LEONIDAS FERNANDES CARDOSO

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Nome: CARDOSO, Leônidas
Nome Completo: LEONIDAS FERNANDES CARDOSO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CARDOSO, LEÔNIDAS

CARDOSO, Leônidas

*militar; dep. fed. SP 1955-1959.

 

Leônidas Fernandes Cardoso nasceu em Curitiba no dia 24 de fevereiro de 1889, filho do general Joaquim Inácio Batista Cardoso e de Leonídia Fernandes Cardoso. Seu avô paterno, Felicíssimo do Espírito Santo Cardoso, foi o primeiro presidente republicano do estado de Goiás. Seu pai integrou as forças legalistas que combateram a Revolta da Armada em 1893, estreitando suas ligações com o presidente Floriano Peixoto, de quem se tornou um dos maiores amigos. Foi igualmente ligado ao general Hermes da Fonseca e participou, na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, do levante de 5 de julho de 1922, primeiro do ciclo tenentista da década de 1920. Seus irmãos, Felicíssimo Cardoso Neto e Carlos Cardoso, foram, respectivamente, oficial do Exército ligado a sua corrente nacionalista e presidente do Centro Brasileiro de Petróleo e presidente do Banco do Brasil. Seu tio, Dulcídio do Espírito Santo ocupou a prefeitura do Distrito Federal entre 1952 e 1954. Felicíssimo do Espírito Santo Cardoso, seu primo, foi deputado estadual por Goiás e prefeito de Jaraguá (GO). Ciro do Espírito Santo Cardoso, também seu primo, ocupou a pasta da Guerra (1952-1954).

Leônidas Cardoso sentou praça em junho de 1905 no Paraná, ingressando em seguida na Escola de Guerra de Porto Alegre. Saindo da escola como aspirante-a-oficial ligado ao Serviço de Intendência, foi promovido a segundo-tenente em novembro de 1910. Em 1914, começou a colaborar em revistas e jornais de curta duração. Suas colaborações na imprensa — tratando de assuntos da história do Brasil e dos movimentos revolucionários e populares — continuariam até 1930 mas, a partir de certo momento, passariam a ser feitas em órgãos importantes do Rio de Janeiro, como o Correio da Manhã, O País, Gazeta de Notícias, O Globo, A Noite, O Imparcial e o Jornal do BrasiL

Ainda como segundo-tenente, iniciou estudos de medicina que foram interrompidos em 1917, devido ao seu envolvimento nas agitações populares que assinalaram a repercussão, em vários pontos do país, da Revolução Russa. Servindo em Jaguarão (RS), foi promovido a primeiro-tenente em julho de 1919 e iniciou um curso de direito que também interrompeu em 1922, por causa de sua participação na revolta de 5 de julho desse ano. O movimento, que irrompeu no Distrito Federal e em Mato Grosso, em protesto contra a eleição de Artur Bernardes para a presidência da República e contra as punições impostas pelo presidente Epitácio Pessoa aos militares — o fechamento do Clube Militar e prisão do marechal Hermes da Fonseca —, foi debelado no mesmo dia, mas ficou conhecido pela resistência oferecida às tropas legalistas pelos chamados 18 do Forte de Copacabana, no Rio.

Em 1923 passou a servir no Rio de Janeiro, sendo deslocado em seguida para Óbidos (PA) e Belém. Apoiou a revolta de 5 de julho de 1924, comandada em São Paulo pelo general Isidoro Dias Lopes, a qual deu origem, após a junção dos militares rebelados nesse estado com os que eram dirigidos no Rio Grande do Sul pelo capitão Luís Carlos Prestes, à Coluna Miguel Costa-Prestes. Entre 1924 e 1927 atuou em São Luís, passando depois para Itatiaia (RJ), onde ficou até 1928. Em agosto desse ano foi promovido a capitão e voltou a servir no Rio de Janeiro, onde retornou e concluiu — em 1931 —, na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, o curso de ciências jurídicas e sociais.

Participou da Revolução de 1930 e foi promovido a major em fevereiro de 1933, passando a servir no ano seguinte como oficial-de-gabinete do ministro da Guerra, general Pedro Aurélio de Góis Monteiro. Permaneceu no Rio de Janeiro até 1940, indo servir depois no quartel-general da 2ª Região Militar (2ª RM), em São Paulo. Promovido a tenente-coronel em dezembro de 1942, ficou na 2ª RM até 1943. Após a queda do Estado Novo, em 29 de outubro de 1945, foi promovido a coronel, passando para a reserva como general-de-brigada.

Radicado em São Paulo e trabalhando como advogado, engajou-se nos movimentos de cunho nacionalista que marcaram o governo do general Eurico Gaspar Dutra (1946-1951). Foi um dos criadores, em abril de 1948, do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (CEDPEN). Sua participação na Campanha do Petróleo estendeu-se ao segundo governo de Getúlio Vargas (1951-1954), quando se tornou procurador-geral da Liga de Emancipação Nacional (LEN).

Em 1954, por ocasião da Convenção da Emancipação Nacional realizada no Rio de Janeiro, tornou-se presidente da LEN de São Paulo. No mesmo ano, foi um dos dois candidatos indicados pelos comunistas para concorrerem à Câmara dos Deputados em São Paulo na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), nos marcos do movimento dito “da panela vazia e da bica sem água”. O outro candidato indicado pelos comunistas foi o ex-deputado federal Abguar Bastos.

Nas eleições de 3 de outubro de 1954, foi eleito com 28 mil votos, segundo colocado da bancada paulista do PTB, encabeçada por Ivete Vargas. Iniciou seu mandato em fevereiro do ano seguinte e o encerrou em janeiro de 1959, não mais concorrendo a cargos eletivos.

Faleceu na cidade de São Paulo em 20 de agosto de 1965.

Era casado com Naíde Silva Cardoso, com quem teve três filhos, um dos quais o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, foi senador por São Paulo (1983-1992), ministro das Relações Exteriores (1992-1993), ministro da Fazenda (1993-1994), novamente senador paulista (1994) e duas vezes consecutivas presidente da República (1995-).

 

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação dos dep.; Eleitos; LIGA DE EMANCIPAÇÃO NAC.

 

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