LINK, WALTER

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: LINK, Walter
Nome Completo: LINK, WALTER

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LINK, WALTER

LINK, Walter

*ch. oper. Petrobras 1955-1962.

 

Walter Link, geólogo norte-americano, ingressou na Petrobras — empresa criada em outubro de 1953 pela Lei nº 2.004 com o objetivo de garantir o monopólio estatal do petróleo através de seu primeiro presidente, Juraci Magalhães (1954). Logo após a fundação da Petrobras, Getúlio Vargas apontou três nomes para ocupar a diretoria: Irnack Carvalho do Amaral, João Neiva Figueiredo e o coronel Artur Levy, na ocasião representante do Ministério da Guerra no Conselho Nacional do Petróleo. Em seguida, Walter Link, geólogo-chefe da Standard Oil de Nova Jersey, foi nomeado assessor de Irnack Amaral e de João Neiva Figueiredo, trazendo consigo um grupo de peritos internacionais.

Em 1955 assumiu as funções de chefe de operações da Petrobras. Na gestão de Janari Gentil Nunes (1956-1958) entrou em conflito com este último, ao defender uma política de parcimônia em relação à região amazônica. Segundo ele, as áreas da Bahia e Sergipe mereciam toda atenção, enquanto a vastidão das dificuldades a enfrentar na Amazônia poderia envolver integralmente a Petrobras, caso esta não agisse com cuidado. O presidente era favorável à exploração da região, onde acreditava existir um verdadeiro “mar de óleo”, enquanto Link acreditava que essa política implicaria em gastos de tal ordem que poderiam comprometer a própria estabilidade da empresa. Insistia na racionalização de investimentos e na aplicação de maiores quantias em setores rentáveis e onde o óleo já havia sido descoberto.

No início de 1960, o general Tácito de Freitas, em seu livro Petróleo apesar de mr. Link, acusou-o de ter sabotado o poço de Nova Olinda, na Amazônia, por defender interesses das empresas estrangeiras no setor. Link deixou a Petrobras em 1962, quando concluiu o Relatório Link sobre o petróleo no Brasil. O trabalho, que foi o resultado de estudos de 14 geólogos, dos quais seis brasileiros e oito estrangeiros, sugeriu a suspensão das pesquisas no Acre, na Amazônia, exceto no médio Amazonas, e no Sul do país, gerando intensas polêmicas.

Em fevereiro de 1975, de passagem pelo Rio de Janeiro, Link defendeu a tese de que o Brasil deveria permitir que empresas estrangeiras realizassem trabalhos de perfuração em seu território, propondo inclusive a revisão do monopólio estatal do petróleo. Sobre seu relatório, esclareceu nunca ter declarado que não havia óleo em terra, mas sim que as possibilidades eram maiores em algumas áreas, tais como Bahia, Sergipe, Alagoas e Espírito Santo. Em outubro desse mesmo ano, o presidente Ernesto Geisel (1974-1979) autorizou a Petrobras a firmar contratos de risco com empresas estrangeiras interessadas em explorar petróleo no território brasileiro.

Em maio de 1976, retornando ao Brasil, Walter Link afirmou que as dez áreas que ficaram sob contrato de risco somavam uma pequena extensão de 64 mil quilômetros quadrados, um número ainda reduzido se comparado aos quatro milhões de quilômetros quadrados de bacias sedimentares que o Brasil possuía. Disse ainda que as áreas para o risco eram pequenas em si mesmas, mas ressaltou que a importância do tamanho de cada uma dependeria de uma definição da Petrobras sobre o número de companhias que poderiam operar em cada área. Veio ao Brasil representando a Standard Oil, de Indiana, e declarou na época que, para sua empresa definir se participaria ou não do contrato de risco, seria necessário analisar os mapas geológicos a serem comprados da Petrobras. Demonstrou estar surpreso com o avanço da geologia e pesquisa do petróleo no Brasil em termos de formação de pessoal, pois na década de 1960 formavam-se 64 especialistas por ano, em 1976 esse número era de seiscentos. Concluindo, afirmou que se sua companhia viesse a operar no país, traria a melhor tecnologia disponível para exploração no mar. Esclareceu, entretanto, que tudo dependeria das condições que a Petrobras iria exigir.

Faleceu nos Estados Unidos em outubro de 1982.

 

 

FONTES: Jornal do Brasil (8/2/75, 5 e 6/5/76 e 11/6 /77); LIMA, M. Petróleo.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados