LIMA, NORALDINO

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Nome: LIMA, Noraldino
Nome Completo: LIMA, NORALDINO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LIMA, NORALDINO

LIMA, Noraldino

*dep. fed. MG 1935-1937; interv. MG 1946.

 

Noraldino Lima nasceu em São Sebastião do Paraíso (MG) no dia 12 de janeiro de 1885, filho de Francisco Martiniano de Sousa e de América Brasilina de Souto Sousa. Seu pai era funcionário fiscal no estado de Minas Gerais. O sobrenome Lima lhe foi dado em homenagem a Ana Jacinta de Lima, de quem Noraldino era parente.

Fez seus estudos básicos no Colégio Espírito Santo, na cidade mineira de Monte Santo, onde, por volta de 1903, escreveu seu primeiro livro de versos, intitulado Albores meridionais. Em 1905, transferiu-se para Juiz de Fora (MG), ingressando no Instituto Granbery, então Ginásio Granbery, onde foi redator do jornal O Granbery e trabalhou como inspetor de alunos para custear seus estudos. Em dezembro de 1908, concluiu o curso secundário e, em abril de 1910, diplomou-se em farmácia, tendo sido o orador de sua turma. Em Juiz de Fora, foi também primeiro-secretário da Liga Literária, tendo publicado por esta época um outro livro de versos intitulado Meridianas.

Ainda em 1910, mudou-se para Belo Horizonte e foi nomeado escrevente da prefeitura municipal. Logo em seguida, foi convidado para servir em comissão no gabinete da presidência do estado, então ocupada por Venceslau Brás (1909-1910). Nesse mesmo ano, após aprovação em concurso, foi nomeado escriturário da Secretaria de Finanças do estado, então chefiada por Artur Bernardes, já no governo de Júlio Bueno Brandão (1910-1914).

Em dezembro de 1914, bacharelou-se pela Faculdade de Direito de Belo Horizonte, mas continuou a trabalhar como escriturário até 1915. Neste ano, tornou-se secretário particular e depois oficial-de-gabinete de Teodomiro Carneiro Santiago, secretário de Finanças do governo de Delfim Moreira (1914-1918). Após obter uma suplência de deputado estadual para a legislatura que se estenderia de 1919 a 1922, foi eleito, em abril de 1920, membro do Conselho Deliberativo de Belo Horizonte, para a vaga de Afonso Pena Júnior, que renunciara, em agosto de 1919, para assumir a Secretaria do Interior do estado, já no governo de Artur Bernardes (1919-1922). Em maio de 1922, assumiu o mandato de deputado estadual, em substituição a Francisco Campos, que renunciara, em 1921, após ter sido eleito deputado federal para a legislatura de 1921 a 1923.

Concluído seu mandato na Assembléia mineira, Noraldino Lima, a convite do presidente eleito de Minas, Raul Soares (1922-1924), tornou-se diretor da Imprensa Oficial e redator-chefe do Minas Gerais, diário oficial do estado. Com a morte de Raul Soares em agosto de 1924, a presidência do estado foi assumida em caráter interino pelo vice-presidente Olegário Maciel. Mantendo os cargos anteriores, Noraldino tornou-se ainda secretário particular de Olegário.

Em novembro de 1926, já no governo de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (1926-1930), Noraldino exonerou-se da Imprensa Oficial. Em janeiro de 1927, foi nomeado diretor da Instrução Pública do estado, cargo que deixou algum tempo depois para lecionar e exercer a advocacia.

Com a posse de Olegário Maciel na presidência de Minas em setembro de 1930, Noraldino tornou-se mais uma vez diretor da Imprensa Oficial do estado. No mês seguinte, foi deflagrado o movimento revolucionário que depôs o presidente da República Washington Luís e colocou Getúlio Vargas na chefia do Governo Provisório. Por sua participação ativa no movimento, Olegário Maciel foi mantido à frente do Executivo mineiro, ao contrário dos demais governantes estaduais, então substituídos por interventores. Noraldino Lima foi também mantido em seu cargo, do qual se demitiu, em março de 1931, para ocupar um mês depois a Secretaria de Educação e Saúde Pública de Minas, criada em setembro de 1930.

Embora derrotada em 1932, a Revolução Constitucionalista de São Paulo teve como conseqüência a confirmação das eleições para a Assembléia Nacional Constituinte (ANC) em maio de 1933. Diante deste quadro, o governo federal passou a intervir diretamente na reorganização partidária nos estados, favorecendo a formação de partidos situacionistas através do estímulo e apoio aos interventores. Um desses partidos foi o Partido Progressista (PP) de Minas Gerais, fundado em janeiro de 1933.

No mês seguinte, sob a presidência de Antônio Carlos, o PP realizou em Belo Horizonte sua primeira convenção, que elegeu a comissão executiva do partido, para a qual Noraldino Lima foi indicado e que contou com a participação de diversos políticos de prestígio no estado como Venceslau Brás, Washington Pires, Gustavo Capanema, Virgílio de Melo Franco, Pedro Aleixo e José Francisco Bias Fortes, entre outros.

Após a morte de Olegário Maciel, ocorrida em setembro de 1933, Noraldino foi mantido na Secretaria de Educação pelo interventor interino, Gustavo Capanema, e pelo interventor efetivo, Benedito Valadares, nomeado por Vargas em dezembro de 1933. Em outubro de 1934, foi eleito deputado federal por Minas Gerais pela legenda do PP. Deixando suas funções na secretaria em fevereiro de 1935, ocupou, em maio seguinte, uma cadeira na Câmara, tornando-se, em agosto de 1936, líder da bancada do PP, em substituição a Antônio Carlos. Exerceu o mandato até 10 de novembro de 1937, quando, com o advento do Estado Novo, os órgãos legislativos do país foram suprimidos.

Durante o Estado Novo, Noraldino foi nomeado membro do conselho diretor do Departamento Nacional do Café, órgão criado em fevereiro de 1933, quando foi extinto o Conselho Nacional do Café. Com o processo de redemocratização do país, nos primeiros meses de 1945, os partidos políticos reorganizaram-se em nível nacional. Noraldino vinculou-se então ao Partido Social Democrático (PSD), participando de sua fundação e tornando-se membro de sua comissão executiva em Minas. Em dezembro de 1945, elegeu-se deputado à ANC pelo estado de Minas pela legenda do PSD. No entanto, não chegou a assumir o mandato por ter sido nomeado em fevereiro de 1946, pelo presidente da República Eurico Gaspar Dutra (1946 -1951), diretor da Caixa Econômica Federal do Rio de Janeiro, cargo do qual licenciou-se, em novembro de 1946, para assumir a interventoria em Minas, em substituição a Júlio de Carvalho. Permaneceu como interventor apenas um mês, transmitindo a chefia do Executivo mineiro a Alcides Lins.

De volta ao Rio de Janeiro, tornou-se, em dezembro de 1946, membro do Conselho Superior das Caixas Econômicas Federais. Em março de 1948, foi nomeado vice-presidente do órgão e depois diretor de sua Carteira Imobiliária, função que exercia quando faleceu no Rio de Janeiro no dia 30 de novembro de 1951.

Noraldino Lima fora ainda durante dez anos redator do Diário de Minas, onde começara a trabalhar como revisor e atingira o cargo de diretor. Foi membro da Academia Mineira de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e presidente da Federação das Academias Brasileiras de Letras do Brasil.

Era casado com Djanira Vieira Lima, com quem teve um filho.

Além das obras já citadas, publicou Raul Soares (1928), O momento pedagógico (1934), O café no estado nacional (1944), Vesperais (versos), No vale das maravilhas (prosa, 1925), Elogio dos mortos (prosa, 1926) e Pela educação.

Vera Calicchio

 

 

FONTES: ANDRADE, F. Relação; ARQ. GETÚLIO VARGAS; ASSEMB. LEGISL. MG. Dicionário biográfico; Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação nominal; CONSULT. RAMOS, P.; CORRESP. ARQ. PÚBL. MINEIRO; Diário do Congresso Nacional; Grande encic. Delta; LIMA, J. Como; Minas Gerais (1/12/51); OLIVEIRA, M. História; Personalidades; PINTO, A. Caixa; Rev. Arq. Públ. Mineiro (12/76); SILVA, H. 1930; SILVA, H. 1937; TORRES, J. História de Minas.

 

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