos, contra 273.770 do candidato da União Democrática Nacional (UDN), Clemente Mariani.

Líder da bancada do PTB no Senado em 1952, além de relator, foi um dos ardorosos defensores da Lei nº 2.004, que criou a Petrobras e instituiu o monopólio estatal do petróleo. Nesse processo, enfrentou intensa resistência dos defensores da participação da iniciativa privada na exploração petrolífera.

Morreu no Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1954, após longa enfermidade. Pouco antes, participara da campanha sucessória do governo da Bahia, enviando mensagens de apoio aos candidatos petebistas. Em sua homenagem, a refinaria de petróleo de seu estado natal, a primeira instalada no país pela Petrobras, foi denominada Refinaria Landulfo Alves.

Além de discursos, conferências e artigos de caráter político, publicou obras técnicas sobre agricultura e pecuária. Sobre seu governo na Bahia, o Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda (DEIP) publicou, em 1942, O que fez em quatro anos o governo Landulfo Alves: as grandes realizações do estado nacional na Bahia.

Amélia Coutinho

 

 

FONTES: BIB. NAC.; CISNEIROS, A. Parlamentares; COHN, G. Petróleo; CORRESP. GOV. EST. BA; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; HÍLTON, S. Suástica; INST. HIST. GEOG. BRAS.; Jornal do Brasil (19/10/54); MELO, A. Cartilha; SENADO. Relação; SENADO. Relação dos líderes.

 

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