LIMA, JOSE VICENTE FARIA

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Nome: LIMA, José Vicente Faria
Nome Completo: LIMA, JOSE VICENTE FARIA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LIMA, JOSÉ VICENTE FARIA

LIMA, José Vicente Faria

*militar; pres. BNDE 1961; pref. São Paulo 1965-1969.

 

José Vicente Faria Lima nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 7 de outubro de 1909, filho de João Soares Lima, imigrante português que trabalhava no Arsenal de Marinha, e de Castorina Faria Lima. Um de seus irmãos, o almirante Floriano Peixoto Faria Lima, foi presidente da Petrobras de 1973 a 1974 e governador do estado do Rio de Janeiro de 1975 a 1979. Outro irmão, o brigadeiro Roberto Faria Lima, foi inspetor-geral da Aeronáutica em 1974.

Sentou praça em março de 1928, ingressando na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro. Após ter concluído o curso da Escola de Aviação Militar do Campo dos Afonsos, saiu aspirante-a-oficial da arma de aviação em novembro de 1930, logo após a vitória do movimento revolucionário que levou Getúlio Vargas ao poder. Promovido a segundo-tenente em junho de 1931, tornou-se nesse mesmo ano integrante do recém-inaugurado Correio Aéreo Militar (CAM), participando do serviço de transporte de correspondência em aviões militares. Ainda em 1931, cursou a Escola de Engenharia Aeronáutica em Paris.

Encarregado de executar o serviço postal no interior de Goiás no começo de 1932, tomou parte na repressão à Revolução Constitucionalista de São Paulo, transcorrida entre julho e outubro desse ano, efetuando missões aéreas na frente do vale do Paraíba. Recebeu a patente de primeiro-tenente em novembro, depois de cessadas as hostilidades, e em dezembro de 1933 passou a capitão. Em maio de 1935, comandou a esquadrilha acrobática da Aviação Militar do Exército que tomou parte na comitiva que acompanhou o presidente Getúlio Vargas em viagem ao Uruguai e à Argentina e fez exibições naqueles dois países.

Com a criação do Ministério da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira (FAB) em janeiro de 1941, transferiu-se para a nova força armada, a exemplo da quase-totalidade dos oficiais do Exército e da Marinha ligados à aviação. Em agosto do mesmo ano, integrou a comitiva do presidente Vargas em visita oficial ao Paraguai. Promovido a major-aviador em dezembro, foi assessor do primeiro ministro da Aeronáutica, o civil Joaquim Pedro Salgado Filho. Em março de 1944, recebeu a patente de tenente-coronel-aviador e, em abril de 1945, seguiu para os Estados Unidos, chefiando a Comissão de Compras de Material Aeronáutico, com sede em Washington. Permaneceu nesse cargo até dezembro de 1947, quando retornou ao Brasil.

Em janeiro de 1948 passou a ocupar a direção do Parque de Aeronáutica de São Paulo, o Campo de Marte, do qual foi, o principal organizador. Em setembro de 1950, foi promovido a coronel-aviador. Seu trabalho à frente do Parque de Aeronáutica chamou a atenção de Jânio Quadros, que, empossado no governo de São Paulo em janeiro de 1955, designou-o presidente da Viação Aérea São Paulo (VASP), empresa aérea do governo paulista. Este foi seu primeiro cargo fora da carreira militar e nele recuperou as finanças e ampliou as linhas em operação.

Saindo da VASP, foi nomeado por Jânio secretário de Viação e Obras Públicas do estado, realizando o asfaltamento de dois mil quilômetros de estradas, considerada uma das obras mais importantes da administração de Quadros. Em 1958, ainda secretário de Viação e Obras Públicas, foi promovido a brigadeiro-do-ar. Quando Jânio transferiu o governo, em janeiro de 1959, a Carlos Alberto de Carvalho Pinto, eleito em outubro do ano anterior, foi mantido à frente da Secretaria de Viação e Obras Públicas, onde permaneceu até o início de 1961. Nessa ocasião, Jânio, empossado na presidência da República (31/1/1961), nomeou-o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), um dos órgãos mais importantes da estrutura administrativa do governo federal. Nome praticamente desconhecido em termos nacionais e intimamente ligado a Jânio e a Carvalho Pinto, Faria Lima assumiu a presidência do BNDE em março e deixou-a em setembro, após a renúncia de Quadros (25/8/1961) e a posse do vice-presidente João Goulart (7/9/1961).

 

Prefeito de São Paulo (1965-1969)

Retomou sua carreira política após o movimento político-militar de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart, concorrendo à prefeitura de São Paulo nas eleições realizadas em 22 de março de 1965. Este pleito foi o último em que a população da capital paulista elegeu seu prefeito pelo voto direto. Lançado pela legenda da União Democrática Nacional (UDN), disputou as eleições com o vice-governador Laudo Natel, do Partido Republicano (PR), o senador Auro de Moura Andrade, do Partido Social Democrático (PSD), o deputado federal Franco Montoro, do Partido Democrata Cristão (PDC), o senador Lino de Matos, do Partido Trabalhista Nacional (PTN), e o engenheiro Paulo Egídio Martins. Com o apoio de Jânio Quadros — que tivera seus direitos políticos suspensos pelo Ato Institucional nº 1 (AI-1), editado em abril de 1964 —, de Carvalho Pinto e da UDN, a principal base política do governo federal, chefiado pelo marechal Humberto Castelo Branco, obteve mais de 30% dos votos, derrotando seus cinco adversários. Assumiu a prefeitura de São Paulo em abril seguinte, substituindo Francisco Prestes Maia.

Sua administração foi considerada excepcional pelo volume de obras e pela profunda alteração que promoveu na paisagem urbana da cidade. Essas obras valeram-se do saneamento financeiro encetado por Prestes Maia e da alteração da Constituição federal, realizada no governo de Castelo Branco, que permitiu à municipalidade absorver maior parcela dos impostos gerados na capital paulista. A Prefeitura contratou a elaboração do Plano Urbanístico Básico para São Paulo, considerado o primeiro estado de vulto para o planejamento da cidade e que permitiu um organograma de obras de racionalidade inédita e resultados compensadores. Para descentralizar a ação administrativa, a cidade foi dividida em 12 regiões, contando cada uma delas com uma espécie de subprefeito e funcionários encarregados de acompanhar as obras e fazer levantamentos das necessidades da região.

Durante sua gestão foram abertas grandes avenidas, entre as quais a 23 de Maio, projetada mais de 40 anos antes; a Cruzeiro do Sul, ligando a Zona Norte ao Centro da cidade; a Radial Oeste, projetada por Prestes Maia; a Rubem Berta e as marginais dos rios Tietê e Pinheiros. Foram construídos também inúmeros viadutos — como o Alcântara Machado, um dos maiores da América Latina —, mercados distritais e logradouros públicos, como a praça Roosevelt. Ainda nesse setor, mais de dez milhões de metros quadrados de vias públicas foram pavimentados e a iluminação da cidade foi melhorada. A Companhia do Metrô foi organizada e iniciou os trabalhos de perfuração.

No setor cultural-educacional, Faria Lima construiu mais de duas mil salas de aula e criou o corpo de baile do Teatro Municipal, a Orquestra Jovem Sinfônica e a primeira Casa de Cultura, no bairro da Penha. Sua eficiência administrativa na prefeitura de São Paulo conferiu-lhe grande prestígio político, mesmo em nível nacional. Já em julho de 1967, seu nome começou a ser cogitado para a sucessão de Roberto Abreu Sodré no governo do estado em 1970.

Apesar de identificado com as diretrizes do governo do presidente Artur da Costa e Silva, não se filiou imediatamente à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime criado em abril de 1966 em conseqüência do AI-2, que, editado em outubro de 1965, extinguiu os partidos políticos então existentes e abriu caminho para o bipartidarismo no país. Faria Lima chegou mesmo a contar com auxiliares ligados ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), a agremiação oposicionista. Considerado, ao lado do senador Carvalho Pinto e do governador Abreu Sodré, uma das três maiores forças políticas do estado, só veio a filiar-se à Arena em maio de 1968, segundo o jornalista Carlos Castelo Branco, visando garantir sua chance de disputar o governo de São Paulo. No mês seguinte, já se falava abertamente em seu nome para a sucessão paulista.

Em julho de 1968, o ministro da Justiça, Luís Antônio da Gama e Silva, decretou o confinamento de Jânio Quadros em Corumbá (MS), fato que provocou comentários na imprensa devido às conhecidas ligações políticas e pessoais do ex-presidente com Faria Lima. Ao mesmo tempo, seu principal auxiliar, o secretário de Finanças, Francisco de Paula Quintanilha Ribeiro, solidarizou-se com Jânio. Em dezembro seguinte, a edição do AI-5 alterou profundamente o quadro político nacional e, entre outros pontos, tornou indiretas as eleições para governadores. Mesmo com a mudança das regras do jogo, Faria Lima continuou sendo um sério pretendente ao governo de São Paulo. Deixou a prefeitura no dia 8 de abril de 1969, sendo substituído pelo empresário e ex-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF) em São Paulo, Paulo Salim Maluf, nomeado pelo governador Abreu Sodré.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 4 de setembro de 1969, quase um ano antes das eleições a que pretendia concorrer.

Foi casado com Iolanda Faria Lima, prima do general Sizeno Sarmento, interventor federal no Amazonas entre 1946 e 1947, comandante do II Exército entre 1967 e 1968 e do I Exército de 1968 a 1971. Teve três filhos. Seu sobrinho José Roberto Faria Lima foi deputado federal por São Paulo de 1971 a 1979.

 

 

FONTES: CASTELO BRANCO, C. Militares; CORRESP. BANCO NAC. DESENV. ECON.; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; MIN. GUERRA. Almanaque; SKIDMORE, T. Brasil; Veja (13/11/68 e 10/9/69); WANDERLEY, N. História.

 

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